O acesso entre Brasil e Bolívia pela rodovia Ramão Gomes – rodovia Bioceânica está interditado e, neste domingo (30), o bloqueio completou nove dias de duração.
Além do impedimento de caminhões, o tráfego de veículos de passeio também está suspenso temporariamente, o que gerou impacto para cerca de 3 mil eleitores brasileiros que vivem em Puerto Quijarro e Puerto Suárez, bem como em Carmen Rivero Torres.
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) não tem estatística consolidada de eleitores com domicílio em Corumbá e Ladário que atualmente vivem no país vizinho.
O número de 3 mil pessoas é uma estimativa trabalhada por partidos políticos que atuam na região.
Neste segundo turno, que ocorre com o bloqueio na fronteira, a abstenção na votação foi maior do que no primeiro turno.
Neste domingo (30), 19.353 eleitores (27,27%) não foram às urnas. Os votos totais no município foram 51.610. No total, a cidade tem 70.963 pessoas aptas a votar.
Durante o primeiro turno, a abstenção foi de 25,52% (18.038 eleitores).
Como o acesso de carros de passeio está fechado, quem vive nas cidades próximas a Corumbá e Ladário teve dificuldade para viajar.
Os trajetos para os municípios brasileiros envolvem distâncias de 21 km e 10 km. Carmen Rivero Torres que fica mais distante, em torno de 110 km.
Só é permitido transitar entre os países a pé e quem decidiu fazer a travessia, no Brasil precisava chamar um táxi ou contar com carona.
A reportagem do Correio do Estado esteve na fronteira, no Posto Esdras, por volta das 15h e praticamente não havia fluxo de pessoas.
A Polícia Federal permaneceu na região e tinha uma equipe de seis policiais federais que estava abordando veículos que passavam pelo posto de fiscalização.
Apesar de a fronteira estar fechada, é preciso atravessar a unidade para acessar uma estrada vicinal que margeia a fronteira e serve de acesso clandestino para chegar à Bolívia.
O bloqueio na fronteira, também chamado de “paro”, é organizado pelos comitês cívicos na Bolívia.
Esse tipo de estrutura não existe no Brasil, mas assemelha-se ao que existe de conselho municipal em território brasileiro.
A decisão em bloquear as fronteiras e também rodovias foi feita depois que o governo federal boliviano decidiu manter a realização do censo demográfico para 2024, período que se aproxima das eleições no país vizinho.
Os Comitês Cívicos cobram do governo federal a realização do censo ainda em 2023. Ele estava programado para acontecer agora neste ano – o último ocorreu em 2012.
É a partir dos dados desse censo que são definidos as cotas de repasse federais para províncias (estados) e municípios.
Reuniões ocorreram ao longo da última semana, principalmente em Cochabamba, envolvendo o governo federal e representantes dos comitês cívicos para se encontrar consenso, o que não ocorreu ainda.
Os bloqueios, conforme os comitês, só serão encerrados depois que o censo foi definido para acontecer em 2023.



