Cidades

Guerra

EUA: Israel e Líbano concordaram em realizar novas negociações após reunião em Washington

Em um comunicado conjunto entre as três partes, os países concordaram em "iniciar negociações diretas em um horário e local mutuamente acordado".

Continue lendo...

Embaixadores de Israel e do Líbano realizaram um histórico encontro nesta terça-feira, 14, em Washington, onde concordaram em seguir com negociações diretas a fim de alcançar um cessar-fogo. O encontro ocorreu enquanto a campanha militar de Israel contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano, continuava a ameaçar a trégua entre os EUA e o Irã.

Este foi o primeiro encontro direto entre autoridades de Israel e Líbano, que não possuem relações diplomáticas desde 1993. A reunião contou com o embaixador israelense, Yechiel Leiter, sua homóloga libanesa, Nada Hamadeh Moawad, e foi intermediada pelo secretário de Estado Marco Rúbio.

Em um comunicado conjunto entre as três partes, os países concordaram em "iniciar negociações diretas em um horário e local mutuamente acordado". O Departamento de Estado disse que as conversas desta terça foram "produtivas".

"Os EUA manifestaram a esperança de que as negociações possam ir além do escopo do acordo de 2024 e resultar em um acordo de paz abrangente", diz.

O comunicado reiterou as principais posições israelenses e libanesas. Entre elas, a exigência de Israel pelo fim da influência iraniana sobre seu vizinho do norte, onde Teerã financia e dirige a milícia xiita Hezbollah, e a afirmação do Líbano sobre sua soberania territorial, que, segundo o país, foi violada por Israel com ataques ao Hezbollah.

O embaixador Yechiel Leiter saiu da reunião afirmando que ambos os países estão "unidos na libertação do Líbano" da influência iraniana. Leiter afirmou que a reunião representou "o início" de um novo esforço para derrotar o Hezbollah. O diplomata disse que apresentaria os resultados da reunião ao governo israelense e que as conversas provavelmente continuariam nas próximas semanas

"Descobrimos hoje que estamos do mesmo lado", afirmou o embaixador. Ele disse que ambos os lados estão "unidos na luta para libertar o Líbano" da influência iraniana representada pelo Hezbollah.

Já a embaixadora do Líbano nos EUA, Nada Hamadeh Moawad, disse que o diálogo foi "construtivo", segundo afirmou em um comunicado. "A reunião preparatória foi construtiva", disse a enviada, que também "pediu um cessar-fogo" e o retorno das pessoas deslocadas aos seus lares. Ela ressaltou, ainda, "a plena soberania do Estado" sobre todo o território libanês.

Os confrontos entre Israel e o Hezbollah, que continuaram com força total nesta terça, são um dos três principais pontos de discórdia enquanto diplomatas tentam resolver a guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Os outros são o status do programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz, um importante ponto de estrangulamento no comércio internacional de energia.

"Isto é um processo, não um evento", disse Marco Rubio no início das negociações. "Todas as complexidades desta questão não serão resolvidas nas próximas horas."

Mesmo minimizando as expectativas, Rubio acrescentou que as negociações representavam um esforço para pôr "um fim permanente a 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah nesta parte do mundo" O governo libanês não tem controle direto sobre o Hezbollah.

O grupo xiita não participa das negociações e não emitiu comentários imediatos após as negociações. O grupo se opõe a qualquer diálogo entre os governos israelense e libanês e tem resistido aos apelos para o desarmamento em todo o país. Isso significa que qualquer acordo diplomático entre Israel e o Líbano seria difícil de ser implementado na prática.

Não houve comentários imediatos de autoridades libanesas após as negociações em Washington, apesar da descrição positiva da conversa feita pelo embaixador israelense.

O governo do Líbano, e o próprio país, permanecem divididos quanto ao engajamento diplomático com Israel, com quem está tecnicamente em guerra desde a sua fundação, em 1948.

Israel continuou a bombardear o sul do Líbano enquanto as negociações aconteciam. O ministro da informação do Líbano, Paul Morcos, afirmou em uma entrevista na televisão, durante as negociações, que o Líbano exigiria um "cessar-fogo imediato" de Israel. Mas o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, deixou claro nos últimos dias que um cessar-fogo com o Hezbollah não estava em discussão.

O Hezbollah, além de ter um braço armado, é um partido político consolidado com várias cadeiras no parlamento libanês.

O Departamento de Estado afirmou que as conversas entre Israel e Líbano não estavam relacionadas às negociações dos EUA com o Irã em Islamabad, embora a guerra em curso no Líbano tenha ameaçado comprometer o cessar-fogo firmado semana passada entre Irã, Israel e Estados Unidos.

O Irã insiste que o cessar-fogo abrange a guerra de Israel com seu aliado Hezbollah no Líbano, e mediadores paquistaneses concordam. Israel e os EUA discordam.

Nesta terça, o Departamento de Estado declarou que o objetivo das conversas era garantir que o Irã não possa mais ditar o futuro do Líbano por meio de sua influência sobre o Hezbollah. Acrescentou ainda que os EUA aprovaram US$ 58,8 milhões em novos programas humanitários para ajudar os libaneses deslocados pelos combates.

*Com informações de agências internacionais.

Campo Grande

Relatório de intervenção abre nova etapa para o transporte público

Documento dos interventores será analisado pela Câmara e pela Prefeitura antes de decisões sobre a concessão

22/09/2026 17h30

Consórcio Guaicurus foi assumido pela prefeitura em junho

Consórcio Guaicurus foi assumido pela prefeitura em junho Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

Continue Lendo...

A entrega do relatório parcial dos primeiros 90 dias de intervenção abre a etapa de análise sobre os próximos passos do Consórcio Guaicurus, com medidas como conclusão da auditoria financeira, apuração de responsabilidades e revisão do contrato de concessão ainda pendentes. O diagnóstico aponta risco de paralisação no início da intervenção e detalha problemas financeiros, operacionais e de gestão que agora serão acompanhados pela Câmara Municipal e considerados pela Prefeitura na definição do futuro do serviço.

Presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara, o vereador Dr. Lívio afirmou ao Correio do Estado que o documento ainda não representa uma mudança concreta na situação do consórcio Guaicurus.“Nada mudou. É apenas uma prestação de contas parcial. Vou ler o relatório nesses próximos dias”, afirmou.

Ainda segundo o vereador, a partir da análise do documento, a comissão pretende estabelecer um painel de preocupação e acompanhamento sobre os principais problemas apontados pelos interventores e as medidas que precisarão ser adotadas.

O relatório, com data-base de 15 de setembro, apresenta um diagnóstico provisório da situação encontrada desde a entrada da equipe de intervenção, em 16 de junho. Entre as medidas recomendadas estão a renovação da frota, mudanças nos processos de manutenção e compras, recuperação dos controles administrativos e financeiros e revisão das regras da concessão.

Para o interventor jurídico Alexandre Souza Moreira, porém, os primeiros 90 dias foram suficientes para confirmar parte das preocupações que haviam levado à intervenção.“A principal finalidade desse relatório parcial é uma prestação de contas por parte dos interventores daquilo que foi feito nesses primeiros 90 dias”, explicou.

Segundo Moreira, além de garantir a continuidade do serviço, a equipe precisava identificar internamente as razões que contribuíam para a precarização do transporte. “Uma das finalidades dessa entrada era que a gente pudesse garantir a continuidade dos serviços. Havia aí uma preocupação de que essa continuidade pudesse estar em risco em razão da forma como esse serviço vinha sendo prestado, da precariedade aparente financeira das empresas e também para que a gente pudesse fazer uma avaliação interna das razões pelas quais o transporte estava tão precarizado”, disse.

A intervenção foi decretada pela Prefeitura em junho, por até 180 dias, depois de um histórico de problemas na prestação do serviço e meses após a paralisação do transporte coletivo em dezembro de 2025 por atraso de salários.

Agora, o relatório parcial passa a integrar a análise sobre o futuro da concessão. Entre as recomendações estão a renovação da frota, implantação de manutenção preventiva e preditiva, reorganização de compras e almoxarifado, retomada dos indicadores de desempenho e revisão de linhas e frequências.

Também permanece pendente a decisão sobre a transferência do controle do Consórcio Guaicurus para o Grupo HP Mobilidade, de Goiás, que anunciou a compra da concessionária em julho. A operação ainda depende de anuência do Município.

A prefeita Adriane Lopes (PP) já afirmou que a Prefeitura poderá barrar a transferência caso a proposta não atenda às exigências municipais, tendo citado também a possibilidade de uma nova licitação.

Para Alexandre Moreira, o principal resultado dos primeiros 90 dias foi justamente conseguir dimensionar internamente uma crise que já era percebida pelos usuários.

“Tudo isso foi relatado e acaba por confirmar, sim, uma situação mais complexa do que vinha vivenciando aí o transporte campo-grandense. A gente conseguiu levantar um panorama em 90 dias que, de certa forma, justifica a necessidade da realização dessa medida drástica, que é uma intervenção!, clonclui. 

Valores

Na data em que a intervenção começou, o caixa das empresas somava R$ 415,2 mil, enquanto o adiantamento salarial que venceria poucos dias depois era de R$ 1,03 milhão.

O relatório registra ainda R$ 5,86 milhões em títulos vencidos de fornecedores de diesel, R$ 2,14 milhões em débitos com outros fornecedores e R$ 4,85 milhões em Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) vencidos. As linhas de crédito estavam praticamente esgotadas e o estoque de combustível era considerado crítico.

Para Moreira, o conjunto representava risco concreto de interrupção do serviço. “A gente encontrou um cenário inicial de bastante precariedade financeira, o que evidenciava até mesmo uma possível paralisação dos serviços, um fluxo de caixa extremamente deficitário, um estoque de diesel muito baixo, dívidas junto ao fisco, dívidas junto a fornecedores, fornecedores de combustível, fornecedores de peças também outros fornecedores”, afirmou.

Além das dívidas

O diagnóstico não se restringiu ao caixa. Os interventores também apontaram problemas na operação e na gestão das empresas, como manutenção predominantemente corretiva, compras emergenciais, perda de crédito com fornecedores, fragilidade dos estoques e controles administrativos insuficientes.

Na avaliação de Moreira, essas deficiências também pressionam o custo do sistema. “A gente também encontrou uma precariedade operacional dessas empresas, operando de uma maneira que não é a maneira mais adequada e de uma forma que acaba encarecendo ainda mais o custo do sistema, com pagamento de juros, pagamento de protestos, comprando mais caro de fornecedores por falta de crédito”, disse.

O relatório aponta idade média de 10,4 anos para a frota, acima do parâmetro contratual de cinco anos. Dos 460 veículos analisados, 210 foram fabricados até 2015. Também foram identificadas quedas na oferta. Entre 2023 e 2025, as viagens realizadas recuaram cerca de 14%, enquanto a quilometragem caiu 15,2%. A eficiência média das viagens programadas passou de 86,4% para 74,5%.

O histórico de fiscalização também aparece no diagnóstico. Entre 2021 e 2025, a Agência Municipal de Trânsito (Agetran) registrou 21.910 autuações, principalmente por descumprimento de horários, omissão de viagens e problemas em equipamentos obrigatórios.

Apesar de reconhecer a insuficiência das receitas correntes para cobrir as despesas, o documento não conclui que exista desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. A questão deverá ser analisada em procedimento específico pela  Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos (Agereg), com reconstrução da equação contratual, análise de receitas, custos, demanda, tarifa, subsídios e matriz de riscos.

 

 

Dança das cadeiras

Com mudança de última hora, Heitor Freire assume presidência da Santa Casa nesta quarta-feira

Imbróglio derruba a nomeação de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nome que seria oficializado como o novo presidente da instituição

22/09/2026 17h15

Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Membro do Conselho de Administração da Santa Casa, Heitor Rodrigues Freire será nomeado o novo presidente da Santa Casa de Campo Grande nesta quarta-feira (23), imbróglio que em 24h derruba a nomeação de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nome que seria oficializado como o novo presidente da instituição.  

O novo mandatário retorna à presidência, cargo que deixou em janeiro de 2023 justamente para dar lugar à Alir Terra, presa no último dia 11, apontada como uma das líderes do esquema que apura desvios de quase R$ 5 milhões do hospital. 

Apesar da mudança interna, a cerimônia de oficialização dos novos gestores do hospital segue mantida. Conforme apurado pelo Correio do Estado, Luiz Kanamura seguirá como superintendente de Gestão Médico-Hospitalar, contudo será subordinado à Heitor Freire, que assumirá a presidência do hospital. 

"O cargo de presidente não possui remuneração, como ele [Heitor Freire] é um associado, assumirá a presidência. Com isso Kanamura será mantido como o superintendente-geral e será subordinado à presidência", declarou uma pessoa de dentro do hospital. 

Vice-presidente da instituição, Heitor Miguel Scheibeler ocupava a linha de frente de administração após a deflagração da Operação Antidotum no último dia 11, ação para investigar supostas fraudes milionárias em contratos da entidade. 

Presidente da Santa Casa de Campo Grande desde janeiro de 2023, Alir Terra Lima e outra cinco pessoas foram presas durante a operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). 

Além dela, foram presos: Rinaldo Hakme Romano (Diretor financeiro do hospital); Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (Diretor financeiro adjunto); Alessandro Dias Junqueira (Diretor administrativo); 
Monique Gregório de Oliveira (Supervisora do setor de prontuário) e Maurício Aparecido Benites (empresário investigado no esquema). 

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico, Duarte & Cruz.

Essas empresas, cujo proprietário, Paulo Duarte da Cruz, tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

Conforme o MPMS, somente no ano de 2025, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de R$ 3,5 milhões à entidade.
 

Atualizado às 17h40 para acréscimo de informações 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).