Cidades

PENITENCIÁRIA FEDERAL

Mesmo com adiamento na CCJ, suposto mandante da morte de Marielle chega à Capital

Aviões saíram de Brasília por volta das 07h40 (pelo horário de Mato Grosso do Sul), trazendo o deputado para a Capital de MS e levando seu irmão, Domingos, para Porto Velho (RO)

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Mesmo após adiamento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (27), os irmãos recentemente citados nas investigações do caso Marielle Franco e Anderson Gomes - Chiquinho e Domingos Brazão - deixaram o Complexo Penitenciário da Papuda, na Capital Federal, com destino à Campo Grande e Porto Velho, respectivamente. 

Conforme imagens registradas pela GloboNews na Capital Federal, o vôo fretado de Brazão para Campo Grande saiu de Brasília às 07h40 (pelo horário de Mato Grosso do Sul) e chegou na Capital sul-mato-grossense por volta das 10h40.

Mesmo irmãos, a estratégia do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), como detalha O Globo, é adotar a chamada "teoria dos jogos", com a intenção de que ambos colaborem para abertura de novas frentes de investigação. 

Ou seja, com as comunicações cortadas, a dúvida que paira é sobre quem deve colaborar primeiro e, assim, garantir benefícios na pena individual, deixando uma punição maior para aquele que optar pelo silêncio. 

Prisões e a CCJ

Ainda nessa terça-feira (26), a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) analisava a manutenção da prisão preventiva do parlamentar carioca, Chiquinho Brazão, transferido para Campo Grande. 

Preso desde domingo por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, ele foi expulso do partido União Brasil, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco. 

Mesmo relacionado ao caso e com decisão do supremo, como detalha a Agência Câmara de Notícias sobre a sessão de ontem (26), após leitura do parecer do relato, deputado Darci de Matos (PSD-SC), um coletivo de parlamentares pediu vista. 

Matos defendeu a manutenção da prisão preventiva, concordando com o STF que essa foi decretada por obstrução à Justiça, que, como detalha o STF, "continuavam a ser praticados ao longo do tempo". 

"A autoridade policial e o Supremo afirmam que, ‘até os dias atuais, é possível aferir a movimentação de Domingos, Chiquinho e Rivaldo no sentido de criar obstáculos à regular tramitação da elucidação dos fatos que circundam o homicídio de Marielle e Anderson, de modo a sinalizar, de forma cristalina, a perenidade de suas condutas’", diz Mattos, conforme parecer publicado pela Agência Câmara de Notícias. 

Cabe apontar que já na próxima semana há o período no qual os parlamentares podem trocar de sigla, a chamada "janela partidária", e, com isso, não haverá sessões em plenário na Câmara dos Deputados deixando a decisão final, portanto, somente para depois do dia 09 de abril. 

Entenda

Mortos em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, Marielle e Anderson foram executados por Ronnie Lessa, que mais recente teve sua delação premiada enviada ao Supremo após provas mencionarem envolvimento de parlamentar federal. 

Apontado pela Polícia Federal como a pessoa que mandou matá-la, Chiquinho Brazão, deputado e ex-vereador, era "colega" de Marielle Franco, com ambos atuando na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. 

Não só Chiquinho foi preso, como dois nomes com cargos de relevância também foram encarcerados por envolvimento no caso da morte de Marielle, sendo: Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e o ex-chefe de Polícia Civil fluminense, Rivaldo Barbosa. 

Com base na delação de Lessa, a PF apurou que a intenção dos irmãos Brazão pela morte de Marielle se deu uma vez que a atuação da parlamentar prejudicava o interesse de milícias na região Oeste do Estado, principalmente ligados a empreendimentos imobiliários

Inclusive, conforme apuração do Estado Conteúdo, "Ronnie Lessa narrou que receberia uma grande extensão de terras, que os Irmãos Brazão estavam planejando invadir para promover o parcelamento do solo para posterior revenda dos lotes" destacou a PF. 

Já o ex-chefe da Polícia Civil deu o apoio no sentido de não permitir que as investigações avançassem, e garantir a impunidade sobre os assassinatos da vereadora e de seu motorista.

 

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tentou transferência

STJ decide manter bicheiro Rogério de Andrade no presídio federal de Campo Grande

O bicheiro teve negada sua transferência para o sistema prisional do Rio de Janeiro e vai permanecer preso em um presídio federal de segurança máxima

13/09/2026 18h00

Rogério de Andrade está preso em Campo Grande desde 2024

Rogério de Andrade está preso em Campo Grande desde 2024 Foto: Reprodução

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O bicheiro Rogério de Andrade teve negada sua transferência para o sistema prisional do Rio de Janeiro e vai permanecer preso em um presídio federal de segurança máxima. A decisão, divulgada neste sábado, 12, é do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que negou o pedido de transferência feito pela defesa do contraventor. Rogério de Andrade está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do preso.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro havia determinado a transferência de Andrade de volta para o sistema prisional fluminense, atendendo a um pedido da defesa, mas o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com recurso.

Conforme o MP, o acórdão do tribunal violou a legislação e o entendimento consolidado pelo STJ ao exigir a existência de fatos novos para justificar a permanência do preso no sistema federal.

Ao acolher o argumento do Ministério Público, o relator ressaltou que, para a renovação da medida, ou seja, a permanência em unidade de segurança máxima, é suficiente a persistência dos motivos que fundamentaram a transferência inicial, desde que demonstrada em decisão devidamente fundamentada. 

A decisão do STJ destaca que o juízo inicial havia indicado elementos concretos para a manutenção de Rogério de Andrade em presídio federal, sendo elas a posição de liderança em organização criminosa, o cenário de disputa violenta pelo controle da exploração do jogo do bicho, a influência sobre agentes públicos para o desenvolvimento de suas atividades criminosas e o parecer da Diretoria da Polícia Penal Federal contrário ao retorno do custodiado ao sistema prisional estadual.

Crimes e contravenção

Rogério Costa Andrade, que também é patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, foi preso em outubro de 2023 após o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentar nova denúncia contra ele pelo homicídio de Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade e que disputava com Rogério o espólio do jogo do bicho de Castor.

Ele é apontado como o chefe de um grupo criminoso "voltado para a prática de diversos crimes", entre eles homicídio, corrupção, contravenção e lavagem de dinheiro.

Rogério é sobrinho de Castor de Andrade, um dos maiores chefes do jogo do bicho no Rio e patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel. Castor morreu em 1997, vítima de doença cardíaca, e a morte iniciou uma disputa familiar pela herança.

Na disputa, estavam Paulinho de Andrade, filho de Castor, assassinado na Barra da Tijuca, em 1998, crime atribuído a Rogério, e Fernando Iggnácio, que era casado com a filha de Castor e que também assassinado, em 2020. 

O assassinato ocorreu no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, logo após Iggnácio desembarcar de helicóptero, retornando de sua casa de praia em Angra dos Reis. Ele foi atingido por três tiros de fuzil, um deles na cabeça

Rogério Castor Andrade foi apontado como mandante do assassinato de Fernando Iggnácio e foi preso em outubro de 2024.

O contraventor foi transferido da Penitenciária de Segurança Máxima Laércio Pellegrino (Bangu 1), no Complexo de Bangu, na Zona Oeste do Rio, para o presídio federal de Campo Grande no dia 12 de novembro de 2024.

* Com Estadão Conteúdo

CAMPO GRANDE

Semed defende escola e denúncias envolvendo merenda viram 'guerra de versões'

Para a Pasta da Educação da Capital, registros de "casos isolados" de crianças com "indisposição gástrica em dias distintos" não teriam associação com a alimentação escolar

13/09/2026 17h30

Para os pais há uma sobrecarga no time de merendeiras e Semed diz que escola integral só possui duas profissionais na cozinha, escaladas conforme turno e demanda

Para os pais há uma sobrecarga no time de merendeiras e Semed diz que escola integral só possui duas profissionais na cozinha, escaladas conforme turno e demanda Marcelo Victor/Correio do Estado

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Após novas reclamações de crianças sobre o aspecto da merenda, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Campo Grande saiu em defesa da escola municipal integral de Campo Grande contra as denúncias feitas por pais e responsáveis, o que faz com que os casos de supostas intoxicações causadas por alimentação escolar indevida tornem-se uma "guerra de versões" na Capital. 

Há cerca de uma semana voltaram a pipocar denúncias contra a Escola Municipal Hilda de Souza Ferreira, com pais indicando que seus filhos voltaram a passar mal, reclamaram da merenda, citando até mesmo existência de um suposto 'quadrado da disciplina' que aconteceria em sala de aula, após a Semed afirmar em um primeiro momento que a alimentação escolar na Rede Municipal (Reme) segue protocolos rigorosos de recebimento, armazenamento, preparo e distribuição, com acompanhamento técnico permanente.

Questionada sobre os novos casos citados na primeira semana de setembro, a Pasta reforçou através da Superintendência de Alimentação Escolar (Suale) que averiguou todas as denúncias relacionadas à alimentação oferecida na unidade e saiu em defesa da Escola Municipal Hilda de Souza Ferreira.

Após novos relatos de pais alegando que seus filhos vomitaram em casa após comerem, por exemplo, frutas impróprias para o consumo na merenda escolar, a Pasta da Educação de Campo Grande afirma que os registros apurados seriam referente a "casos isolados" de crianças que apresentaram "indisposição gástrica em dias distintos". 

"Sem evidências de relação entre as ocorrências ou de associação com a alimentação escolar. Dessa forma, os episódios não caracterizam um problema recorrente ou específico da cozinha da unidade ou mesmo da alimentação ofertada", complementa a Semed em nota. 

Guerra de versões

Com medo de sofrer mais represálias, as mães e pais que preferem não se identificar descrevem alguns ocorridos com seus filhos segundo o que escutam das próprias crianças. Eles reclamam que a escola tem sido "mascarada" para receber as visitas da Semed, já que as intercorrências voltam a acontecer com o passar dos dias. 

Para os pais e responsáveis há uma sobrecarga inclusive no time de merendeiras, já que a unidade estaria com colaboradores em falta. 

Conforme a Semed, essa unidade que oferece ensino integral em Campo Grande atualmente conta somente com duas merendeiras responsáveis pelo preparo e pela distribuição, que obviamente seriam organizadas em escalas conforme os turnos e demandas da escola, não havendo portanto mais do que uma profissional por período.  

Ainda assim, a Semed reforça que a cozinha escolar e os procedimentos de recebimento, armazenamento, preparo e distribuição dos alimentos "são acompanhados semanalmente pelas nutricionistas da Suale, que prestam orientação técnica à equipe e verificam as condições higiênico-sanitárias e operacionais do serviço".

Isso porque os responsáveis pelos alunos da E.M Hilda de Souza alegam ainda ter dificuldade ao buscarem respostas e explicações junto à direção e coordenação do colégio, sem ter o conhecimento de como estão as questões de higiene no local, e temem por não terem retorno do corpo gestor sobre, por exemplo, como poderia estar a situação até mesmo da caixa d'água da escola, o que poderia estar causando as indisposições nos estudantes.

"A Semed e a Suale permanecem atentas às manifestações da comunidade escolar e mantêm o acompanhamento contínuo das unidades, adotando as providências necessárias sempre que alguma situação nos é comunicada", conclui a Semed em nota. 

 

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