Cidades

SAÚDE PÚBLICA

Em 7 anos, Campo Grande gastou mais de R$ 100 milhões em judicializações

Só de janeiro a abril deste ano, R$ 11 milhões foram gastos com processos; em 2023, foram R$ 27 milhões para esse fim

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A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) prestou contas dos primeiros quatro meses deste ano em audiência pública na Câmara Municipal de Campo Grande (CMCG).

No balanço, foi informado que o município gastou R$ 11.179.669,47 em judicializações da saúde. De 2017 até abril deste ano, foram R$ 105.877,213,90 gastos em processos. 

O ano que teve mais sequestros foi 2023, quando R$ 27.042.222,49 foram gastos com judicializações. A secretária de saúde, Rosana Leite de Melo, relata que as judicializações da saúde estão em uma crescente, e vários fatores causam processos. 

“A judicialização tem vários motivos, desde a falta de acesso, que nós, como gestores responsáveis, não ofertamos para os pacientes, até situações, não só aqui no nosso município, mas em outros municípios do nosso país, alguns interesses, algumas situações criminosas que levam a judicialização, e isso nos tem preocupado. Em 2023, nós tivemos o sequestro de R$ 27 milhões e nesse primeiro quadrimestre nós já tivemos R$ 11 milhões de sequestros. E isso é preocupante, porque isso é um recurso que muitas vezes ‘nós nem temos’, não está na nossa ‘programação’”, relata a secretária. 

A maioria dos sequestros são para pagamento de cirurgias, 55% do total das ações. Logo depois vem a demanda de medicamentos, com 16% dos casos, múltiplos objetos, sendo 11%, e Home Care, 5% dos processos.

A Sesau também tem índice de empenhos para atender demandas judiciais, que demonstram outros valores que a pasta dispõe por meio de judicializações da saúde para atender a população. 

“Muitas vezes, o quantitativo de cirurgias não é tão grande, mas o valor que se é sequestrado para determinados procedimentos é até de forma exorbitante. Como diz o Conselho Regional de Medicina, ‘é antiético o valor que é cobrado’, e nós estamos atuando nisso. A gente trouxe isso justamente para essa Casa, porque se chega o momento de construir leis, talvez de sentarmos com o judiciário, com o apoio do Legislativo, porque é um assunto que já está dificultando, principalmente os pequenos municípios e nós”, pontua a titular da Sesau. 

No primeiro quadrimestre deste ano, foram gastos R$ 7.472.843,82 em empenhos de ações judiciais. 

No total, em pouco mais de sete anos, a prefeitura direcionou R$ 142.011.129,92 em demandas judiciais, sendo a maior parte delas para Home Care (46%), para medicamentos (35%) e para compra de fraldas (10,83%). 

O ano que mais teve recursos direcionados para atender ações judiciais foi 2017, quando o município empenhou R$ 21.508.994,78.

No entanto, o ano de 2021 ficou próximo do montante recorde, com R$ 21.032.534,21 direcionados para atender os processos. 

A assessoria da Sesau esclarece que o sequestro é quando há uma decisão judicial para que a prefeitura pague determinado procedimento, como exame, cirurgia ou medicamento.

Já o empenho de ação, é o que o município consegue provisionar de acordo com a demanda judicial, dentro do prazo de execução. 

Outros processos

Conforme anteriormente divulgado pelo Correio do Estado, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) aponta que no ano passado foi registrado recorde no número de processos contra a saúde no Estado, tanto suplementar quanto pública, em relação aos últimos quatro anos.

Ao todo, foram distribuídos 10.887 procedimentos e realizados 10.153 julgamentos. Em comparação, 5.900 distribuições foram feitas em 2020, pouco mais da metade das realizadas no ano passado, e 1.968 julgamentos foram realizados. 

O desembargador Nélio Stábile, coordenador do Comitê Estadual do Fórum Nacional de Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), informou em fevereiro desse ano que um grupo seria criado para reduzir processos na saúde.

A iniciativa será por meio dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs), que serão responsáveis por audiências de conciliação e mediação entre o cidadão e a parte interessada. 

Além dos R$ 27 milhões gastos pelo município em judicializações no ano passado, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul (PGE-MS) relatou que o Estado gastou mais de R$ 100 milhões com processos na área da saúde. 

Fonte: Sesau

Segundo a PGE-MS, a judicialização da saúde “impõe algumas dificuldades ao Estado”, pois “coloca-se em risco o acesso universal e igualitário de todos os cidadãos às ações e aos serviços de saúde e a própria sustentabilidade do SUS, que se destina ao atendimento do maior número de pessoas”. 

De acordo com a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, no ano passado, o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) realizou 10.382 atendimentos e contabilizou 1.980 ações individuais, apenas em Campo Grande. 

A defensora pública Enni Diniz informa que a maior parte das demandas que envolvem medicamentos é por remédios que já são preconizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, devem ser disponibilizados pela União, pelo Estado e pelos municípios, de acordo com as atribuições de cada um.

Entretanto, uma das principais causas para esse aumento das judicializações é a desatualização das listas de medicamentos preconizados, tanto do Estado quanto do município, que, de acordo com a defensora pública, não são atualizadas há mais de 10 anos.

“Tenho um exemplo de medicamento que foi incorporado em 2022 e até hoje não é dispensado na rede do Estado, mas é obrigação do Estado. Então, nós temos as questões de não atualização das novas tecnologias e, quando há a incorporação, elas não são disponibilizadas. A demora, o tempo, os recursos financeiros, utiliza-se uma série de argumentos para que não se incorpore e não se forneça [um medicamento] à população, e isso também é um motivo de judicialização”, explica a defensora.

Em abril deste ano, foi assinado um termo entre a PGE-MS e a Defensoria Pública de MS, visando diminuir as judicializações na saúde. 

Entre as iniciativas já definidas está a restituição de valores referentes à aquisição de medicamentos, a tratamentos, a suplementos alimentares e a insumos que já foram acordados pela Justiça, mas que, por algum motivo, não foram pagos pelo Estado.

“Em suma, significa que o Estado vai ressarcir esse valor, que não deverá ser superior a R$ 5 mil, de forma administrativa, evitando a judicialização”, informa em nota a procuradora-geral do Estado, Ana Carolina Ali Garcia.

Enni Diniz informou ainda que outras ações estão sendo pautadas para a diminuição dos processos contra a saúde pública, como a atualização e ampliação da lista estadual de medicamentos previstos e um convênio de consulta dos remédios disponíveis.

 

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Justiça

PGR repete pedido por acesso integral a dados de Vorcaro

Procuradoria reafirma que ministros devem conhecer íntegra do material

12/09/2026 19h00

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal Divulgação

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) reiterou neste sábado (12) o pedido para que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham acesso integral aos dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em meio à disputa sobre quais documentos devem ser disponibilizados antes do julgamento marcado para terça-feira (15).

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que os integrantes do STF tenham conhecimento prévio de todo o material necessário para formar entendimento sobre as questões em análise.

“Parece-nos relevante, sobretudo e especialmente dadas as peculiaridades da causa, que todos os ministros tenham conhecimento prévio da integralidade dos dados necessários para à formação de juízo sobre o tema posto em debate”, afirmou Gonet na manifestação deste sábado.

Dados do celular

Na sexta-feira (11), Fachin havia pedido a disponibilização integral das mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro. O relator de parte do caso, ministro André Mendonça, afirmou, porém, que não estava com o celular e que os dados obtidos pela PF permaneciam em um envelope lacrado em seu gabinete.

Horas depois, Mendonça tornou públicas outras partes da investigação que ainda estavam sob sigilo, mas não liberou aos demais ministros o acesso às mensagens armazenadas no envelope.

Em nova manifestação, a PGR sustentou que a manutenção do conteúdo sob acesso restrito compromete a igualdade de condições entre os integrantes da Corte.

“Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento, já que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo informativo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e, em última análise, a própria colegialidade que deve presidir o julgamento”, escreveu Gonet.

Disputa no STF

O pedido ocorre em meio a uma série de manifestações de ministros sobre o acesso aos documentos que serão considerados pelo Plenário. Na sexta-feira, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também defenderam que os colegas tenham acesso integral ao material relacionado ao julgamento. Neste sábado, o ministro Gilmar Mendes reiterou a posição.

O pedido deste sábado é assinado, além de Gonet e do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, pelos subprocuradores-gerais André de Carvalho Ramos e Antônio Edílio Magalhães Teixeira.

Julgamento na terça

Está marcada para terça-feira (15) uma sessão plenária extraordinária para analisar a Petição 16.662 e decidir sobre a abertura de uma possível investigação sobre supostas relações de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Fachin também negou neste sábado o pedido de Moraes para que o processo relacionado a ele fosse julgado conjuntamente com outro procedimento que analisa a atuação de Mendonça como relator de parte do Caso Master.

Segundo o presidente do STF, o processo envolvendo Mendonça ainda está em fase preliminar de instrução e não reúne condições para ser levado ao plenário. A análise desse segundo caso foi marcada para 23 de setembro. 

Tempo

Campo Grande deve ter novo fim de semana de chuva e temporais

Instabilidade deve aumentar entre a noite deste sábado e o domingo, com possibilidade de chuva forte, ventos e trovoadas em quase todo o Estado

12/09/2026 18h30

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Campo Grande ainda contabiliza os estragos provocados pelo temporal de quinta-feira (10), mas o tempo instável deve continuar neste fim de semana. A previsão indica aumento das condições para chuva e tempestades entre a noite deste sábado (12) e o domingo (13), com possibilidade de trovoadas, rajadas de vento e chuva forte em pontos de Mato Grosso do Sul.

Para este sábado, o cenário permanece instável. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta a atuação de um sistema associado a um ciclone extratropical que mantém condições favoráveis à ocorrência de chuva e tempestades em partes do Centro-Oeste. O instituto também chama atenção para a possibilidade de granizo em áreas de MS.

Na Capital, a previsão indica muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas. O alerta da Defesa Civil reforça o risco justamente durante a noite, período em que podem ocorrer novas ocorrências relacionadas a vento, chuva intensa e descargas elétricas.

Domingo

Para domingo (13), o Inmet prevê em Campo Grande mínima de 18°C e máxima de 34°C, com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas. A combinação de calor e umidade mantém a possibilidade de instabilidade ao longo do dia.

No interior, a instabilidade também deve atingir diferentes regiões do Estado, mas com variação nas temperaturas. Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas, Corumbá e Aquidauana estão entre as cidades que devem ter mudança nas condições ao longo do domingo, com possibilidade de chuva associada à atuação da frente fria e das áreas de instabilidade.

Em Dourados, a estação meteorológica da Embrapa Agropecuária Oeste registrou 25 milímetros de chuva entre sexta-feira (11) e sábado, elevando o acumulado de setembro para mais de 72 milímetros.

 

 

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