Política

JÁ PODE PEDIR MÚSICA

Após pedido polêmico, Bolsonaro envia carta e trai aliados em MS pela 3ª vez

O ex-presidente praticamente implodiu a pré-candidatura do PL para o Senado no Estado ao declarar apoio a Marcos Pollon

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Pela terceira eleição seguida, o ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL) traiu os seus aliados em Mato Grosso do Sul ao escrever de próprio punho uma carta que foi publicada pela ex-primeira-dama do Brasil Michelle Bolsonaro (PL) nas redes sociais, indicando o deputado federal Marcos Pollon (PL) como pré-candidato dele ao Senado pelo partido no Estado.

A carta praticamente implodiu as pré-candidaturas do ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL, e do ex-deputado federal Capitão Contar (PL), que já tinham sido confirmados pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, como os dois representantes da sigla ao Senado em Mato Grosso do Sul.

Agora, com essa nova traição do ex-presidente da República, um dos dois – Azambuja ou Contar – terá de abrir mão da pré-candidatura como senador da República em prol de Marcos Pollon, que recebeu as bênçãos do principal líder político nacional do PL, mesmo com ele cumprindo pena, em ala reservada do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF), a Papudinha, pelo crime de participação na tentativa de golpe de Estado.

Para a direita raiz, a tendência, conforme o Correio do Estado já tinha divulgado no fim de janeiro deste ano, é que o indicado para fazer a “dobradinha” com Pollon é o Capitão Contar, pois, diferentemente de Azambuja, que ingressou no PL somente no ano passado, os dois são classificados como “puros-sangues” dessa ala considerada mais radical.

O estranho é que a carta de Bolsonaro veio logo após o vazamento de anotações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, indicando Contar e Azambuja como os escolhidos para disputar as duas vagas ao Senado pelo partido no Estado e mostrando que o deputado federal Marcos Pollon teria “solicitado” R$ 15 milhões para não se candidatar. 

Como a carta veio a público pelas redes sociais de Michelle Bolsonaro depois de encontrar o ex-presidente na Papudinha e ela escreveu que fazia a publicação após os últimos acontecimentos negativos envolvendo Pollon, deu a impressão de que a ex-primeira-dama quis afrontar o filho do ex-presidente, com quem tem travado uma “guerra” particular pelo protagonismo.

HISTÓRICO DE TRAIÇÕES

As outras duas traições de Bolsonaro aos seus aliados no Estado foram, consecutivamente, em setembro de 2022 e em julho de 2024 – na primeira o então presidente da República, que buscava à reeleição, anunciou, durante o debate da TV Globo, apoio a Capitão Contar ao governo de Mato Grosso do Sul, após exercer um direito de resposta da senadora e candidata à presidente Soraya Thronicke, que na época estava no União Brasil.

“Eu não tinha tomado partido no tocante às eleições para governador do Estado. A partir desse momento, da forma que a candidata se dirigiu à minha pessoa, eu quero apelar a todos de Mato Grosso do Sul: votem no Capitão Contar para governador. É a melhor opção para este Estado”, disse.

A declaração de Bolsonaro pegou de surpresa e foi vista como uma traição dentro do quartel-general da campanha do PSDB, que estava coligado com o PL e tinha como candidato Eduardo Riedel, que acabou ganhando a eleição contra o Capitão Contar, mesmo depois da declaração do ex-presidente, que, para acalmar os ânimos, adotou neutralidade no segundo turno.

Já a segunda traição foi nas eleições municipais de 2024, quando o ex-presidente ignorou acordo feito com a sua ex-ministra e senadora Tereza Cristina (PP) para apoiar a candidatura da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), à reeleição e fechou aliança do PL com o deputado federal Beto Pereira (PSDB) na disputa pela cadeira de chefe do Executivo.

Apesar da mudança de lado de Bolsonaro em cima da hora, mais uma vez o candidato apoiado por ele foi derrotado, porém, diferentemente do Capitão Contar, que chegou a ir para o segundo turno, Beto Pereira não conseguiu avançar, e foi derrotado pela ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil), enquanto no segundo turno Adriane Lopes venceu a eleição.

Agora, com essa reviravolta interna do PL de Mato Grosso do Sul, mais uma vez os aliados de Bolsonaro terão de juntar os cacos e decidirem como vão agir diante dessa terceira traição do ex-presidente.

O Correio do Estado apurou que nesta semana eles terão uma reunião para definir como vão prosseguir e podemos ter mudanças no cenário atual das eleições.

*Saiba

Coincidência ou não, nas duas vezes anteriores em que Jair Bolsonaro traiu os seus aliados no Estado, os candidatos do ex-presidente perderam as eleições, tanto em 2022, com Riedel, quanto em 2024, com Adriane Lopes.

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Política

Governo 'faz uso eleitoreiro' da Petrobras, diz Flávio Bolsonaro

No dia seguinte à eleição, o preço do diesel nas bombas já pode subir em torno de R$ 2,00", disse

09/10/2026 13h30

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República Carlos Moura/Agência Senado

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O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, criticou nesta sexta-feira, 9, o que considera "uso eleitoreiro" da Petrobras. Ao falar com a imprensa após encontro com lideranças políticas em um clube na Ilha do Itanhangá, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio, Flávio afirmou que a política de preços dos combustíveis da estatal "vai jogar uma bomba" nos consumidores.

"O Lula está usando a Petrobras. Deu um subsídio de aproximadamente R$ 2,00 no preço do diesel. Sabe quando acaba esse subsídio? No dia 25 de outubro. No dia seguinte à eleição, o preço do diesel nas bombas já pode subir em torno de R$ 2,00", disse.

Nesta sexta, o Ministério da Fazenda anunciou que vai ampliar e prorrogar a desoneração da gasolina, desonerar o etanol hidratado, ampliar a subvenção ao etanol e ampliar a subvenção ao diesel para conter a escalada de preços dos combustíveis com a guerra no Irã.

O governo também anunciou que vai zerar a tributação federal cobrada sobre a gasolina. A medida será válida por um período de um mês e, segundo o governo, será mantida a premissa de "neutralidade fiscal".

A possibilidade de aumento dos combustíveis após a subvenção existe, mas o valor efetivo para o consumidor ainda depende de como ocorrerá o fim da medida,das condições do mercado, dos custos de distribuição e do repasse realizado pelos postos.

Privatização da Petrobras

Questionado sobre a possibilidade de privatizar a estatal, o candidato negou qualquer intenção. "É boataria. O PT jogou uma boataria atrás da outra", afirmou. Ele também evitou comentar possíveis nomes para comandar a estatal num eventual mandato.

INFERNO ASTRAL

Após não ser reeleita, Soraya agora é condenada a pagar R$ 50 mil a vice de Flávio

Juiz de Maceió entendeu que acusação de estupro contra Alfredo Gaspar não tinha sustentação probatória e afastou a imunidade parlamentar; cabe recurso

09/10/2026 13h10

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) não foi reeleita após obter 340.788 votos, ficando em 4º lugar

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) não foi reeleita após obter 340.788 votos, ficando em 4º lugar Geraldo Magela/Agência Senado

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Após não ter sido reeleita no pleito do último domingo (4), a senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PSB) foi condenada nesta sexta-feira (9) a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais ao deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

A Justiça de Alagoas considerou que a parlamentar atribuiu a Gaspar a prática de estupro sem apresentar elementos suficientes para sustentar a acusação. A sentença foi assinada pelo juiz Henrique Gomes de Barros Teixeira, da 3ª Vara Cível da Capital, em Maceió. A decisão é de primeira instância e pode ser contestada no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL).

As declarações ocorreram na reta final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, da qual Gaspar foi relator. Segundo o processo, a acusação foi feita em uma entrevista coletiva de Soraya com o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e posteriormente repercutiu em outras manifestações públicas, entrevistas e plataformas digitais.

Para o magistrado, as falas ultrapassaram os limites da crítica política ao atribuir ao deputado um crime sexual de extrema gravidade sem respaldo probatório suficiente. A ampla divulgação, conforme a sentença, atingiu a honra e a imagem de Gaspar e ampliou os efeitos sobre sua reputação.

“Não se pode, portanto, tratar a imputação de crime dessa magnitude como simples excesso retórico inerente ao embate político”, escreveu o juiz ao analisar a imunidade parlamentar, ressaltando que declarações feitas fora do recinto legislativo também podem receber proteção constitucional, desde que tenham relação com o exercício do mandato. 

No caso, porém, entendeu que não foi demonstrado o vínculo necessário para proteger as manifestações e afastar a responsabilidade civil. Na defesa apresentada à Justiça, Soraya sustentou que suas declarações estavam relacionadas à fiscalização de agentes públicos, à proteção de direitos fundamentais e ao combate à violência de gênero. 

A senadora também negou ter agido com intenção de prejudicar a honra do deputado e contestou a existência de dano moral. Os argumentos foram rejeitados. A sentença cita ainda a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou, em 6 de outubro, o arquivamento de uma representação apresentada pela Polícia Federal para apurar as acusações contra Gaspar. O ministro acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o juiz, as diligências preliminares não encontraram elementos mínimos suficientes para justificar a abertura de uma investigação formal. Ele ressalvou, entretanto, que o arquivamento não equivale a uma declaração definitiva de inexistência dos fatos e não impede a retomada da apuração caso surjam novas provas.

Além da indenização, sujeita a atualização, Soraya foi condenada a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios, fixados em 10% sobre o valor atualizado da condenação.
 

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