Cidades

R$ 2,3 milhões

Governo rescinde contrato milionário de segurança privada da Agesul

Contrato foi firmado há seis anos e empresa recebeu R$ 2,3 milhões pelo serviço

ALINY MARY DIAS

13/07/2015 - 09h50
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Seis anos depois de firmar um contrato milionário com empresa de segurança, o Governo do Estado rescindiu, nesta segunda-feira (13), a contratação. A empresa DISP Segurança e Vigilância Ltda atuava como segurança armada nos prédios da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) na Capital e no interior do Estado.

De acordo com o divulgado no Diário Oficial do Estado (DOE) de hoje, houve um processo administrativo feito pelo Governo e, por isso, a determinação de que o contrato com a empresa fosse rescindido. O motivo da apuração e da rescisão não foram divulgados pelo Governo.

CONTRATO

A licitação que deu início à contratação foi lançada em julho de 2009, há exatos seis anos. Na época, a empresa saiu vencedora da concorrência e faturou o serviço pelo valor de R$ 2,3 milhões por um ano.

De lá para cá, uma série de termos aditivos foram autorizados pela Agesul e o contrato acabou sendo prorrogado ano a ano.

Na época, houve reclamações e até protestos de seguranças patrimoniais que atuavam contratados pelo Governo do Estado afirmando que os seguranças da empresa privada faziam o mesmo serviço que eles.

MAIS DINHEIRO

Outra situação que chama a atenção é que em novembro no ano passado o Governo do Estado abriu nova licitação para que o serviço de segurança armada e ostensiva em prédios da Agesul fosse feito, mesmo ainda havendo um contrato em vigor. 

O processo foi retomado pela atual gestão do Governo e o resultado só saiu em março deste ano. Dessa vez, a empresa SJT Segurança e Vigilância Patrimonial saiu vencedora do certame e faturou R$ 3,8 milhões pelo serviço, que será realizado durante 12 meses.

Com a rescisão do contrato anterior, ao que tudo indica, as sedes da Agesul continuarão tendo a segurança armada, tanto em Campo Grande quanto nos postos do interior do Estado.

ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE POLÍCIA

Associação mundial de policiais realiza seminário jurídico-policial em MS

O evento acontece em março e é aberto a profissionais de segurança pública, estudantes de direitos e advogados com entrada gratuita

02/03/2026 18h00

Seminário acontece na sede da Adepol em Campo Grande, no dia 17/03

Seminário acontece na sede da Adepol em Campo Grande, no dia 17/03 Divulgação

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A troca de conhecimentos entre policiais de diferentes países, a oferta de cursos internacionais e a integração das forças de segurança ao redor do mundo são alguns dos pilares da International Police Association (IPA), a Associação Internacional de Polícia. 

A fim de ampliar a divulgação da rede, a IPA realiza, no dia 17 de março, um seminário jurídico-policial em Campo Grande, promovido pela representação estadual da entidade, com participação gratuita.

Fundada na Inglaterra em 1950, a IPA está presente em, aproximadamente, 70 países e reúne cerca de 400 mil membros no mundo. No Brasil, a entidade atua há cerca de 65 anos e sua sede está locada no Rio de Janeiro. 

Desde janeiro deste ano, a Associação passou a ter representação em Mato Grosso do Sul, tendo como diretor o delegado de polícia aposentado Roberto Faria, que integra a IPA há 36 anos. 

Segundo ele, a principal finalidade da associação é promover a troca de informações e de conhecimento técnico entre policiais de diferentes nações. 

“O intuito número um é a troca de conhecimentos. Não só de informações de polícia, mas de conhecimento técnico, elaboração de cursos nos países membros”, explicou ao Correio do Estado

A IPA possui ainda assento como consultora de segurança pública na Organização das Nações Unidas (ONU) e na Organização dos Estados Americanos (OEA), o que reforça seu caráter institucional e internacional. 

Academia Internacional

A entidade possui uma Academia Mundial de Polícia, que funciona na Alemanha. A escola oferece, uma vez por ano, um curso totalmente financiado pela Associação para um policial de cada país participante. 

No caso do Brasil, há apenas uma vaga anual com todas as despesas pagas, incluindo hospedagem, alimentação e um limite de até 2,5 mil euros para o custeio da viagem. 

Além da formação anual na Alemanha, diversos países promovem cursos especializados ao longo do ano, com valores considerados acessíveis e simbólicos, para membros filiados à Associação. 

Atuação da IPA

O delegado Roberto Faria explica que a atuação da IPA se divide em dois grandes eixos: a formação profissional e a integração entre os policiais. 

Além dos cursos, a Associação também promove atividades esportivas e culturais, como a Olimpíada Mundial de Polícia, com modalidades como judô, futebol, esgrima, tiro e natação, além de campeonatos de forças táticas. 

Outro diferencial é a rede de apoio internacional. Em vários países, a entidade mantém hotéis ou imóveis destinados exclusivamente a membros da associação, com valores reduzidos. Em Lisboa, por exemplo, há hospedagens voltadas a policiais por cerca de 30 euros a diária. 

“Se eu vou viajar para algum país, tem hotel de trânsito para te hospedar com um valor bem abaixo. Quando não tem hotel, há imóveis para alocar por um valor também bem menor. A associação tem apartamentos no Rio de Janeiro, em Paris”, explicou. 

Segundo Faria, o espírito da entidade é de fraternidade e cooperação. Policiais aposentados também podem participar das atividades, seja em cursos, competições ou em viagens. 

Associação sem fins lucrativos 

A International Police Association não é um órgão governamental. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos, mantida por contribuições anuais dos associados e pelo trabalho voluntário de seus dirigentes. 

“No Brasil, o número de membros ainda é considerado baixo, girando em torno de 1.100 associados. Para comparação, no estado de São Paulo são mais de 500 mil policiais. Então, você percebe que o brasileiro ainda está meio acanhado com esse tipo de coisa. Mas nós tentamos mostrar o quanto é importante ele se preparar, ele ter preparo”, afirmou o delegado. 

A anuidade para se tornar um associado da IPA é de R$ 400 por ano, valor destinado à manutenção das atividades e à estrutura internacional da entidade. 

Em Mato Grosso do Sul, atualmente, são 3 filiados da Associação. No entanto, para o delegado Faria, a divulgação da entidade e seus benefícios devem atrair mais interessado. 

“Para participar, tem que ser policial, seja da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Ferroviária Federal, Polícia Militar, Guarda Metropolitana, Polícia Federal ou Polícia Civil. Neste ano, pretendemos fazer mais eventos gratuitos para policiais, até os que não são membros da associação. Mas quando chegarmos a um determinado número de associados, ela vai ser gratuita somente para os filiados”, explicou. 

Primeiro Seminário Jurídico Policial

Como parte da divulgação da Associação, a IPA promove, neste mês, o primeiro Seminário Jurídico Policial em Mato Grosso do Sul, que contará com a participação do Dr. André Matsushita, presidente da Adepol e professor universitário. 

O evento tem a finalidade de unir policiais, fortalecer nações e promover a cooperação internacional, com palestras voltadas ao local do crime, à cadeia de custódia de vestígios digitais e a violência doméstica. 

O seminário será aberto a profissionais da segurança pública, como todos os eventos da entidade. Porém, este, em específico, também será ampliado para o público de universitários do curso de direito e advogados. A participação para todos é gratuita. 

O encontro será sediado no auditório da Adepol/MS, localizado no Carandá Bosque em Campo Grande, das 13h30 às 17h30. 

As inscrições podem ser feitas pelo contato (67) 99888-0507

URGÊNCIA

Leitos sobram em hospitais de Campo Grande, mas falta de recurso impede o uso

Superintendente do Ministério da Saúde em MS diz que não "enxergou" recursos empenhados pelo Município no relatório do terceiro quadrimestre de 2025

02/03/2026 17h45

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A "epidemia" de acidentes resulta na falta de leitos para outros pacientes, como idosos e crianças, na Santa Casa de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Câmara Municipal promoveu uma audiência pública, na manhã desta segunda-feira (2), para debater a crise na saúde pública de Campo Grande. As responsabilidades, o colapso assistencial e a necessidade de medidas extraordinárias de intervenção estadual ou federal foram os temas debatidos.

À frente do Fórum das Entidades Representativas dos Usuários de Saúde, Sebastião Arinos Junior, trouxe uma reflexão sobre o que causou o atual cenário vivenciado em Campo Grande. “Temos leito sobrando, podendo ser contratualizado”, afirmou, citando o Hospital Universitário onde há 30 leitos vagos, além do Hospital de Câncer, Hospital do Pênfigo, mas por falta de recursos não são utilizados.

As deficiências na atenção primária também foram mencionadas, além da necessidade de maior participação do Estado nos investimentos.

Em relação ao pedido de intervenção, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) se posicionou a pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e deu um prazo para as melhorias, considerando que o novo secretário de Saúde, Marcelo Vilela, assumiu a pasta em janeiro. Portanto, em maio o assunto voltará ao debate, informou o presidente do Conselho, Jader Vasconcelos.

“Ano passado foi muito difícil, nesses 14 anos em que estou na prefeitura foi o mais difícil, pois está faltando o básico para trabalhar. Falta medicamento, insumo”, detalhou Jader Vasconcelos, informando ainda que o servidor está tendo de arcar com itens básicos, como papel higiênico e material de limpeza para os postos de saúde.

O superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo Costa, apresentou informações sobre o relatório do terceiro quadrimestre de 2025, apresentado na última sexta-feira (27), durante audiência pública na Câmara. 

De acordo com Ronaldo, em relação às despesas liquidadas, a União repassou R$ 763 milhões e o Estado, R$ 278 milhões, mas que não "enxergou" os recursos empenhados pelo Município.

Hospitais

A estruturação da rede hospitalar de Campo Grande foi apresentada na audiência pública, com participação de diretores do Hospital Regional e da Santa Casa.

O Hospital Regional de Campo Grande segue recebendo pacientes de urgência e emergência, conforme esclareceu o diretor Paulo Eduardo Limberger, que trouxe à audiência a importância da regulação, que é uma regra do SUS.

Há dois anos, a Santa Casa de Campo Grande enfrenta dificuldades sem revisão contratual, conforme informou o diretor de negócios e relações institucionais, João Carlos Marchezan. Ele recorda a intervenção que ocorreu no hospital em 2005. À época, a dívida iniciou em R$ 37 milhões e passou para R$ 160 milhões.

“Partindo dessa experiência, digo que intervenção tem que ser muito bem pensada, porque significa supressão de uma instância. Estou aqui pedindo muita responsabilidade nisso”, disse João Carlos Marchezan.

Pacto institucional

“A criação de um pacto institucional para desestrangular a municipalização do SUS e trazer saúde melhor para as pessoas” foi uma das propostas encaminhadas na discussão, apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro, presidente e proponente da audiência.

A vereadora citou a necessidade de cooperação para que a saúde de Campo Grande avance. “Tivemos uma série de situações que nos impõe uma reunião como essa. Devemos ter outras, mas no âmbito do interesse da população, que é o que a Câmara representa, há cenário de grave crise estrutural e assistencial, marcado por reiteradas denúncias”, afirmou.

Pacientes também trouxeram seus depoimentos das dificuldades enfrentadas, a exemplo da jornalista Ana Rita Amarilia. Ela é diabética e faz uso contínuo de medicação e insulina.

“Já aconteceram várias vezes de chegar lá no posto e não ter a medicação. Já peguei a medicação sem a seringa também, o que não faz sentido, buscar medicamento injetável e te darem sem o equipamento para tomar”, pontuou.

Gestão 

Ronaldo Costa, do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, disse que ainda há R$ 1,3 bilhão do Orçamento da saúde de 2025 para 2026 para serem repassados, referente ao o valor mínimo destinado pelo Estado, União e Município.

“O SUS é tripartite, conta com Estado, União e Município. Nenhum ente isoladamente conseguirá resolver os problemas de saúde”, afirmou o secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, que assumiu o comando da pasta em janeiro.

Ele confirmou que houve muitos problemas em 2025, mas acrescentou que o momento é de transição e reorganização administrativa, citando a necessidade de transformar a crise em oportunidade de rediscussão e transparência.

Medicação de maneira funcional e previsível, fluxo de ambulância, regulação de leitos são algumas das necessidades urgentes.

Sobre a proposta de intervenção, o secretário da saúde, Marcelo Vilela, citou que este é um instrumento previsto, mas excepcional. “Antes dela, precisamos fortalecer o plano de ação pactuado”.

Acrescentou, ainda, que a equipe está alinhada para esse desafio de fazer gestão para todos. “Não existe solução simples, mas caminho possível. Proponho um pacto institucional, nossa proposição é melhorar”, afirmou

A Audiência foi motivada diante do colapso assistencial que atinge a Capital, marcado por superlotação nas UPAs, escassez de medicamentos e insumos, paralisação de serviços na atenção primária, fragilização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e falhas graves no sistema de regulação de leitos.

Relatórios do CMS apontam irregularidades estruturais e comprometimento da segurança de usuários e trabalhadores.

O MPE também instaurou procedimentos e ações judiciais para apurar falhas na prestação dos serviços, tanto na rede municipal quanto hospitalar conveniada.

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