Uma operação conjunta das forças de segurança mobilizou a manhã desta sexta-feira (31) em Mato Grosso do Sul e resultou na interceptação de uma aeronave suspeita de realizar voos clandestinos entre a Bolívia e o Brasil.
A ação envolveu a Força Aérea Brasileira (FAB), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a Polícia Federal (PF) e o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), culminando no pouso forçado do avião, posteriormente localizado sem ocupantes.
Segundo informações da FAB, a aeronave ingressou no espaço aéreo brasileiro proveniente do sul da Bolívia sem apresentar plano de voo, sem manter comunicação com os órgãos de controle de tráfego aéreo e com matrícula não identificada.
Diante das irregularidades, o avião foi classificado como suspeito e passou a ser monitorado pelo sistema de defesa aeroespacial.
A operação teve início após o Bope receber informações de inteligência indicando que uma aeronave estaria realizando voos clandestinos em baixa altitude, utilizando rotas entre a Bolívia e o território brasileiro, com suspeita de envolvimento no transporte de cargas ilícitas.
Com base nesses dados, foi solicitado apoio da Força Aérea para realizar a interceptação e permitir a abordagem pelas equipes em solo.
O Comando de Operações Aeroespaciais (Comae) acionou dois caças A-29 Super Tucano, responsáveis pela execução das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA), protocolo adotado em situações envolvendo aeronaves consideradas irregulares ou suspeitas.
Durante a interceptação, os pilotos militares seguiram todas as etapas previstas nos protocolos operacionais, incluindo procedimentos de identificação, comunicação e ordens para mudança de rota e pouso.
Conforme a FAB, a aeronave ignorou repetidamente as determinações da Defesa Aeroespacial, levando à adoção da medida extrema prevista na legislação.
Diante da resistência do piloto em cumprir as determinações, foi empregado o *Tiro de Detenção (TDE)*, recurso autorizado pelo Decreto Federal nº 5.144, de 2004.
O procedimento consiste em disparos de advertência com o objetivo de impedir a continuidade do voo e obrigar a aeronave a realizar o pouso, sendo considerado a última etapa das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo.
Após a intervenção da Força Aérea, a aeronave foi obrigada a realizar um pouso forçado em uma pista não preparada, situada em uma área rural entre os municípios de São Gabriel do Oeste e Camapuã, a cerca de 200 quilômetros ao norte de Campo Grande.
Um helicóptero da Polícia Militar foi mobilizado para dar apoio à ocorrência e transportar as equipes até o local, onde tiveram início as diligências.
Helicóptero da Polícia Militar sobrevoou a área onde a aeronave realizou o pouso forçado durante a operação integrada entre FAB, BOPE, Gefron e Polícia Federal. Foto: Força Aérea Brasileira (FAB).Ao chegarem à aeronave, os policiais constataram que o avião havia sido abandonado.
Nenhum tripulante foi localizado, e equipes do Bope, da Polícia Federal e do Gefron permaneceram na região realizando buscas e diligências para identificar os responsáveis, além de verificar se havia carga ilícita transportada pela aeronave.
Equipes encontraram a aeronave abandonada em uma pista improvisada; o avião apresentava avarias após o pouso forçado. Foto: Força Aérea Brasileira (FAB).Em nota, a Força Aérea Brasileira destacou que atua de forma permanente na vigilância do espaço aéreo nacional e reafirmou que operações integradas com as forças de segurança são fundamentais para combater crimes transnacionais, especialmente nas áreas de fronteira utilizadas por organizações criminosas para o tráfico de drogas, armas e outros ilícitos.
As investigações prosseguem para esclarecer a origem da aeronave, identificar os ocupantes que fugiram após o pouso forçado e apurar a possível ligação do voo com organizações criminosas que atuam na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia.


