Cidades

marajás

Decisão do STF tem efeito contrário e juízes de MS elevam salários

Rubrica "Vantagens Eventuais" saltou de R$ 4,83 milhões em março para R$ 19,87 milhões em abril. Tem desembargador com R$ 227 mil e dados da transparência ainda estão incompletos

Continue lendo...

Apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) tomada em 25 de março determinando que o teto salarial dos magistrados brasileiros é de R$ 78,8 mil, em Mato Grosso do Sul esta determinação parece ter provocado efeito contrário e dezenas deles tiveram rendimentos brutos maiores que os dos meses anteriores e e dezenas deles superaram os R$ 200 mil. 

Dados do portal da transparência tornados públicos na tarde desta quarta-feira (6) revelam que o maior salário chegou a R$ 227,36 mil. Depois dos descontos, o líquido ficou em "apenas" R$ 191 mil. Este valor, porém, ainda tende a aumentar, pois a tabela relativa a verbas retroativas ainda hão havia sido publicada. Normalmente ela sai um dia depois da tabela principal.

No mês passado, a maior parte dos cerca de 230 magistrados recebeu R$ 46 mil referentes a esta rubrica. Ou seja, se este pagamento persistir, este valor, que não sofre descontos, será acrescido ao salário líquido de boa parcela dos magistrados.

O campeão no rankig salarial referente a abril (R$ 227 mil) está longe de ser um caso isolado. Praticamente todos os 37 desembargadores e juízes de entrância especial receberam acima dos R$ 190 mil, conforme a tabela publicada nesta quarta-feira. 

E, ao contrário do previsto, todos eles receberam salário superior ao do mês passado. Em março, o total da folha do Judiciário foi de R$ 123,73 milhões (sem contabilizar parte dos penduricalhos). Em abril, este montante saltou para R$ 140,15 milhões. 

E a maior parte deste aumento foi parar no bolso dos juízes e desembargadores. A rubrica específica de "Vantagens Eventuais", que garantiu até R$ 155.272,86 para um único magistrado em abril, saltou de R$ 4,83 milhões em março para R$ 19,87 milhões no pagamento feito agora em maio.

Isso significa aumento superior a 310%  depois que o STF disse ter colocado limites nos penduricalos. Segundo o Tribunal de Justiça, Vantagens Eventuais são relativas a "abono constitucional de 1/3 de férias, indenização de férias, antecipação de férias, serviço extraordinário, substituição, pagamentos retroativos, além de outras desta natureza".

Ou seja, ao contrário daquilo que determinou o STF, os penduricalhos no judiciário estadual de Mato Grosso do Sul aumentaram. O chamado salário-base, de até R$ 41,8 mil, ficou estável. Nesta semana, porém, 13 juízes substitutos foram promovidos e receberão aumento por conta disso no próximo pagamento.

A divulgação da tabela com os salários dos juízes saiu praticamente no mesmo horário em que o STF divulgava nota na qual quatro ministros do STF reafirmavam que as novas regras sobre o teto da magistratura já estavam valendo. 

Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reiteraram, nesta quarta-feira (6), a proibição de criação, implantação ou pagamento de parcelas remuneratórias e indenizatórias que não estejam expressamente autorizadas na tese de repercussão geral em que o Plenário reforçou o cumprimento do teto constitucional e fixou balizas para o regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público (MP).

A determinação conjunta dos relatores foi tomada após notícias veiculadas pela mídia sobre a criação de verbas por diversos órgãos, mesmo após o julgamento realizado pelo Plenário, em 25/3/2026, e sem observância da tese aprovada pelo Supremo.

O texto ressalta que, em caso de descumprimento, pode haver responsabilização penal, civil e administrativa de presidentes de tribunais, chefes dos Ministérios Públicos da União e dos estados, da Advocacia-Geral da União, das procuradorias-gerais dos estados, das defensorias públicas e dos demais ordenadores de despesa.

Transparência e controle

Os ministros também reafirmaram a obrigação de tribunais, ministérios públicos, defensorias públicas, advocacias públicas e tribunais de contas de divulgarem mensalmente em seus portais os valores pagos a seus membros, com detalhamento das rubricas. Os gestores poderão responder por divergências entre os valores divulgados e os efetivamente pagos.

A determinação conjunta foi formalizada em despachos na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6606, de relatoria do ministro Gilmar Mendes; na ADI 6604, de relatoria do ministro Cristiano Zanin; na Reclamação (RCL) 88319, relatada pelo ministro Flávio Dino; e nos Recursos Extraordinários (REs) 968646 e 1059466 (Temas 976 e 966 da repercussão geral), relatados pelo ministro Alexandre de Moraes.

No julgamento em Plenário em março, o STF definiu regras para o regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público até a edição de lei nacional prevista no parágrafo 11 do artigo 37 da Constituição Federal. 

Na ocasião, o colegiado reafirmou que o teto constitucional é de R$ 46.366,19 e estabeleceu uma organização das folhas de pagamento, proibindo a criação de auxílios e verbas indenizatórias sem lei federal específica aprovada pelo Congresso Nacional.

No último dia 26, a associação que representa os magistrados em todo o país chegou a entrar com recurso pedindo dilação do prazo para aplicação das novas regras. Este pedido, porém, não chegou a ser julgado. 

CONTRARIEDADE

No final de março, a associação que representa os magistrados em Mato Grosso do Sul criticou a decisão do STF “A decisão alcança direitos reconhecidos ao longo de décadas e envolve princípios como a segurança jurídica e a proteção da confiança legítima. A preocupação não é apenas com o impacto direto na magistratura, mas também com os reflexos na prestação jurisdicional”, dizia nota da AMAMSUL.

“Estamos acompanhando o tema e atuando na defesa das garantias institucionais e da qualidade da prestação jurisdicional”, concluiu a nota da associação. 

 

Magistratura estadual

TJMS promove 13 juízes para comarcas do interior de Mato Grosso do Sul

Promoções definidas pelo Órgão Especial seguiram critérios de antiguidade e merecimento e contemplaram cidades de diferentes regiões do Estado

06/05/2026 17h53

TJMS promove 13 juízes para comarcas do interior de Mato Grosso do Sul

TJMS promove 13 juízes para comarcas do interior de Mato Grosso do Sul Divulgação

Continue Lendo...

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) realizou, nesta quarta-feira (6), sessão administrativa do Órgão Especial marcada por uma série de promoções na carreira da magistratura estadual.

Ao todo, 13 juízes substitutos foram promovidos para comarcas de primeira entrância, unidades judiciárias de menor porte, geralmente situadas em cidades pequenas, com reduzido movimento forense e estrutura de vara única.

As comarcas de primeira entrância representam o início da carreira da magistratura e não possuem hierarquia de subordinação, mas sim classificação funcional baseada no volume de processos.

As promoções contemplaram diferentes regiões do Estado e seguiram os critérios de antiguidade e merecimento previstos na legislação.

As definições ocorreram após análise das inscrições deferidas pelo Conselho Superior da Magistratura e representam mais um avanço na composição do quadro de magistrados do Judiciário sul-mato-grossense.

Entre as promoções por antiguidade, o juiz Anderson do Amaral Lima Silva foi promovido para a comarca de Itaquiraí.

Também ascenderam pelo mesmo critério a juíza Letícia Meneguete Celin, para a comarca de Angélica; o juiz Victor de Almeida Pires Amado, para Rio Negro; o juiz Ricardo Achutti Poerner, para Anaurilândia; o juiz Pedro Gonçalves Teixeira, para Água Clara; a juíza Thaís Moreira Souza de Queiroz Ottoni, para Sete Quedas; e o juiz Hebert Fabiano Silva Pedroso Filho, para Batayporã.

Já pelo critério de merecimento, o juiz Yuri Petroni de Senzi Barreira foi promovido para a comarca de Pedro Gomes. A juíza Maressa Duchini Moreira de Menezes ascendeu para a comarca de Inocência, enquanto o juiz Glauber José de Souza Maia foi promovido para Eldorado.

Também foram promovidos por merecimento o juiz Yves West Behrens, para Porto Murtinho; o juiz Rafael Vieira de Leucas, para Coronel Sapucaia; e o juiz Flávio Renato Almeida Reyes, para a comarca de Nioaque.

As movimentações fazem parte da política de fortalecimento da magistratura estadual e visam atender à demanda das comarcas do interior de Mato Grosso do Sul, garantindo maior eficiência na prestação jurisdicional à população.

Região Leste

Polícia Civil prende suspeitos em MT por envolvimento em onda de assassinatos em MS

Operação integrada entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso mira facções criminosas ligadas a homicídios em Três Lagoas, Paranaíba e Aparecida do Taboado

06/05/2026 17h17

Polícia Civil prende suspeitos em MT por envolvimento em onda de assassinatos em MS

Polícia Civil prende suspeitos em MT por envolvimento em onda de assassinatos em MS Foto: Policia Civil

Continue Lendo...

A Polícia Civil, em ação integrada entre unidades de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, deflagrou nesta quarta-feira (6) a Operação Suppressio, com foco no combate a homicídios e ao avanço de organizações criminosas na região leste do Estado.

A ofensiva resultou no cumprimento de mandados judiciais, prisões temporárias e uma prisão em flagrante.

A operação foi coordenada pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da 1ª Delegacia de Polícia de Paranaíba, com apoio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF), da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) e do Núcleo de Inteligência de Rondonópolis (MT).

Segundo a Polícia Civil, as investigações reuniram elementos que apontam a participação dos suspeitos em, pelo menos, cinco homicídios registrados nos municípios de Três Lagoas, Paranaíba e Aparecida do Taboado.

Em Três Lagoas, na última segunda-feira (4), foi preso Caíque Natan de Souza, de 27 anos, apontado como suspeito de envolvimento em crimes violentos na cidade.

Conforme a polícia, ele foi localizado após trabalho de inteligência do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Três Lagoas e estava em posse de armas de fogo, munições e outros elementos ligados aos delitos investigados.

Já nesta quarta-feira, equipes policiais realizaram buscas em Paranaíba para apreensão de provas documentais e digitais que devem reforçar o inquérito policial.

Em ação interestadual realizada em Rondonópolis (MT), investigadores de Paranaíba, com apoio das forças de segurança mato-grossenses, localizaram e prenderam outros dois investigados, identificados pelas iniciais E.P.D.C. e G.M.S.

O delegado responsável pelas investigações afirmou que os homicídios possuem relação com disputas territoriais entre facções criminosas na região.

“Tivemos alguns homicídios que teriam relação com facções criminosas, em conflito pela tentativa de tomar espaço, até pela localização geográfica do nosso município, que faz divisa com outros estados”, explicou.

Ainda segundo o delegado, o trabalho do SIG foi fundamental para identificar os envolvidos e solicitar as medidas judiciais.

“O pessoal do Serviço de Investigações Gerais levantou alguns dados e chegamos à conclusão de que integrantes de uma organização criminosa estariam envolvidos em, pelo menos, dois homicídios realizados na região. Apresentamos o pedido de prisão ao juiz, que foi prontamente deferido”, destacou.

O delegado também ressaltou a integração entre as forças policiais dos dois estados durante a operação.


“Com o apoio da Polícia Civil de Mato Grosso, realizamos um trabalho de inteligência que levantou os endereços dos investigados. Também pedimos mandados de busca e apreensão, que foram autorizados pela Justiça. Graças à integração das forças de segurança de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, conseguimos prender pelo menos três indivíduos relacionados aos homicídios no nosso Estado”, afirmou.

Conforme a Polícia Civil, o nome da operação “Suppressio” faz referência à supressão e ao impedimento das atividades criminosas ligadas a execuções, disputas territoriais e ataques violentos.

Relembre os casos em Três Lagoas

No sábado (2), um homem identificado como Pedro Augusto Otaviano dos Santos, conhecido como “Cabelinho”, foi morto a tiros em frente a uma residência na Rua Michel Thomé, no bairro Vila Nova.

Já no domingo, na Circular da Lagoa, um dos principais pontos turísticos da cidade, um casal de jovens foi baleado enquanto trabalhava em uma lanchonete. Na ocasião, a jovem Kailayne Mirele Esperidião, de 19 anos, foi atingida por nove disparos de arma de fogo calibre 9 milímetros e morreu no local.

O namorado da vítima, Gabriel dos Santos Souza, de 18 anos, também foi baleado ao tentar protegê-la. Ele foi socorrido em estado grave e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, mas não resistiu aos ferimentos, morrendo na manhã desta terça-feira (5).

No bairro Interlagos, um homem foi baleado dentro de um bar após ser chamado pelo nome pelo autor dos disparos, que efetuou cerca de três tiros. A vítima foi atingida no rosto e no ombro, sendo socorrida em estado grave.

Outro caso envolveu um jovem de 21 anos, baleado por ocupantes de um veículo. Ele foi atingido por três disparos e também encaminhado ao hospital.

A Polícia Civil investiga os casos e trabalha para identificar possíveis conexões entre as ocorrências.

Assassinato em Paranaíba

Segundo informações policiais, uma dupla em uma motocicleta chegou à residência da vítima e, sem descer do veículo, efetuou diversos disparos. O crime aconteceu na noite de 14 de abril, na frente de familiares do rapaz.

A vítima, conhecida como “Kamikase”, era casada e morava na região. Conforme registros policiais, ele possuía extensa ficha criminal, com passagens por diversos crimes e prisões anteriores.

De acordo com a polícia, foram efetuados 16 disparos, dos quais 13 atingiram a vítima.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).