Cidades

Estelionato

Dupla simula roubo de carro
financiado para fraudar seguro

Proprietário registraria boletim de ocorrência por roubo e seria ressarcido

RENAN NUCCI

13/11/2017 - 08h08
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Ação conjunta entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul resultou na prisão em flagrante de duas pessoas que fraudavam seguro automotivo, na tarde de ontem. Philipe Fontenele de Sousa, de 29 anos, e Edson Brito Reis, 33, tentavam chegar ao Paraguai em um Honda Civic supostamente roubado no Distrito Federal, mas que na verdade pertencia ao amigo, identificado como João Erinal Fernandes de Almeida, 45.

Segundo o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, plantonista da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) da Vila Piratininga, o plano do grupo era de que João infomasse o suposto crime à polícia em Brasília (DF), onde reside, enquanto a dupla atravessava o carro na fronteira. Deste modo, o veículo desapareceria e ele poderia acionar o seguro, sendo ressarcido em dinheiro, lesando a financiadora e a seguradora responsável. 

A ocorrência teve início à tarde, quando Edson e Philipe foram abordados pela PRF em Campo Grande. Durante a ocorrência, os policiais constataram que o Honda Civic que ocupavam, modelo 2017 e avaliado em aproximadamente R$ 100 mil, estava com registro de roubo em Brasília. Por este motivo, foram encaminhados à Depac da Vila Piratininga para esclarecimentos. Até então, eles estavam sendo investigados por receptação.

Entretanto, durante depoimento o delegado desconfiou do nervosismo e incoerência dos relatos, principalmente depois que tentou falar com o proprietário. "O carro estava com placas originais e a chave original. Quando o veículo é roubado, geralmente os criminosos trocam a identificação e colocam placas frias. Tudo isso demonstrava que tinha mais do que uma receptação", explicou Hoffman. 

Delegado explicou detalhes sobre o caso em coletiva de imprensa nesta manhã. (Foto: Bruno Henrique)

CONFISSÕES

Apesar de tentarem esconder as verdadeiras intenções, Philipe e Edson acabaram confessando a fraude. Eles disseram que chegariam até Ponta Porã e deixariam o Civic no estacionamento do Shopping, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, onde um desconhecido pegaria o veículo e lhes pagaria. "Não foi confirmado se o pagamento seria com dinheiro ou droga". O erro foi que João registrou o boletim de ocorrência antes do previsto. "O combinado era que fizesse a denúncia às 18 horas de ontem, mas na hora do almoço ele foi à 27ª DP em Brasília e comunicou a situação, antes mesmo de os comparsas chegarem na fronteira".

 O delegado relatou que o carro é financiado. Ou seja, o investimento feito no veículo era pequeno diante do lucro que obteriam por meio da fraude, já que as parcelas não haviam sido quitadas. Além disso, no celular da dupla havia mensagens trocadas com João falando sobre o plano e comemorando a fraude, dando a entender que já haviam cometido crimes semelhantes em outras ocasiões.

O grupo responde por associação criminosa, falsa denunciação de crime e tentativa de estelionato. Philipe e Edson devem ser encaminhados para audiência de custódia ainda hoje.

Acidente

Vereador de MS sobrevive a acidente que matou dois carbonizados na MS-379

Colisão contra árvore seguida de incêndio matou dois ocupantes do veículo na rodovia entre Dourados e Panambi; parlamentar conseguiu escapar antes que as chamas consumissem o carro

21/06/2026 13h32

Foto: Divulgação

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Um grave acidente registrado na manhã deste domingo (21) na rodovia MS-379, entre Dourados e o distrito de Panambi, terminou com a morte de dois homens e deixou ferido o vereador de Douradina, Kaike Freire.

O veículo em que eles estavam saiu da pista, atingiu uma árvore e foi completamente destruído por um incêndio logo após a colisão.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros Militar, a ocorrência foi atendida por volta das 6h20, em um trecho da rodovia marcado por intensa neblina no momento do acidente.

Quando as equipes de resgate chegaram ao local, encontraram um Toyota Corolla tomado pelas chamas às margens da pista.

As vítimas fatais foram identificadas como Paulo Ricardo Targino Chinaider, que conduzia o automóvel, e Gustavo Nascimento Ferreira. Os dois ficaram presos dentro do carro após o impacto e morreram carbonizados antes da chegada do socorro.

O único sobrevivente foi o vereador Kaike Freire, do município de Douradina. Conforme apurado, ele conseguiu deixar o veículo antes que o fogo se espalhasse por toda a estrutura.

O parlamentar foi resgatado pelos bombeiros e encaminhado ao Hospital da Vida, em Dourados. Até a publicação desta reportagem, não havia atualização oficial sobre seu estado de saúde.

Informações preliminares apontam que os três retornavam de um show realizado em Vicentina quando ocorreu o acidente.

Por razões que ainda serão esclarecidas pelas autoridades, o motorista teria perdido o controle da direção, fazendo com que o carro saísse da pista e colidisse violentamente contra uma árvore.

Após o impacto, o veículo incendiou rapidamente, dificultando qualquer tentativa de retirada dos ocupantes que permaneceram no interior do automóvel. A força da batida e a intensidade das chamas destruíram completamente o carro.

A área foi isolada para os trabalhos da Polícia Civil e da Perícia Criminal. Os levantamentos iniciais realizados no local não indicaram a participação de outro veículo na ocorrência.

A investigação também busca esclarecer se fatores como a visibilidade reduzida provocada pela neblina podem ter contribuído para o acidente.

O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Dourados como homicídio culposo na direção de veículo automotor. As circunstâncias da colisão seguem sob investigação.

Em nota, a Prefeitura de Douradina lamentou a morte de Paulo Ricardo e Gustavo Ferreira, manifestando solidariedade aos familiares e amigos das vítimas neste momento de luto.

Violência

Suspeito de tentativa de estupro morre após ser baleado por PM em MS

Homem de 24 anos teria avançado contra policiais com uma faca após denúncia de agressão e violência sexual; número de mortes por intervenção do Estado volta a acender debate sobre uso da força no Estado

21/06/2026 13h02

Foto: Divulgação

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A madrugada deste sábado (20) terminou com mais uma morte decorrente de intervenção policial em Mato Grosso do Sul. Tyego do Nascimento Barbosa Brito, de 24 anos, conhecido como "Lágrima", morreu após ser baleado durante uma abordagem da Polícia Militar em São Gabriel do Oeste.

Segundo informações apuradas, equipes da Polícia Militar foram acionadas após uma mulher de 45 anos denunciar ter sido vítima de agressões e de uma tentativa de estupro praticada por Tyego. Ao chegarem à residência indicada, os policiais afirmam que encontraram o suspeito em atitude hostil.

De acordo com a versão registrada pelos militares, Tyego não teria obedecido às ordens da equipe e, durante a abordagem, sacou uma faca e avançou em direção aos policiais. Diante da situação, um sargento efetuou um disparo para conter a suposta agressão.

O suspeito foi socorrido e encaminhado para uma unidade hospitalar do município, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois de dar entrada no hospital.

Denúncia de violência sexual

Conforme relato prestado pela vítima à polícia, o episódio teria começado quando Tyego foi até sua residência afirmando que o filho dela, usuário de drogas, estaria correndo risco de morte nas mãos de integrantes de uma facção criminosa.

Preocupada com a situação, a mulher decidiu acompanhar o suspeito até a casa dele. No local, porém, a situação teria tomado outro rumo.

Segundo o depoimento, Tyego teria passado a consumir drogas na presença da vítima, exibindo facas e um facão enquanto oferecia cocaína à mulher, que recusou a oferta. Em seguida, ela passou a questionar o paradeiro do filho e teria sido agredida com socos.

Ainda conforme o relato, o homem retirou as roupas da vítima e tentou violentá-la sexualmente. A mulher conseguiu escapar aproveitando um momento de distração do suspeito e acionou a Polícia Militar.

Histórico criminal

Natural de Juazeiro do Norte, no Ceará, Tyego possuía registros policiais em Mato Grosso do Sul por crimes como roubo, roubo majorado, furto, tráfico de drogas e receptação, conforme informações levantadas pelas forças de segurança.

O caso será investigado pela Polícia Civil, que deverá apurar tanto a denúncia de violência sexual quanto as circunstâncias da intervenção policial que resultou na morte do suspeito.

Mortes em ações policiais crescem e reforçam debate sobre uso da força

A morte de Tyego eleva para 62 o número de pessoas mortas em decorrência de intervenção de agentes do Estado em Mato Grosso do Sul somente em 2026. O caso também marca a terceira morte registrada em menos de 24 horas envolvendo ações policiais no Estado.

Embora parte dessas ocorrências esteja relacionada a confrontos com suspeitos armados ou situações consideradas de risco pelos agentes, os números chamam atenção e mantêm aberto o debate sobre os protocolos de uso da força, a transparência das investigações e os mecanismos de controle das ações policiais.

Especialistas em segurança pública defendem que toda morte provocada por agentes do Estado seja submetida a apuração rigorosa e independente, justamente para assegurar que intervenções letais ocorram apenas em situações estritamente necessárias.

Enquanto isso, os indicadores seguem crescendo em Mato Grosso do Sul, colocando as mortes decorrentes de ações policiais entre os temas mais sensíveis da segurança pública estadual em 2026.

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