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Esquema dos Livros

TJMS mantém presos ex-prefeito e ex-chefe da Saúde na Operação Gutenberg

TJMS rejeitou pedidos de habeas corpus; investigação apura esquema de R$ 27 milhões na compra de livros e suspeita de uso de serviços do SUS como moeda de troca.

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) manteve as prisões preventivas do ex-prefeito de Fátima do Sul Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, e do ex-coordenador estadual de Regulação da Saúde Ed Carlo Britto Burgatt.

Os dois são réus na Operação Gutenberg, que investiga um suposto esquema milionário envolvendo a venda de livros paradidáticos para municípios do Estado.

As decisões foram publicadas nesta sexta-feira (28) no Diário da Justiça. Em julgamentos separados, a 2ª Câmara Criminal rejeitou, por unanimidade, os pedidos de habeas corpus apresentados pelas defesas.

Os desembargadores concluíram que, neste momento, medidas como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados ou afastamento de funções seriam insuficientes para substituir as prisões.

O caso reúne duas áreas aparentemente distantes, educação e saúde, em uma das acusações mais graves feitas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contra servidores públicos e empresários nos últimos anos.

Segundo o MPMS, o grupo teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos  e utilizado até mesmo a liberação de exames, cirurgias e leitos hospitalares como instrumento de pressão para convencer prefeituras a contratar empresas responsáveis pelo fornecimento dos livros paradidáticos.

No habeas corpus de Júnior Vasconcelos, o TJMS analisou a acusação de que ele teria integrado uma organização criminosa e recebido vantagem indevida no contexto das contratações.

Os negócios investigados teriam sido realizados por inexigibilidade de licitação, modalidade que permite a contratação direta quando não existe possibilidade de competição.

Para o desembargador Waldir Marques, relator dos dois processos, a prisão de Júnior foi fundamentada em elementos individualizados e não apenas na gravidade genérica das acusações.

O acórdão menciona indícios de recebimento de vantagem indevida, movimentação de valores elevados e atuação de um grupo supostamente estruturado e permanente.

A defesa alegou falta de fundamentos concretos e de contemporaneidade para a manutenção da prisão. Também destacou condições pessoais favoráveis, como residência fixa, ocupação lícita e primariedade.

O tribunal, entretanto, entendeu que essas circunstâncias, isoladamente, não afastam uma prisão preventiva quando permanecem os riscos apontados pela investigação.

Os desembargadores também consideraram que o crime de integrar organização criminosa possui natureza permanente.

Na avaliação da Câmara Criminal, isso torna atual o risco de continuidade das supostas atividades e justifica a prisão como forma de interromper ou reduzir a atuação do grupo investigado.

A segunda decisão envolve Ed Carlo Britto Burgatt, que ocupava a Coordenadoria Estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde.

A estrutura é responsável por organizar o encaminhamento de pacientes do SUS para consultas especializadas, exames, cirurgias, internações e leitos hospitalares disponíveis na rede estadual.

Segundo a acusação descrita pelo TJMS, Ed Carlo teria usado a influência do cargo para favorecer ou pressionar municípios a contratar empresas fornecedoras de livros paradidáticos.

Conforme as investigações, vagas para consultas, exames, cirurgias e internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) teriam sido direcionadas a municípios em troca da contratação da Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editorias Ltda.) da Gráfica Alvorada. 

A suspeita sobre a participação da regulação da Saúde transformou o caso em algo maior do que uma possível fraude na compra de material paradidático.

A investigação sustenta que serviços essenciais, dos quais dependem pacientes em situação de vulnerabilidade, teriam sido convertidos em moeda de troca nas negociações com gestores municipais.

Ao manter a prisão, o tribunal apontou que os indícios contra o ex-coordenador estariam apoiados em relatórios produzidos depois das quebras dos sigilos telemático, bancário e fiscal. O conteúdo completo das provas não é público porque a ação tramita sob sigilo.

O acórdão destaca a duração e a abrangência territorial das atividades investigadas, os valores envolvidos, a divisão de tarefas entre os acusados e o que classificou como um “sofisticado modo de operação”.

Para os desembargadores, esses elementos indicam a necessidade de preservar a ordem pública e impedir uma possível retomada das condutas.

A defesa de Ed Carlo também questionou a legalidade da prisão, a atualidade dos fatos e a existência de justificativa individualizada para a medida.

Pediu que ele respondesse ao processo em liberdade ou fosse submetido a medidas cautelares menos severas. Os argumentos foram rejeitados por unanimidade.

Relembre o Caso

A Operação Gutenberg foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em 7 de julho. Na ocasião, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo e Abadiânia, em Goiás.

De acordo com o Ministério Público, servidores teriam sido cooptados para facilitar e direcionar compras de livros paradidáticos.

O dinheiro proveniente dos contratos seria posteriormente distribuído entre integrantes do grupo e transferido para diferentes pessoas e empresas com o objetivo de ocultar sua origem.

A investigação aponta que a suposta organização possuía diferentes núcleos e era liderada por empresários. Quando a operação foi deflagrada, conforme informou o Gaeco, ainda existiam contratos ativos em municípios sul-mato-grossenses.

A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público e abriu ação penal contra 17 pessoas, Entre os crimes atribuídos ao grupo estão organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes relacionadas às contratações públicas. As acusações variam conforme a participação atribuída a cada réu.

Os julgamentos publicados nesta sexta-feira não representam uma condenação. O TJMS analisou exclusivamente se permanecem os requisitos legais para as prisões preventivas de Júnior Vasconcelos e Ed Carlo Burgatt.

A responsabilidade criminal dos acusados será definida somente depois da instrução do processo, da apresentação das defesas e do julgamento do mérito da ação penal.

Os alvos da Operação Gutenberg

Além de Júnior Vasconcelos e Ed Carlo Burgatt, outras 15 pessoas são rés na ação penal decorrente da Operação Gutenberg: Rossana Paroschi Jafar, Giovanni Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Rhayane Souza Fanaia, Heyder Bartz, Francisco Anizio dos Santos, Jéssyca Duarte Burgatt, Joatan Gomes Peixoto, Matheus Oliveira Peixoto, Paulo Rogério de Melo, Douglas Henrique Melo, Valesca Thais Albuquerque Teixeira, Inácio da Silva Espíndola e Gabriel Taquino de Paula.

Ao todo, 17 pessoas respondem à ação penal. Segundo a acusação, os crimes atribuídos aos réus variam de acordo com a participação apontada pelo Ministério Público. O recebimento da denúncia não representa condenação, e a responsabilidade criminal de cada acusado será definida ao longo do processo.

meio ambiente

Pantanal: enfrentar mudanças climáticas depende de outros cinco biomas

Três deles estão no Brasil: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica

28/08/2026 15h31

Foto: Álvaro Rezende / Arquivo / Correio do Estado

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Pequeno em extensão, mas gigante em acolhimento, o Pantanal é o bioma que mais recebe influência e faz fronteira com outros ecossistemas. Ao todo são cinco: Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, Chaco e Bosque Chiquitano, na Bolívia e Paraguai.

A característica faz com que o Pantanal seja um grande reservatório de água e vida que percorrem longas distâncias e alcançam a maior planície alagável do mundo. E a diversidade criada pelo encontro das águas é o que resulta na beleza natural da região, mas também é o que a torna mais vulnerável e ameaçada pelas mudanças climáticas.

“É uma planície que depende da reação e das causas nos outros biomas e é afetado por toda essa situação. Ainda mais com as mudanças climáticas atuando também no  entorno dele”, diz Cyntia Santos, analista de Conservação do WWF-Brasil.

De acordo com os dados do último mapa de uso e cobertura da terral, divulgado pelo Mapbiomas, em 2025 a Savana Alagada no Pantanal já tinha perdido mais de 1 milhão de hectares, na comparação com o início da série histórica em 1985.

A área perdida corresponde a 84% do que havia de savana alagada no bioma, sendo que a maioria, 833 mil hectares, foi convertida em outros tipos de formação, como a savânica ou a campestre. Na prática, isso significa que o Pantanal está secando.

“Partes de rios já sumiram, assorearam, lugares que a gente chama de vazantes, alguns canais que a gente chama de vazantes, que são partes que o rio enche e esvazia, hoje não tem mais e os rios estão bem fracos”, afirma o engenheiro florestal e botânico Claudinei Terena.

Nascido na Terra Indígena Limão Verde, no município de Aquidauana (MS), Claudinei se recorda de uma época em que a abundância de água enriquecia o solo e tornava a região propícia para plantar todo o necessário.

“São coisas que eu aprendi de pequeno, vamos construir aqui uma casa, essa madeira, essa espécie é boa para isso. Vamos procurar umas plantas medicinais. Essa árvore aqui serve para isso, a casca, o fruto, a folha e a raiz cada um serve para alguma necessidade”, conta.

Fazendo uso do conhecimento tradicional, Claudinei atuou no projeto de restauração 3,3 hectares de áreas de nascentes de rios dentro da Terra Indígena. O objetivo era garantir que a água que flui direto para o Pantanal, também mantivesse aquele pedaço de Cerrado produtivo.

“Um dos exemplos que a gente apresenta aqui dentro da comunidade é o nosso sistema de cultivo. Nós sempre trabalhamos com agrofloresta sem a gente perceber. A gente sempre plantou em consórcio com alguma coisa”, explica.

Rede

Um pouco mais distante do Pantanal, o coletor de sementes Adauto Cândido Pereira vive na comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS). Integrante da Rede Flores do Cerrado, ele também reconhece na restauração das nascentes o caminho para recompor rios.

Com a coleta consciente e comercialização das sementes, o trabalho de restauração das margens de rios vai muito além do próprio território. “A gente coleta para atender outros projetos do Estado. Somos 31 coletores e coletoras, sendo 16 mulheres e 15 homens e trabalhamos com regras básicas de coletor, de deixar 30% da semente na árvore. Não chega e pega tudo. Tem cuidado com a árvore, com o meio ambiente.”.

Restauração

De acordo com Cyntia Santos os dois projetos são parte das intervenções de restauração das cabeceiras de rios feitas pelo WWF-Brasil no bioma Cerrado para frear as transformações no uso da terra que causam o soterramento das nascentes e impedem o fluxo dos rios contribuintes que escoam para o Pantanal.

“É uma consequência de atividades econômicas feitas, muitas vezes, de forma desorientada, sem experiência. Falta apoio técnico, falta incentivo”, diz Cyntia Santos.

Segundo o diretor executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, em 30 anos de atuação da organização social no Brasil, 22 são de atuação mais intensificada no Pantanal.

“A gente trabalha nesses territórios, nessa pegada com parceiros, sempre visando impactos locais, mas também a aprendizagem, geração de dados e conhecimento que nos permitam influenciar as políticas públicas”, explica.

Energia

Para restabelecer os fluxos dos rios para o Pantanal, também são desenvolvidos projetos de conscientização sobre outros usos dos corpos de água, como a instalação de pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo Cyntia Santos, além de fragmentarem os rios, esse tipo de investimento afeta a biodiversidade aquática e a economia regional mais vocacionada ao turismo.

“A energia elétrica ela tem que ser por outras fontes, por exemplo, energia solar, que é uma das mais adequadas para região, já que pequenas centrais ou hidrelétricas para essa região não trazem recursos econômicos nem para governo nem para as populações locais”, diz.

Dentro do Pantanal, ações para o enfrentamento aos incêndios florestais e a conectividade de vegetação nativa, por meio de corredores que ligam unidades de conservação já existentes, fortalecem espécies como a onça-pintada, um indicador da saúde e da integridade da biodiversidade local.

De acordo com Cyntia, o conhecimento tradicional dos povos que habitam o bioma é peça fundamental em todo o processo de enfrentamento aos desafios. “A gente consegue com isso potencializar informações, trabalho conjunto, otimizar estratégias e juntos avançar”, conclui.

Arte e Urbanismo

Edital oferece R$ 60 mil para dois projetos de muralismo em viaduto da Capital

Inscrições seguem até 18 de setembro; artistas, empresas, MEIs e coletivos podem concorrer à oportunidade

28/08/2026 14h45

Reprodução/PMCG

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Dois projetos inéditos de muralismo vão receber R$ 60 mil cada para transformar as duas faces do viaduto da linha férrea na Rua Maracaju, entre as avenidas Calógeras e Presidente Ernesto Geisel, em Campo Grande. As inscrições para a seleção estão abertas e podem ser feitas até o dia 18 de setembro.

A oportunidade é voltada a artistas e agentes culturais interessados em desenvolver trabalhos de arte urbana. Podem participar pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEIs), pessoas jurídicas e coletivos sem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o CNPJ. Para se inscrever, é necessário comprovar residência em Campo Grande há pelo menos dois anos, e cada participante poderá apresentar apenas um projeto.

As propostas precisam ser inéditas e abordar temas relacionados à identidade da Capital, como história e patrimônio, fauna, flora, diversidade étnica e manifestações populares. Na avaliação, serão considerados aspectos como qualidade artística, concepção estética, domínio da técnica de muralismo, relevância cultural e trajetória do proponente.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo e-mail [email protected], com o envio da documentação e do projeto conforme as regras do edital. O documento completo e os anexos podem ser consultados nos canais oficiais da Fundação Municipal de Cultura.

O edital prevê ainda dois pontos de bonificação na nota final para proponentes autodeclarados negros, indígenas ou pessoas com deficiência. A condição também poderá ser utilizada como critério de desempate.

A análise dos projetos está prevista entre 25 de setembro e 9 de outubro, com divulgação das notas em 14 de outubro. Os trabalhos selecionados deverão ser executados em até quatro semanas, entre 19 de dezembro de 2026 e 31 de janeiro de 2027.

Por causa do fluxo de veículos e pedestres no local, a execução poderá ocorrer somente aos sábados, domingos e feriados, conforme cronograma previamente aprovado e alinhado com os órgãos de trânsito.

Ao todo, o edital disponibiliza R$ 120 mil, sendo R$ 60 mil para cada um dos dois projetos selecionados. A iniciativa é financiada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

Serviço: as inscrições ficam abertas até as 23h59 de 18 de setembro pelo e-mail [email protected]. Para dúvidas, o telefone é o (67) 4042-4329.

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