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ALERTA

Diabetes pode ser uma sequela da Covid-19, diz endocrinologista

Pesquisas indicam que quem tem predisposição para a doença pode desenvolvê-la ao ser infectado pelo coronavírus

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A diabetes é uma das comorbidades de maior risco para a Covid-19, e, de acordo com a médica endocrinologista e presidente da Sociedade de Endocrinologia Regional de Mato Grosso do Sul, Ana Carolina Xavier, é possível, sim, que pacientes que tiveram a Covid-19 desenvolvam a diabetes.

“Pesquisas têm mostrado que pacientes podem desenvolver a doença enquanto estão infectados com a Covid-19, mesmo sem ter tido esse diagnóstico previamente. Os médicos e pesquisadores ainda estão especulando vários fatores que podem justificar isso”, afirma a especialista.  

Um exemplo dessas pesquisas foi um artigo publicado no jornal Diabetes, Obesity and Metabolism (Diabetes, Obesidade e Metabolismo, em tradução livre), que diz que a doença pode ser uma sequela da Covid-19.

Após mais de um ano do primeiro registro da doença, os cientistas continuam com as pesquisas para tentar entender a Sars-Cov-2 e suas sequelas.  

A diabetes já é uma doença que agrava os casos de infectados pela Covid-19 por vários motivos. Segundo a médica, um deles é o uso dos medicamentos necessários para ajudar a estabilizar o paciente em estado grave.

O uso desses medicamentos podem tanto agravar o quadro quanto desenvolver a doença em pacientes que já apresentavam a predisposição a ela.

“A diabetes é considerada um fator de risco para a evolução de formas graves da Covid-19. Isso se explica pelo fato de os pacientes com diabetes já terem uma resposta inflamatória diferente para combater o vírus. O paciente com diabetes já tem um prejuízo na questão cardiológica, por exemplo, e a resposta no combate ao vírus pode ser dificultada”, explica.

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CORTICOIDE

Outra questão que pode influenciar e agravar a infecção do coronavírus é quanto ao medicamento usado quando o paciente está internado, em casos graves.

“Quando o quadro infeccioso do paciente é grave, geralmente é usado corticoide, o que pode piorar a diabetes ou até iniciar a diabetes em pacientes que tenham alguma tendência à doença, isso porque são utilizadas doses elevadas do medicamento, que tem muita glicose”, explica a endocrinologista.  

Os pesquisadores analisaram 3.711 pacientes infectados com a Covid-19 em oito estudos diferentes. A conclusão foi que 14,4% das pessoas, o que representa uma em cada dez, foram diagnosticadas com diabetes após se recuperarem do coronavírus.  

No artigo publicado ainda em novembro de 2020, os autores explicam que, embora o recém-diagnóstico de diabetes em pacientes com Covid-19 possa ser atribuído ao estresse associado à forma grave da doença, ou até mesmo aos glicocorticoides utilizados para o tratamento, é preciso considerar o efeito diabetogênico da doença, que causa a diabetes.  

“A diabetes é uma doença que está relacionada à situação de estresse. Alguns precisam dessa situação de estresse para desencadear a diabetes. Também especula-se que o vírus da Covid-19 tenha algum efeito na secreção de insulina, talvez até mediada pelo receptor da angiotensina II [peptídeo que auxilia no aumento da pressão arterial], que está sendo usado para explicar a infectividade maior do vírus em alguns pacientes, como os obesos”, explica a endocrinologista.

“As duas doenças têm muita relação, sim, e muito ainda deve ser estudado. Mas já sabemos que o uso de alguns medicamentos para tratar os sintomas do coronavírus pode tanto agravar o quadro de pacientes diabéticos quanto desenvolver a doença em pacientes que não tinham a tendência de desenvolver a doença”, conclui Ana Carolina.

O estudo conclui que os relatórios recentes mostraram que a diabetes recém-diagnosticada pode conferir um risco maior de mau prognóstico da Covid-19 do que a ausência de diabetes ou diabetes preexistente.  

Desse modo, pacientes com Covid-19 que foram diagnosticados com a outra doença devem ser tratados precocemente e de forma adequada, sendo monitorados de perto para o surgimento de diabetes e outros distúrbios cardiometabólicos em longo prazo.

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CAPITAL

MP exige suspensão de obras de CAPS em praça de Campo Grande

Promotoria aponta possível ilegalidade na construção em área pública destinada a lazer no Guanandi e dá prazo para Prefeitura interromper intervenções e restaurar espaço

01/05/2026 09h45

Praça no Guanandi está cercada por tapumes e já apresenta estruturas de obra; MP pede suspensão imediata das intervenções

Praça no Guanandi está cercada por tapumes e já apresenta estruturas de obra; MP pede suspensão imediata das intervenções Marcelo Victor

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou a suspensão imediata das obras de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em uma área pública localizada no bairro Guanandi, em Campo Grande. A medida apura possível uso irregular de um bem destinado originalmente ao lazer da população.

A área em questão corresponde à Praça Artemizia da Silva Lima, situada entre as ruas Amiuté, Dona Neta e a Avenida Manoel da Costa Lima. O espaço foi oficialmente denominado como praça por meio da Lei Municipal nº 6.463/2020, o que, segundo o MP, caracteriza sua destinação como bem de uso comum do povo.

De acordo com o texto publicado pela 34ª Promotoria de Justiça, a construção de um equipamento público de saúde no local pode representar mudança indevida da finalidade do espaço, de uso comum para uso especial, sem que tenha havido a necessária “desafetação” por lei específica.

O promotor de Justiça Luiz Antônio Freitas de Almeida destaca que, pela legislação vigente, uma área classificada como praça não pode ter sua destinação alterada por ato administrativo. “A desafetação só poderá ser feita por outra lei, devidamente fundamentada no interesse público”, aponta o documento.

A recomendação determina que o município suspenda imediatamente qualquer intervenção que descaracterize a área como praça, incluindo a paralisação de licenças, alvarás e contratos relacionados à obra. Além disso, estabelece prazo de dois meses para que a Prefeitura desfaça as intervenções já realizadas e promova a restauração do espaço, caso não haja regularização legal da mudança de uso.

Ainda conforme o MP, a eventual necessidade de instalação de uma unidade de saúde não dispensa o cumprimento das normas urbanísticas e legais. O órgão ressalta que praças públicas exercem função essencial na qualidade de vida urbana, contribuindo para o lazer, convivência social e equilíbrio ambiental.

Atualmente, no local, a praça já apresenta sinais de intervenção.A área está cercada por tapumes, com a construção de um muro em uma das extremidades. Não há máquinas em funcionamento no momento, mas foram observados equipamentos e materiais de obra, como betoneira, tijolos, areia e pedras.

Praça no Guanandi está cercada por tapumes e já apresenta estruturas de obra; MP pede suspensão imediata das intervenções

O Ministério Público também requisitou que o município informe, no prazo de dois meses, se acatará ou não a recomendação, além de encaminhar documentos que comprovem as medidas adotadas. O não cumprimento pode resultar na adoção de medidas judiciais.

A recomendação foi encaminhada à prefeita, a secretários municipais e à Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), além de ser comunicada à Câmara Municipal para acompanhamento e eventual fiscalização.

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SOB INVESTIGAÇÃO

Sumiço de trilhos perto de condomínio de luxo vira caso de polícia na Capital

Rumo Malha Oeste registrou boletim de ocorrência relatando furto de 1,6 km da antiga linha férrea na saída para Três Lagoas

01/05/2026 09h16

Reportagem flagrou trechos dos trilhos da antiga ferrovia retirados e jogados em matagal

Reportagem flagrou trechos dos trilhos da antiga ferrovia retirados e jogados em matagal Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A concessionária Rumo registrou em fevereiro deste ano um boletim de ocorrência (BO) por furto na Polícia Civil, após constatar a ocupação irregular e a retirada sem autorização de 1,6 quilômetro de trilhos da linha férrea Malha Oeste, na região de saída para Três Lagoas. 

A área é a mesma que está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por possíveis irregularidades na concessão de terreno para a construção de acesso a condomínio de luxo. 

O registro na polícia foi feito no dia 9 de fevereiro, após a concessionária receber uma denúncia de que uma empresa desconhecida estava furtando os trilhos entre o km 822 e o km 823,545, o mesmo trecho que fica próximo ao condomínio de luxo Soul Corpal Living Resort, com o metro quadrado comercializado a R$ 2,5 mil, em média.

No BO, João Garcia, agente de fiscalização de obras civis, comunicou à polícia que a Rumo contratou a empresa Strata Engenharia (que ele representa) para confirmar a denúncia, o que acabou ocorrendo. 

Ele foi informado de que os trilhos no trecho da linha férrea estavam “sendo furtados desde setembro de 2025, conforme pessoas residentes próximo ao local”, e apresentou fotos de alguns pontos sem os trilhos e dormentes e com trilhos soltos, em que foram feitos o arruamento e a retirada da vegetação nativa. 

Este boletim tem como base o laudo da empresa Strada, que aponta “furto de trilhos, passagem em nível [irregular], estrutura de alvenaria com distância de 0,000 m do lado direito e 0,000 do lado esquerdo do eixo ferroviário. [...]. Foi ocupado [faixa de domínio] por terceiro, com área total de 1.664,000 m”.

Reportagem flagrou trechos dos trilhos da antiga ferrovia retirados e jogados em matagal

João Garcia aponta no relatório que, ao realizar a inspeção no trecho, constatou a retirada dos trilhos e que grande parte deles estava colocada fora da faixa de domínio da linha férrea.

“Verificou-se que o corte dos trilhos foi realizado por meio de maçarico de oxicorte, tendo sido removida integralmente a superestrutura metálica da via permanente”, com alguns deles apoiados lateralmente.

Ao falar com gerente de uma empresa localizada próxima destes trilhos, o agente de fiscalização foi informado de que eles estavam espalhados de forma dispersa ao lado da empresa e que, ao realizar o roçamento da vegetação na área, eles foram juntados e colocados próximo à cerca da empresa.

Também, o gerente disse, ao ser questionado sobre a remoção da linha férrea, que “uma empresa de grande porte teria realizado a retirada utilizando caminhões tipo munck e maquinário pesado no mês de setembro de 2025”, sem informar qual seria.

Saiba

O condomínio Soul Corpal Living Resort tem preço médio de R$ 2,5 mil por metro quadrado. No mercado são comercializados lotes acima de 500 m², o que dá um preço médio acima de R$ 1 milhão por lote. É oferecida infraestrutura de alto padrão.

Também no relatório, Garcia aponta a existência de empreendimento imobiliário na área, o Soul Corpal Living Resort, em fase de implantação, “situado em área vizinha ao trecho ferroviário objeto da supressão.

Foi identificada intervenção física na faixa de domínio ferroviária consistente na abertura de corte no tapume, com implantação de passagem em nível com extensão aproximada de 10 metros lineares, compreendida entre o km 822,256 e o km 822,266”. 

Esta passagem em nível possibilita o acesso direto à área destinada ao futuro empreendimento.

Ele também verificou que no ponto previsto para a portaria do loteamento foi construída uma estrutura de tijolos destinada, “ao que tudo indica, à instalação de infraestrutura para cabos ópticos”, alinhada com a passagem em nível implementada sem autorização da Rumo. 

Para sanar dúvidas, o agente de fiscalização tentou contato com a incorporadora por telefone, mas até registrar o BO não havia conseguido falar com um responsável pelo empreendimento.

MPF E MPMS

O empreendimento está na mira do MPMS e do MPF desde fevereiro. Eles apuram possíveis irregularidades ambientais e invasão de faixa de domínio da linha férrea pela Corpal Incorporadora. 

Com a implantação do condomínio, a 42ª Promotoria de Justiça de Campo Grande do MPMS instaurou notícia de fato sobre supostas irregularidades na aprovação do loteamento de acesso controlado. 

O MPMS está apurando se a incorporadora ocupou irregularmente área que pertence à União (linha férrea Malha Oeste) cedida à Rumo e se pode estar localizada em área de preservação ambiental. 

Já o MPF recebeu a informação de que a Corpal fez obras no local sem o projeto de interesse de terceiros (TIP), que tem de ser aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Também investiga se as intervenções realizadas pela loteadora (arruamento e remoção de trilhos) ocorreram sem o rito processual de desativação e desincorporação, o que configura dano ao patrimônio público federal.

O MPF também solicitou, em março deste ano, explicações sobre quais providências foram adotadas pela agência para sanar estes procedimentos. 

Por não ter barrado essas ações, a ANTT autuou a Rumo, no dia 22 de abril, em 10% do valor da renda mensal do arrendamento ou do valor do prejuízo causado, o que for maior, a título de multa não compensatória, além de responder pelas perdas e danos. 

Esta punição foi aplicada mesmo após a Rumo explicar que não houve autorização para as obras executadas.

RESPOSTA

Sobre a investigação do MPF e do MPMS, a Corpal afirmou que a empresa “não recebeu qualquer notificação oficial sobre o referido inquérito ou qualquer eventual problema envolvendo o empreendimento”. 

“A empresa reafirma seu compromisso com a legalidade, cumprindo nesse e em todos os seus mais 68 empreendimentos todas as licenças aplicáveis e que suas atividades seguem rigorosamente a legislação vigente em todos os níveis regulatórios”, diz a nota.

 

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