Cidades

Campo Grande

Facções apostam em drones para entregas em presídios de MS

Jovem supostamente ligado ao Comando Vermelho é preso por envolvimento em esquema que usava drones para lançar drogas e celulares em presídios da Capital

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A Polícia Militar desarticulou no fim de semana, em Campo Grande, um plano atribuído à organização criminosa Comando Vermelho (CV). Após a prisão de um rapaz de 18 anos, os policiais militares identificaram que o grupo usava suporte tecnológico aéreo – especificamente drones equipados com sistemas de airdrop – para introduzir drogas e celulares em estabelecimentos prisionais da capital de Mato Grosso do Sul. 

A operação policial foi desencadeada no sábado e, durante o cerco, realizado no Bairro Cristo Redentor, os policiais encontraram mais de um quilo de maconha, munições, além do dispositivo tecnológico de lançamento remoto.

Os policiais prenderam Luan Lucas Arruda de Assis, de 18 anos, que disse ser integrante do Comando Vermelho. Durante o cerco, conforme apurou o Correio do Estado nos documentos da investigação aberta pela Polícia Civil, os comparsas dele conhecidos como Pitbull e Menor conseguiram fugir e permanecem foragidos.

A abordagem

A descoberta do esquema criminoso começou às 16h37min do sábado. Uma equipe da Força Tática do 9º Batalhão da Polícia Militar realizava patrulhamento de rotina pela Rua Ernesto Antônio Figueiró, no Loteamento Cristo Redentor, quando visualizou Luan Lucas Arruda de Assis carregando uma mochila e tentando dar partida, mediante “tranco”, em uma motocicleta preta sem placa. 

Esta atitude suspeita motivou a abordagem imediata. Ao checarem os dados da moto, uma Yamaha modelo Factor de cor preta, placa SLX-6E37, os militares constataram que ela tinha registro de roubo ocorrido no dia 8, conforme identificaram em boletim de ocorrência da Polícia Civil.

Tecnologia

A busca pessoal realizada na mochila de Luan revelou uma das características inovadoras do grupo, composto por adolescentes e adultos na faixa dos 18 anos. Dentro da mochila havia dois tabletes de maconha pesando 1,1 quilo, uma peça metálica conhecida como “garra” e um dispositivo eletrônico de airdrop.

O sistema de airdrop é um mecanismo acoplado a drones que permite a liberação remota de cargas por comandos acionados pelo operador terrestre. Ele é usado, por exemplo, em testes realizados por aplicativos de entrega de refeições por drone.

Interrogado pelos policiais, Luan confessou que as garras e os dispositivos de lançamento eram utilizados de forma sistemática para realizar o transporte e o lançamento aéreo de celulares, drogas e outros materiais proibidos diretamente no interior de estabelecimentos prisionais.

A estratégia aérea permitia ao grupo abastecer as lideranças encarceradas contornando os sistemas de vistoria física e as barreiras terrestres de segurança das penitenciárias.

Facção criminosa

Ainda no local da abordagem, Luan declarou ser integrante da facção criminosa Comando Vermelho. Ele alegou que realizava a entrega dos entorpecentes com o objetivo de quitar uma suposta dívida financeira acumulada com integrantes do grupo.

O rapaz disse aos policiais que estava hospedado temporariamente em uma residência localizada na rua Ernesto Antônio Figueiró, nº 28, com Matheus, vulgo Pitbull, e Ivan Ramon, vulgo Menor. 
A polícia ainda investiga se os rapazes tinham a intenção de executar o dono de uma conveniência localizada no Jardim Noroeste, bairro onde está localizado um dos complexos penitenciários de Campo Grande. 

Os indícios estão na aquisição da motocicleta roubada por R$ 3 mil. Os policiais também conseguiram a informação de que na casa poderia haver armas. 

Diante das informações sobre as armas e o suposto plano de assassinato, a equipe policial deslocou-se imediatamente até o endereço indicado para averiguar a possível existência dos outros envolvidos. Ao chegarem, os militares constataram que a residência se encontrava aparentemente fechada e que o quintal era guardado por dois cães da raça pit bull, de grande porte e comportamento agressivo.

No momento da aproximação policial, dois indivíduos que estavam no interior do imóvel visualizaram a equipe e fugiram correndo pelos fundos, transpondo o muro e tomando rumo ignorado. Eles foram identificados como Pitbull e Menor e continuavam foragidos até ontem. 
Dentro da casa, os militares encontraram, sobre uma cômoda em um dos quartos, seis munições intactas, sendo três calibre 9 mm marca CBC e três calibre .32 marca Aguila. Além de dois celulares deixados para trás na pressa da fuga, um Xiaomi/Redmi preto e um Samsung preto.

Antifacção

Na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), Luan optou por exercer seu direito de permanecer em silêncio durante seu interrogatório. A Polícia Civil chegou a enquadrar, em um primeiro momento, o rapaz pelo novíssimo crime de favorecimento ao domínio social estruturado, presente na Nova Lei Antifacções.

Contudo, ao decidir pelo indiciamento, o delegado de polícia civil Felipe Candido Rossato deliberou por não autuar Luan na nova lei antifacções. Ele fundamentou que a declaração de pertencer ao Comando Vermelho foi unilateral, confessada apenas verbalmente por Luan no momento da abordagem inicial, carecendo de outras provas materiais imediatas que pudessem corroborá-la.

A autoridade policial ressaltou que a confirmação formal da integração à facção exige investigação aprofundada, que poderá ser alcançada após a perícia nos celulares apreendidos. 
Luan acabou autuado por tráfico de drogas e receptação. Quando era adolescente, ele também havia sido apreendido. 

Meio Ambiente

Estiagem interrompe fluxo do Rio da Prata sob ponte em Jardim

Trecho mais elevado próximo à Ponte do Curé secou, mas rio volta a correr mais à frente

27/08/2026 17h45

Trecho seco do Rio da Prata

Trecho seco do Rio da Prata Reprodução/ Instituto Amigos do Rio da Prata

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A estiagem fez com que a água do Rio da Prata deixasse de passar sob um trecho da Ponte do Curé, na região de Jardim, a cerca de 230 quilômetros de Campo Grande. Imagens registradas no dia 25 de agosto mostram o nível baixo do rio e pequenas áreas de água nas proximidades.

O Rio da Prata é um dos principais cursos d'água da região da Serra da Bodoquena e afluente do Rio Miranda. Suas áreas de nascentes e banhados têm importância para a manutenção da qualidade e da disponibilidade hídrica, além de abrigarem espécies da fauna e contribuírem para a conexão entre áreas de vegetação nativa.

Além da importância ambiental, o rio é um dos principais símbolos do ecoturismo de Mato Grosso do Sul. O Recanto Ecológico Rio da Prata, em Jardim, recebe visitantes para atividades como flutuação em águas cristalinas, em um trecho conhecido pela presença de diversas espécies de peixes. O atrativo integra o circuito turístico de Bonito e Jardim.

Trecho seco do Rio da Prata

Segundo informações divulgadas no perfil do Instagram do  Instituto Amigos do Rio da Prata, a interrupção do fluxo sob a ponte pode ocorrer durante períodos de estiagem. Apesar do trecho seco, o rio mantém pontos com água e retoma seu curso mais à frente.

Os atrativos turísticos da região seguem funcionando normalmente. A equipe também mantém o monitoramento do rio e poderá realizar ações de manejo caso seja necessário evitar que peixes fiquem isolados em poças durante o período de seca. A recuperação do fluxo depende da volta das chuvas à região.

serial killer

Interrogatório do Maníaco da Cruz é novamente adiado para março de 2027

Interrogatório estava previsto para novembro, mas foi remarcada por ausência de horário de videoconferência no presídio; Este é o segundo adiamento do processo em que o serial killer responde por resistência mediante violência ou ameaça

27/08/2026 17h29

Dyonathan Celestrino em audiência realizada em dezembro de 2025

Dyonathan Celestrino em audiência realizada em dezembro de 2025 Foto: Reprodução

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O interrogatório de Dyonathan Celestrino, de 34 anos, conhecido como Maníaco da Cruz, responsável por uma série de assassinatos em Rio Brilhante, foi novamente adiado em processo que ele responde por resistência mediante violência ou ameaça. A audiência estava inicialmente marcada para 28 de abril, sendo adiada para 10 de novembro, e agora novamente remarcada para março de 2027.

Neste processo, ele é acusado de agredir um policial penal utilizando uma garrafa com urina, que foi arremessada no servidor após Celestrino se recusar a voltar para a cela no Instituto Penal de Campo Grande.

A audiência de 28 de abril foi cancelada um dia antes, após manifestação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) requerendo o adiamento devido a impossibilidade de participação da promotora de Justiça designada para atuar no caso, por estar de atestado médico.

Desta forma, a audiência de instrução em continuidade foi redesignada para o dia 10 de novembro de 2026, mas, nesta quinta-feira (27), houve um novo adiamento, desta vez devido a ausência de horário de videoconferência no presídio onde ele está custodiado.

A nova data foi marcada para 2 de março de 2027, quando será realizada a oitiva das testemunhas e interrogatório do Maníaco da Cruz.

Conforme despacho da 5ª Vara do Juizado Especial Cível e Criminal de Campo Grande, a audiência será presencial, com exceção do acusado, que poderá participar por videoconferência, assim como testemunhas residentes fora da Capital.

Resistência mediante violência

Conforme reportagem do Correio do Estado, o caso pelo qual Celestrino será interrogado aconteceu em setembro de 2024, quando ele estava no solário do Instituto Penal de Campo Grande, onde está preso desde 2013, e, depois de expirado o horário de banho de sol, um policial penal solicitou que ele retornasse à cela.

O Maníaco da Cruz se negou a obedecer a ordem e resistiu, tendo sido necessário o uso de escudo por parte dos funcionários do Instituto Penal para conter o detento.

Neste momento, Dyonathan se tornou agressivo e arremessou urina, que estava armazenada em uma garrafa pet, contra o policial penal, que foi atingido no corpo e no olho direito.

O policial relatou que tal comportamento por parte do denunciado é recorrente, sendo comum a prática de agressões e o arremesso de dejetos biológicos contra os servidores.

Denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e uma primeira audiência de instrução, com participação do acusado, foi realizada no dia 1º de dezembro de 2025. Na ocasião, a defesa discordou dos termos da denúncia e afirmou a improcedência da inicial acusatória, mas se reservou ao direito de adentrar com profundidade no mérito da causa ao final da instrução criminal em alegações finais.

Recorrente

A conduta do preso é recorrente, no sentido de agredir e atirar dejetos biológicos contra os servidores.

No dia 27 de setembro de 2023, conforme noticiou o Correio do Estado, ele agrediu um policial penal e ameaçou de morte outros agentes após o banho de sol.

Na ocasião, Dyonathan estava no solário de cela especial e, durante o procedimento de fechamento da ala, ele estava alterado e se recusou a voltar para sua cela, se jogando ao solo e contra as paredes, gritando que mataria os policiais penais.

Equipe de resistência foi acionada para ajudar a conter o preso, ma ele continuou demonstrando resistência, desferindo socos e pontapés. Um dos policiais foi atingido por socos no rosto. 

Internação em presídio

Dyonathan Celestrino é responsável por uma série de assassinatos em Rio Brilhante, em 2008, e desafia o sistema penitenciário. Isto porque ele segue internado na ala de saúde do Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) por falta de um ambiente adequado ao seu quadro de psicopatia.  

A pena de internação pelos crimes cometidos em 2008, quando ainda era adolescente, já foi cumprida entre os anos de 2008 e 2011. Ele atingiu a maioridade penal, de 21 anos, em 2013, quando deveria ter sido solto, mas devido à impossibilidade de reintegração à sociedade e a falta de vagas em hospitais de custódia, segue no Instituto Penal.

Dyonathan é avaliado regularmente por perícia médica, para constatar se há a cessação de periculosidade ou permanência, tendo laudos apontando que ele continua com transtornos de psicopatia que impedem o convívio social, sendo mantida a medida de segurança de internação.

Os crimes

O serial killer conhecido como Maníaco da Cruz, escolhia as vítimas de forma aleatória, e obrigava que respondessem diversas perguntas sobre comportamento sexual. Se fossem consideradas impuras, eram assassinadas, tendo seus corpos posicionados em sinal de crucificação.  

A primeira vítima do Maníaco da Cruz foi seu vizinho, o pedreiro Catalino Gardena, de 33 anos, morto no dia 2 de julho de 2008. No julgamento de Dyonathan, Catalino “mereceu” morrer porque era alcoólatra e homossexual.  

A segunda vítima foi Letícia Neves de Oliveira, de 22 anos, foi assassinada no dia 24 de agosto do mesmo ano, por ser LGBTQIAPNA+.

No dia 3 de outubro de 2008, o Maníaco da Cruz fez a terceira vítima, Gleice Kelly da Silva, de 13 anos, encontrada seminua em uma obra, com um bilhete próximo ao corpo citando que “morto não responde aos recados”.

Na época em que foi apreendido, Dyonathan disse que matou as vítimas porque elas não seguiam os preceitos de Deus. O Maníaco da Cruz foi apreendido em sua casa em outubro de 2008, e posteriormente, encaminhado à Unei de Ponta Porã.  

Em 2013, ele fugiu da unidade para o Paraguai, sendo encontrado e preso novamente.  

Há mais de 10 anos ele está submetido a interdição e medida de segurança, o que o mantém como interno na ala de saúde do Instituto Penal de Campo Grande.

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