Cidades

Saúde Pública

Fila por endoscopia supera 10 mil enquanto aparelho está parado em Campo Grande

Segundo denúncia de vereador, equipamento do CEM está parado há cerca de um ano e meio por falta de especialista, enquanto milhares de pacientes aguardam pelo exame na rede pública.

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Mais de 10 mil pacientes aguardam para realizar exames de endoscopia pela rede pública de Campo Grande, enquanto um equipamento disponível no Centro de Especialidades Médicas (CEM) estaria sem utilização há aproximadamente um ano e meio. A paralisação seria provocada pela falta de um médico endoscopista para operar o aparelho e realizar os procedimentos.

O cenário expõe um contraste na saúde pública da Capital: apesar de o município possuir parte da estrutura necessária para oferecer o serviço, milhares de pessoas continuam na fila à espera do exame. A situação foi denunciada nesta quinta-feira (13) pelo vereador Maicon Nogueira, após cobranças encaminhadas à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Conforme as informações apresentadas pelo parlamentar, o equipamento deixou de ser utilizado porque a rede municipal não dispõe do profissional necessário para conduzir os exames.

Ainda não há prazo divulgado para a contratação de um especialista nem para a retomada dos atendimentos no CEM.

“Temos o equipamento, mas não temos o profissional. São mais de 10 mil pessoas esperando por um exame de endoscopia e um aparelho parado há cerca de um ano e meio porque a Prefeitura não consegue contratar um endoscopista”, afirmou Maicon.

O número de pacientes na fila, o período de paralisação do aparelho e a falta do especialista foram informados pelo vereador. Até o momento, não há confirmação da Sesau sobre esses dados.

A endoscopia é utilizada para investigar alterações no sistema digestivo e pode ser solicitada diante de sintomas como dores persistentes, sangramentos, dificuldade para engolir, refluxo e suspeitas de lesões.

Em determinados casos, o procedimento é fundamental para identificar tumores e outras doenças em estágios iniciais.

A demora para realizar o exame, portanto, não representa apenas o prolongamento de uma fila administrativa. Para os pacientes, a espera pode significar o adiamento de um diagnóstico e, consequentemente, do início do tratamento adequado.

O problema também pode gerar impacto financeiro para o próprio sistema público. Doenças descobertas em estágios mais avançados normalmente exigem tratamentos mais complexos, prolongados e de maior custo, além de reduzirem as possibilidades de recuperação dos pacientes.

Falta de profissionais impede retomada

Além da ausência de endoscopistas, o vereador também relatou dificuldades relacionadas à disponibilidade de anestesistas na rede municipal. Dependendo do procedimento e das condições clínicas do paciente, a realização do exame pode exigir sedação e a participação de uma equipe preparada para acompanhar o atendimento.

A falta desses profissionais tornaria mais difícil colocar o equipamento novamente em funcionamento, mesmo com o aparelho disponível no Centro de Especialidades Médicas.

A Sesau ainda precisa esclarecer quantos endoscopistas e anestesistas seriam necessários para restabelecer o serviço e qual seria a capacidade mensal de realização de exames.

Outro ponto que aguarda esclarecimento é o estado de conservação do equipamento após aproximadamente 18 meses sem utilização. Não há informação, no material divulgado, sobre a necessidade de manutenção, atualização ou revisão técnica antes da retomada dos procedimentos.

Também não foi detalhado quantos dos mais de 10 mil pacientes aguardam há mais tempo, quais critérios são utilizados para definir a ordem dos atendimentos e se os casos considerados urgentes recebem prioridade.

Contratação terceirizada é uma das alternativas

Diante da dificuldade para formar uma equipe própria, uma das possibilidades levantadas pelo vereador é a contratação temporária de uma empresa especializada para realizar os exames. A medida poderia ampliar a oferta enquanto o município busca uma solução permanente para o funcionamento da estrutura pública.

A terceirização, no entanto, dependeria da definição do modelo de contratação, da disponibilidade orçamentária e do cumprimento das regras administrativas.

A Prefeitura também precisaria informar quantos procedimentos seriam contratados e em quanto tempo seria possível reduzir a fila acumulada.

Maicon anunciou que pretende encaminhar o caso ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul para solicitar providências. A decisão, de acordo com ele, foi tomada após meses de requerimentos e cobranças dirigidos à administração municipal.

Até a publicação da denúncia pela Câmara Municipal, não constava no material divulgado uma manifestação da Secretaria Municipal de Saúde sobre o número exato de pessoas na fila, as razões para a falta de profissionais ou a previsão de retorno dos exames no CEM.

Também não há informações sobre o encaminhamento dos pacientes para unidades conveniadas, o número de exames realizados mensalmente pela rede municipal ou as medidas previstas para atender à demanda reprimida.

Enquanto não há uma solução, permanece a denúncia de que mais de 10 mil pessoas aguardam um procedimento que pode ser decisivo para identificar doenças e permitir o início do tratamento.

O equipamento supostamente parado, em meio à elevada demanda relatada pelo vereador, reforça a necessidade de uma resposta objetiva sobre quando o serviço voltará a funcionar.

Prefeitura não responde aos questionamentos

A reportagem do Correio do Estado procurou a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para esclarecer os dados apresentados pelo vereador, saber se os pacientes estão sendo encaminhados para unidades conveniadas e se há previsão para a retomada dos exames no CEM, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

Cidades

MPE exige que Prefeitura de Três Lagoas dê tratamento digno a Centro de Acolhimento

Diário Oficial expõe galeria de fotos das irregularidades estruturais do local e uma série de recomendações de políticas públicas

09/09/2026 10h40

MPMS cobra Prefeitura por falta de vagas e negligência em serviços de acolhimento

MPMS cobra Prefeitura por falta de vagas e negligência em serviços de acolhimento Divulgação/Prefeitura de Três Lagoas

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O Ministério Público do Estado (MPE) abriu um procedimento administrativo que recomenda à Prefeitura de Três Lagoas a adoção de políticas públicas que destinem tratamento digno aos pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município. 

A recomendação veio após o órgão receber um ofício da Associação de Moradores do Bairro Paranapungá sobre a quantidade crescente de pessoas em situação de rua e usuários de drogas que estavam ocupando as ruas do bairro e da região, bem como terrenos e imóveis abandonados.

Em ofício, a comunidade reforçou que a situação aumentou a vulnerabilidade social, insegurança e conflitos com moradores.

A representação especificou ainda que como entidade, a Associação de Moradores busca promover diversos eventos sociais, que por vezes não possuem espaço para realização, ou mesmo alguns que eram utilizados, passaram a ser ocupados pelas pessoas em situação de rua, como abrigo improvisado.

O MPE então solicitou à Secretaria Municipal de Assistência Social de Três Lagoas (SEMAS) o mapeamento dessas pessoas em vulnerabilidade, registrando o perfil, locais de permanência e planos de ação, bem como protocolização de encaminhamento para o atendimento na rede de saúde mental.

Ainda foram expedidos ofícios à Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Governo e Políticas Públicas e à Polícia Militar para entender como funciona a abordagem dessas pessoas e o encaminhamento a rede de cuidado, além de informações sobre os terrenos e imóveis abandonados.

No entanto, segundo o MPE, os planos de ações das secretarias concentram-se em abordagens informativas e distribuição de insumos, que apesar de essenciais para a redução de danos, foi entendido como reduzida diante dos quadros clínicos severos de dependênca e sofrimento psíquico dos afetados.

Para além das constatações referentes as políticas públicas já existentes no município, o MPE divulgou por meio do Diário Oficial (DOMPMS) uma série de fotos do local em que ocorre o Serviço de Acolhimento para Pessoas em Situação de Rua (Acolhimento POP).

A galeria de fotos, não recorrente no documento, expôs uma sequência de irregularidades estruturais, que vão desde portas deterioradas e infiltrações em paredes e tetos a mobília danificada e pragas/fungos.

Segundo o MPE, a condição fornecida as pessoas em situação de rua, bem como aos usuários de drogas vão contra os direitos fundamentais do Estado, que garante assistência social a todo cidadão, assim como o amparo às pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão e a garantir de direitos mínimos sociais.

O órgão ainda reforça em documento o dever do Município em "assegurar instalações adequadas, seguras, salubres e compatíveis com as finalidades dos serviços socioassistenciais ofertados", conforme os princípios da dignidade da pessoa humana, da proteção integral, da eficiência administrativa e serviços públicos.

Medidas recomendadas

As medidas exigidas foram destinadas ao Município de Três Lagoas, representado pelo Prefeito Cassiano Rojas Maia (PSDB), divididas em cinco eixos: Atenção a Saúde Mental e Integração da Rede de Cuidado; Proteção Social e Acolhimento da População em Situação de Rua; Qualificação das Equipes e Governança Intersetorial; e Ordenamento Urbano e Qualificação dos Espaços Públicos.

Entre as recomendações, ficou estebelecido a atualização do protocolo de atendimento nas unidades de saúde (CAPS, Consultório na Rua, Atenção Básica) e de assitência social (SEAS e Centro POP), suporte médico que garanta avaliação clínica e psiquiátrica aos necessitados, bem como leitos hospitalares que atendam o fluxo dos centros de cuidados.

Ainda foram solicitadas reestruturação devido as condições físicas do centro de acolhimento, ou transferência para um novo imóvel, com cronograma e diagnóstico do impacto nas vagas de atendimento e elaboração de um plano de expansão de vagas que resolva a falta de capacidade.

Quanto a abordagem de usuários de drogas, o órgão recomendou que haja capacitação continuada de prossionais para que o atendimento esteja dentro do previsto sem a utilização de violência para conter crises. 

Para isso, foi ainda solicitado a criação de relatórios trimestrais anônimos para monitoramento dos atendimentos, abordagens, avaliações médicas, internações voluntárias e involuntárias, além de detalhamento de casos que forem recusados.

A recomendação também recomenda a fiscalização e vistoria de imóveis e terrenos abandonados no bairro, para que sejam notificados os proprietários e ocorra limpeza, fechamento e conservação das propriedades.

O documento adverte que, em caso de descumprimento da recomendação, poderão ser adotadas medidas judiciais para correção das supostas irregularidades e eventual responsabilização dos agentes públicos envolvidos.

Crise no Centro de Acolhimento

A recomendação divulgada hoje (09) no Diário Oficial do Ministério Público não é a primeira tentativa de organização e reestrutuação do Centro de Acolhimento POP de Três Lagoas.

Ao fim do ano passado, o MPE abriu investigação sob justificativas parecidas quanto a estrutura física do local.

Na época, o centro não possuía estrutura acessível, além de equipe técnica insuficiente e sem formação especializada para atender perfis como idosos acamados, pessoas com transtornos mentais e vítimas de violência.

A recomendação do órgão ministerial tem caráter orientativo e foi destinado as secretarias de Saúde, Assistência Social, aos conselhos municipais de Saúde e Assistência Social, e também à Associação de Moradores do Bairro Paranapungá.

Cabe à administração municipal decidir se acolhe ou não a manifestação do Ministério Público, e em caso de acolhimento, deve ser apresentado dentro do prazo de 60 dias, um cronograma preliminar de implementação dos protocolos, fluxos e capacitações recomendados.

DEMISSÃO

Sejusp demite ex-Garras envolvido em escândalo de propina e contrabando

Apesar de ter sido absolvido das acusações no mês passado, o policial foi demitido por descumprir deveres da função e infringir proibições

09/09/2026 09h30

Augusto Galvão, ex-policial do Garras, foi absolvido da acusação de receber propina de contrabandistas

Augusto Galvão, ex-policial do Garras, foi absolvido da acusação de receber propina de contrabandistas Divulgação

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O policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, acusado de receber propina no valor de R$ 130 mil para facilitar os crimes de contrabando e descaminho, teve sua demissão publicada no Diário Oficial do Governo do Estado. O Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira assinou a demissão.

De acordo com a publicação, Augusto Torres descumpriu os deveres do artigo 155, que tratam sobre:

  • exercer a função policial com probidade, discrição e moderação (ou zelar pela dignidade da função) - inciso V;
  • desrespeito a padrões ético-morais condizentes com a instituição - inciso VI;
  • deixar de manter lealdade e constância no cumprimento dos preceitos legais e institucionais - inciso VII;
  • dever de assiduidade, pontualidade, urbanidade no trato com o público, zelo pelo patrimônio público e cumprimento estrito de ordens legais superiores - incisos XVII, XVIII e XXVIII.

Ele também infringiu proibições do artigo 156, por agir com deslealdade no exercício da função; praticar insubordinação grave, abandono de cargo ou conduta irregular de natureza grave; valer-se do cargo para ter proveito pessoal, em detrimento da dignidade da função policial; e praticar ato que concorra para comprometer o prestígio da instituição ou que configure crime contra a administração pública.

Absolvido

No dia 19 de agosto deste ano, a Justiça Federal absolveu o ex-policial do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) Augusto Torres Galvão Florindo, o ex-guarda civil municipal Marcelo Raimundo da Silva e a esposa dele, Ana Claudia Olazar dos crimes de corrupção ativa e passiva.

Na decisão, o juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini entendeu que não ficou comprovado o envolvimento ilícito dos acusados nem a finalidade da entrega dos R$ 130 mil a Augusto Torres, mas decretou o perdimento da verba em favor da União.

Porém, o titular da 5ª Vara Federal de Campo Grande afirma não ter “dúvida alguma” de que o dinheiro seja decorrente de atividade ilícita. Entre os motivos, estão o alto valor entregue em espécie no estacionamento de um supermercado pela janela dos carros e o fato de ter um pedido de um homem, identificado como Ângelo ‘Moela’, envolvido na prática de contrabando e descaminho, como confessou o ex-guarda Marcelo em depoimento.

Denúncia

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o trio por participação em um esquema de contrabando de cigarros eletrônicos. Augusto Torres participava da cobrança e entrega de propina pelos contrabandistas. Após a prisão, em novembro de 2025, o policial foi afastado do cargo no Garras.

A investigação do caso teve início após uma denúncia anônima, que relatava o saque de uma grande quantia de dinheiro, para ser entregue como propina a um agente de segurança. A esposa do ex-guarda realizou o saque, e a quantia seria entregue a Marcelo Raimundo da Silva que repassaria ao policial civil.

Marcelo relatou que entregou R$100 mil a Augusto a pedido de um contrabandista de São Paulo. Ele contou também que completaria com R$ 30 mil que guardava em casa para outra carga de produtos vindos do Paraguai.

O valor total foi depositado na conta de uma empresa de carros usados registrada no nome da esposa de Marcelo. Após o saque, ele pegou os R$ 30 mil restantes e seguiu para o ponto de encontro no estacionamento de um supermercado na Avenida dos Cafezais, em Campo Grande. No momento da entrega da sacola com o dinheiro, a dupla foi presa pela Polícia Federal.

Sem provas

O juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, em sua sentença, diz que o MPF não juntou qualquer prova de que Augusto Torres atuava, de fato, em auxílio às atividades de contrabando e descaminho e que os valores que recebeu seriam decorrentes de tal prática. Também considera não haver evidências suficientes de que tais pagamentos estariam relacionados ao exercício de sua atividade como policial civil.

“A denúncia se ampara basicamente nas declarações prestadas pelos próprios réus (Augusto e Marcelo) em sede policial, quando, em tese, teriam admitido tal atuação ilícita”, afirma o magistrado. “Ocorre que a confissão extrajudicial é insuficiente para amparar a condenação, quando retratada em juízo e não amparada em outros elementos”.

Para o titular da 5ª Vara Federal, faltou comprovar qualquer conversa ou negociação entre os réus sobre a atividade ilícita, além da apreensão de mercadorias ilícitas.

“Ainda que a entrega dos valores tenha efetivamente ocorrido, não restou demonstrado, para além da dúvida razoável, qual a natureza de tal transação, ou a finalidade a que se destinava. As próprias testemunhas afirmam que desconheciam que os pagamentos seriam feitos a um policial civil”, relata o magistrado.

O juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini decidiu então absolver os três acusados, uma vez que o tipo penal de corrupção exige que o pagamento seja indevido e decorrente da função pública, e a ausência de prova inconteste de tal fato impede a condenação.

O valor total apreendido, de R$ 153.500,00, foi decretado seu perdimento em favor da União, para ser direcionado ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).

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