Cidades

Campo Grande

Consórcio Guaicurus rodou quase 10 anos sem seguro obrigatório

Auditoria entregue à Câmara de Campo Grande revela caixa zerado, pagamento a funcionários sem trabalhar e dívidas milionárias antes de venda do transporte público

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A intervenção da Prefeitura de Campo Grande no transporte público revelou que o Consórcio Guaicurus enfrentava uma grave crise financeira e ignorava regras básicas do contrato há anos. 

Entre as descobertas mais sérias, os fiscais constataram que as empresas operavam sem o seguro obrigatório contra acidentes, situação em que a concessionária permaneceu “inadimplente quanto à contratação do seguro de responsabilidade civil, geral e de veículos previsto na Cláusula 18.1 do Contrato de Concessão nº 330/2012” desde setembro de 2016. Pela falta da apólice, a agência reguladora municipal (Agereg) aplicou uma multa de R$ 12,23 milhões, que não foi paga.

As informações constam no primeiro relatório de intervenção, entregue à Câmara de Vereadores nesta terça-feira (22). De acordo com a equipe que assumiu a gestão temporária, essa falha representou um “descumprimento contratual de natureza objetiva e continuada, mantido por período superior a nove anos, que expôs usuários, terceiros e o próprio Poder Concedente a risco não coberto”. A cobertura de seguro só voltou a funcionar depois que a prefeitura assumiu o controle do serviço, há três meses.

Além dessa multa milionária, o consórcio responde a condenações pesadas na Justiça. A Justiça Estadual condenou o grupo a pagar R$ 30 milhões por danos morais coletivos devido à péssima qualidade do serviço. A decisão apontou “falhas consideradas estruturais e reiteradas relacionadas à idade da frota, ao Sistema de Informações Georreferenciadas – SIG-SIT (inoperante) e à manutenção das estações de pré-embarque “Peg-Fácil””.

As dívidas judiciais não param por aí 

A empresa responde a 361 processos cíveis comuns, com prejuízo estimado em R$ 17,44 milhões. O caixa do transporte atual também vinha sendo usado indevidamente para pagar indenizações de acidentes antigos de empresas que nem fazem mais parte da concessão, cujos “valores de causa totalizam R$ R$ 1,05 milhão. Parte destas dívidas, inclusive, poderiam ter sido evitadas caso o concessionário do transporte coletivo de Campo Grande  pagasse seguro, conforme estabelecido no contrato de concessão. 

Na área trabalhista, há 29 ações movidas por ex-funcionários, somando uma cobrança estimada de R$ 1,37 milhão.

A situação com impostos e tributos também é crítica. O Consórcio Guaicurus acumulava R$ 31,29 milhões em impostos federais parcelados junto à Receita Federal e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o que exige um “desembolso mensal consolidado de R$ 721.486,16” (cerca de R$ 8,66 milhões por ano) apenas para manter as dívidas em dia.

As empresas também deviam R$ 183,7 mil em parcelamentos de multas ambientais ao IBAMA e R$ 4,85 milhões em impostos cobrados sobre os salários dos funcionários (como INSS e Imposto de Renda), que foram descontados mas não repassados ao governo entre março e maio de 2026.

Caixa zerado

Quando os interventores chegaram às garagens em 16 de junho de 2026, encontraram o caixa praticamente zerado: “o caixa disponível totalizava R$ 415.198,44”, quantia que não cobria nem a metade do adiantamento de salários dos motoristas, que era de R$ 1,03 milhão. Além disso, os limites de empréstimos bancários do consórcio estavam esgotados em 99%, com “R$ 11.736.915,40 utilizados” de um teto de R$ 11,80 milhões em linhas de crédito.

O relatório revelou ainda desperdícios de dinheiro e pagamentos suspeitos. Um dos casos mais graves foi a “manutenção em folha, por 35 meses e a custo estimado de R$ 518.813,43, de três colaboradores alocados a imóvel desocupado em outubro de 2023 e alienado a empresa integrante do grupo dos acionistas”. Outro caso envolveu um motorista mantido em licença paga de forma irregular por cerca de 30 meses, custando R$ 180.522,86 sem trabalhar.

No dia a dia das ruas, a população sofria com ônibus velhos e atrasos constantes. 

A idade média dos veículos subiu para “aproximadamente 10,4 anos em 2026, mais que o dobro do parâmetro contratual de cinco anos, com 108 veículos alcançando dez anos ou mais” de uso, conforme consta no relatório. 

Devido a essa falta de manutenção e atrasos, a fiscalização municipal aplicou “21.910 autuações contra o Consórcio Guaicurus, das quais 12.279 por descumprimento de horários, 3.444 por omissão de viagens e 1.385 por veículos com equipamentos obrigatórios defeituosos ou inoperantes” entre 2021 e 2025.

Para completar o quadro de desorganização, o consórcio pagava por um sistema moderno de computador para gerenciar a frota, que não era utilizado. “o consórcio utiliza menos de 20% da capacidade funcional da plataforma, a despeito de realizar o pagamento mensal do licenciamento integral”, preferindo controlar a operação com papéis e mensagens de celular. Diante de tantas falhas acumuladas, a equipe de intervenção recomendou a reestruturação completa do contrato de concessão.

Venda

Em julho, menos de um mês após a intervenção municipal, a HP Mobilidade, concessionária do transporte coletivo de Goiânia (GO), comprou o Consórcio Guaicurus do grupo liderado por Paulo Constantino, dono da Andorinha Transportes, que controlava o consórcio desde sua formação, em 2012. A negociação, mostrou o Correio do Estado, representa um movimento estratégico no setor de transportes e indica interesses que vão além do cumprimento do contrato atual.

Por meio do proprietário, Edmundo Pinheiro, o grupo HP não esconde a intenção de se tornar o maior conglomerado de transporte urbano do Brasil até 2035. A tendência é que Campo Grande se torne um laboratório para a aplicação do modelo de negócios que já apresenta resultados em Goiânia. Na Capital sul-mato-grossense, o grupo abriu a Maas Transportes, empresa que comprou o Consórcio Guaicurus e possui capital social de R$ 10 mil.

Em Goiânia, o grupo HP investiu pesadamente na modernização da frota e na melhoria da experiência do usuário. A cidade é considerada uma das poucas capitais brasileiras que não enfrentam grave crise de financiamento do transporte coletivo. A transformação, que culminou na conquista do prêmio internacional UITP Awards 2026, foi resultado não apenas da renovação da frota, mas também de uma engenharia jurídica e financeira baseada na relicitação ou na prorrogação antecipada e patrocinada.

É esse dispositivo que o grupo HP pretende implantar em Campo Grande. Na Capital, a prorrogação antecipada e patrocinada desponta como o caminho mais indicado. A transferência de propriedade do Consórcio Guaicurus, porém, ainda depende da autorização da prefeita Adriane Lopes (PP).
 

CLIMA

Sol volta a aparecer em Campo Grande após semana de chuvas fortes

Domingo (18) e segunda-feira (19) seguirão a mesma tendência, com o tempo aberto e predomínio de sol

17/10/2026 09h45

As manhãs começam com sol e variação de nebulosidade

As manhãs começam com sol e variação de nebulosidade Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após uma semana com fortes chuvas em Campo Grande, o sábado (17) volta a ter sol com presença poucas nuvens. As temperaturas variam entre 17°C e 24°C durante o dia, de acordo com a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A umidade relativa do ar na Capital sul-mato-grossense deve variar entre 40% e 95%, enquanto os ventos terão direção predominante entre sul e sudoeste, com intensidade fraca a moderada e rajadas.

Para os próximos dias, o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) de Mato Grosso do Sul indica uma previsão semelhante a deste sábado. No domingo (18) e na segunda-feira (19), o tempo será aberto, com predomínio de sol e variação de nebulosidade em grande parte do Estado. As temperaturas mínimas podem ficar entre 10°C e 12°C, principalmente na região Sul.

Os ventos do quadrante Sul podem atingir velocidades entre 30 km/h e 50 km/h, com possibilidade de rajadas isoladas acima de 50 km/h.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, as temperaturas mínimas em outros municípios do Estado variam entre 11ºC e 20ºC. Amambai, que fica na região do Cone Sul, registrou 11,7ºC pela manhã. Na mesma região, Iguatemi marcou 13,3°C. 

Nas maiores cidades do Estado, a temperatura mínima ficou entre 13ºC e 20ºC. Corumbá, tradicionalmente conhecida por ser mais calorosa, registrou 20,9°C. Três lagoas teve 17,8°C e Dourados esteve com 13,6ºC. No polo do turismo em MS, Bonito teve mínima de 15,4°C. Na fronteira com o Paraguai, Ponta Porã marcou 12,6°C nos termômetros.

Outubro chuvoso

Para o período de 15 a 27 de outubro, a tendência é que as chuvas continuem em diferentes regiões do Estado, com acumulados entre 50 e 250 milímetros, ainda com possibilidade de volumes isolados acima de 270 milímetros.

As regiões Sul, Sudoeste, Central e Sudeste tem previsão de reeberem os maiores acumulados, entre 150 e 250 milímetros. 

Nas regiões Leste, Nordeste, Oeste e Pantanal, os volumes estimados variam de 70 a 140 milímetros. Já na região Norte, a previsão indica acumulados entre 50 e 85 milímetros.

Sustentabilidade

Campo Grande ganha nova loja feita com 1 tonelada de plástico reciclado

Nova unidade do O Boticário no Jardim Centro-Oeste utiliza materiais reciclados na construção e oferece ponto de coleta de embalagens de cosméticos de qualquer marca.

17/10/2026 09h22

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Embalagens e outros resíduos plásticos que poderiam acabar descartados ganham uma nova finalidade em Campo Grande. Aproximadamente uma tonelada de plástico reciclado foi utilizada na construção da quarta loja sustentável do O Boticário na Capital, instalada na Avenida dos Cafezais, no Jardim Centro-Oeste.

A inauguração foi programada para sexta-feira (16), ampliando a presença de estabelecimentos que utilizam materiais reaproveitados na própria estrutura.

A unidade integra um projeto da rede de cosméticos que transforma resíduos plásticos pós-consumo em componentes empregados na construção de espaços comerciais.

A proposta combina a reutilização desses materiais com soluções destinadas a melhorar o conforto térmico e reduzir a necessidade de consumo de energia elétrica.

Parte do plástico utilizado na estrutura vem dos próprios programas de reciclagem do Grupo Boticário, responsáveis por receber embalagens e outros resíduos que podem retornar à cadeia produtiva.

Além da característica ambiental, a construção apresenta diferenças em relação aos modelos convencionais. Segundo informações divulgadas pela empresa, a estrutura é 50% mais leve que os contêineres tradicionais e apresenta desempenho térmico 40% superior. 

Na prática, a tecnologia busca manter condições mais confortáveis no interior do estabelecimento, reduzindo a necessidade de climatização artificial, especialmente em períodos de temperaturas elevadas.

Uma tonelada de plástico ganha nova utilidade

O conceito de lojas sustentáveis foi lançado pelo O Boticário em 2020, com a proposta de incorporar materiais reciclados à construção de unidades comerciais.

As outras três unidades ficam no Assaí Atacadista, na Avenida Duque de Caxias, e nos Atacadões das avenidas Cônsul Assaf Trad e Costa e Silva.

Desde então, a marca passou a adotar um modelo que utiliza, em média, uma tonelada de plástico reciclado por estabelecimento, aproveitando resíduos que já passaram pelo consumo e podem ser transformados em matéria-prima.

A quarta unidade de Campo Grande segue esse padrão e amplia a aplicação do conceito na Capital sul-mato-grossense.

A iniciativa também representa uma alternativa para o aproveitamento de resíduos no setor comercial, ao empregar materiais reciclados em estruturas que tradicionalmente dependem de outros insumos de construção.

O modelo está associado ao conceito de economia circular, que procura prolongar a utilização dos materiais e reduzir a quantidade de resíduos encaminhados para descarte.

Com isso, materiais que já cumpriram sua finalidade inicial podem retornar ao processo produtivo e assumir novas funções, como a composição de estruturas comerciais.

Nova loja também receberá embalagens usadas

A participação dos consumidores no reaproveitamento dos materiais não ficará restrita à construção da unidade.

O estabelecimento terá um ponto permanente de coleta do BotiRecicla, programa do Grupo Boticário que recebe embalagens vazias de cosméticos para destinação adequada.

Um dos diferenciais é que o descarte não está limitado aos produtos vendidos pela rede. Embalagens de cosméticos de outras marcas também poderão ser entregues no local.

A proposta é ampliar as possibilidades de descarte correto desses materiais e estimular a participação dos consumidores na reciclagem, evitando que embalagens reaproveitáveis sejam misturadas ao lixo comum.

Dessa maneira, além de funcionar como ponto de venda de produtos de beleza e cuidados pessoais, o estabelecimento passa a oferecer um serviço de recebimento de resíduos.

O espaço de coleta permanente também permite que moradores da região utilizem a estrutura ao longo do funcionamento da unidade, sem depender exclusivamente de campanhas pontuais de arrecadação.

Onde fica a nova loja do Boticário?

A quarta loja sustentável da marca em Campo Grande está localizada na Avenida dos Cafezais, nº 1, no Jardim Centro-Oeste. A inauguração aconteceu ontem, sexta-feira (16).

Entre as ações preparadas para a abertura estavam a distribuição de girassóis, ecobags e atividades promocionais voltadas aos visitantes.

Com a nova unidade, Campo Grande passa a contar com quatro estabelecimentos da marca dentro do modelo sustentável, que reúne utilização de plástico reciclado, soluções construtivas voltadas ao conforto térmico e incentivo à coleta de embalagens usadas.

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