Cidades

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China acelera em inteligência artificial para fazer frente ao ChatGPT

Trata-se de inteligências artificiais focadas em conteúdo textual: podem processar a comunicação escrita, responder perguntas, montar sequências de frases, fazer traduções e gerar códigos de programação

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No fértil terreno encontrado pela inteligência artificial (IA) do tipo geradora de conteúdo nos últimos meses, empresas chinesas têm sido praticamente as únicas a fazer alguma frente à predominância das big tech dos EUA. Uma série de anúncios de sistemas chineses voltados à linguagem marca uma resposta na corrida que ganhou destaque com o lançamento do ChatGPT, no final do ano passado.


Por mais que existam nomes de destaque em outras localidades, é do setor privado desses dois países que têm surgido boa parte das principais novidades recentes. Publicamente, as empresas chinesas apertaram o passo desde março, e nomes como Alibaba, Baidu, Huawei e Tencent divulgaram perspectivas de lançamentos ou aprimoramentos em suas versões dos chamados grandes modelos de linguagem - rivais do GPT, o motor do sistema da americana OpenAI.


Trata-se de inteligências artificiais focadas em conteúdo textual: podem processar a comunicação escrita, responder perguntas, montar sequências de frases que parecem ter sido feitas por humanos, fazer traduções e gerar códigos de programação. Apesar de nuances na arquitetura dos algoritmos, as versões apresentadas por essas empresas chinesas têm estrutura semelhante àquelas de nomes como Google, Meta (Facebook) e Microsoft, e as tarefas desempenhadas são, em essência, as mesmas.


Relatório encabeçado pela Universidade Stanford (EUA) lançado no início de abril destaca a participação de ambos os países no setor. E não só competindo. De acordo com o documento, a ponte entre China e Estados Unidos foi a líder nas colaborações entre nações para a produção de artigos científicos sobre IA na última década, por mais que o crescimento anual da parceria venha desacelerando.


"Apesar de EUA e China continuarem a dominar a área de pesquisa e desenvolvimento de IA, os esforços estão se diversificando geograficamente", ressalva o relatório, que teve apoio de empresas como Google, OpenAI, Linkedin e Github, as três últimas ligadas à Microsoft. A participação da Índia em estudos especializados, por exemplo, vem crescendo. O documento, no entanto, destaca a dianteira chinesa nas produções acadêmicas sobre IA, enquanto os EUA lideram no quesito investimento com, US$ 47,4 bilhões (cerca de R$ 234 bilhões) em 2022 ante US$ 13,4 bilhões (R$ 66 bilhões) da segunda colocada China.


Uma comparação entre os resultados práticos desse dinheiro gasto não é tarefa simples, primeiro devido à disponibilidade: apesar de anunciadas, as versões mais atuais desses sistemas não são de fácil acesso ao público. Além das comunicações oficiais das empresas, é possível apenas analisar documentos que acompanham algumas dessas tecnologias, com informações técnicas sobre sua estrutura e desempenho.


O rebuliço causado pelo ChatGPT, que conquistou a marca recorde de 100 milhões de usuários dois meses após seu lançamento, exigiu uma resposta rápida de concorrentes que não necessariamente tinham produtos no mesmo grau de maturidade, como o Ernie Bot, considerado um dos mais avançados na China.


O robô da Baidu, empresa especializada em buscas, tem formato de conversas à la Bing (Microsoft), que tem o GPT por baixo dos panos. A ferramenta propõe funcionalidades semelhantes, além de geração de imagens e fala, como demonstrado em vídeos. Hoje só pode ser acessado por meio de convites seletos.


O Ernie também mostra que o valor gasto não conta toda a história. O relatório de Stanford coloca a produção de sua versão 3.0, lançada em 2021 e uma das bases do Bot, como cerca de cinco vezes mais barata do que a do GPT-2, de 2019, e 180 vezes mais barata que a do GPT-3, de 2020. No geral, o gasto tem subido ao longo do tempo. Para redução de custos, os artigos técnicos da Baidu citam um conjunto de técnicas propostas por pesquisadores da Universidade Tsinghua, baseada em Pequim.


Impor limites para o comportamento das IAs é uma dificuldade enfrentada pelo setor como um todo. A principal diferença é no rigor da linha traçada, mais estrita no caso chinês.


Os termos de uso do GLM-130B, modelo especializado em inglês e chinês lançado pela Universidade Tsinghua em 2022, incluem restrições para aplicações que minem o governo do país.

 

"Você não usará este software para qualquer ação que possa minar a segurança ou unidade nacionais da China, prejudicar o interesse público da sociedade ou infringir direitos e interesses de seres humanos", diz trecho da licença.


Nos EUA, os termos de uso não fazem referência a segurança nacional ou interesses do país, mas, para os sistemas criados por empresas como Google e Microsoft, o desafio de limitar as respostas surge ao tentar evitar que as ferramentas falem abobrinhas ou forneçam, por exemplo, orientações para criar armas químicas. A China também responsabiliza os criadores dos algoritmos, que deverão fornecer os detalhes de seus sistemas para um registro estatal, por eventuais conteúdos inapropriados gerados.


A dificuldade de manter o conteúdo dentro das linhas impostas pelo regime chinês já levou à suspensão de outras tecnologias semelhantes, mesmo as projetadas no próprio país, onde conteúdos da internet com temas considerados sensíveis pelo governo são barrados. O ChatGPT também não funciona por lá.


Como os grandes modelos de linguagem são gerados ao analisar bilhões de textos, em que a IA detecta padrões e passa a reproduzi-los, uma alternativa pode ser limitar a informação que alimenta os robôs, embora essa filtragem traga desafios. Como o conteúdo é volumoso, é difícil descartar tudo o que pode ser problemático, e adotar um conjunto já previamente censurado, por outro lado, pode reduzir demais a quantidade de entradas para o modelo, derrubando seu desempenho.


Assim como a OpenAI, a Baidu não esclarece que dados usou para montar seu software mais moderno. A revista Wired especula que o conteúdo veio da internet chinesa, ou seja, com limitações devido à censura.


Nesses sistemas, num primeiro momento, tudo o que é absorvido está para jogo, incluindo conteúdos perigosos, imprecisos ou eticamente reprováveis. Na sequência, inicia-se um outro processo de treinamento com humanos para definir o que o robô pode ou não dizer. Nada disso é 100% eficaz.


Na prática, após testar o Ernie, jornais como The Washington Post e Nikkei Asia relataram uma experiência menos fluída do que com o GPT. Em partes, pelas restrições impostas pelo governo chinês. Ao ser questionado sobre o líder do país, Xi Jinping, o sistema afirma ser um robô que ainda está aprendendo e, na sequência, força o recomeço da conversa, relata a publicação americana.


Além do direcionamento fornecido por humanos, os pesquisadores da Baidu dizem que também conseguiram melhorias na qualidade das informações ao incluir uma camada de "conhecimentos" factuais para o robô. Assim, o Ernie obteve resultados expressivos em testes de referência.


Só que ele não está sozinho. Nesses ensaios, as ferramentas são submetidas a tarefas padronizadas para medir seu desempenho. Um robô que classifica imagens, por exemplo, analisa um conjunto de fotos catalogadas por humanos para ver o quanto acerta -na prática, as missões são bem mais complexas.


É o que possibilita algum tipo de comparação entre os sistemas, mas isso só vai até a página dois. De acordo com os pesquisadores de Stanford, essas referências estão ficando saturadas: após avanços a galope registrados ano a ano há até pouco tempo, há hoje pouquíssimo avanço no desempenho a cada lançamento porque as medidas não foram feitas para comportar as tecnologias atuais.


No fim, muitas dessas ferramentas podem alardear resultados expressivos em algumas das principais referências usadas hoje. E fica em aberto onde exatamente estão as falhas de cada um. O Ernie 3.0 chegou a liderar o SuperGLUE, conjunto de testes para robôs focados em linguagem criado em 2019 por pesquisadores das universidades Nova York e Washington, do Facebook, da Deepmind e da Samsung.

Agora, o modelo da Baidu é o quarto colocado na lista liderada pelo Vega, da varejista chinesa JD.


Não trata-se, porém, de uma métrica geral das melhores IAs. É uma medida entre várias disponíveis, e alguns concorrentes de peso, entre os quais o GPT-4, nem sequer foram oficialmente aferidos nessa régua. Sem contar que os sistemas podem ter versões otimizadas para se dar melhor em determinadas provas.


A ferramenta da OpenAI é destaque retumbante em uma série de outros testes. Lidera um bastante popular no setor, o MMLU. Numa comparação direta, um estudo feito por pesquisadores da universidade Hainan (China) -ainda não publicado oficialmente e sem revisão por pares-- analisa GPT-4, Ernie e Tongyi Qianwen (Alibaba). Com uma bateria de tarefas feitas para entender o desempenho dos sistemas ao extrair e interpretar informações, a conclusão é a de que o modelo da OpenAI é o mais maduro.

TEMPO

Dourados tem tempestade com ventos acima de 70 km/h

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para o risco de tornados em Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões sul e centro-sul

10/09/2026 08h30

Fortes chuvas atingiram Dourados, na manhã desta quinta-feira (10)

Fortes chuvas atingiram Dourados, na manhã desta quinta-feira (10) FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O município de Dourados amanheceu com uma forte chuva de 14,4 mm nesta quinta-feira (10), com ventos que atingiram velocidade de 71,4 km/h, segundo o meteorologista Natálio Abrão. A tabela de precipitação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostra que a tempestade começou por volta das 3 horas da madrugada e, até o momento, já acumulou 20,6 mm.

Nas primeiras horas do dia, Fátima Sul, que fica a cerca de 41 km de Dourados, teve acumulado de 10,2 mm.
Itaporã, que também fica perto do município douradense, teve chuva de 11,4 mm e rajadas de vento que atingiram 55 km/h. Devido a força desses ventos, os municípios tiveram quedas de árvores.

Desde ontem (9), o Inmet alerta para o risco de tempestades e tornados em Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões sul e centro-sul.

As condições atmosféricas favorecem a ocorrência de chuva intensa, trovoadas, rajadas de vento de até 60 km/h e queda de granizo. 

O instituto classifica o risco como baixo para cortes de energia elétrica, danos em plantações, queda de galhos de árvores e alagamentos.

A previsão indica que a instabilidade deve continuar durante a quinta-feira (10), com pancadas de chuva e trovoadas isoladas.

O cenário é provocado pela atuação de áreas de baixa pressão no interior da América do Sul e de um cavado sobre a Região Sul, que deixam a atmosfera instável. 

Além disso, a chegada de uma massa de ar frio de origem polar deve aumentar o contraste entre o ar quente e úmido e o ar mais frio. Esse encontro favorece a formação de nuvens de tempestade mais organizadas e pode aumentar o potencial para fenômenos meteorológicos severos.

Operação

Alvo da PF, influencer de Campo Grande se gabava de contrabando nas redes

PF diz que suspeito ofertava diversos produtos de alto valor na internet, como iPhones e videogames

10/09/2026 07h45

Foto: Montagem

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A Polícia Federal (PF) prendeu ontem o influenciador campo-grandense Victor Baptista Borges Neto, conhecido como Victor Fio do Bigode, por descaminho e extorsão. Ele ostentava e ofertava em suas redes sociais diversos produtos e equipamentos caros, como celulares, videogames, geladeiras, televisões e caixas de som, o que lhe rendia o suficiente para bancar viagens de luxo.

A Operação Nexum foi deflagrada ontem em Campo Grande, com o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e 2 de prisão preventiva. Além disso, um terceiro indivíduo foi submetido a medidas cautelares diversas da prisão, entre elas a proibição de acesso à região de fronteira, a proibição de contato com os demais investigados e o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

De acordo com a nota divulgada pela PF, o objetivo da ação é “combater organização criminosa suspeita de promover a internalização irregular de mercadorias eletrônicas oriundas do Paraguai, a comercialização de forma parcelada e informal e a cobrança de dívidas mediante grave ameaça”. Por isso, a operação contou com o apoio da Receita Federal.

 

Conforme apurou a reportagem, um dos alvos é o influenciador Victor Fio do Bigode e o segundo preso seria Luciano Henrique de Almeida. Já o terceiro, que está com tornozeleira eletrônica, seria Jefferson Pereira da Silva.

Em sua conta no Instagram, em que acumula mais de 36 mil seguidores, Victor divulgava vídeos e fotos ostentando momentos de viagens para lugares como Fernando de Noronha (PE), Gramado (RS) e Balneário Camboriú (SC), que seriam frutos de suas práticas ilícitas.

Segundo a PF, ele e os investigados “divulgavam os produtos em redes sociais e realizavam cobranças mediante ameaças”. Para se ter ideia do alto padrão de seus produtos, ofertava iPhone, iPad , geladeira, TV, JBL [caixa de som], videogame, notebook, relógio e até fogão. O negócio, segundo o acusado, era fechado com base na “confiança da palavra”.

“Aqui, você encontra produtos de alto valor, vendidos no bigode, com confiança e responsabilidade. Se você é uma pessoa de palavra e valoriza a honra nos negócios, tenho certeza de que, com calma, vamos fechar um bom negócio – do jeito que só quem cumpre seus compromissos entende”, publicou ele em uma das divulgações dos seus produtos.

Essa atitude confirmaria a investigação policial que apontou cobrança de dívidas sob grave ameaça. “Quer entrar no jogo? Aqui não tem conversa fiada, só negócio sério. Quem fecha com a gente, sabe: credibilidade é o que manda! Pra mim, a palavra vale muito mais que o papel, e o meu trabalho, não é só cuidar de tudo por você, mas criar uma relação de confiança e parceria duradoura”, escreveu em outra divulgação.

Em outubro do ano passado, Victor publicou um vídeo em que estaria sendo preso por policiais militares por “segurar o estoque de iPhone 17 Pro Max”. Porém, era apenas uma ação publicitária para divulgar uma nova remessa de produtos que chegaria dias depois. “Sem intenção de ofender autoridades. Se ofendeu, respira fundo”, disse na legenda do post.

Em outros vídeos, satirizava o fato de vender produtos contrabandeados, com imagens de armas e uso de capuz para buscar a mercadoria no Paraguai.

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens imóveis e o bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo, até o limite de R$ 10 milhões, bem como o sequestro de quatro veículos e a suspensão das atividades de três empresas utilizadas. Também há indícios de empréstimos informais, extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais.

DEFESA

Ao Correio do Estado, a defesa de Victor contestou “veementemente” as acusações e afirmou que “durante a investigação e dentro do processo legal, irá juntar documentos e provas de defesa que vão elucidar os fatos e comprovar que tanto Victor quanto Luciano não cometeram tais crimes que estão sendo imputados a eles”, afirmou o advogado. 

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