Cidades

BODOQUENA

Ex-prefeito negociou absolvição com desembargadores do TJMS

Prints anexados no processo apontam que advogado mediou a negociação da sentença a favor do cliente, que foi absolvido de crime pelo qual já havia sido condenado, em Bodoquena

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Em um dos casos de venda de sentenças envolvendo desembargadores, advogados e servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, a negocição judicial foi feita com um prefeito de município do interior do Estado. Em operação desencadeada hoje (24) pela Polícia Federal, cinco desembargadores foram afastados por suspeita de que façam parte de um esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro.

Segundo consta no processo, em 2016, Jun Iti Hada, então prefeito de Bodoquena, negociou decisão envolvendo um julgamento de revisão criminal, através de seu advogado Felix Jayme Nunes da Cunha, de processo no qual havia sido condenado anos antes, quando era médico legista.

No caso em questão, Jun Iti Hada exercia o cargo de médico legista no município e foi condenado, em 2014, pela prática de dois crimes de falsa perícia. Em em dos casos ele atestou morte natural, mesmo a vítima tendo perfurações no corpo, e em outro, ocorrido em outra data, ele afirmou haver lesão corporal, mas não havia lesões.

Representado pelo advogado, ele pediu a revisão criminal, que é um recurso jurídico que permite a revisão de um processo e pode ser utilizada para alterar a classificação do delito, absolver o acusado, modificar a pena ou anular o processo. 

O Ministério Público se manifestou pela improcedência do pedido e a favor da manutenção da sentença condenatória inicial, que foi de dois anos e dois meses de prisão.

Advogado e cliente, no entanto, negociaram com desembargadores para conseguir decisão favorável.

Em um print, do dia 25 de agosto de 2016, o advogado afirma ao cliente, então prefeito, que “tá barato”, ao que o prefeito questiona se pode parcelar em duas vezes, e é respondido que não, “pois é muita gente envolvida para dar certo”.

Por fim, o prefeito afirma que iria “vender umas redes”, na intenção de conseguir o dinheiro, e o advogado anuncia: “Blz, vai ficar sem antecedentes”.

Há outras capturas de tela entre advogado e cliente conversando sobre a revisão criminal e as negociações envolvidas, incluindo o placar de votação entre os desembargadores, que havia sido negociado em 4 favoráveis ao não cabimento da revisão penal.

"No diálogo há fortes indícios de negociação de decisão judicial, visto que o advogado diz para seu cliente: 'tá barato prefeito. Vale', aduzindo ainda que '...é muita gente envolvida para dar certo', aparentemente se referindo ao valor da decisão a ser comprada e ao fato de diversos magistrados estarem envolvidos no julgamento", diz a Polícia Federal.

Print anexado ao processo mostra conversa entre advogado e ex-prefeitoPrint anexado ao processo mostra conversa entre advogado e ex-prefeito

Em acórdão proferido no dia 14 de dezembro de 2016, por maioria de votos, os desembargadores do Órgão Especial do TJMS julgaram procedente o pedido de revisão criminal, tornando sem valor a condenação decretada e abolsovendo o então prefeito.

Dentre os desembargadores que tomaram parte no julgamento, estão os que foram afastados da função nesta quinta-feira (24), sendo: Vladimir Abreu da Silva, Sideni Soncini Pimentel e Sérgio Fernandes Martins, além da desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, que foi aposentada compulsoriamente em 2021, por tirar o filho traficante da prisão irregularmente.

Operação Último Ratio

A operação da Polícia Federal aponta que existe um grande esquema de corrupção que se arrasta há mais de uma década na cúpula dos poderes estaduais. 

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 44 mandados de busca e apreensão, em diversos locais, como residências de investigados e seus familiares, o prédio do TJMS, a sede do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o fórum e escritórios de advocacia. Além de Campo Grande, alvos são investigados em Brasília, São Paulo e Cuiabá.

Durante cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta manhã, foram encontrados R$ 2,7 milhões, além de notas de euro e dólar, na casa de um dos desembargadores alvos da investigação.

Na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, policiais apreenderam um cofre e uma "bolsa gigante" que estavam no interior do prédio.

A Polícia Federal pediu a prisão preventiva de alguns investigados, mas a Justiça negou e decretou apenas a suspensão do exercício do cargo ou função pública de cinco desembargadores, conselheiro do TCE e servidor do TJMS, pelo prazo inicial de 180 dias.

Desta forma, durante o prazo, eles ficam proibidos de acessar as dependências do Tribunal de Justiça e de uitilizar os serviços da Corte, assim como são proibidos de manter contato com os funcionários do local.

"Para viabilizar a fiscalização do cumprimento das medidas, determino que seja realizada a monitoração eletrônica", diz a decisão.

Usarão tornozeleira eletrônica os seguintes investigados:

  • Vladimir Abreu da Silva (desembargador)
  • Alexandre Aguiar Bastos (desembargador)
  • Sideni Soncini Pimentel (desembargador)
  • Sérgio Fernandes Martins (desembargador)
  • Marcos José de Brito Rodrigues (desembargador)
  • Osmar Domingues Jeronymo (conselheiro do TCE)
  • Danillo Moya Jeronimo (servidor do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul)

BRASIL

População negra ganha plataforma 'Inclua' para melhor atendimento no serviço público

Medida antirracista é desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

27/06/2026 19h00

 Inclua foi criada em 2022. A nova versão acrescenta a aba Temáticas, que reúne instrumentos de diagnóstico de riscos de exclusão racial em políticas e serviços públicos.

Inclua foi criada em 2022. A nova versão acrescenta a aba Temáticas, que reúne instrumentos de diagnóstico de riscos de exclusão racial em políticas e serviços públicos. Aquivo/ Correio do Estado/ Álvaro Rezende

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Plataforma de Recursos Pró-Equidade em Políticas Públicas, a Inclua, que têm objetivo de garantir para a população negra um melhor atendimento nos serviços públicos. 

Para elaboração da Inclua, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) utilizou um repositório de mais de 500 publicações, de pesquisas à análises, sobre igualdade racial e racismo. 

O recurso traduz o conhecimento para o dia a dia e ajuda a identificar como e quando grupos tradicionalmente excluídos têm dificuldades de acessar serviços públicos.

"É no cotidiano das interações das pessoas com os serviços públicos, que essas desigualdades podem ser mitigadas ou reforçadas", assinala Roberto Pires,  técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, doutor em Políticas Públicas e coordenador da plataforma desenvolvida em parceria com o Ministério da Igualdade Racial.

Segundo Pires, a Inclua deve ser utilizada por gestores públicos para identificar situações que possam perpetuar discriminação racial. O recurso, diz o coordenador, "oferece alguns materiais que inspiram ações para aprimorar a equidade, o acesso e a inclusão.

A Inclua foi criada em 2022. A nova versão acrescenta a aba Temáticas, que reúne instrumentos de diagnóstico de riscos de exclusão racial em políticas e serviços públicos.

Também foi incorporado um assistente de inteligência artificial que auxilia a elaboração de planos de ação, e a Coleção Gestão Pública Antirracista, composta por materiais de apoio destinados a gestores e equipes da administração pública.

Toda a administração pública direta ou indireta, seja federal, estadual ou municipal; os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nos três níveis da Federação, e até empresas que prestam serviço para o Estado podem utilizar a plataforma no portal do Ipea

A Inclua dispõe de tutorial que orienta o uso.

Conforme Roberto Pires, "a Inclua é voltada para estimular o uso autônomo de suas ferramentas." 

O coordenador disse que a plataforma Inclua "é dinâmica" e "continuará sendo aperfeiçoada", inclusive com as contribuições dos usuários, que podem enviar seus comentários para o e-mail da Inclua.

 

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Vazio sanitário

MS alerta produtores para controle da ferrugem asiática até 15 de setembro

Após ver fungo "sextuplicar" no início do ano pelo excesso de chuva e clima irregular, Estado colheu cerca de um milhão de tonelada a menos que o previsto

27/06/2026 18h00

ferrugem asiática causa desfolhamento precoce e impede que a soja forme grãos, podendo resultar em perdas que beiram a casa de 90% do rendimento. 

ferrugem asiática causa desfolhamento precoce e impede que a soja forme grãos, podendo resultar em perdas que beiram a casa de 90% do rendimento.  Divulgação

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Época em que produtores sul-mato-grossenses precisam estar alerta e eliminar plantas vivas para ajudar no combate da chamada "ferrugem asiática", protegendo assim a próxima safra, o período conhecido como "vazio sanitário" da soja seguirá em vigor até o dia 15 de setembro, 

Recentemente, vale lembrar, Mato Grosso do Sul colheu cerca de uma tonelada a menos que o previsto para a produção do período. Ainda assim, a safra 2025/2026 configurou-se como a maior da história do Estado. 

Esse cenário, também cabe rememorar, o Estado viu a ferrugem asiática sextuplicar em Mato Grosso do Sul, após meses de intensa chuva, excesso de umidade e clima irregular. 

É importante frisar que durante o chamado vazio sanitário, iniciado no último dia 15, é proibido que produtores mantenham qualquer planta de soja viva em suas propriedades, o que inclui até mesmo aquelas voluntárias, popularmente conhecidas como guaxas, que podem surgir mesmo após a colheita. 

Na lavoura, a ferrugem asiática causa desfolhamento precoce e impede que a soja forme grãos, podendo resultar em perdas que beiram a casa de 90% do rendimento. 

Vazio sanitário

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), essa trata-se de uma das principais estratégias para o controle de uma das mais severas doenças que afetam a cultura da soja. 

Obrigatório em todo o Mato Grosso do Sul, o vazio sanitário é regulamentado pela portaria número 1.579 da Secretaria de Defesa do Ministério da Agricultura e Pecuária (SDA/Mapa). 

Associação dos Produtores de Soja do Estado, sobre essa doença a Aprosoja/MS esclarece que a dita ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que precisa de plantas vivas para seguir multiplicando-se. 

Em outras palavras, uma vez inclusive que a ferrugem asiática não controlada adequadamente pode refletir em perdas expressivas de produtividade, a eliminação de plantas vivas se faz necessária para garantir uma próxima safra de qualidade e retardar o aparecimento dos sintomas. 

Com o vazio sanitário estendendo-se até 15 de setembro, a Aprosoja orienta que os produtores sul-mato-grossenses iniciem a semeadura no período entre 16 de setembro até 31 de dezembro deste ano. 

Soja em MS

ferrugem asiática causa desfolhamento precoce e impede que a soja forme grãos, podendo resultar em perdas que beiram a casa de 90% do rendimento. 

Mato Grosso do Sul viu o clima mudar drasticamente após o início da safra sob condições tidas como "ideais" para o desenvolvimento das lavouras, em uma combinação de estiagem prolongada e altas temperaturas, no primeiro mês de 2026, que causou  forte estresse hídrico e térmico nas plantações. 

A estimativa apontava para a colheita de 17,759 milhões de toneladas, entretanto, com o fechamento foi possível constatar o recuo de 5,7% na produtividade média com o fechamento da safra, que caiu para 16,744 milhões de toneladas.

Principalmente ao sul do Estado, a falta de chuva aconteceu justo em uma das fases consideradas mais importantes para o desenvolvimento da planta. O retorno da estiagem em janeiro, junto das ondas de calor registradas, afetou diretamente o enchimento de grãos, limitando assim o potencial produtivo de parte das áreas cultivadas.

Além disso, levantamento técnico mostrou grandes diferenças entre os municípios do MS, já que 28 cidades registraram produtividade acima da média estadual, enquanto outras 50 ficaram abaixo do índice médio. 

Isso evidencia certa desigualdade no desempenho agrícola, justamente em função das condições climáticas e da infraestrutura disponível no campo. Para o coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta, o mapeamento das áreas com melhor e pior desempenho se tornou estratégico para orientar futuras ações do setor produtivo e do poder público.

“A identificação de 28 municípios com produtividade acima da média estadual e de 50 abaixo dela torna-se estratégica para orientar o planejamento do setor. Essa informação permite direcionar ações técnicas, investimentos e políticas públicas tanto para consolidar áreas mais eficientes quanto para elevar o desempenho dos principais polos agrícolas”, diz.

 

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