Cidades

"ÚLTIMOS SUSPIROS"

Figueira centenária 'assassina' será removida antes de sua última primavera

Condenada, árvore que já vitimou um vigia noturno em 2021 e foi alvo de incêndios diários há cerca de dois anos sobrevive em meio à burocracia

Continue lendo...

Hoje menos imponente que em seus dias de glória, a figueira "assassina" centenária em Campo Grande segue presente em trecho da Dr. Pacífico Lopes Siqueira mas já emite seus suspiros finais, pois a previsão é que essa espécie de "ficus-elástica" seja completamente removida antes de viver sua última primavera.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) afirmou um ano após promessa - como bem acompanha o Correio do Estado -, que a figueira centenária "assassina" seria finalmente removida até meados do mês de junho. 

Marcada por um passado em que a queda de um de seus galhos vitimou um ser humano, a figueira centenária ganhou mais alguns dias de vida graças à burocracia dos poderes envolvidos em sua remoção, porém já não passando a mesma onipotência que teve um dia no passado.

Com o potencial de atingir até 30 metros de altura em seu habitat, essa "ficus" cresceu e expandiu suas raízes por onde havia calçada, além de estender os seus longos galhos tanto por cima da Rua Dr. Pacífico Lopes como para sobre o empreendimento ao qual é vizinha de muro, chegando até mesmo a entrar em contato com a rede elétrica. 

Justamente isso impediu a retirada completa da árvore desse trecho, uma vez que esse serviço  por parte da Semades é feito em parceria com a concessionária de energia local (Energisa), que teve outras prioridades antes de dar fim à figueira centenária "assassina".

"A Semades informa que a Energisa, que é parceira neste serviço, precisou deslocar o equipamento para atender outra demanda", justificou a Pasta, diante do vencimento do primeiro prazo. 

"Não viverá a primavera"

Diante dessa situação, a "vida" dessa árvore não foi poupada e, de fato, a espécie de figueira com passado assassino será completamente removida desse trecho, conforme o Executivo de Campo Grande. 

Figueira centenária assassinaFiação do "miolo" da árvore já foi liberada. Foto:M.V/CE

Segundo informado pela Semades em nota retorno ao Correio do Estado, o prazo para remoção completa ficou reorganizado para acontecer em até 15 dias úteis. 

Ou seja, conforme a previsão do município, com a árvore sendo completamente retirada até meados do mês de julho, a figueira centenária não chegará a "viver uma última primavera", já que depois do inverno que começa na noite desta quinta-feira (20) a próxima estação deve chegar só em 22 de setembro. 

Quem passa pelo local com frequência nota a diferença na árvore, desde o mês de maio, já que o "miolo" da árvore que acabava engolindo a rede elétrica já foi liberado, restando agora apenas três semanas úteis de vida para a figueira caso os prazos do município se concretizem. 

Relembre

Há cerca de dois anos, depois de toda a história que manchou seu passado de sangue, a figueira centenária passou a ser alvo de incêndios diários, que aumentavam ainda mais o risco de queda da árvore. 

Os próprios agentes do Corpo de Bombeiros Militar que controlaram as chamas relataram, à época, a frequência com que a árvore foi incendiada, sendo cerca de três ocorrências e aproximadamente sete mil litros entre as 24 horas do dia 05 de setembro de 2023. 

Ainda em 2023 funcionários da empresa vizinha explicaram o título de "árvore assassina" - fixado inclusive com banner em seu próprio tronco -, já que o apelido foi atribuído à figueira após a espécie vitimar um vigia noturno em 2021. 

Responsável pela Rodomaq Construtora, Helmut Maaz detalhou à época que há mais de uma década pedia pela retirada da árvore, já que, além do fato dessa figueira consumir a calçada do local e o tronco adentrar o ambiente privado que funciona sua empresa, a queda de seus galhos pode ser fatal, como de fato foi. 

Vale lembrar que o "fim" da figueira foi prometido, de fato, em maio de 2024, quando iniciada a poda da árvore pela então Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur).

Importante frisar que todo esse processo, de remoção total, só teve início após análise de auditor fiscal de meio ambiente responsável, que com a conclusão de relatório técnico recomendou pela retirada já que a árvore apresentava um iminente risco de queda. 

 

Assine o Correio do Estado

Fila de Espera

Pacientes esperam mais de quatro anos por exame em Campo Grande

Com 650 pedidos de exames, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul verificou que a demanda está concentrada em um hospital que oferece nove vagas mensais

01/04/2026 14h44

Crédito: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou investigação para avaliar mais de 650 pedidos pela realização de polissonografia na rede pública municipal de Campo Grande.

O inquérito civil foi aberto após a constatação de que centenas de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) esperam há mais de quatro anos pelo exame, considerado essencial para o diagnóstico de distúrbios do sono e de doenças que comprometem a saúde e a qualidade de vida.

Segundo registros enviados à 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), existem mais de 650 pedidos de exames pendentes, sendo o mais antigo datado de março de 2022.


Fila de espera

Ainda segundo o MPMS, o tempo médio de espera chega a 70 meses, ultrapassando o limite considerado aceitável pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que classifica como excessivos prazos superiores a 100 dias para exames eletivos.

O levantamento demonstrou que a oferta do procedimento está concentrada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap/Ebserh), que disponibiliza apenas nove vagas por mês.

Para se ter ideia, entre setembro de 2024 e agosto de 2025, foram realizados 117 exames — número insuficiente diante da demanda acumulada.

Com isso, o MPMS solicitou informações detalhadas à Sesau e à Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre medidas para ampliar a oferta, incluindo cópia do edital de credenciamento em elaboração e a possibilidade de contratualização com novos prestadores.

Também cobrou esclarecimentos do Humap sobre sua capacidade instalada e potencial de expansão.

Além da falta de vagas, o Ministério Público apontou problemas estruturais, como a ausência de registro do exame no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e a inexistência de classificação ocupacional específica para o profissional executor,  fatores que dificultam o planejamento da rede.

Falta de comparecimento

Outro desafio é o elevado índice de faltas. Em outubro de 2025, apenas 11 dos 24 pacientes agendados compareceram para realizar o exame.

A atuação da Promotoria de Justiça integra um esforço mais amplo de fiscalização das filas de exames especializados em Campo Grande, que incluem procedimentos como ressonância magnética, colonoscopia e endoscopia digestiva.
 

Assine o Correio do Estado

vale da celulose

Venda de florestas garante lucro astronômico a gigante da celulose

O lucro da Eldorado no ano passado chegou a R$ 4,55 bilhões, o que representa aumento de 315% na comparação com o ano anterior

01/04/2026 14h20

A Eldorado funciona em Três Lagoas desde 2012 e no ano passado produziu quase 1,8 milhão de toneladas de celulose

A Eldorado funciona em Três Lagoas desde 2012 e no ano passado produziu quase 1,8 milhão de toneladas de celulose

Continue Lendo...

Com 1,789 milhão de toneladas produzidas ao longo de 2025, o mesmo volume do ano anterior, a Eldorado Celulose, indústria intalada em Três Lagoas, reportou lucro líquido de R$ 4,552 bilhões no ano passado, conforme balanço anual divulgado pela empresa nesta semana. 

O volume é 315% superior ao do ano passado, quando a empresa fechou com lucro líquido de R$ 1,095 bilhão. A explicação  principal para este resultado, segundo informações constantes no balanço da empresa petencente aos irmãos Joeley e Wesley Batista, é que a empresa vendeu ou permutou milhares de hectares de plantações de eucaliptos. 

"Em 2025 a Companhia realizou operações de permuta e venda de madeira e recebeu R$ 5,286 bilhões. Esses valores foram classificados como adiantamentos de clientes", diz nota explicativa da empresa 

Somente no último trimestre do ano estas operações garantiram à  contabilidade da Eldorado um lucro líquido de R$ 2,884 bilhões. Por conta disso, a empresa destaca que o resultado anual de R$ 4,552 bilhões ocorreu "principalmente em função do mesmo fator". 

Parte da venda das florestas em pé foi anunciada agosto do ano passado em um acordo com concorrente Suzano, que tem duas indústrias no Estado, sendo uma em Três Lagoas e outra em Ribas do RIo Pardo. Este acordo rendeu aporte R$ 1,317 bilhão. Parte deste dinheiro, R$ 465 milhões, entrou nos cofres da Eldorado somente em janeiro deste ano.

Conforme este acordo, a Eldorado transferiu madeira madura (a ser colhida entre 2025-2027) para a Suzano, enquanto a Suzano cedeu um volume equivalente de madeira mais jovem (para colheita entre 2028-2031) para a Eldorado.

Ao longo dos últimos anos, por conta da previsão de dobrar sua capacidade de produção, a Eldorado plantou mais eucalpitos do que consumia. Porém, esta segunda linha de produção não saiu do papel e por conta disso existe sobra de florestas. Ao todo, são em torno de 300 mil hectares de plantações. 

QUEDA DE PREÇOS

Se fossem contabilizados somente os resultados relativos às vendas de celulose, os números da indústria que desde 2012 atua em Mato Grosso do Sul bem mais modestos. A quantidade de vendas cresceu 3% de um ano para outro.

Mas, o valor médio da celulose no ano passado caiu 16% na comparação com o ano anterior, recuando de 659 dólares para 549 dólares por tonelada, mostram os dados relativos ao balanço anual da empresa. 

Por conta disso, a receita líquida consolidada atingiu R$  5,879 bilhões em 2025, com redução de 8% frente ao período anterior, quando a gigante do setor faturou R$ 6,373 bilhões. 

Quando a empresa fala de EBITDA ajustado, que é um indicador de desempenho de um negócio usado para calcular o lucro sem fatores excepcionais, os números também são diferentes aos do lucro líquido.

"O EBITDA ajustado alcançou R$ 2,961 bilhões em 2025, redução de 10% em relação a 2024. O desempenho foi impactado principalmente pela menor receita liquida, reflexo do menor patamar de preços (-16%)", diz trecho do balanço anual. 

Depois de cerca oito anos de disputa, 2025 foi marcado pelo fim da disputa pelo controle da Eldorado. Em um acordo anunciado em maio, os irmãos Batista concordaram em pagar US$ 2,7 bilhões à Paper Excellence para recomprar pouco mais de 49% das ações da empresa. 

Esta negociação, conforme revela agora o balanço da empresa, teve custos multimilionários somente com gastos jurídicas. Somente no último trimestre foram contabilizadas  "referente às despesas jurídicas relativas à aquisição da Eldorado e encerramento do litígio entre os sócios, no montante de R$ 76 milhões". Mas, o valor foi bem maior. "No ano cumulado, esse efeito somou R$ 435 milhões". 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).