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Empreiteira vê direcionamento em licitação milionária para obra no Pantanal

Recurso de empreiteira de Goiás diz que faltou isonomia em certame que deu vitória a empreiteira RR Ceni, de MS, em licitação de R$ 68 milhões na MS-228

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Publicação do diário oficial do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul desta quinta-feira revela uma acirrada queda de braço entre uma empreiteira que já presta uma série de serviços à administração estadual e uma empreiteira de Goiás que recentemente assinou contrato milionário em Mato Grosso do Sul. 

Derrotada em uma licitação que previa até R$ 68,2 milhões para casacalhamento de 89 quilômetros da MS-228, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, a empreiteira Ética Construtora alega que a Agesul foi permissiva e ignorou itens do edital para favorecer a empreiteira RR Ceni, pertencente a Rodrigo Ricardo Ceni, que tem fazenda na região e que mantem uma série de outros cotratos com a Agesul. 

O valor máximo que a Agesul havia estipulado para o recapeamento de dois trechos da estrada era de R$ 68.205.213,88. Porém, a RR Ceni ofereceu deságio de 4,49% e venceu a disputa ao se oferecer a executar os trabalhos por R$ 65.142.918,32. A Ética estava disposta a assinar o contrato por R$ 65.645.998,58.

E, depois da oferta de deságio, a proposta original de preços teria de ser alterada para apontar exatamnte quais os itens que a vencedora havia oferecido o desconto. Estas novas propostas, segundo a Ética, estavam inconsistentes e mesmo assim o leiloeiro permitiu que fossem refeitas pelo menos três vezes, o que seria ilegal. 

"Tais falhas demonstram que a proposta da empresa jamais atendeu ao modelo técnico exigido, sendo sua permanência no certame resultado de reiteradas oportunidades de readequação que, além de afrontarem a vinculação ao edital, geraram evidente quebra de isonomia entre as licitantes", diz trecho do recurso apresentado pela Etica.  

"A análise dos documentos juntados ao processo revela que a proposta apresentada pela empresa RR CENI TERRAPLANAGEM LTDA apresenta falhas de natureza substancial, que extrapolam em muito o conceito de mera irregularidade formal sanável por diligência", diz outro trecho do recurso. 

E, mesmo após três oportunidades de reapresentação, a proposta da RR Ceni continuou fora dos padrões legais, diz a empresa goiana. "As inconsistências não apenas persistiram, como demonstraram que a planilha jamais fora construída com base no modelo oficial, mas sim readequada paulatinamente a partir das sucessivas intervenções da Administração". 

Sendo assim, "resta claro que a proposta da RR CENI TERRAPLANAGEM LTDA não poderia ter permanecido no certame, pois viola frontalmente a vinculação ao edital, o julgamento objetivo e a igualdade entre as licitantes".

Além de contestar a proposta técnica e financeira, a Etica também alega que a empreiteira local ignorou a exigência legal que prevê "cota mínima de jovens aprendizes" na empresa. "Trata-se de exigência legal cuja verificação é obrigatória, e não um requisito passível de regularização futura durante a execução contratual", diz a empreieira goiana.

"Tal situação comprova a irregularidade da declaração prestada tanto no momento da habilitação, quanto no momento atual, evidenciando o descumprimento das exigências legais e editalícias, o que impõe, obrigatoriamente, a inabilitação da licitante, por ausência de condição legal para participar do certame". 

Mas, conforme publicação do diário oficial desta quinta-feira, a Agesul indeferiu o recurso e manteve a empreiteira RR Ceni na disputa e deve ratificar o resultado da milionária licitação no próximo dia 22. 

Rodovia que está em disputa é uma extensão da chamada Estrada Parque, a partir da chamada Curva do Leque

Além das duas empreiteiras que estão travando a queda de braço, outras quatros participaram do certame. Em tese, estas poderiam voltar à disputa caso a RR Ceni tivesse sido desabilitada.

Ética?

Embora seja de outro estado,  a Ética Construtora é antiga conhecida do Governo de MS, pois há anos é contratada pela Agesul para fazer a manutenção de cerca de 580 quilômetros de estradas na regional de Costa Rica. 

Além disso, em agosto a empreiteira venceu uma licitação de R$ 90,55 milhões para implantação de 31 quilômetros de asfalto na MS-245, no município de Bandeirantes, na região central de Mato Grosso do Sul.

Aquela disputa atraiu dez empreiteiras e mesmo assim o deságio sobre o preço máximo foi de apenas 1%, bem inferior aos 4,49% da licitação relativa ao cascalhamento da estrada pantaneira. O teto estipulado no edital da Agesul era de R$ 91.470.493,63. Mas, depois da “disputa”, a Ética Construtora ficou em primeiro lugar ao oferecer um desconto pouco superior a R$ 915 mil. 

No último dia 10, a Etica apareceu como uma das integrantes de um suposto cartel de empreiteiras que atua para manipular licitações de obras rodoviárias em diferentes estados, principalmente em obras do DNIT. 

Ao todo, são 16 empreiteiras que aparecem em uma lista do  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e que viraram alvo de processo administrativo. 

Outra empreiteira com atuação em Mato Grosso do Sul que apareceu na lista é a  LCM Construção e Comércio, apontada como principal responsável pela formação deste suposto cartel. Ela toca o recapeamento de 50 dos 111 quilômetros da MS-436, rodovia que liga Camapuã a Figueirão, na região norte do Estado. A obra está com cerca de 35% dos trabalhos concluídos e a empresa vai faturar pelo menos R$ 108 milhões. 

O Cade apontou que as empresas investigadas firmavam contratos entre si para redistribuir internamente os serviços após vencerem licitações — o que fere a Lei de Licitações. 

Quando uma das empresas do grupo era declarada vencedora, a execução era repassada a outra empresa do cartel por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCPs). A investigação também analisa possíveis danos ao erário, já que combinações de preços entre participantes tendem a inflar custos e levar o poder público a pagar mais caro pelos serviços.

Essas SCPs — instrumentos legais para permitir investimentos sem tornar o sócio público — vinham sendo utilizadas, segundo o Cade, para ceder até 99% do valor da obra, ocultando o verdadeiro executor. 

A prática também permitia que o cartel definisse, entre suas dezenas de empresas espalhadas pelo país, qual delas seria responsável por cada obra, desde que uma tivesse vencido o certame. O Cade divulgou o nome de 16 empreiteiras, mas a investigação aponta que seriam pelo menos 35. 

Campo Minado

Prefeitura já fechou 60 mil buracos em menos de dois meses

Em média, a operação tapa-buracos fechou 2,1 mil buracos por dia no mês de fevereiro

20/02/2026 16h15

Buraqueira na Rua dos Boticários

Buraqueira na Rua dos Boticários FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A força tarefa montada pela Prefeitura de Campo Grande para tapar os buracos da cidade já realizou o fechamento de 60 mil buracos nas sete regiões da Capital. 

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), a estimativa é que haja cerca de 300 mil buracos na cidade. 

O serviço de tapa-buracos teve uma média de 2,1 mil buracos fechados por dia durante o mês de fevereiro e mais de 1,4 mil em janeiro, com uma estimativa de que 34.854 buracos tenham sido fechados no primeiro mês na Capital. 

Conforme a Sisep, esse número pode ser ainda maior, já que segundo eles, quando há mais de um buraco próximo ao outro, muitas vezes eles são contabilizados como apenas um devido ao único recorte feito na via.

Agora, o principal desafio enfrentado são as chuvas intensas, o que atrapalha a conclusão dos serviços. 

“Não há como usar a massa asfáltica com chuva ou com o solo molhado, ela tem que estar em temperatura adequada, que é entre 110ºC e 177ºC”, explicou o secretário. 

Caso não esteja nessas condições, o material precisa ser descartado, já que não pode ser utilizado no dia seguinte. Assim, o pedido do material às empresas responsáveis pelo serviço corresponde ao previsto que será usado no mesmo dia. 

“Muitas vezes passamos com o serviço, depois vem a chuva e abre outro buraco na via ao lado do que fechamos. Mas todas as equipes estão na rua, temos uma agenda de reparos e tem que persistir no trabalho”, relatou Miglioli.

Para ele, vias como as Avenidas Cônsul Assaf Trad, Marechal Deodoro e Gunter Hans tiveram trabalho especial com o serviço de tapa-buraco e estão melhores do que estavam antes, porém, vias que não são consideradas “estruturantes” não têm a mesma sorte, como trechos nos bairros Jockey Club, Vila Jaci, Vila Glória, Avenida Calógeras e tantas outras espalhadas na cidade. 

Na avaliação do secretário, a aceleração no serviço de tapa-buraco deve melhorar a malha asfáltica da Capital em dois meses. 

“Dentro de 30 a 60 dias a realidade das ruas de Campo Grande deve ser bem diferente. Fomos muito afetadas por conta dos estragos das chuvas”, afirmou. 

No dia 19 de janeiro de 2026, uma publicação no Diário Oficial Municipal (Diogrande) divulgou contratos formalizados de até R$ 12 milhões para a operação tapa-buracos. 

Pelo Diogrande, esses tratam-se dos dois primeiros contratos firmados em 2026, voltados para recomposição de capa asfáltica, recomposição de capa asfáltica e da estrutura do pavimento, com os lotes atuais (02 e 05) atendendo as regiões do Bandeira e Lagoa respectivamente.

Chuvas de verão

No final da tarde de ontem (19), um novo temporal atingiu Campo Grande com muita água, descargas elétricas e ventos. 

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, 51 milímetros foram registrados em um intervalo de aproximadamente uma hora, das 17h às 18h, nesta quinta-feira (19), na Capital.

Foram registrados 39,6 milímetros na região da Costa e Silva, 33,4 milímetros na Tamandaré e 51,6 milímetros no Lago do Amor.

O temporal provocou estragos, alagamentos de ruas e avenidas, transbordamentos, queda de árvore e pane em semáforos.

A avenida Costa e Silva se transformou em um "rio". Uma ambulância ficou ilhada e teve que ser resgatada por uma viatura do Corpo de Bombeiros. Já o Lago do Amor transbordou mais uma vez.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Campo Grande já acumula mais de 300 milímetros de chuva de janeiro até agora. Foram 152,2 mm no mês passado e, pelo menos, mais 150,3 mm neste mês. 

*Colaborou Daiany Albuquerque
 

EDUCAÇÃO

Câmara oferece curso de Libras gratuito para população de Campo Grande

As inscrições seguem abertas até o dia 27 de fevereiro ou até completarem as vagas

20/02/2026 16h00

 As aulas começam no dia 2 de março e seguem até o dia 10 de agosto

As aulas começam no dia 2 de março e seguem até o dia 10 de agosto Freepik

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Nesta sexta-feira (20), a Câmara Municipal de Campo Grande, por meio da Escola do Legislativo, anunciou a abertura das inscrições para o curso básico de Libras (Língua Brasileira de Sinais), ofertado de forma gratuita. Ao todo serão ofertadas 30 vagas, voltadas a servidores da Casa de Leis e também para a população em geral. As inscrições seguem abertas até o dia 27 de fevereiro ou até completarem as vagas.

O curso de Libras é ministrado pela intérprete de Libras Helga Pereira, servidora efetiva da Câmara Municipal. As aulas começam no dia 2 de março e seguem até o dia 10 de agosto. Estas ocorrerão às segundas-feiras, das 7h30 às 8h50, no plenarinho da Casa de Leis.

O objetivo é assegurar conhecimento básico da Língua de Sinais para ampliar a inclusão da comunidade surda. Além da Libras, o curso ajuda a pessoa a compreender todo o universo da comunidade surda, com suas particularidades e, desta forma, favorecer a acessibilidade linguística.

Esta é a quarta edição do curso e já formou cerca de 60 alunos. “Com este curso, a pessoa aprenderá noções para se comunicar com a pessoa surda, sabendo que o aprendizado da língua é contínuo. Por isso, é o primeiro passo para este conhecimento”, explicou Helga Pereira.

O vereador Epaminondas Neto, o Papy, presidente da Casa de Leis, ressaltou a importância do curso para inclusão.

“A pessoa surda se sente agregada, acolhida, quando chega em um órgão público e tem um servidor capacitado para conversar com essa pessoa em Língua de Sinais”, disse, ao enfatizar esse sentimento de pertencimento.

Papy falou ainda sobre a dificuldade dos surdos quando chegam a uma unidade de saúde, escola, secretaria para obter algum documento e não contam com profissionais capacitados que possam compreendê-los.

“É uma ferramenta de inclusão poderosíssima. Quando a gente olha para o próximo com empatia, a gente consegue fazer política pública eficiente”, disse.

O diretor da Escola do Legislativo, Silvio de Andrade, ressaltou a importância de a Câmara ter essa inclusão. “A Câmara é uma Casa democrática, voltada para o atendimento do povo. Então, nada mais justo do que atender todo público que esteja aqui. O curso ajuda a capacitar os servidores da Casa para que tenham essas noções iniciais e possam recepcionar e atender as necessidades do surdo logo que ele chegar à Casa de Leis”.

Aprendizado

A intérprete Helga conta os relatos de quem passou pelo curso e já conseguiu colocar em prática o conhecimento adquirido.

“Muitos passaram a perceber a pessoa surda próxima dele, seja na rua, no comércio, no atendimento de órgãos públicos, em seu convívio diário. Alguns até fizeram amizades com surdos dentro de ônibus”, conta.

Na Câmara, seja na recepção ou nos gabinetes, os intérpretes são acionados a partir do contato com servidores que passaram por essa formação.

Na chegada à Câmara Municipal, o aprendizado já é colocado em prática. Na recepção, está Laís Berrocal que fez o Curso Básico de Libras e conta como facilitou essa orientação para direcionar os surdos para atendimento.

“Eu consigo receber e passar essas orientações. Geralmente, eles já buscam os intérpretes aqui da Câmara”, conta.

Já a Guarda Civil Metropolitana Adriana Cardoso dos Santos Silva, que trabalha há dez anos na Câmara, conta que buscou o curso para ter esse conhecimento em Libras.

“Sabemos das dificuldades que os surdos enfrentam e é bom termos esse entendimento básico para poder acolher”, afirmou.

A Câmara Municipal de Campo Grande conta com essa acessibilidade presente nas sessões ordinárias e Audiências Públicas, com interpretação em Libras nas transmissões ao vivo pela TV Câmara, no canal 7.3, ou no Youtube da Casa de Leis, pelos intérpretes Helga Pereira, Janaína Saraiva e André Amaral.

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