Cidades

Mato Grosso do Sul

Brasil precisa liderar combate ao crime na fronteira, diz especialista em PCC

Lincoln Gakiya, promotor que investiga a organização há mais de 20 anos, defende protagonismo do País nas ações contra o crime para evitar que autoridades continuem "enxugando gelo" ao atuar nas fronteiras com Bolívia e Paraguai em MS

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O promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, é uma das autoridades que mais conhecem a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que nasceu nos presídios paulistas e hoje domina o crime em diversos Estados brasileiros, como Mato Grosso do Sul, por exemplo, e atua nas regiões de fronteira e mantém ramificações em outros países.

Promotor da cidade de Presidente Prudente (SP), município paulista a poucos quilômetros da divisa com Mato Grosso do Sul, Gakya conhece como poucos a maneira como a organização se estrutura nas fronteiras do Brasil com Bolívia e Paraguai, em MS, e tem a receita para reduzir o poder desses grupos criminosos: cooperação entre as forças de segurança nacionais por meio de uma ação coordenada, liderada por uma agência antimáfia, e cooperação também com os países de fronteira, sendo que, neste caso, o Brasil deve assumir o protagonismo no combate ao crime.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, durante o Congresso Internacional de Jornalismo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Gakiya disse que é essencial que o Brasil lidere o combate ao crime na região de fronteira.

“Se o Brasil, como maior nação da América do Sul, não liderar essas tratativas, continuaremos apenas ‘enxugando gelo’ e o problema aumentará nos próximos anos”, alertou o promotor, que investiga o PCC há mais de duas décadas e vive sob proteção permanente da polícia por causa das ameaças que recebe da organização criminosa.

Gakya lembrou que o PCC fincou bandeira do lado paraguaio da fronteira há pouco mais de 10 anos, depois da morte do traficante Jorge Rafaat, em Pedro Juan Caballero, e escalou representantes para gerenciar o crime nas fronteiras com Paraguai e Bolívia.

É o caso de Sérgio Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, que cumpre pena no sistema penitenciário federal desde 2019 e que era um dos chefões do PCC na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

A estratégia para combater o crime em Estados fronteiriços como Mato Grosso do Sul, segundo Gakya, consiste em duas frentes: cooperação interna, com integração e coordenação, e cooperação internacional.

“Tratamos de um problema em que a droga passa por Mato Grosso do Sul, vinda do Paraguai, Bolívia ou Peru, para ser distribuída em São Paulo, Rio de Janeiro e exportada para a Europa”, exemplifica o promotor do Gaeco de São Paulo. Segundo ele, Estados como MS e o Paraná, embora não tenham criado o PCC (que é sediado em São Paulo), convivem com a violência gerada pela disputa pelas rotas do tráfico na fronteira. Já há evidências de que Comando Vermelho e PCC têm disputado essas rotas.

Por isso, no âmbito interno, o promotor de Justiça defende a criação de uma Agência Nacional Anticrime. “Defendo a criação de uma Agência Nacional para combater a criminalidade organizada, que reuniria polícias estaduais e federais, Receita, COAF e Ministérios Públicos em um objetivo comum”, detalha.

“Além disso, a cooperação internacional é vital, pois a cocaína consumida e exportada pelo Brasil é produzida apenas na Bolívia, Peru e Colômbia. Se o Brasil, como a maior nação da América do Sul, não liderar essas tratativas, continuaremos apenas ‘enxugando gelo’ e o problema aumentará nos próximos anos”, complementou.

Bolívia

Com Bolívia e Paraguai, o Brasil já tem importantes acordos de cooperação, mas segundo o promotor Lincoln Gakiya, é preciso que a cooperação se aprofunde para tornar o combate às organizações criminosas mais efetivo. 

Recentemente, o governo da Bolívia anunciou a instalação de um escritório permanente da Polícia Federal brasileira no país para combater o narcotráfico e facções como PCC e Comando Vermelho, em meio a uma escalada de violência na fronteira. 

O acordo prevê intercâmbio contínuo de inteligência e o plano “Fronteiras Seguras”, conforme anúncio feito neste mês de julho pelo ministro de governo da Bolívia, Marco Oviedo. 
Entre as ações previstas estão o aumento do efetivo policial e de operações integradas de inteligência. 

Apesar de acordo como este, um dos maiores problemas na Bolívia é enfrentar a facilidade que os criminosos brasileiros têm em se instalar no país vizinho, onde autoridades policiais costumam ter um salário bem inferior ao dos policiais brasileiros. 

Gakiya acredita que não é apenas o salário baixo que prejudica o combate ao crime no País vizinho.

“Eu acho que não é só isso [o salário baixo] que vai medir o valor da questão da corrupção, porque o dinheiro para eles [criminosos] não é problema”, comentou. 

“Mas claro que é um fator facilitador. O problema ali é que a corrupção na Bolívia já está arraigada no Estado, já está dentro das instituições. Isso é muito difícil de tirar", complementou. 

FERIADO

Finados terá 92 guardas municipais e fiscalização de ambulantes em Campo Grande

Esquema especial segue até segunda-feira (2) nos três cemitérios públicos da Capital, com reforço no trânsito e controle da ocupação das calçadas

01/11/2026 09h30

Cemitérios públicos de Campo Grande terão reforço na segurança e fiscalização do comércio ambulante durante o Dia de Finados

Cemitérios públicos de Campo Grande terão reforço na segurança e fiscalização do comércio ambulante durante o Dia de Finados Divulgação/PMCG

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Quem pretende visitar os cemitérios de Campo Grande no Dia de Finados, nesta segunda-feira (2), encontrará um esquema especial de segurança e fiscalização. Ao todo, 92 guardas municipais e 28 veículos foram mobilizados para atuar nos cemitérios Santo Amaro, Santo Antônio e São Sebastião, além das áreas próximas aos locais. 

A operação começou na sexta-feira (30) e segue até o feriado. Nos dias que antecedem Finados, o patrulhamento também foi reforçado durante a noite. Já na segunda-feira, os agentes estarão nos três cemitérios, das 7h às 18h30, período em que é esperada maior circulação de visitantes.

Além da segurança, o comércio ambulante será alvo de fiscalização. Vendedores que costumam ocupar as proximidades dos cemitérios deverão permanecer nos espaços delimitados pela Prefeitura, sem bloquear calçadas ou dificultar a passagem de pedestres.

A fiscalização ficará a cargo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), que também fará a demarcação dos pontos autorizados para os comerciantes.

A medida busca evitar problemas de circulação, principalmente nos acessos aos cemitérios, onde o movimento de pessoas e veículos costuma aumentar durante o feriado.

Reforço nos cemitérios

A distribuição dos guardas será feita por região. No Cemitério Santo Antônio, na área central, atuarão equipes do Centro, Anhanduizinho e Bandeira.

No Santo Amaro, localizado na região do Imbirussu, o patrulhamento ficará sob responsabilidade de agentes do Imbirussu, Lagoa e Patrulha Ambiental.

Já no São Sebastião, também conhecido como Cemitério do Cruzeiro, na região do Prosa, estarão equipes do Prosa, Segredo e da Fiscalização de Trânsito.

Agentes da Ronda Ostensiva Municipal (Romu) e do Grupo Especializado de Motopatrulhamento (Gemop) também farão rondas nas proximidades. Os cemitérios particulares da Capital estão incluídos no planejamento de segurança.

Durante o feriado, os guardas deverão monitorar a movimentação de visitantes e registrar eventuais ocorrências.

A programação também contará com apresentações da Banda da Guarda Civil Metropolitana nos três cemitérios públicos ao longo de segunda-feira.

As apresentações serão realizadas durante as visitas e homenagens aos mortos. Os horários específicos de cada apresentação não foram informados.

CONFRONTO

Jovem de 21 anos morre em confronto com a PM em distrito de Maracaju

Polícia apreendeu cerca de 22 quilos de maconha, revólver e tornozeleira eletrônica rompida em imóvel no distrito de Vista Alegre

01/11/2026 08h30

Polícia Militar apreendeu cerca de 22 quilos de maconha, revólver calibre .38 e tornozeleira eletrônica rompida durante ocorrência em Vista Alegre, distrito de Maracaju

Polícia Militar apreendeu cerca de 22 quilos de maconha, revólver calibre .38 e tornozeleira eletrônica rompida durante ocorrência em Vista Alegre, distrito de Maracaju Reprodução: Maracaju Speed

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Uma jovem de 21 anos morreu após ser baleado durante uma ação da Força Tática do 15° Batalhão da Polícia Militar, na tarde deste sábado (31), no distrito de Vista Alegre, em Maracaju, a cerca de 160 quilômetros de Campo Grande. Na ocorrência, os policiais apreenderam aproximadamente 22 quilos de maconha, uma arma de fogo e uma tornozeleira eletrônica danificada. 

Conforme divulgado no portal de notícia Maracaju Speed, o rapaz foi identificado como João G. G. Fleitas, ele foi atingido durante uma abordagem policial em uma residência localizada na Rua Vitória Alves Marcondes. João chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com informações policiais, a equipe realizava diligência após receber denúncias sobre o armazenamento e a comercialização de drogas na região. Durante o patrulhamento, os militares encontraram dois homens em frente a um imóvel.

Ao perceberem a aproximação da viatura, os suspeitos fugiram. Um deles correu pela rua e não foi localizado, enquanto João entrou na residência.

Segundo o relato da Polícia Militar, os agentes acompanharam o jovem até o imóvel e, durante a abordagem, ele teria apontado um revólver em direção à equipe. Os policiais efetuaram disparos, que atingiram o suspeito.

O rapaz foi encaminhado ao pronto-socorro da cidade, onde a morte foi constatada.

Conforme informações dos setores de inteligência policial, João possuía antecedentes criminais e seria ligado à facção criminosa Comando Vermelho (CV).

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