Cidades

FENÔMENO

'Bola de fogo' cruza o céu de cidade
em MS e intriga moradores

Clarão foi visto por muitos moradores de Bodoquena

VALQUÍRIA ORIQUI

09/09/2016 - 16h00
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“Não sei o que era, só sei que quando percebi um clarão, olhei para o céu e vi uma bola de fogo se apagar”. Esta é a definição de quem presenciou a cena, na noite de quarta-feira, feriado de 7 de Setembro, no céu de Bodoquena, e dois dias após o ocorrido, ainda não encontraram explicação para o que viram.

O fato intriga moradores da pequena cidade de aproximadamente oito mil habitantes e distante 270 quilômetros de Campo Grande, que buscam respostas para o fenômeno estampado no céu da cidade turística em pleno feriado de comemoração ao Dia da Independência do Brasil.

A festa de aniversário da irmã de Marce Matias Souza, de 36 anos, foi diferente neste ano. Recepcionista da prefeitura de Bodoquena estava em casa com a mãe e a avó, comemorando o aniversário da irmã, quando a pizza chegou. “Abri a porta para receber a pizza e vi o clarão, quando olhei para o céu vi algo se apagando, mas não sei explicar o que era”, relatou.

O entregador de pizza, segundo Marce, também viu o clarão, mas quando olhou para o céu, a “bola de fogo” já havia se apagado. “Foi tudo muito rápido”, acrescenta Marce ao enfatizar que não era nada parecido com estrela cadente. “A estrela cadente é algo bonito de se ver, ela vai caindo. Mas depois do episódio me perguntei, o que será que foi isso?”.

Ivane Fernandes, de 30 anos, agente de viagens, também testemunhou o clarão e não nega que ficou com medo de pegar a estrada de volta para a cidade na mesma noite do ocorrido. Na companhia do marido e de mais alguns amigos, a agente de viagens conversava na cozinha de um sítio, para onde tinha ido passar o feriado, quando se fez o clarão.

“Era noite, e o céu ficou claro. A princípio pensamos que fosse relâmpago, mas depois vimos que o céu estava bem estrelado e que não tinha tempo para chuva. Foi coisa de segundos”, afirmou Ivane. “Eu estava de moto e fiquei com medo de pegar estrada depois daquilo”.

O caso virou assunto na cidade. Difícil foi encontrar um morador que não tenha visto a “bola de fogo”. “Saímos pelo sítio procurando por algo que pudesse ter caído por perto”, relatou o jornalista Thiago Gonçalves Santos. “Se fosse meteoro ia passar sem iluminar. E toda a cidade viu o clarão”.  

OBJETOS NO CÉU

No dia 28 de dezembro de 2014, objetos brilhantes também foram vistos no céu de Mato Grosso do Sul. Na ocasião, o assunto foi tratado como lixo espacial.

Diferente da chuva de meteoros que trata-se de um fenômeno natural proveniente de materiais que se desprendem de cometas, o lixo espacial é material criado na Terra e lançado no espaço que reentra na órbita terrestre como, por exemplo, pedaço de foguete ou satélite.

Vários registros foram feitos por moradores de diferentes cidades de Mato Grosso do Sul. 

Investimento

Governo entrega pacotão de obras no interior, com investimentos de mais de R$ 150 milhões

Obras em Antônio João abrangem infraestrutura, saneamento e pavimentação

15/03/2026 08h30

Inauguração da obra de pavimentação e drenagem em trechos do município

Inauguração da obra de pavimentação e drenagem em trechos do município Álvaro Rezende/Secom

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O Governo de Mato Grosso do Sul entregou na última semana um pacote de obras voltadas à infraestrutura urbana, rodovias, saneamento e educação no município de Antônio João, a aproximadamente 250 quilômetros de Campo Grande, com investimentos que somam em torno de R$ 151,7 milhões.

Uma das entregas foi a restauração e drenagem da rodovia MS-384, com um investimento de R$ 134,1 milhões e extensão de 67,6 quilômetros. 

A obra abrange trechos estratégicos na região da fronteira, interligando a região Sul do Estado com o Paraguai, permitindo mais fluidez e melhoria na capacidade do tráfego de veículos pesados, comum na região pelo escoamento de produção agropecuária. 

Além disso, a rodovia contribui com a Rota Bioceânica, ligando o município à cidade de Bela Vista. De acordo com o governo, um dos grandes projetos futuros é fazer a ligação de Mato Grosso do Sul às saídas ao Oceano Pacífico. 

“Demos continuidade nas obras e investimentos na cidade, com uma gestão que pensa nas pessoas e leva investimentos aos municípios. Recapeando ruas, levando pavimentação e obras em rodovias. Nosso objetivo é atender o que a população precisa e Antônio João faz parte deste projeto”, afirmou o governador Eduardo Riedel.

Na região urbana, foram entregues obras de pavimentação e drenagem nas Vilas Penzo, Guarany e Pôr do Sol, com investimentos de R$ 14,5 milhões. 

Serão 25 ruas pavimentadas no total ao final da obra. Também foram restauradas 12 ruas do município, com investimentos de R$ 3,1 milhões, através do programa MS Ativo. 

Foram entregues, ainda, obras de perfuração e ativação do poço tubular profundo para o saneamento da cidade, bem como a execução de 4.538 metros de rede coletora de esgoto e a ligação domiciliar em 254 residências. 

Educação

Na área da educação, o Governo entregou a reforma geral da Escola Estadual Pantaleão Coelho Xavier, que atende 497 estudantes desde o 6º ano do Ensino Fundamental (fundamental 2) até o 3º ano do Ensino Médio.

Também foi inaugurada a reforma da Escola Estadual Aral Moreira, que tem 359 alunos matriculados. A reforma modernizou a estrutura, gerando melhora no ambiente acadêmico. 

“Isto representa a união em torno de um propósito. Estamos entregando no Estado uma obra em escola a cada seis dias. Um processo contínuo que valoriza a educação”, disse Riedel.

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DEMARCAÇÃO

Justiça Federal revê decisão e nega ação que tenta tirar povo de terra indígena em MS

Acórdão reconhece que processo de demarcação possui natureza declaratória, ou seja, apenas reconhece um direito originário preexistente

14/03/2026 18h15

Retomada da Terra Indígena Cachoeirinha, em 2013

Retomada da Terra Indígena Cachoeirinha, em 2013 Foto: Ruy Sposati/Cimi

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O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) manteve a decisão de primeira instância que extinguiu uma ação de reintegração de posse movida por detentores do título de propriedade na área da Terra Indígena (T.I) Cachoeirinha, em Miranda, município localizado a cerca de 203 km de Campo Grande.

O acórdão acolheu a prova de que a demarcação da T.I já estava em estágio avançado, com cerca de 610 hectares da fazenda incidindo sobre a área indígena identificada e declarada pela Portaria MJ nº 791/2007.

No entendimento do TRF3 e do Ministério Público Federal (MPF), "não é possível ingressar com ações de reintegração de posse contra terras indígenas em processo de demarcação, não sendo necessário para isso que a demarcação esteja concluída ou homologada. Basta que o processo administrativo de demarcação esteja em curso, com atos como a publicação do relatório técnico e da portaria declaratória, para que a proibição presente na Lei nº 6.001/73 (Estatuto do Índio) tenha efeitos". 

A decisão validou o argumento de que o procedimento demarcatório possui natureza declaratória, ou seja, ele apenas reconhece um direito originário preexistente das comunidades indígenas sobre suas terras tradicionais, conforme o artigo 231 da Constituição Federal.

O TRF3 reconheceu ainda que os proprietários deveriam buscar a tutela jurisdicional apenas através de ações petitórias ou demarcatórias, onde discutem quem é o verdadeiro dono e onde ficam os limites exatos da propriedade, e não  a posse em si.

O processo

A ação foi movida por proprietários quee pediam a reintegração na posse do imóvel rural, sob a alegação de que a área teria sido invadida por integrantes da Comunidade Indígena Terena. A Justiça Federal extinguiu o processo sem julgamento do mérito, levando os autores a moverem o recurso ao tribunal.

O TRF3, em acórdão anterior, deu provimento ao recurso, determinando que, enquanto não houvesse a demarcação definitiva, a área não deveria ser ocupada por indígenas. O MPF recorreu ao próprio tribunal com embargos e, depois de negado o recurso, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em seu recurso especial, o procurador regional da República Robério Nunes dos Anjos Filho defendeu que a ação possessória realmente devia ser extinta sem julgamento de mérito.

O procurador ainda ressaltou que “não é possível na temática indígena aplicar o direito civil de maneira ortodoxa, pois a posse indígena é um instituto heterodoxo, inteiramente regido pelo microssistema constitucional estabelecido nos artigos 231 e 232 da Lei Maior.”

O STJ, acolhendo o recurso, determinou que o TRF3 voltasse a julgar os embargos do MPF, para suprimir a omissão sobre o afastamento da vedação de ações possessórias previsto no artigo 19, parágrafo 2º, da Lei nº 6.001/73

Com isso, o processo voltou ao TRF3. Ao julgar novamente os embargos do MPF, o tribunal atribuiu excepcionais efeitos infringentes ao julgamento – quando, ao corrigir uma omissão na decisão anterior, o embargo acaba por alterar seu resultado – e negou provimento ao recurso dos autores, mantendo a sentença que extinguiu a ação de reintegração de posse sem resolução de mérito, devido à impossibilidade jurídica do pedido.

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