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Clima

Com cidade sem chuva há 94 dias, MS segue em alerta para risco de incêndios florestais

As altas temperaturas, falta de chuva e baixa umidade relativa do ar são o combo propício para proliferação de fogo em áreas florestais e urbanas

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Mato Grosso do Sul vive um dos períodos mais críticos do ano, marcado pela estiagem prolongada, altas temperaturas e umidade relativa do ar extremamente baixa. Essa combinação, segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), pode potencializar o risco de incêndios florestais em várias regiões do Estado. 

Diversos municípios apresentam condições críticas com a falta de chuva. Em Campo Grande, Coxim, Corumbá, Dourados, Ivinhema, Paranaíba e Três Lagoas, não chove de forma expressiva há mais de 37 dias. 

Porto Murtinho tem a situação mais extrema. Já são 94 dias sem acumular mais de 10 milímetros de chuva na região. 

Além da ausência de precipitação, os sul-mato-grossenses vêm sofrendo com as altas temperaturas, que superam os 38°C em vários municípios. Em Amambai, Ponta Porã, Três Lagoas e Bataguassu, a umidade relativa do ar caiu para índices entre 8% e 15% nos últimos dias. 

Como valores abaixo de 30% já são considerados extremamente secos, as condições favorecem o surgimento e a propagação do fogo, juntamente com a falta de chuva, que agrava o cenário. 

Em municípios como Três Lagoas, Paranaíba e Coxim, as condições críticas persistem há pelo menos 13 dias seguidos, com temperaturas acima de 30°C e umidade relativa inferior a 30%. 

Esse quadro forma o chamado “triângulo de fogo”, onde o calor e ar seco criam um ambiente altamente propício à ignição e à rápida propagação das chamas.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de MS (CBMMS), foram registradas 1.341 ocorrências de incêndio em vegetação de janeiro a julho deste ano, número 60% maior que os 845 focos registrados entre janeiro e agosto de 2024.

O mês de julho concentrou o maior número de ocorrências em 2025 até agora, com 437 focos em todo o Estado, sendo 188 só em Campo Grande. A tendência para os próximos dias é de aumentar, agravada pela baixa umidade do ar e pela vegetação seca. 

Para os próximos dias, de acordo com o CEMTEC, o risco de fogo segue no nível extremo, com alta probabilidade de incêndios de difícil controle mesmo com apoio aéreo. Segundo as previsões sazonais, entre outubro e dezembro de 2025, as temperaturas devem permanecer acima da média e as chuvas, mal distribuídas, prolongando a vulnerabilidade ambiental. 

Previsão

Nesta semana, o município de Aquidauana registrou a quarta maior temperatura do País, chegando a 41,2°C com umidade relativa do ar em 20%, índice considerado perigoso para a saúde. 

Durante este domingo, as temperaturas devem permanecer altas em todo o Estado, com máximas que podem variar entre 34°C e 41°C. 

Em Campo Grande, as mínimas previstas estão entre 21°C e 23°C e as máximas podem chegar a 34°C e 36°C. 

Próxima semana

A partir da próxima semana, entre segunda (15) e terça-feira (16), deve ocorrer aumento da nebulosidade em grande parte do estado, favorecendo as possibilidades de chuva principalmente nas regiões centro-sul e oeste. 

As precipitações podem vir acompanhadas de tempestades com raios e rajadas de vento. Embora a maior probabilidade de ocorrência seja nas regiões acima, não é descartada a possibilidade de chuva no restante do Estado. 

Os ventos podem variar entre 40-60km/h e em alguns locais podem ocorrer rajadas de vento acima dos 60 km/h. 

Até o dia 26 de setembro devem ocorrer acumulados de chuva na região centro-sul com volumes estimados entre 10 e 70 milímetros. 

Atenção aos cuidados

Para se proteger do calor e cuidar da saúde em dias quentes, o Correio do Estado separou algumas dicas de cuidado:

  • Use protetor solar, boné, chapéu, viseiras, óculos com proteção UV, guarda-sol e sapato adequado ao sair de casa. O protetor solar deve ser reaplicado a cada 3 horas;
  • Use roupas leves, de preferência de cor clara e soltas;
  • Evite o contato direto com o sol, principalmente nos horários de maior intensidade das 10h às 16h. Caso seja inevitável estar exposto ao sol  nesse período, beba bastante água, opte por roupas com proteção UV e intensifique o uso do protetor solar a cada 2 horas;
  • Reduza o tempo de atividade física em ambientes diretamente expostos ao sol;
  • No trabalho ou em casa, deixe o ambiente sempre arejado e climatizado, usando, se possível, um umidificador de ar ou mantendo uma bacia com água por perto;
  • Tome banhos frios;
  • Nos dias mais quentes, faça uso de isotônicos para ajudar a repor os nutrientes perdidos no suor.

AUTONOMIA

Funai aprova relatório de demarcação de terra indígena em Dourados

O povo Guarani-Kaiowá enfrenta uma longa batalha pelo reconhecimento e delimitação da TI Apyka'i, marcada por violência e despejos

29/01/2026 19h45

Joenia Wapichana, presidenta da Funai

Joenia Wapichana, presidenta da Funai Foto: Mayra Wapichana

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A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) aprovou ontem (28) as conclusões do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena (TI) Apyka’i, de ocupação tradicional do povo indígena Guarani-Kaiowá, localizada em Dourados. O Despacho Decisório foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (29).

A aprovação se deu por meio de assinatura do Despacho Decisório pela presidenta da autarquia indigenista, Joenia Wapichana, durante a Oficina de Planejamento da Diretoria de Demarcação de Terras Indígenas (Didem), setor vinculado à Funai, em Brasilia (DF).

O RCID tem por objetivo identificar e delimitar o território da TI Apyka'i, de forma a promover os direitos constitucionais territoriais e culturais do povo Guarani-Kaiowá.   

A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, enfatizou que a assinatura reforça o compromisso do Governo Federal com a autonomia dos povos indígenas e a defesa da demarcação das terras indígenas.    

“O presidente Lula me incumbiu de dar andamento nesses processos territoriais que dão autonomia aos povos indígenas nas decisões sobre os seus territórios. Esse ato hoje é a prova disso, e busca, ainda, reduzir a vulnerabilidade do povo Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul e está em conformidade ao Compromisso de Ajustamento de Conduta (CAC), firmado com o Ministério Público Federal (MPF) e com as lideranças Guarani-Kaiowa, em 2007”, afirmou.   

A presidenta Joenia Wapichana frisou também o comprometimento das equipes técnicas da Funai, formadas por servidores da autarquia que compuseram o Grupo Técnico (GT) para a realização de estudos sobre territorialidade dos Guarani-Kaiowá. As equipes contaram ainda com ativa participação dos indígenas e dos órgãos estaduais e municipais.

TI Apyka'i 

A TI Apyka'i é um território de cerca de 1.058,16 hectares reivindicado como de ocupação tradicional pelo povo indígena Guarani-Kaiowá, que enfrenta uma longa batalha pelo reconhecimento e demarcação de suas terras, marcada por conflitos, ameaças de despejo e condições de alta vulnerabilidade. 

O Tekoha Apyka'i é reivindicado por um grupo familiar Kaiowá como território de pertencimento ancestral. A comunidade viveu por longo período em situação de extrema vulnerabilidade, acampada às margens da BR-463 (eixo Dourados-Ponta Porã), após uma decisão desfavorável de reintegração de posse que resultou em seu despejo, com destruição dos acampamentos por forças policiais, em 2016. 

Entretanto, de acordo com a antropóloga-coordenadora Maria Helena de Amorim Pinheiro, a família Cário-Cavanha, composta por cerca de 128 pessoas, poderá ocupar futuramente a TI.

Desafios

De acordo com o relatório, por um longo tempo, a comunidade permaneceu em um acampamento precário, com moradias de lona, exposta a riscos de vida, devido a proximidade da rodovia, além de assédios e ameaças constantes de agentes de segurança privados contratados por proprietários rurais.

A presença Kaiowá no tekoha Apyka'i é marcada por sucessivas expulsões, violências e tentativas de reocupação.Desde o início do século 20, famílias Guarani-Kaiowá viveram na TI, de onde foram expulsas por fazendeiros. Parte de seus descendentes, liderados por Ilário Cário e, posteriormente, Damiana Cavanha, mantiveram vínculo com o território, mesmo após deslocamentos forçados para reservas como Dourados, Caarapó e Guaimbé.

Em 2023, o Apika'i somou mais de duas décadas de acampamento, com seis remoções forçadas, dois incêndios, seis atropelamentos e uma morte por envenenamento, em um quadro persistente de precariedade.

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Cidades

Cão Orelha: adolescentes investigados voltam ao País e têm celulares apreendidos em aeroporto

Os adolescentes também foram intimados a prestar depoimento

29/01/2026 19h00

Cão Orelha

Cão Orelha Reprodução

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Dois dos adolescentes investigados pela morte do cão Orelha, em Santa Catarina, que estavam nos Estados Unidos em uma viagem escolar à Disney, tiveram celulares e roupas apreendidos pela Polícia Civil nesta quinta-feira, 29, no Aeroporto Internacional de Florianópolis.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos por agentes da Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle) e da Delegacia de Proteção Animal (DPA). As ordens judiciais foram expedidas após as polícias Civil e Federal identificarem a antecipação do voo de retorno dos adolescentes ao Brasil.

Procurada, a defesa dos suspeitos informou que a volta dos jovens foi articulada com a polícia e confirmou que eles entregaram os aparelhos telefônicos e outros pertences às autoridades dentro de uma sala restrita do aeroporto. Os adolescentes também foram intimados a prestar depoimento.

Os celulares apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica para extração de dados, assim como os demais equipamentos recolhidos em busca e apreensão na última segunda-feira, 26. Também foi solicitada a emissão de laudo de corpo de delito do animal.

Orelha morreu em janeiro deste ano após ter sido supostamente agredido por um grupo de adolescentes. Dois dos investigados estavam em viagem aos Estados Unidos quando a Polícia Civil instaurou o inquérito para apurar a morte do cachorro e o crime de coação. Três familiares dos adolescentes foram indiciados por coagir testemunhas do caso (saiba mais abaixo).

Na quarta-feira, 28, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte obtiveram na Justiça uma liminar que determina que plataformas digitais como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok excluam postagens com informações pessoais sobre os investigados Segundo a defesa, o conteúdo divulgado infringe normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Morte do cão Orelha

Orelha tinha 10 anos e era um cão comunitário que vivia na região da Praia Brava, na capital catarinense. Neste mês, ele foi encontrado gravemente ferido, agonizando, e morreu durante atendimento veterinário que tentava reverter o quadro clínico causado pelas agressões.

A Polícia Civil tomou conhecimento do caso no dia 16 de janeiro. As investigações apontam ao menos quatro adolescentes suspeitos de agredir o animal de forma violenta, com a intenção de causar sua morte. Parte das agressões teria se concentrado na cabeça do cão.

As autoridades também apuram se o mesmo grupo tentou afogar outro cão comunitário, na mesma praia, no início de janeiro.

O caso resultou na abertura de dois inquéritos: um para investigar a morte do animal e outro para apurar o crime de coação. De acordo com a polícia, parentes dos adolescentes teriam coagido pessoas que testemunharam o episódio. Por esse motivo, três adultos foram indiciados. Os nomes não foram divulgados pelos delegados, o que impediu o contato com as defesas.

Na última segunda-feira, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos, mas ninguém foi preso. Celulares e notebooks foram recolhidos. Todo o material, incluindo os aparelhos apreendidos nesta quinta-feira no aeroporto, será submetido à perícia.

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, e da 32ª Promotoria de Justiça da Capital, da área do Meio Ambiente, também acompanha o caso.

 

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