Cidades

Mato Grosso do Sul

Crimes de racismo e injúria serão investigados por delegacias especializadas

Em 2022, foram contabilizadas 43 ocorrências de racismo e 469 de injúria em Mato Grosso do Sul

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O governador do Estado, Eduardo Riedel, decretou que os crimes originalmente motivados por convicções ideológicas, de gênero, de orientação sexual, convicções religiosas, raciais, culturais e étnicas passem a ser investigados, apurados e reprimidos por delegacias especializadas.

Conforme o decreto publicado na quinta-feira (26), a Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops) passará a investigar, reprimir e apurar as "infrações penais de intolerância, definidas como condutas que configurem violência física, moral ou psicológica, originalmente motivadas pelo posicionamento intransigente e divergente de pessoa ou de grupo em relação a outra pessoa ou a grupo e caracterizado por convicções ideológicas, de gênero, de orientação sexual, religiosas, raciais, culturais e étnicas".

Já a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios (DEH) passa a ter a função de reprimir, apurar e investigar os crimes de homicídios tentados ou consumados que tiverem a motivação por convicções ideológicas, de gênero, de orientação sexual, religiosas, raciais, culturais e étnicas.

O delegado-geral da Polícia Civil, Roberto Gurgel Filho, explica que anteriormente este tipo de crime era pulverizado, sendo investigado nas delegacias de área.

"O crime era investigado pela delegacia onde o crime foi registrado. Com essa mudança, que faz parte da nossa diretriz de atender os grupos de minorias, estes crimes, sejam eles de violência ou de homicídio, serão investigados por delegacias especializadas. Desta forma é possível aprimorar o trabalho de investigação e oferecer à população um atendimento específico", destacou.

Gurgel ressalta que a intenção do decreto é concentrar a competência das investigações para que haja capacitação profissional, com novas formas de investigação, aperfeiçoamento neste tipo de crime e atendimento especializado à população.

"Quando uma equipe é responsável por investigar apenas crimes específicos é possível aprimorar o trabalho e capacitar o profissional".

A injúria racial é a ofensa a alguém, um indivíduo, em razão da raça, cor, etnia ou origem. E o racismo é quando uma discriminação atinge toda uma coletividade ao, por exemplo, impedir que uma pessoa negra assuma uma função, emprego ou entre em um estabelecimento por causa da cor da pele.

Em Mato Grosso do Sul, foram contabilizadas 43 ocorrências de racismo em 2022, contra 21 casos em 2021, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Em ambos os períodos foram somados os crimes de racismo por raça/cor, por LGBTfobia, religião e divulgação do nazismo.

Já as injúrias somaram 308 em 2021 e 469 ocorrências em 2022, tipificadas por raça/ cor, LGBTfobia, religião, idoso e deficiência.

Nova lei

Está em vigor desde o dia 12 de janeiro de 2023 a nova lei que equipara as penas do crime de injúria racial ao de racismo. Agora, a injúria racial pode ser punida com reclusão de dois a cinco anos. Antes, a pena era de um a três anos.

Vale ressaltar que a nova legislação se alinha ao entendimento do Supremo Tribunal Federal que, em outubro do ano passado, equiparou a injúria racial ao racismo e, por isso, tornou a injúria, assim como o racismo, um crime inafiançável e imprescritível.

A pena para este tipo de crime será dobrada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas, além de ter aumento se o ato for praticado em eventos esportivos ou culturais e para finalidade humorística. De acordo com a técnica da Subsecretaria de Estado de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, Irinéia Cesário, a mudança traz um novo cenário político para luta antirracista.

"Punir o crime de racismo faz com que ele diminua efetivamente. Entendemos que estamos avançando, mas muito ainda precisa ser feito para que toda a sociedade entenda que atos de discriminação não são mais tolerados e que sim há punição. E nós enquanto Governo do Estado buscamos em nossas ações fortalecer o combate a todo o tipo de discriminação, seja ela por raça, por gênero ou classe social", afirma Irinéia.

INTERIOR

Agesul usa R$5 milhões para cercamento de 14 km do acesso a Bonito

Ação busca mitigar quantidade de acidentes envolvendo a fauna sul-mato-grossense

05/08/2026 09h13

Rodovia MS-345 é conhecida como Estrada do 21

Rodovia MS-345 é conhecida como Estrada do 21 Reprodução/Divulgação

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Conforme publicado pela Diretoria de Licitações de Obras (DLO) na edição desta terça-feira (05) do Diário Oficial Eletrônico do Mato Grosso do Sul, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (AGESUL) deve usar R$5 milhões em cercamento, para cobrir cerca de 14 quilômetros da rodovia MS-345 que dá acesso à Bonito com o intuito de diminuir a quantidade de acidentes envolvendo a fauna local. 

Essa concorrência que tem o "menor preço" como critério de julgamento possui o valor estimado em exatos R$5.071.615,56, que serão usados para a instalação de 27,6 quilômetros de cercamento. Levando em conta que essas cercas precisam ser colocadas em ambos os lados, isso resulta na cobertura de aproximadamente 13,8 km da rodovia. 

Popularmente conhecida como Estrada do 21, a rodovia MS-345 deve receber essas intervenções mais próximo ao entroncamento "B" da BR-419. 

Essa concorrência eletrônica têm abertura marcada para o dia 24 de agosto, às 08h30 pelo horário do Mato Grosso do Sul, através do portal de licitações E-Kronos, plataforma através da qual é possível também obter edital e respectivos anexos através da aba de consultas (CLICANDO AQUI).

Acesso recente

Rodovia que encurta o trecho Campo Grande-Bonito em 40 quilômetros, o que é equivalente a 30 minutos a menos de trajeto, em comparação ao famoso trecho da BR-060, a MS-345 foi inaugurada pelo governador de Mato Grosso do Sul quando Eduardo Riedel, hoje no Partido Progressista (PP), ainda era um "tucano" filiado à Social Democracia Brasileira (PSDB), há cerca de dois anos. 

Desde meados de 2024, quem sai de Campo Grande rumo a Bonito, via BR-262/MS-345, passou a percorrer 260 quilômetros pelos municípios de Terenos, Dois Irmãos do Buriti, Anastácio e Aquidauana, tempo de trajeto de em média 3 horas e 20 minutos.

Para tirar essa rodovia do papel foi necessário investimento, por parte do governo de Mato Grosso do Sul, de R$ 368 milhões, sendo que, inicialmente, foram instalados 46 passagens inferiores de fauna, e previsto ainda implantação de sonorizadores, tela condutora de fauna, placas lúdicas, campanha de sensibilização de motoristas, monitoramento permanente e de eficiência, além deste cercamento que deve acontecer agora para tentar sanar o problema de acidentes.
**(Colaborou Naiara Camargo)

 

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POLÍCIA FEDERAL

Operação mira grupo especializado em comércio ilegal de armas em MS

A investigação começou após análise pericial em um celular, apreendido em outra ação, revelar indícios de atuação da associação criminosa

05/08/2026 08h45

Armas e munições foram apreendidas durante a operação, em Campo Grande

Armas e munições foram apreendidas durante a operação, em Campo Grande Divulgação: Polícia Federal

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (5), a Operação Arsenal Oculto, com o objetivo de desarticular uma associação criminosa investigada pelo comércio ilegal de armas de fogo e munições em Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, são cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, expedidos pela Justiça. 

A investigação teve início após a análise pericial de um celular apreendido na operação Heredita Damnare, realizada em outubro de 2025, que revelou indícios da atuação do grupo, dedicado à intermediação e à comercialização clandestina de armas e munições.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados atuavam na captação de armamentos, na localização de compradores e na intermediação das negociações, obtendo vantagem financeira com as transações ilícitas.

Os investigados poderão responder pelos crimes de comércio ilegal e posse ilegal de arma de fogo, além de associação criminosa.

Heredita Damnare

A Operação Heredita Damnare, a qual deu início às investigações da Arsenal Oculto, foi deflagrada em outubro do ano passado e teve como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas e munições.

Nesta operação, foram cumpridos 15 mandados de prisão preventiva e 20 de busca e apreensão, sendo 11 em Mato Grosso do Sul, nos municípios de Campo Grande, Dourados e Ponta Porã, oito em São Paulo (Grande São Paulo e Bauru) e um na Bahia. 

Na época, a Justiça determinou o sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5,4 milhões pertencentes aos investigados.

Segundo as investigações, a organização criminosa utilizava caminhonetes clonadas e empresas de fachada para contrabandear drogas e munições da fronteira com o Paraguai.

O material ilícito era posteriormente transportado para grandes centros urbanos, como o estado de São Paulo. Durante a apuração, foram apreendidas mais de 14 toneladas de maconha provenientes do país vizinho.

De acordo com a Polícia Federal, o nome da operação  Heredita Damnare (que significa "herança maldita") faz referência a um dos líderes da organização, que assumiu a mesma atividade ilícita do pai, preso anteriormente pelo mesmo crime.

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