Pelo menos três indivíduos ainda estão foragidos, suspeitos de integrarem a chamada "Tropa de Cuiabá", grupo que, entre outras práticas criminosas, ganhou notoriedade por aplicarem golpes em jogadores de futebol e desviarem aproximadamente um milhão de reais de Gabigol e Walter Kannemann.
Delegado adjunto da Especializada Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros, Pedro Henrique Pillar Cunha detalha que o Garras foi até o Estado vizinho do Mato Grosso na última sexta-feira (26) para desarticular o grupo considerado "braço articulado" do Primeiro Comando da Capital (PCC) para a prática de fraudes.
Conforme reforçado durante coletiva, no fim da manhã de hoje (29), na sede da Garras, as cidades de Cuiabá e Várzea Grande tratam-se dos municípios "sede" da chamada "Tropa" que se batiza com o nome da capital mato-grossense.
"Foram identificados pelo menos 11 integrantes, sendo que oito se encontram presos nesse momento, mas há possível identificação de outros elementos, principalmente a partir das informações que a gente conseguiu por meio da operação, mas a princípio já foram identificados onze indivíduos", cita Pedro Cunha.
Segundo o delegado, os indivíduos acumulam passagens pelos mais variados crimes, que vão de tráfico e até roubo, mas todos com "extenso registro de ocorrência em todos os estados do Brasil, referente ao recebimento de valores ilícitos, à prática de fraudes", diz em complemento.
"Todos os indivíduos, pelo menos há cinco anos, praticam reiteradamente ilícitos envolvendo fraudes nos mais diversos estados do Brasil. Visualizou-se uma ligação forte com o PCC, mas nada impede que mais para frente as investigações apontem o envolvimento com outras facções".
Relembre
Trabalho conjunto com a Polícia Civil de Mato Grosso, a participação de MS na investigação se dá após um crime registrado em março deste ano contra uma instituição financeira.
Nessa ocasião, aproximadamente 250 mil reais foram angariados de uma só vez por parte dos traficantes contra uma cooperativa de Campo Grande (MS).
Identificado como um grupo altamente estruturado, a "Tropa de Cuiabá" é apontada como responsável por inúmeras fraudes eletrônicas em praticamente todos os estados do Brasil, com um caráter de comunicação interestadual entre os envolvidos.
Essa instituição financeira teria sido vítima de uma fraude eletrônica, praticada após extenso levantamento de dados por parte dos traficantes, em que os criminosos teriam se passado por dirigentes financeiros para dar credibilidade ao crime.
Ou seja, após um longo levantamento de fotos, monitoramento do cotidiano de pessoas em cargos de diretoria financeira e/ou executivo de instituições bancárias, o grupo teria acesso à essa modalidade de crime.
Porém, o delegado esclarece que a "Tropa de Cuiabá" não se limita à fraudes eletrônicas, englobando ainda:
- Golpe do boleto falso.
- Falsa extorsão, mediante sequestro
Agora, as investigações seguem em curso, diante da possibilidade de que trabalhadores ou ex-funcionários de instituições financeiras possam estar por trás do grupo e de que um número ainda maior de vítimas tenha sido atingido.
"A gente acredita bastante nessa possibilidade de cooptação. Não há nenhum indício que aponte para um vínculo especificamente de algum funcionário dessa agência, ou de alguma instituição bancária do Estado de Mato Grosso do Sul, mas sim de algum indivíduo que tenha um conhecimento forte a respeito de conhecimentos bancários de forma geral, de movimentações internas e tudo mais", completa o delegado.
Os envolvidos devem responder por uma série de crimes, como:
- fraude eletrônica,
- organização criminosa e
- lavagem de capitais.
Tropa e o funk
A Polícia Civil identificou, durante a apuração, que os criminosos patrocinavam músicas de funk para ostentar os lucros dos golpes, narrar detalhes dos crimes e atrair novos integrantes. Por isso o nome "Euterpe", que faz menção à deusa da música na mitologia grega.
Conforme divulgado pela Polícia Civil, uma das músicas patrocinadas pela quadrilha seria "171 Estelionatário, Golpe do Gabigol", do DJ Helinho com o Mc Juninho da 8.
Na música, são feitas menções diretas à "Tropa de Cuiabá" e ao golpe aplicado no jogador Gabigol.
"Em Cuiabá é 'nóis' que tá. Um milhão do Gabigol 'conseguimo' até sacar. O malote tá no bolso e o ouro tá no pescoço... A Tropa de Cuiabá tem até carro clonado, 171 estelionatário. A Tropa de Cuiabá tá arrastando pra caralho, 171 estelionatário", menciona um trecho do funk disponível em plataformas digitais como o Spotify.
O DJ Helinho é um dos maiores nomes do funk no Centro-Oeste, sendo um dos responsáveis por popularizar o funk cuiabano no Brasil. Ele é produtor musical de músicas famosas no gênero como o viral "Ei, Moto Táxi".
Outras músicas que fazem menção direta aos crimes cometidos pelo grupo são: "Toma de Estelionatário", do DJ Juninho Original com MC Juninho da 8 e MC K2K; "Queridin Por Elas", do MC Theus CBA e DJ Oreia CBA; entre outras.
"A própria prática da apologia, ela foi cometida em Cuiabá e Várzea Grande ali, então, na verdade, as investigações e a competência para julgamento desse crime vai ser no Estado do Mato Grosso. Todas essas informações já foram repassadas e essa questão de tirar da plataforma ou comunicar o Spotify vai ser tudo feito por lá", concluiu.

