Cidades

PROGNÓSTICO

Em boa parte do Estado, as chuvas tendem a ficar acima da média durante o outono

Nos próximos três meses, haverá uma diminuição das precipitações em MS, fenômeno que é característico da estação

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Estação considerada um período de transição entre o verão chuvoso e o inverno seco, o outono começa nesta segunda-feira (20), às 17h25min, e termina no dia 21 de junho. Segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), as tendências climáticas para a maior parte do Estado são de chuvas de 40% a 50% acima da média histórica. 
As médias variam de município para município, mas na maior parte de Mato Grosso do Sul o acumulado de chuvas previstas para a nova estação deve ficar entre 200 mm e 300 mm. No entanto, para as regiões sul, sudoeste e pantaneira do Estado, as precipitações estão mais próximas do normal esperado para o período. 
Em Campo Grande, por exemplo, abril tem média histórica de 116,5 mm, maio de 96,6 mm e junho de 37,7 mm. A Capital configura dentro da maior parte do Estado que tende a ter chuvas acima da média. 
Ponta Porã tem médias históricas de 134,8 mm em abril, 131,8 mm em maio e 88,1 mm em junho. A cidade de MS que faz fronteira com o Paraguai se enquadra na previsão que indica pouca variação nos índices pluviométricos nos próximos três meses. 
Nas regiões sul e no Cone Sul do Estado, a variação média de chuvas é de 300 mm e 400 mm; nas regiões pantaneira e do Bolsão, as chuvas variam entre 100 mm e 200 mm.
Ou seja, essas regiões devem permanecer com essas previsões médias e probabilidade de pouca variação, conforme prognóstico do Cemtec.

CARACTERÍSTICAS


De acordo com o Cemtec, nesse período do outono ocorrem as primeiras incursões de massas de ar frio, vindas do sul do continente e que provocam uma queda gradativa das temperaturas ao longo da estação. 
Nos primeiros dias do outono, as chuvas intensas e as altas temperaturas características do verão devem continuar, principalmente até o fim de março. 
Apesar de o prognóstico do Cemtec indicar chuvas acima da média histórica para o Estado tado, a tendência ainda reflete uma diminuição em comparação com o volume registrado no verão. 
Outra característica do outono são os dias mais curtos e a umidade relativa do ar mais baixa. Além disso, fenômenos adversos, como nevoeiros, geadas e friagem, passam a ter mais destaque, principalmente no mês de junho. 
A estação estará neutra, o que significa sem a presenpresença significativa de fenômenos meteorológicos como o La Niña e o El Niño. No entanto, o El Niño passa a ser mais marcante já para o início do inverno e tende a influenciar bastante no clima de julho até o fim do ano. 

TEMPERATURAS


Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, as temperaturas devem variar bastante em todas as regiões do Estado neste outono. Em abril, as temperaturas tendem a ficar um pouco acima da média, e as primeiras massas de ar frio começam a chegar. 
Já em maio, as temperaturas começam a ficar um pouco abaixo da média e haverá massas de ar polar, com frio significativo. E em junho, para fechar a estação de transição e começar o inverno, há a probabilidade de incursões de massas polares, frio intenso e chance de geadas no Estado. 
Essas temperaturas vão variar por região. No norte do Estado, são esperadas temperaturas abaixo de 13ºC. Na região leste, a previsão aponta temperaturas abaixo de 10ºC. 
No centro e sudeste do Estado, as temperaturas tendem a ficar abaixo dos 9ºC e, entre Dourados e o extremo-sul, as temperaturas podem ficar abaixo de 6ºC no auge do outono.

 

UMIDADE RELATIVA


De acordo com Natálio Abrahão, todas as regiões do Estado devem registrar umidade relativa do ar média menor do que em 2022 neste outono. Os dados apontam que a umidade vai variar entre 65%, pela manhã, e 30%, à tarde. 
A única região do Estado que pode apresentar índices maiores é a oeste, que poderá ter em torno de 80% da umidade do ar pela manhã e 40% à tarde. 
O meteorologista ainda aponta que, no fim de abril, os valores mínimos de umidade podem chegar perto de 20%, e as regiões que tendem a ter episódios mais críticos são a oeste e norte, em virtude das queimadas.


Saiba


Abril é o mês com as maiores médias históricas de chuva em todo o Estado. Segundo levantamento do Cemtec, os índices pluviométricos vão diminuindo gradativamente até o fim de agosto, quando as secas estão mais presentes em MS. Já em setembro, o volume de chuvas volta a aumentar. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), nestes três primeiros meses, só em Campo Grande choveu quase 60% de todo o acumulado dos doze meses de 2022, que foi de 1.204,2 mm.

julgamento

Conversas de Major Carvalho expuseram como funcionava rede de tráfico de drogas

Julgamento do Pablo Escobar Brasileiro e outros 30 acusados chegou ao terceiro dia na Bélgica

09/09/2026 18h52

Ex-major da PM de MS, Sérgio Roberto de Carvalho

Ex-major da PM de MS, Sérgio Roberto de Carvalho Foto: VRT News

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No terceiro dia de julgamento do ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sergio Roberto de Carvalho na Bélgica, o Ministério Público Federal daquele país mostrou como foi possível descobrir detalhes sobre o último carregamento de cocaína enviado do Brasil para a Europa pertencente a organização criminosa. A interceptação de mensagens entre o ex-policial foi fundamental para isso acontecer.

Segundo o Ministério Público Federal da Bélgica, foi graças a mensagens obtidas através da criptografia do serviço de mensagens EncroChat que os investigadores conseguiram reconstruir integralmente o último carregamento de cocaína da organização.

Matéria de sites belgas apontam que a magistrada federal Marianne Capelle analisou hora a hora  das mensagens trocadas pelos suspeitos, entre eles o ex-major Carvalho, no período entre o final de março de 2020 e o começo de abril do mesmo ano. 

“Sergio Roberto de Carvalho, o fornecedor da cocaína, envia então fotos dos contêineres onde a cocaína está escondida, bem como fotos dos números dos contêineres e dos lacres, e inclui uma lista detalhada dos contêineres que de fato contêm cocaína e dos demais que contêm apenas minério de manganês”, revelou o Ministério Público da Bélgica ontem, no julgamento.

Essas informações teria sido mandadas para celular de membros da organização criminosa gerida por Flor Bressers, tratado com um dos cabeças da quadrilha. 

A remessa chegou neste período das mensagens trocadas ao Porto de Roterdã, na Holanda, onde foi interceptada pela alfândega e pela polícia do país.

Ainda segundo apurou o Minitério Público Federal, foi identificado por meio dessas mensagens, “uma considerável inquietação dentro da organização criminosa quando os contêineres inicialmente não foram liberados pela alfândega e ameaçaram passar por uma inspeção minuciosa”.

A carga foi finalmente liberada em 14 de abril de 2020. Porém, a alfândega holandesa já havia descoberto e substituído a cocaína, e decidiu vigiar os contêineres para prender os responsáveis pela coleta.

No dia seguinte a organização transferiu dois contêineres para um armazém em Best, município holandês. A polícia de lá invadiu o local e prendeu cinco suspeitos naquela ocasião.

O carregamento interceptado era de 3,2 toneladas de cocaína. Porém, ainda segundo as mensagens, a rede que tinha major Carvalho como um dos cabeças, contrabandeou pelo menos 45 toneladas de cocaína por meio de portos europeus em um período de seis meses.

As investigações também descobriram que a empresa de tratamento de água Kriva Rochem, da Bélgica, estava envolvida no contrabando de cocaína a partir do Brasil.

JULGAMENTO

O julgamento começou em 15 de setembro de 2025 e tem quase um ano em andamento, com inúmeras paralisações durante este período e foi retomado na última segunda-feira (7).

São mais de 30 acusados, entre ex-major da PM de MS. O local onde os acusados ficam durante o júri, uma espécie de cabine de vidro, também é questionada pelos advogados. 

MAJOR CARVALHO

O ex-major Carvalho foi preso na Hungria em 2023, com um passaporte mexicano falso e era procurado pelas polícias do Brasil e pela Europa. Atualmente ele está detido na Bélgica.

Conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, a Polícia Federal (PF) estima que Major Carvalho tenha movimentado R$ 2,25 bilhões entre os anos de 2018 e 2020, com exportações de cocaína à Europa. 
 
O ex-major ingressou na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul no fim da década de 1980 como comandante do Batalhão Militar de Amambai, área de fronteira do Estado com o Paraguai.  

Na década de 1990, Carvalho já estava envolvido com atos ilícitos, como o contrabando de pneus. Anos depois, o ex-major foi pego contrabandeando uísque.

No Brasil, o Porto de Paranaguá (PR) era o preferido da quadrilha de Carvalho para as remessas de drogas ao Velho Continente.

denúncia aceita

Ex-diretor de presídio vira réu por receber propina de facção para facilitar crimes na cadeia

Policiais penais eram pagos por criminosos para liberarem entrada de drogas, celulares e para beneficiar detentos do Presídio Estadual de Dourados

09/09/2026 18h41

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados

Policiais penais recebiam propinas de internos da Penitenciária de Dourados Foto: Dourados News

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O juiz Marcel Goulart Vieira, da 2ª Vara Criminal de Dourados, aceitou denúncia contra o ex-diretor da Peninteciária Estadual de Dourados (PED), Rangel Schveiger, e mais 10 pessoas, entre servidores, detentos e uma advogada, por envolvimento em crimes cometidos dentro do estabelecimento prisional, dentre eles tráfico de drogas, corrupção de servidores públicos e um homicídio.

Ao aceitar a denúncia, o magistrado afirmou que estão presentes prova da materialidade do crime, bem como indícios suficientes da autoria. Assim, todos viraram réus pelos crimes de pelos crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento real, fraude em licitações e advocacia administrativa.

Segundo a denúncia, o ex-diretor, outros policiais penais e a advogada desenvolveram uma verdadeira organização criminosa dentro da PED, mediante recebimento de valores pagos por presos e seus familiares para facilitarem a prárica de crimes de tráfico de drogas e porte de arma, além de permitir a entrada de aparelhos celulares na unidade.

Schveiger utilizava das prerrogativas do cargo para comercilizar celulares dentro do presídio e também tinha relação financeira e comercial comum interno que ficava na cantina.

Ainda conforme a denúncia, foi verificado um esquema para pagamento e facilidades dentro da PED e da Gameleira II visando garantir benefícios a um detento apontado como liderança da facção criminosa Comando Vermelho (CV), além de outros internos indicados por ele.

As investigações apontaram que em uma das negociações, foi pago R$ 9 mil para um policial permitir o ingressso de um celular na unidade e R$ 300 mil a outro, para que um preso tivesse exclusividade na venda de droga e portasse uma pistola .9 mm dentro da penintenciária.

Na denúncia, o Ministério Público Estadual também pediu o afastamento das funções e da perda de acesso aos sistemas de informação dos acusados, mas o juiz não acolheu os pedidos.

"Isso porque, conquanto os supostos delitos tenham sido praticados durante o exercício da função pública, verifica-se que os fatos datam do ano de 2024, não havendo notícias contemporâneas nos autos de que os acusados estariam abusando de suas funções ou utilizando- se indevidamente dos sistemas mencionados pelo MPE, razão pela qual deixo, por ora, de determinar a suspensão", disse o magistrado ao receber a denúncia.

O processo segue em fase de prazo para manifestação da defesa dos acusados.

Foram denunciados:

  • Aline Guerrato Foroni - advogada
  • Aluizio Boteiro Chastel Villazante - policial penal
  • Eduardo de Jesus de Oliveira, vulgo Cachoeirinha - detento
  • Eduardo Trigueiro dos Santos Silva - policial penal
  • Gislaine de Souza Fonseca Schveiger - policial penal
  • Herberte Gonçalves Mareco, vulgo PM aposentado - detento
  • Luciano da Silva Cunha, vulgo Pescoço de Frango - detento
  • Luis Élio Gonçalves Filho, vulgo Cabeça de Porco ou Gordão - detento
  • Mauro Pereira dos Santos - policial penal
  • Rafael Garcia Ribeiro - policial penal
  • Rangel Schveiger - policial penal e ex-diretor da PED

Operação Sátrapa

Conforme reportagem do Correio do Estado, a quadrilha foi desmantelada durante a Operação Sátrapa, deflagrada em fevereiro de 2025 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/MS), com o objetivo de apurar os crimes cometidos dentro do presídio.

As investigações tiveram início em 2024, após a polícia receber informações de que um policial penal estaria ingressando no Presídio Estadual de Dourados com droga e celulares.

Ele chegou a ser preso em flagrante em julho do mesmo ano, transportando cerca de 1,5kg de entorpecentes para o interior da unidade prisional. Durante a operação, o diretor foi afastado do cargo e passou a ser monitorado com tornozeleira eletrônica.

Além do diretor, outros servidores também estariam envolvidos em ao menos um homicídio, cometido dentro do presídio, a mando de um interno que afirmava ser líder de uma facção criminosa e que atualmente cumpre pena no sistema federal.

A esposa do apontado como mandante, que é advogada, também foi denunciada e virou réu. O juiz determinou que a denúncia seja comunicada a Ordem dos Advogados do Brasil seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS).

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