Cidades

Direitos Humanos

Com reforma, número de leitos psiquiátricos no SUS diminuiu 40%

Atualmente, existem aproximadamente 25 mil leitos psiquiátricos

AGÊNCIA BRASIL

22/08/2015 - 09h25
Continue lendo...

Em nove anos, o número de leitos psiquiátricos no Sistema Único de Saúde (SUS) diminuiu quase 40%. Em 2006, havia 40.942 leitos em 228 hospitais psiquiátricos. Atualmente, existem aproximadamente 25 mil leitos psiquiátricos do SUS em 166 hospitais no país.

Essa redução vem ocorrendo desde 2001, com a aprovação da reforma psiquiátrica no Congresso Nacional. A lei determina a extinção progressiva dos leitos para internação de longa permanência em hospitais psiquiátricos.

O autor do texto, o ex-deputado Paulo Delgado, afirma que essa legislação reflete uma vontade da sociedade. “O que as pessoas desejam é que os médicos atendam em liberdade, que não isolem, que encontrem um caminho. Se não for possível a cura, que seja um tratamento mais humano, que possa dar conforto ao paciente e tranquilidade à sua família”, esclarece Delgado.

Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, o ideal é fazer o tratamento no seio da família, mas existem casos que exigem internação. "Como dizer que não precisamos internar em hospitais psiquiátricos? Claro que precisamos. Não se acaba com uma doença por decreto. Há os quadros mais graves", defende Antônio Geraldo.

Outro desafio da saída dos pacientes dos hospitais é a retomada do convívio familiar. José Horácio, que não sabe ao certo a idade que tem, tenta a reaproximação com os parentes desde 2013, quando saiu da internação em Barbacena (MG). Primeiro, ele foi morar com a mãe em Araçuai, também em Minas Gerais, e continuou o tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), estrutura criada para atender a pessoas com transtorno mental e substituir a internação.

Depois de mais de trinta anos internado, entretanto, ele não se adaptou a nova vida e acabou agredindo a própria mãe, dona Sebastiana Farias. “Ele tem razão em me estranhar, não foi criado por mim, passou a vida toda no hospital”, desabafa Sebastiana.

Hoje, José Horácio mora em uma residência terapêutica, local adaptado para pessoas com transtornos mentais, e visita a mãe de vez em quando. O sonho dele é voltar para o hospital. “Eu estou com saudades de lá. Não quero ficar aqui não. Aqui não tem nada para fazer”, afirma José Horácio.

Antes das discussões do projeto de lei da reforma psiquiátrica, que tramitou no Congresso por doze anos, diversos movimentos sociais se mobilizaram pela humanização do tratamento e pelo fim dos manicômios, nos anos 1970. Depois de quase quarenta anos de luta antimanicomial, o Ministério Público ainda recebe denúncias de maus-tratos, internações compulsórias e estruturas precárias em hospitais e clínicas psiquiátricas que atendem pelo SUS. Em Barbacena, Minas Gerais, cidade onde centenas de pessoas permanecem no regime de internação de longa permanência, há 82 investigações em andamento no Ministério Público, na área de saúde mental.

Residências Terapêuticas

Um dos principais símbolos da humanização na psiquiatria é uma casa. O direito básico do homem à moradia foi devolvido a milhares de brasileiros com transtornos mentais por meio do projeto das residências terapêuticas, que começou no ano 2000. A ideia era tirar os pacientes dos antigos manicômios para que eles voltassem a ter contato com a sociedade, em um lar com cuidadores e o atendimento de psicólogos e assistentes sociais.

Atualmente, existem 620 residências terapêuticas em todo o país. Em Barbacena (MG), onde havia o maior hospício do Brasil, são 32 residências, coordenadas pela assistente social Leandra Vidal.

“Buscamos a autonomia do ex-interno. Fazemos de tudo para que eles passem a desejar as coisas, para que tomem as rédeas da própria vida. Antes, nós saíamos para comprar roupas para eles, mas hoje já escolhem o que gostam e vão comprar o que precisam. Também procuramos ensinar noções de economia, para que saibam gastar o benefício de prestação continuada que ganham do governo”, explica Leandra.

A assistente social Adriane Oliveira trabalha nas residências terapêuticas desde o inicio do projeto. Ela afirma que a maior dificuldade que enfrenta é o preconceito. “Nós já tivemos situações de vizinhos que reclamaram de morar perto de pessoas que vieram de um hospital psiquiátrico, porque elas poderiam ser agressivas. No início do projeto, inclusive, nós tivemos dificuldade de conseguir as casas para alugar, porque as imobiliárias não queriam os ex-internos nas residências”.

Os moradores têm uma vida agitada. Eles participam de oficinas em centros de convivência, pedem para comemorar os aniversários com bolo e guloseimas e adoram cuidar da casa. Geraldo Antônio da Silva, 62 anos, passou 33 anos internado num manicômio. Agora ele se sente livre para fazer o que gosta. “Eu tenho cachorro, tenho galinha e cuido das minhas plantas. Também tenho uma hortinha que eu adoro”, afirma sorridente.

Em uma das residências terapêuticas de Barbacena moram Adelino Rodrigues, 68 anos, diagnosticado com epilepsia, e Nilta Chaves, 55 anos, que sofre de catatonia. Uma união que para muitos era improvável, mas que já dura quase dez anos. Eles juraram amor eterno diante do altar e ganharam uma festa de casamento. Ex-internos do hospício, aprenderam juntos a enfrentar preconceitos, a cuidar um do outro e da própria casa, e a amar. “A gente nunca briga, nunca xingamos aqui em casa, é excelente”, orgulha-se Adelino.

Outra história cheia de conquistas é a de Rosalina de Oliveira, 57 anos. Ela já realizou os dois grandes sonhos de sua vida. O primeiro foi morar em uma casa sem ter que dividi-la com um monte de gente, como acontece normalmente nas residências terapêuticas. O segundo, e mais importante, foi encontrar a filha que teve durante o período de internação no hospício. Nessas instituições, as mães não podiam ficar com as crianças, que iam para orfanatos ou para a adoção. A própria filha de Rosalina, hoje adolescente, foi atrás da mãe biológica. Hoje, a alegria de Rosalina é receber a menina em casa. “Ela é uma gracinha. Vem me ver sábado e domingo. Gosto muito da minha gracinha”. Rosalina finalmente se libertou das injustiças que, por décadas, aprisionaram os supostos loucos.

O programa “Loucura e liberdade: saúde mental em Barbacena” foi transmitido pelo Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, e está disponível na internet.

Saúde

Paciente aguarda há quase dois anos por exame Holter em Campo Grande

Com fila de 500 pacientes à espera de exame, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou investigação na rede de saúde do município

17/03/2026 08h14

Crédito: Marcelo Victor

Continue Lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para investigar a fila de 500 pacientes que aguardam para realizar o exame Holter. A espera pode chegar a aproximadamente 12 meses, sendo o registro mais antigo desde setembro de 2024, em Campo Grande.

A investigação foi instaurada pela 32ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que considerou a longa espera incompatível com o direito de acesso à saúde, diante da importância clínica do exame.

O Holter é um aparelho ligado a pequenos eletrodos, solicitado por médicos cardiologistas, e é fundamental para monitorar, por 24 horas, o ritmo cardíaco do paciente.

Ainda segundo o Ministério Público, embora a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) tenha implementado mudanças, centenas de pessoas continuam aguardando pelo procedimento. Ressalta-se que, atualmente, a rede municipal realiza o exame em unidades conveniadas. No entanto, a estrutura é considerada insuficiente diante da fila de espera.

Articulação

O MPMS verificou que o governo do Estado oferece o programa “MS Saúde – Mais Saúde, Menos Filas”, criado para reduzir filas de espera por consultas, procedimentos cirúrgicos e exames, incluindo o Holter.

Entretanto, para que a população possa usufruir do serviço, a Prefeitura de Campo Grande precisa alinhar a participação com o Estado, o que, até o momento, ainda não foi formalizado.

Diante disso, a Promotoria de Justiça solicitou informações detalhadas à Secretaria Municipal de Saúde, incluindo números atualizados sobre quantos pacientes aguardam na fila.

Também foram solicitadas informações sobre a capacidade instalada, o cumprimento contratual por parte dos prestadores de serviço e quais medidas estão previstas para ampliar a oferta do exame, como a aquisição de novos equipamentos, a reorganização da rede assistencial e a eventual participação em programas estaduais ou federais.

Além disso, foram solicitados dados ao Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap/UFMS), que recentemente adquiriu novos equipamentos para a realização do exame.

O MPMS determinou que o procedimento tramite em regime restrito, por envolver dados pessoais e informações sensíveis de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A instituição informou que seguirá acompanhando as respostas dos órgãos competentes e cobrando medidas administrativas para garantir a ampliação da capacidade instalada e a redução do tempo de espera.

Assine o Correio do Estado

 

 

CAMPO GRANDE

Batalhão do Choque apreende adolescente que atirou para o alto em chá revelação

O jovem de 15 anos foi detido enquanto traficava cocaína e maconha no bairro Itamacará

16/03/2026 18h45

Continue Lendo...

Um adolescente de 15 anos foi preso na madrugada desta segunda-feira (16), pelo Batalhão de Polícia Militar do Choque. O rapaz foi detido durante uma abordagem de tráfico de drogas, no Bairro Itamaracá, quando entregava cocaína e maconha para uma mulher, de 26 anos. No domingo, dia 8, durante o chá revelação da sua filha, o rapaz comemora com disparos de arma de fogo para o alto.

Durante a abordagem, a "esposa" do adolescente chegou ao local onde ele estava sendo preso e questionou as autoridades sobre o que estava ocorrendo. Neste momento, os militares reconheceram a mulher do vídeo e prenderam o jovem também pelo crime de pelo disparo de arma de fogo em lugar habitado. 

"Tanta forma de se revelar, de se comemorar o sexo de uma criança, de um filho, esse cidadão, esse adolescente, ele parte para o crime, onde que ele pode nem assistir a chegada do filho dele, preso aí, vai pagar pelo seu crime, pelo crime de tráfico de droga, vai pagar pelo seu crime de disparo em via pública, disparo de arma de fogo", disse o comandante Rocha. 

Na casa da mulher que recebia as drogas, os militares encontraram mais entorpecentes. Ela confessou que os entorpecentes seriam de alguém de dentro do presídio, e que sua função era guardar os pacotes. 

Durante a entrevista dos policiais com a esposa do rapaz, ela indicou onde estaria uma arma de fogo, possivelmente a que foi usada durante a revelação do sexo do bebê. O comandante Rocha não confirmou se é a mesma e esta ainda passará pela perícia.

De acordo com o comandante do Choque, além desses delitos, o adolescente tem uma ocorrência de ameaça. A mulher do adolescente, que está grávida e é maior de idade, não foi presa, ela apenas foi conduzida como testemunha para a delegacia. 

Assine o Correio do Estado

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).