Cidades

INVESTIGAÇÃO

Empreiteiro "exportou" esquema da Capital para Três Lagoas

Edcarlos Jesus Silva está ligado a empresas que seriam pivô de desvios de quase R$ 150 milhões na prefeitura do interior

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou ontem a Operação Máquinas de Areia, que desmantelou um esquema instalado na prefeitura de Três Lagoas parecido com o descoberto nas investigações da Operação Cascalhos de Areia, realizada em meados de 2023, e que teria novamente o empreiteiro Edcarlos Jesus Silva como principal articulador.

Equipes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em Três Lagoas, Campo Grande, Terenos e Castilho (SP), que colocam como alvo uma organização criminosa composta por servidores públicos e empresários.

“O grupo teria como finalidade fraudar a execução de contratos de locação e fornecimento de veículos, maquinários e equipamentos pesados para serviços diversos, bem como a execução de contratos de infraestrutura para revestimento primário, ambas para o município de Três Lagoas”, explica o órgão em nota.

De acordo com levantamento realizado pelo MPMS, os contratos e aditivos somados ultrapassaram R$ 100 milhões de 2018 até este ano.

Conforme apuração do Correio do Estado, esta operação tem ligação direta com desdobramentos da Operação Cascalhos de Areia, realizada há mais de três anos também pelo MPMS, com novamente Edcarlos Jesus Silva como alvo.

Ao todo, o empreiteiro tem pelo menos três empresas ligadas ao seu nome: Engenex Construções e Serviços Ltda.; JR Comércio e Serviços Ltda.; e MS Brasil Comércio e Serviços Eireli.

Desde a operação de 2023, uma das maiores suspeitas dos investigadores é que Edcarlos seja um “laranja” de André Luiz dos Santos, o Patrola. Curiosamente, as três empresas foram fundadas entre julho e setembro de 2011.

Segundo pesquisa feita pela reportagem com base no portal de transparência de Três Lagoas, essas três empresas somam R$ 149,3 milhões em contratos e aditivos com o município, considerando apenas acordos firmados de 2018 a 2026.

Dos quatro encontrados, três são para “locação de máquinas e veículos pesados, caminhões, micro-ônibus ou vans” e um para “revestimento primário”.

“As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, prejuízo efetivo à população”, afirma o MPMS.

Para efeito de comparação, as mesmas três empresas receberam R$ 475,3 milhões nos últimos oito anos entre contratos encerrados e ativos em Campo Grande, mais que o triplo do que o esquema conseguiu em Três Lagoas. Atualmente, apenas a MS Brasil mantém acordos com a administração municipal da Capital.

DETALHES

Segundo o Ministério Público, Mahmoud Abdoul Rahim e Mamed Dib Rahim (ambos investigados na Cascalhos de Areia) foram os fundadores da Engenex, mas, em maio de 2021, a empresa foi cedida para Edcarlos, que tem 90%, e Paulo Henrique Silva Maciel, que tem 10% da sociedade.

A respeito da empresa JR Comércio e Serviços, Edcarlos também é um dos responsáveis, mas está registrada no nome do seu sogro, Adir Paulino Fernandes, que foi um dos investigados na operação de três anos atrás.

CASCALHOS DE AREIA

Sede da Engenex recebeu a visita de membros do Gecoc ontem - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

A Operação Cascalhos de Areia foi desencadeada depois de denúncias de servidores municipais indicando que as empresas recebiam os pagamentos mesmo sem fazer a manutenção das ruas sem asfalto.

Além disso, as denúncias apontavam que as mesmas empresas também recebiam pela locação de máquinas que nem mesmo tinham.

Na época, o Ministério Público apontou desvios da ordem de R$ 46 milhões em contratos superiores a R$ 300 milhões entre a Prefeitura de Campo Grande e empresas que faziam a manutenção de ruas sem asfalto e no aluguel de máquinas e caminhões.

Os principais alvos da operação foram André Luiz dos Santos, mais conhecido como André Patrola, e Edcarlos Jesus Silva, além de outros 10 empresários e servidores públicos. Em setembro de 2024, depois de um ano e três meses que a ação foi desencadeada, todos viraram réus.

No ano passado, Patrola foi condenado pela juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, a cinco anos de reclusão pela prática de corrupção ativa continuada.

Porém, como o caso ainda não transitou em julgado, ele ainda pode participar de licitações públicas. Tanto que, atualmente, o empreiteiro está concorrendo por lotes do pacote bilionário de manutenção e conservação asfáltica em rodovias estaduais de Mato Grosso do Sul.

Conforme consta no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Edcarlos continua como réu por improbidade administrativa contra o município de Paranhos.

Confronto Policial

Foragido da Justiça de Santa Catarina morre após confronto com policiais em MS

Homem de 39 anos era procurado pela Justiça de Santa Catarina e teria ameaçado uma advogada horas antes; ele foi baleado durante abordagem e morreu no hospital.

06/08/2026 19h39

Claudinei Borgert foi socorrido após ser baleado durante confronto com policiais e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, onde morreu pouco depois.

Claudinei Borgert foi socorrido após ser baleado durante confronto com policiais e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, onde morreu pouco depois. Foto: Divulgação

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Um homem de 39 anos, identificado como Claudinei Borgert, morreu na noite desta quinta-feira (6) após ser baleado durante um confronto com policiais militares no bairro Santa Júlia, na região norte de Três Lagoas. Procurado pela Justiça após ser condenado por roubo, ele chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos.

Conforme informações preliminares, equipes da Força Tática e do Grupo Especial Tático de Motos (Getam), do 2° Batalhão da Polícia Militar, realizavam patrulhamento pela região quando localizaram Claudinei.

Contra ele havia um mandado de prisão definitiva expedido pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. A ordem judicial estava relacionada a uma condenação pelo crime de roubo.

Antes de ser localizado pelos militares, Claudinei também teria se envolvido em uma ocorrência registrada nesta quinta-feira. A informação inicial é de que ele teria ameaçado uma advogada e, durante o episódio, afirmado fazer parte de uma facção criminosa.

Após tomarem conhecimento da situação e da existência da ordem de prisão, os policiais intensificaram as buscas e encontraram o foragido durante patrulhamento no bairro Santa Júlia.

Segundo a versão da polícia, no momento em que os militares tentaram realizar a abordagem, houve um confronto. As circunstâncias exatas da troca de tiros ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação. Claudinei acabou atingido pelos disparos.

Depois de controlarem a situação, os policiais desarmaram o homem e prestaram os primeiros atendimentos. Ele foi encaminhado ainda com vida ao Hospital Auxiliadora, em Três Lagoas.

Apesar do atendimento médico, Claudinei não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada pouco depois da entrada dele na unidade hospitalar.

O caso deverá ser formalmente investigado para esclarecer toda a dinâmica da ocorrência, incluindo as circunstâncias que antecederam a abordagem e o confronto. Novas informações também poderão apontar detalhes sobre a ameaça atribuída ao homem horas antes de sua morte.

 

campo grande

Trabalhadores sofrem intoxicação em obra do Belas Artes e resgate mobiliza dezenas de bombeiros

Suspeita é que eles se intoxicaram após usarem maçarico e manta asfáltica no local fechado, o que também causou falta de oxigênio

06/08/2026 18h00

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênio

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênio Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Dois homens que trabalhavam na obra do Centro de Belas Artes, em Campo Grande, passaram mal durante um serviço na caixa d'água do local e foram socorridos inconscientes, na tarde desta quinta-feira (6), em Campo Grande.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, os homens entraram na caixa d'água para realização de um serviço de impermeabilização, com uso de maçarico e manta asfáltica. Ainda segundo o militar, a combinação acabou com o oxigênio do local.

Além da falta de oxigênio, o uso de maçarico a gás e manta asfáltica em locais fechados causa acúmulo de gases inflamáveis, gerando intoxicação.

Um terceiro funcionário, ao perceber os colegas desacordados, segurou a respiração e conseguiu retirar ambos de dentro da caixa, acionando o Corpo de Bombeiros em seguida.

"Os próprios trabalhadores retiraram os dois de lá de dentro, no entanto, eles ficaram em um local de díficil acesso, em um local elevado, foi onde nós chegamos, a equipe médica deu o primeiro atendimento, estabilizou ambas as vítimas, enquanto a equipe de salvamento trabalhava para poder fazer a retirada dos dois trabalhadores da altura", disse o primeiro-tenente Wellington Pereira Gomes.

A retirada foi feita por um sistema de movimentação vertical de macas, usando maca e cordas para chegar ao alto do prédio e descer as vítimas até um patamar onde havia escadas.

O trabalho de resgate durou cerca de 40 minutos, devido a ser um local de difícil acesso, e envolveu de 15 a 20 militares.

Um dos trabalhadores recuperou a consciência durante o salvamento e foi encaminhado a uma unidade de saúde consciente e orientado, enquanto o outro inalou bastante solvente e chegou a ficar consciente, mas estava desorientado.

"Sempre que se trabalhar em um ambiente confinado, que é como a gente caracteriza esse tipo de local, que não foi feito para ser habitado por humano, é preciso usar EPI [equipamento de proteção individual], fazer a mensuração dos gases que tenham naquele local ou não antes de fazer qualquer acesso, é um ambiente confinado, onde não tem ventilação e pode encontrar diversos perigos ocultos, então é importante averiguar", orienta o bombeiro.

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênioResgate durou cerca de 40 minutos, pois a área da caixa d'água é de difícil acesso (Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado)

Centro de Belas Artes

A tentativa de conclusão do Centro de Belas Artes faz parte de um projeto que se estende há mais de 30 anos. A estrutura começou a ser construída em 1991, quando o espaço seria destinado a um novo terminal rodoviário de Campo Grande.

A obra, no entanto, foi abandonada ainda na década de 1990 e passou por diferentes mudanças de finalidade ao longo dos anos. O imóvel acabou sendo transferido ao município e, posteriormente, destinado à implantação de um centro cultural.

Em 2007, um acordo com o Ministério Público Estadual consolidou essa proposta. Já em 2018, um novo entendimento buscou viabilizar a conclusão, mas as tentativas seguintes também não avançaram.

Licitações abertas nos anos seguintes acabaram frustradas ou interrompidas. Em 2022, uma nova empresa chegou a assumir a execução, mas os trabalhos voltaram a ser paralisados. A atual contratação, firmada em 2025, é mais uma tentativa de finalizar o chamado “puxadinho” do complexo.

A intervenção em andamento contempla cerca de 4,3 mil metros quadrados dentro de uma área total de aproximadamente 16 mil m².

O projeto inclui implantação de sistemas de água, esgoto e drenagem, além de instalações elétricas, climatização, cobertura, esquadrias, pintura, forro em gesso e paisagismo.

Quando concluído, o espaço deve abrigar salas de dança, ambientes multiuso para cursos, auditório e salão de exposições. No subsolo, está prevista a instalação do Arquivo Histórico de Campo Grande, com áreas de pesquisa, restauração e setores administrativos.

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