Cidades

Brasil/Mundo

Erupção de vulcão muda e tráfego aéreo deve voltar

Erupção de vulcão muda e tráfego aéreo deve voltar

Redação

20/04/2010 - 21h03
Continue lendo...

BRUXELAS

 

A Comissão de Transportes da União Europeia permitiu a abertura parcial do espaço aéreo sobre o continente após se reunir ontem para discutir soluções para a crise aérea que já dura cinco dias por conta de uma nuvem de cinzas expelida por um vulcão do sul da Islândia e prejudica as condições de voo.

A previsão é de que a situação melhore após a tomada das medidas, pelas quais as companhias aéreas e os aeroportos pressionaram muito as autoridades. "A partir da manhã desta terça, deveremos ver mais aviões levantarem voo progressivamente", disse Siim Kallas, comissário de Transportes do bloco. E a previsão é de que a partir de quinta o tráfego aéreo no continente europeu seja normalizado, caso a emissão de cinzas siga diminuindo, anunciou a Eurocontrol, a agência europeia para segurança aérea.

É que, pela primeira vez, o vulcão na Islândia emitiu lava. "Vimos a erupção mudar de explosões de cinza para emissões de lava", disse Reynir Petursson, piloto de helicóptero que sobrevoou o vulcão. O piloto informou à France Presse que a nuvem que se via no momento sobre o local era composta muito mais de vapor do que de cinzas. A confirmação desta mudança significa que a nuvem de cinzas que impede a liberação do tráfego aéreo sobre vários países da Europa pode começar a se dispersar.

A comissão determinou três tipos de condições para o espaço aéreo – a zona não permitida, a zona de atenção, e a zona livre. Na primeira, imediatamente sobre a nuvem de cinzas, nenhum tipo de voo é permitido. Na segunda, os aviões podem operar, mas estão sujeitos a checagem em suas turbinas após os pousos, para verificar se não houve danos, enquanto a terceira área não tem restrições.

 

Menos cinzas

Controladores aéreos já pressionavam pela reabertura das rotas alegando que as erupções do vulcão Eyjafjallajokull pareciam perder força. As empresas do setor de voos e viagens sofrem com a crise, que representa milhões de dólares de perdas diárias desde quinta-feira. O caos aéreo é apontado como uma ameaça à recuperação econômica na Europa.

Autoridades britânicas afirmaram que as restrições aos voos podem ser retiradas nesta terça-feira na Inglaterra e no País de Gales, permitindo voos em aeroportos de Londres, como o Heathrow. Elas informaram que a restrição seguirá em vigor até as 3 horas (horário de Brasília) desta terça. "A erupção vulcânica diminuiu e o vulcão não está mais emitindo cinzas a altitudes que irão afetar o Reino Unido. Caso não haja mais emissões de cinzas significativas, nós estamos agora prevendo uma situação de melhoria contínua", afirmou a autoridade de tráfego aéreo do Reino Unido (NATS, na sigla em inglês). Uma porta-voz da Agência de Proteção Civil da Islândia também informou que o Eyjafjallajokull ainda estava em erupção, mas com a intensidade diminuindo.

A British Airways, uma das mais atingidas, afirmou que estava perdendo entre 15 milhões e 20 milhões de libras por dia em vendas e custos com passageiros que não podem voar. A companhia informou que realizou um teste ontem, sem registrar impacto das nuvens de cinza sobre o Reino Unido. A British Airways pediu ao governo britânico que decida se é seguro voar. A companhia opinou que uma proibição total ao tráfego aéreo era "desnecessária".

Funcionários do setor aéreo criticaram duramente parlamentares da União Europeia (UE) por não reagirem mais rápido à crise. Segundo eles, autoridades estão com excessivo zelo ao tomar medidas como fechar grandes áreas sem análises detalhadas das condições atmosféricas e dos supostos riscos. Autoridades do setor de aviação e especialistas em segurança disseram estar seguindo normas das Nações Unidas e levando em conta incidentes anteriores. As partículas de cinzas poderiam causar danos nos motores dos aviões.

Os espaços aéreos sobre Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Hungria, Irlanda, Holanda, o norte da Itália, Polônia, Romênia, Eslovênia, Suíça e partes de Ucrânia e Reino Unido permaneceriam fechados.

 

Custo

A Associação Internacional do Transporte Aéreo estima que as companhias pelo mundo estejam perdendo cerca de US$ 250 milhões por dia por causa das restrições. Mais de 80 mil voos haviam sido cancelados até o fim do dia de ontem. Nesta segunda, apenas 30% dos voos previstos na Europa decolaram, segundo a Eurocontrol, organização de segurança aérea europeia. Entre 8 mil e 9 mil operações deveriam ocorrer, do total de 28 mil previstas.

A Lufthansa informou ter recebido uma autorização especial de autoridades para realizar 50 pousos na Alemanha. Os aviões, vindos de Ásia, África e das Américas do Norte e do Sul, devem pousar hoje nos aeroportos de Frankfurt, Munique e Dusseldorf, afirmou um porta-voz. No total, eles devem transportar cerca de 15 mil passageiros.

 

Caça

Técnicos encontraram partículas de vidro acumuladas no motor de um caça F-16 da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que fez um voo na Europa, continente afetado pela nuvem vulcânica. "[Caça] F-16 aliado estava voando e eles de fato encontraram um acúmulo de vidro", disse um funcionário do governo americano, que pediu anonimato. O avião afetado conseguiu aterrissar sem problemas.

"Este é um assunto seriíssimo, que num futuro não tão distante vai começar a ter um impacto real nas capacidades militares (...) se a questão das cinzas vulcânicas não desaparecer", afirmou. O oficial afirmou ainda que os EUA já restringiram os exercícios militares previstos e estudam os efeitos das cinzas nos aviões.

Oportunidades

Funsat abre a terça-feira, com 1.181 vagas de empregos em Campo Grande

Grande parte das vagas não exigem experiências prévias

17/03/2026 08h50

Funsat oferece 1.181 vagas de empregos nesta terça-feira

Funsat oferece 1.181 vagas de empregos nesta terça-feira Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Continue Lendo...

A Fundação Social do Trabalho (Funsat) inicia a terça-feira, com 1.181 novas oportunidades de empregos, dispostas em 113 profissões, oferecidas por 116 empresas em Campo Grande. 

Para concorrer às vagas, os candidatos têm que estar com o cadastro atualizado na Agência de Empregos. 

A maior parte das vagas são destinadas a candidatos sem experiência prévia. Cerca de sete em cada dez oportunidades são de perfil aberto, permitindo que o treinamento seja feito no próprio trabalho. 

Entre as funções oferecidas estão ajudante de motorista (2), alimentador de linha de produção (35), auxiliar de armazenamento (7), cuidador de idosos (3), manobrista (2), operador de caixa (95) e vendedor interno (3).    

Agora para vagas que exige alguma experiência prévia, como analista de negócios (1), analista de crédito (2), auxiliar de contabilidade (1), borracheiro (1), churrasqueiro (1), web designer (1), encarregado de supermercado (1) e mecânico de manutenção de caminhão a diesel.

Para pessoas com deficiência (PCD), tem à disposição sete vagas nas funções de mercadorias (5), porteiro (1) e auxiliar de limpeza (1).

Aos interessados nas vagas podem procurar atendimento na Agência de Empregos da Funsat, localizada na Rua 14 de Julho, 992, na Vila Glória, ou no Polo Moreninhas, na Rua Anacá, 699. O cadastro atualizado no sistema é necessário para receber o encaminhamento às entrevistas.
 

Fronteira

Após prisão de megatraficante, Bolívia faz devassa para conter corrupção policial

Sebastián Marset foi preso na semana passada em operação boliviana e entregue para autoridades dos Estados Unidos

17/03/2026 08h25

Marset foi preso na semana passada em megaoperação na Bolívia

Marset foi preso na semana passada em megaoperação na Bolívia Divulgação

Continue Lendo...

Sebastián Enrique Marset Cabrera, apontado como um dos principais traficantes transnacionais na América do Sul e que vinha se escondendo em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, foi preso no dia 9 pela Polícia Boliviana.

Desde 2023, o criminoso, com atuação direta em seis países na América e na Europa e ligação ao menos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), do Brasil, estava foragido. Ainda assim, aparecia em vídeos nas redes sociais, ameaçava rivais e mencionava falas que sugeriam ameaça às autoridades. 

Agora, a prisão dele abre um precedente para a Polícia Boliviana, que conduz uma ampla investigação para identificar autoridades corruptas que deram suporte ao megratraficante.

Conforme apurado, toda a investigação necessária para montar a operação de prisão de Marset envolveu somente o efetivo da Polícia Boliviana e durou alguns meses. Além disso, apesar de não haver confirmação oficial, houve ação para afastar policiais e direcionar o trabalho investigativo com grupo considerado “seguro e confiável” para atuar nessa operação que envolvia grandes riscos. O megratraficante já tinha fugido de uma outra tentativa de prisão, que ocorreu em Santa Cruz, em 2023.

O comandante-geral da Polícia Boliviana, Mirko Sokol, concedeu entrevista coletiva em Santa Cruz e reconheceu que é preciso uma investigação profunda para combater a corrupção policial. 

“Temos informações de muita gente que colaborou com Marset. É muito provável que tenha policiais, mas também outros tipos de pessoas, principalmente de outras instituições, que garantiram colaboração e deram cobertura para algumas ações que constituem práticas delitivas. Nós vamos investigar tudo isso”, prometeu Sokol.

Ele já havia divulgado, em dezembro de 2025, quando assumiu o posto de comandante-geral, que o trabalho contra a corrupção policial era um dos principais objetivos do atual governo.

“São diferentes níveis de corrupção na instituição, níveis altos como níveis muito inferiores, mas eu conheço a grande maioria deles. Temos gente que fez da corrupção seu modo de vida. Todos conhecemos dentro da instituição a trajetória de cada um dos integrantes”, declarou o policial, que está na corporação desde 1989, durante entrevista que concedeu ao El Deber.

As investigações buscam identificar autoridades que colaboraram ou até foram laranjas do grupo criminal chefiado pelo traficante uruguaio. O envolvimento de policiais e outras autoridades com o tráfico de drogas na Bolívia também foi tema de debate político. 

“Houve instrução para uma investigação ampla dada ao comandante da Polícia, ao comandante da Inteligência e ao comandante da Felcc [Fuerza Especial de la Lucha contra el Narcotráfico]. Se houve responsáveis, vão ser levados para a prisão”, afirmou o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, em coletiva.

Além da questão política local, o presidente do país vizinho, Rodrigo Paz, reuniu-se com o chefe do Executivo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião realizada ontem, para tratar do assunto.

Conforme Rodrigo Paz, a Bolívia está atuando para prender os quatro principais traficantes do país. Marset é um da lista, mas os outros nomes não foram ditos publicamente.

“Em tema de segurança, ocorreu um acontecimento extraordinário para a Bolívia. Deve ser o fato de segurança mais importante na nossa etapa democrática e é incrível como houve um reconhecimento externo mais importante que de alguns líderes, setores de opinião e organizações na Bolívia. A sociedade boliviana precisa ser mais livre do atropelo dessas organizações criminosas que geram terrorismo”, apontou Rodrigo Paz, em Brasília, durante uma roda de conversa com Lula.

Em paralelo ao combate à corrupção, os governos dos dois países acertaram nesta segunda-feira acordos de cooperação para o combate ao crime organizado, com especial ênfase no tráfico de pessoas, narcotráfico e lavagem de dinheiro, além de mineração ilegal, tráfico de armas, crimes cibernéticos e ambientais.

JULGAMENTO NOS EUA

O traficante uruguaio Marset foi levado para os Estados Unidos ainda no dia 9 e compareceu ao Tribunal Federal em Alexandria, na Virginia. Ele responde a crimes de conspiração para lavagem de dinheiro de uma rede transnacional de tráfico de cocaína, que operava na América do Sul e levava a droga para a Europa. Pode pegar até 20 anos de prisão.

O criminoso usou bancos nos Estados Unidos para realizar operações de seus negócios ilegais. A suspeita é de que ele chegou a movimentar mais de R$ 43,5 milhões para lavagem de dinheiro. Nessa operação para a prisão de Marset foram apreendidos, na Bolívia, mais de US$ 15 milhões em bens.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).