Campo Grande é a terceira capital brasileira com mais homens acima do peso, e esse resultado está diretamente associado ao aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como obesidade, diabetes e hipertensão. Na maioria das vezes, tais enfermidades agem silenciosamente e, caso não sejam feitos exames periódicos, podem ser descobertas já na forma avançada, prejudicando a qualidade de vida das pessoas.
A nutricionista Milena Mello comenta que estudos recentes associam a má alimentação e hábitos de vida não saudáveis ao aumento das DCNTs.
Dados da pesquisa do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2023 apontam que 66,9% dos homens da Capital estão acima do peso, entre estes, 27,9% têm algum grau de obesidade.
Porto Alegre ocupa a primeira posição no ranking, com 68,8% dos homens com excesso de peso, e o Rio de Janeiro o segundo lugar, com 68,4%.
QUALIDADE DE VIDA
O professor de História Marcos Espíndola já fez parte desse grupo. Em 2022, tinha obesidade tipo 1 quando decidiu mudar de hábitos. Ele procurou uma nutricionista e começou a fazer atividades físicas frequentemente e, apesar de ter perdido cerca de 20 quilos, relata que o processo foi difícil.
“Foi bem difícil no começo, porque você sai praticamente de um estilo sedentário para uma vida ativa, então a adaptação é complicada. Depois que você se acostuma, fica muito mais fácil e tranquilo, ainda mais com a ajuda dos profissionais corretos. Eu procurei uma nutricionista e também um centro de treinamento”, relata o professor.
Marcos aponta que o excesso de peso não tinha lhe causado um problema de saúde, mas já o atrapalhava no seu dia a dia e para fazer coisas que gostava, como jogar futebol, algo que sempre fez, mas, com uma rotina não saudável, não estava mais conseguindo.
Em 2023, ele conseguiu atingir o objetivo que traçou, e saiu de 108 kg para 91 kg. Agora, o professor estabeleceu uma nova meta para este ano e pretende manter o peso, sem focar tanto o emagrecimento.
“Os dias complicados, quando você acorda mal ou sem ânimo, vontade para treinar e seguir a dieta”, para o professor, foram os fatores que mais dificultaram sua trajetória para chegar até o objetivo.
Os benefícios, não apenas de emagrecimento, mas de qualidade de vida, obtidos por Marcos com a mudança de hábitos também são descritos pela nutricionista.
Milena Mello informa que uma alimentação saudável pode trazer uma melhora na qualidade de vida, com maior disposição no dia a dia, sono de qualidade, produtividade no trabalho, melhora na imunidade e, quando associada a outros hábitos saudáveis, também ajuda a diminuir o surgimento de doenças.
O advogado Gustavo Scuarcialupi notou essa melhora na qualidade de vida após a mudança de hábitos. A virada de chave aconteceu quando ele teve uma lesão, que não teria ocorrido se estivesse em seu peso ideal.
A lesão, somada ao descontentamento estético e às dificuldades para praticar esportes, levou Gustavo ao nutricionista e a voltar para a academia.
“Além de ser a causa principal uma lesão, tive alguns problemas no tornozelo e no joelho, que melhoraram significativamente após emagrecer”, pontua Scuarcialupi.
O advogado relata que ainda não atingiu seu objetivo, mas agora pretende ganhar massa magra e se fortalecer.
Entre as principais dificuldades que teve no processo de emagrecimento, perdeu 16 kg, Gustavo cita a bebida alcoólica e uma certa compulsão por comidas excessivamente calóricas.
A nutricionista informa que a mudança de alimentação é um processo gradativo. Segundo Milena Mello, quem pretende mudar de vida, pode começar com a inserção de mais alimentos naturais e minimamente processados na rotina alimentar.
“Realizar a leitura dos rótulos dos produtos, tirando do carrinho de compras os que têm ingredientes desconhecidos, e realizar uma organização na alimentação da semana, para sempre ter as melhores escolhas e não depender da correria do dia a dia”, sugere a nutricionista.
Uma alimentação não saudável consiste em um desbalanço nutricional, com alto consumo de produtos ultraprocessados, que contêm excesso de açúcar, sal, gordura e outros aditivos, como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, entre outros.
MULHERES
Enquanto isso, o levantamento aponta que, entre as mulheres campo-grandenses, o porcentual que está acima do peso ideal é de 59,1%. Dessas, 26,2% foram classificadas com obesidade.
Entre as capitais brasileiras, Manaus ocupa o topo da lista, com 64,5% de mulheres com excesso de peso, seguida por Salvador, com 63,1%, e Cuiabá, com 62,9%.
O levantamento também aponta que, na Capital, apenas 24,5% dos homens consomem frutas e hortaliças em cinco ou mais dias da semana, enquanto 37,3% das mulheres têm esse hábito.
SAIBA
A nutricionista Milena Mello cita exemplos de alimentos in natura e minimamente processados que podem ser consumidos: leite, ovos, folhas, frutos, farinhas, raízes, carnes resfriadas e cereais, como o arroz.






