Cidades

AUTONOMIA

Funai aprova relatório de demarcação de terra indígena em Dourados

O povo Guarani-Kaiowá enfrenta uma longa batalha pelo reconhecimento e delimitação da TI Apyka'i, marcada por violência e despejos

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A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) aprovou ontem (28) as conclusões do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena (TI) Apyka’i, de ocupação tradicional do povo indígena Guarani-Kaiowá, localizada em Dourados. O Despacho Decisório foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (29).

A aprovação se deu por meio de assinatura do Despacho Decisório pela presidenta da autarquia indigenista, Joenia Wapichana, durante a Oficina de Planejamento da Diretoria de Demarcação de Terras Indígenas (Didem), setor vinculado à Funai, em Brasilia (DF).

O RCID tem por objetivo identificar e delimitar o território da TI Apyka'i, de forma a promover os direitos constitucionais territoriais e culturais do povo Guarani-Kaiowá.   

A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, enfatizou que a assinatura reforça o compromisso do Governo Federal com a autonomia dos povos indígenas e a defesa da demarcação das terras indígenas.    

“O presidente Lula me incumbiu de dar andamento nesses processos territoriais que dão autonomia aos povos indígenas nas decisões sobre os seus territórios. Esse ato hoje é a prova disso, e busca, ainda, reduzir a vulnerabilidade do povo Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul e está em conformidade ao Compromisso de Ajustamento de Conduta (CAC), firmado com o Ministério Público Federal (MPF) e com as lideranças Guarani-Kaiowa, em 2007”, afirmou.   

A presidenta Joenia Wapichana frisou também o comprometimento das equipes técnicas da Funai, formadas por servidores da autarquia que compuseram o Grupo Técnico (GT) para a realização de estudos sobre territorialidade dos Guarani-Kaiowá. As equipes contaram ainda com ativa participação dos indígenas e dos órgãos estaduais e municipais.

TI Apyka'i 

A TI Apyka'i é um território de cerca de 1.058,16 hectares reivindicado como de ocupação tradicional pelo povo indígena Guarani-Kaiowá, que enfrenta uma longa batalha pelo reconhecimento e demarcação de suas terras, marcada por conflitos, ameaças de despejo e condições de alta vulnerabilidade. 

O Tekoha Apyka'i é reivindicado por um grupo familiar Kaiowá como território de pertencimento ancestral. A comunidade viveu por longo período em situação de extrema vulnerabilidade, acampada às margens da BR-463 (eixo Dourados-Ponta Porã), após uma decisão desfavorável de reintegração de posse que resultou em seu despejo, com destruição dos acampamentos por forças policiais, em 2016. 

Entretanto, de acordo com a antropóloga-coordenadora Maria Helena de Amorim Pinheiro, a família Cário-Cavanha, composta por cerca de 128 pessoas, poderá ocupar futuramente a TI.

Desafios

De acordo com o relatório, por um longo tempo, a comunidade permaneceu em um acampamento precário, com moradias de lona, exposta a riscos de vida, devido a proximidade da rodovia, além de assédios e ameaças constantes de agentes de segurança privados contratados por proprietários rurais.

A presença Kaiowá no tekoha Apyka'i é marcada por sucessivas expulsões, violências e tentativas de reocupação.Desde o início do século 20, famílias Guarani-Kaiowá viveram na TI, de onde foram expulsas por fazendeiros. Parte de seus descendentes, liderados por Ilário Cário e, posteriormente, Damiana Cavanha, mantiveram vínculo com o território, mesmo após deslocamentos forçados para reservas como Dourados, Caarapó e Guaimbé.

Em 2023, o Apika'i somou mais de duas décadas de acampamento, com seis remoções forçadas, dois incêndios, seis atropelamentos e uma morte por envenenamento, em um quadro persistente de precariedade.

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segurança pública

PCC entra na mira da PF em meio à guerra de facções em MS

Ao todo, 24 membros do grupo foram presos, com mandados cumpridos em oito municípios do Estado

09/10/2026 08h15

Imagem de um dos mandados que foi cumprido em Corumbá

Imagem de um dos mandados que foi cumprido em Corumbá Foto: Divulgação/PF

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A Polícia Federal (PF) realizou uma ofensiva contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) ao prender mais de 20 integrantes em Mato Grosso do Sul, com mandados de prisão espalhados por oito municípios do Estado, em meio à guerra entre a facção e o Comando Vermelho (CV), que atingiu o ápice de mortes neste ano.

Ontem, foi deflagrada a Operação Kathárisma (palavra de origem grega que significa purificação), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa ligada ao PCC, que atuava principalmente na região norte do Estado. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão.

“As investigações identificaram uma estrutura organizada, com diferentes níveis de atuação e mecanismos próprios de comunicação, além de elementos relacionados à identificação de integrantes e à movimentação financeira do grupo. A apuração investiga a atuação dos envolvidos para integrar a facção criminosa, nos termos do art. 2º da Lei nº 12.850/2013 [Lei de Organização Criminosa]”, explica.

O artigo da lei – que define o crime de organização criminosa e regulamenta os meios de investigação criminal e obtenção de provas no Brasil – citada diz a respeito da proibição em “promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa”, sob pena de três a oito anos, além de pagamento de multa.

Ainda de acordo com a PF, as medidas judiciais foram cumpridas em Sonora, Pedro Gomes, Coxim, Aquidauana, Terenos, Corumbá, Anastácio e Campo Grande. Na Capital, três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em unidades prisionais – dois na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira (PEMRFG) e um no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC).

GUERRA

Há um mês, o Correio do Estado reportou que a guerra entre o CV e o PCC por território em Mato Grosso do Sul atingiu o ápice de mortes neste ano, segundo o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Desde o ano passado as duas principais facções criminosas do País estão em guerra pelo comando de novas rotas para escoar as drogas que entram no Brasil por meio das fronteiras com Paraguai e Bolívia.

Em razão da localização estratégica, que faz fronteira seca com esses dois países, Mato Grosso do Sul entrou no foco das duas facções como ponto importante das ambições de ampliação e domínio de território. Foi a partir daí que as mortes começaram.

O Estado é uma das unidades da Federação com mais membros do PCC fora de São Paulo, o que faz dele um estado com predomínio da facção. E é este cenário que o CV busca mudar.

Com atuação muito mais forte no norte do Estado, na divisa com o Mato Grosso, estado de domínio da facção carioca, o CV quer dominar as rotas que hoje são do PCC em MS. 

Essa situação começou em maio do ano passado, quando ambas as facções decidiram encerrar um acordo de paz que havia entre os seus líderes, tema noticiado na época pelo Correio do Estado.

Após esse retorno das agressões mútuas, Marques avaliou que este tem sido o ano mais sangrento da disputa.

“A guerra de facções já está aí há um tempo, e ela já fez várias vítimas aqui do Estado. A gente não tem o número exato, mas, talvez, seja o ano mais sangrento de Mato Grosso do Sul nessa guerra de facções. Mais de 100 [já morreram] só aqui”, afirmou o promotor, que listou como o principal motivo para a guerra a busca pelo domínio de território.

TERRORISTAS

No fim de maio, a Secretaria de Estado do governo dos Estados Unidos (EUA) emitiu um comunicado em que informa a designação do PCC e do CV como organizações terroristas internacionais.

O objetivo da designação pelos EUA é facilitar o congelamento de ativos do narcotráfico, a investigação e o monitoramento de membros das facções, a troca de informações de inteligência, a aplicação de sanções financeiras, o banimento de vistos e a criminalização do apoio material, com armas, dinheiro ou treinamento, entre outros.

* Saiba 

Conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), mais de 7,5 toneladas de cocaína foram apreendidas em MS este ano, de janeiro até ontem. 

Economia

AliExpress e Correios firmam acordo para acelerar entregas no Brasil

Objetivo é reduzir os prazos e melhorar a rastreabilidade

08/10/2026 23h00

Joédson Alves/Agência Brasil

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Os Correios e a plataforma de comércio eletrônico AliExpress renovaram a parceria para garantir a entrega dos pedidos feitos por consumidores brasileiros. 

As empresas também assinaram um memorando de entendimentos que prevê ações para acelerar as entregas no Brasil durante os períodos de maior volume de compras do ano, como a Black Friday e o dia 11 de novembro, quando acontece o principal festival de compras do e-commerce chinês. 

O objetivo é reduzir os prazos de entrega, aumentar a capacidade de processamento e melhorar a visibilidade no rastreamento dos pedidos. A expansão das parcerias internacionais é um dos pilares do Plano de Reestruturação dos Correios. 

Segundo o presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, a parceria com o AliExpress demonstra o reconhecimento da capacidade operacional da empresa para atender um mercado em constante expansão. 

“Estamos preparados para o aumento do volume de encomendas previsto para o fim do ano, com uma logística robusta e integrada, que conecta o Brasil ao e-commerce global e garante mais agilidade aos consumidores”, comentou .

A assinatura aconteceu em setembro, na sede do Alibaba Group, em Hangzhou, na China.

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