Cidades

Infância Segura

Homem é preso com três mil arquivos de abuso sexual infantil em Campo Grande

Investigado foi localizado durante ronda virtual do MPMS; dispositivos apreendidos serão analisados para verificar possível ligação com outros suspeitos

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Um homem foi preso em flagrante nesta sexta-feira (28), em Campo Grande, após investigadores encontrarem mais de 3 mil arquivos com conteúdo de abuso sexual contra crianças e adolescentes armazenados em dispositivos eletrônicos. A prisão ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão da Operação Infância Segura V.

A ação foi realizada pela Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em conjunto com a 69ª Promotoria de Justiça de Campo Grande. A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) prestou apoio na formalização da prisão.

Segundo o MPMS, a investigação apura o armazenamento de material de abuso sexual infantojuvenil, conduta prevista no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O dispositivo criminaliza a aquisição, posse ou armazenamento, por qualquer meio, de fotografias, vídeos ou outros registros com cenas de sexo explícito ou pornográficas envolvendo crianças ou adolescentes.

Durante o cumprimento do mandado, os agentes localizaram o material nos próprios dispositivos do investigado. Como o armazenamento é considerado um crime permanente, cuja prática continua enquanto os arquivos permanecem sob a posse do suspeito, a constatação permitiu que a prisão em flagrante fosse realizada.

A identidade, a idade e o endereço do homem não foram divulgados pelo Ministério Público. Também não foram informados quais equipamentos foram apreendidos nem há quanto tempo o material estaria armazenado.

Investigação começou com ronda virtual

A apuração teve início a partir da ronda virtual mantida permanentemente pela Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos. O trabalho consiste no acompanhamento de ambientes digitais para identificar indícios de crimes praticados pela internet, especialmente aqueles que envolvem crianças e adolescentes.

Conforme o MPMS, o monitoramento identificou a existência do material na rede e forneceu os elementos que fundamentaram o pedido de busca e apreensão. A diligência desta sexta-feira foi um desdobramento das informações reunidas ao longo da investigação.

Os dispositivos eletrônicos e demais evidências digitais apreendidos ainda serão submetidos à análise. O objetivo é dimensionar a extensão das condutas atribuídas ao investigado, verificar a origem e a circulação dos arquivos e identificar uma possível ligação com outros suspeitos.

A atuação faz parte da política institucional do MPMS voltada à proteção de crianças e adolescentes, principalmente diante do crescimento de crimes cometidos em ambientes digitais.

As investigações também procuram identificar eventuais redes responsáveis pela produção, pelo armazenamento e pelo compartilhamento desse tipo de conteúdo.

Alerta

O Ministério Público alerta que imagens e vídeos contendo abuso sexual infantil não devem ser compartilhados nem mesmo sob o argumento de denúncia.

A circulação do material prolonga a violência sofrida pelas vítimas e também pode configurar crime.

Casos dessa natureza devem ser comunicados diretamente às autoridades. As denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria do MPMS, aos conselhos tutelares, à Polícia Civil ou a outros órgãos integrantes da rede de proteção à infância e à adolescência.

O investigado permanece à disposição da Justiça, enquanto o conteúdo apreendido segue sob análise. A apuração deverá determinar se houve apenas armazenamento ou se os arquivos também foram compartilhados com outras pessoas.

rodas da sorte

Influenciador e mais oito são indiciados por rifas ilegais de carros de luxo

Eduardo Razuk promoveu mais de 100 rifas sem autorização legal, com utilização de empresa de fachada para simular regularidade; inquérito foi concluído pela Polícia Civil

28/08/2026 16h00

Eduardo Razuk foi indiciado por esquema de fraudes em rifas ilegais de carros

Eduardo Razuk foi indiciado por esquema de fraudes em rifas ilegais de carros Foto: Reprodução / Instagram

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A Polícia Civil concluiu o inquérito policial instaurado para apurar crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa e contravenção penal de loteria não autorizada, indiciando oito pessoas em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Paraíba. 

O esquema criminoso foi revelado na Operação Rodas da Sorte, deflagrada no dia 18 de agosto, que mirou esquem criminoso de realização de rifas ilegais. Na operação, foi preso o influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk, 32 anos, conhecido nas redes sociais por exibir carros de luxo e promover rifas de veículos.

A investigação apontou que, desde 2019, o grupo promoveu mais de cem sorteios sem autorização legal dos órgãos competentes, com utilização de empresa de fachada para simular regularidade.

Conforme a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc), a investigação começou na apuração da atuação de Razuk, que tem milhões de seguidores nas redes sociais e promovia as rifas com finalidade lucrativa, onde os prêmios eram veículos de luxo, com valores de mercado entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, além de aparelhos celulares e quantias transferidas por PIX. 

A partir de 2025, quando foram intensificadas operações sobre rifas ilegais em todo o País, o grupo passou a adotar mecanismo fraudulento destinado a conferir aparência de legalidade à atividade ilícita, bem como sofisticar a lavagem dos recursos obtidos por meio da contravenção penal.

Para tentar simular a regularidade, uma empresa paraibana, detentora de autorização para exploração lotérica do Estado da Paraíba, passou a figurar formalmente como organizadora dos sorteios, enquanto o influenciador passou a ser apresentado como mero divulgador.

Segundo a Polícia Civil, a investigação concluiu que essa estrutura não correspondia a realidade.

Ainda segundo a polícia, a empresa apontada como organizadora formal dos sorteios reúne características de empresa de fachada, utilizada para viabilizar que inúmeros influenciadores, em vários estados do País, continuem a promover rifas ilegais.

No caso investigado, os elementos colhidos apontaram que o real organizador das rifas era o influenciado Eduardo Razuk, que utilizada a fraude para burlar a legislação, dando continuidade à prática de contravenção e sofisticando o método de lavagem de dinheiro oriundo das irregularidades. 

Além disso, o esquema também tinha como objetivo se esquivar de eventuais fiscalizações e investigações e enganar o público-alvo, sob alegação de que os sorteios eram legalizados e fiscalizandos, dando falsa credibilidade para atrair compradores.

A intermediação da fraude foi feita por um investigado do Rio de Janeiro, através de sua empresa, que divulgava uma suposta prestação de serviços de soluções para sorteios. No site, a empresa apresentava como clientes várias pessoas que foram alvos de recente operação federal por utilizarem rifas ilegais na internet para lavagem de dinheiro oriundo de tráfico de drogas e facções criminosas. 

O inquérito terminou com oito indiciados, que não tiveram os nomes divulgados, mas entre eles está Eduardo Razuk.

Com base em condutas individualizada, os indiciamentos foram pelos delitos de contravenção penal de loteria não autorizada e crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa.

Operação Rodas da Sorte

A Operação Rodas da Sorte cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro, no dia 18 de agosto.

Do total de prisões determinadas pela Justiça, duas foram cumpridas em Campo Grande, uma em João Pessoa (PB) e outra no Rio de Janeiro (RJ). A investigação também contou com apoio das polícias civis dos dois estados.

Segundo o delegado Pedro Cunha, titular da DERCC e responsável pela investigação, a apuração da evolução patrimonial do principal investigado foi um dos pontos que ajudaram a sustentar as medidas judiciais.

A polícia afirma ter analisado movimentações financeiras, o conteúdo dos sorteios e a evolução dos bens desde o início das atividades. Conforme o delegado, os investigadores identificaram indícios de que o patrimônio não existia antes do início das rifas e teria sido formado a partir da atividade investigada.

Em determinado período de apenas seis meses, segundo a polícia, a movimentação financeira teria ultrapassado R$ 100 milhões. 

A operação também atingiu diretamente o patrimônio acumulado pelo investigado. Ao menos 22 veículos de alto padrão foram apreendidos em Campo Grande. Dois relógios de luxo também foram apreendidos, além de imóveis que estão entre os bens sequestrados por determinação da Justiça.

Entre os veículos estão modelos de alto valor, incluindo Porsche, BMW, Golf, Audi, Silverado e RAM. 

O delegado explicou ainda que a investigação não apontou, neste caso específico, ligação dos investigados com facções criminosas.

meio ambiente

Pantanal: enfrentar mudanças climáticas depende de outros cinco biomas

Três deles estão no Brasil: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica

28/08/2026 15h31

Foto: Álvaro Rezende / Arquivo / Correio do Estado

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Pequeno em extensão, mas gigante em acolhimento, o Pantanal é o bioma que mais recebe influência e faz fronteira com outros ecossistemas. Ao todo são cinco: Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, Chaco e Bosque Chiquitano, na Bolívia e Paraguai.

A característica faz com que o Pantanal seja um grande reservatório de água e vida que percorrem longas distâncias e alcançam a maior planície alagável do mundo. E a diversidade criada pelo encontro das águas é o que resulta na beleza natural da região, mas também é o que a torna mais vulnerável e ameaçada pelas mudanças climáticas.

“É uma planície que depende da reação e das causas nos outros biomas e é afetado por toda essa situação. Ainda mais com as mudanças climáticas atuando também no  entorno dele”, diz Cyntia Santos, analista de Conservação do WWF-Brasil.

De acordo com os dados do último mapa de uso e cobertura da terral, divulgado pelo Mapbiomas, em 2025 a Savana Alagada no Pantanal já tinha perdido mais de 1 milhão de hectares, na comparação com o início da série histórica em 1985.

A área perdida corresponde a 84% do que havia de savana alagada no bioma, sendo que a maioria, 833 mil hectares, foi convertida em outros tipos de formação, como a savânica ou a campestre. Na prática, isso significa que o Pantanal está secando.

“Partes de rios já sumiram, assorearam, lugares que a gente chama de vazantes, alguns canais que a gente chama de vazantes, que são partes que o rio enche e esvazia, hoje não tem mais e os rios estão bem fracos”, afirma o engenheiro florestal e botânico Claudinei Terena.

Nascido na Terra Indígena Limão Verde, no município de Aquidauana (MS), Claudinei se recorda de uma época em que a abundância de água enriquecia o solo e tornava a região propícia para plantar todo o necessário.

“São coisas que eu aprendi de pequeno, vamos construir aqui uma casa, essa madeira, essa espécie é boa para isso. Vamos procurar umas plantas medicinais. Essa árvore aqui serve para isso, a casca, o fruto, a folha e a raiz cada um serve para alguma necessidade”, conta.

Fazendo uso do conhecimento tradicional, Claudinei atuou no projeto de restauração 3,3 hectares de áreas de nascentes de rios dentro da Terra Indígena. O objetivo era garantir que a água que flui direto para o Pantanal, também mantivesse aquele pedaço de Cerrado produtivo.

“Um dos exemplos que a gente apresenta aqui dentro da comunidade é o nosso sistema de cultivo. Nós sempre trabalhamos com agrofloresta sem a gente perceber. A gente sempre plantou em consórcio com alguma coisa”, explica.

Rede

Um pouco mais distante do Pantanal, o coletor de sementes Adauto Cândido Pereira vive na comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS). Integrante da Rede Flores do Cerrado, ele também reconhece na restauração das nascentes o caminho para recompor rios.

Com a coleta consciente e comercialização das sementes, o trabalho de restauração das margens de rios vai muito além do próprio território. “A gente coleta para atender outros projetos do Estado. Somos 31 coletores e coletoras, sendo 16 mulheres e 15 homens e trabalhamos com regras básicas de coletor, de deixar 30% da semente na árvore. Não chega e pega tudo. Tem cuidado com a árvore, com o meio ambiente.”.

Restauração

De acordo com Cyntia Santos os dois projetos são parte das intervenções de restauração das cabeceiras de rios feitas pelo WWF-Brasil no bioma Cerrado para frear as transformações no uso da terra que causam o soterramento das nascentes e impedem o fluxo dos rios contribuintes que escoam para o Pantanal.

“É uma consequência de atividades econômicas feitas, muitas vezes, de forma desorientada, sem experiência. Falta apoio técnico, falta incentivo”, diz Cyntia Santos.

Segundo o diretor executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, em 30 anos de atuação da organização social no Brasil, 22 são de atuação mais intensificada no Pantanal.

“A gente trabalha nesses territórios, nessa pegada com parceiros, sempre visando impactos locais, mas também a aprendizagem, geração de dados e conhecimento que nos permitam influenciar as políticas públicas”, explica.

Energia

Para restabelecer os fluxos dos rios para o Pantanal, também são desenvolvidos projetos de conscientização sobre outros usos dos corpos de água, como a instalação de pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo Cyntia Santos, além de fragmentarem os rios, esse tipo de investimento afeta a biodiversidade aquática e a economia regional mais vocacionada ao turismo.

“A energia elétrica ela tem que ser por outras fontes, por exemplo, energia solar, que é uma das mais adequadas para região, já que pequenas centrais ou hidrelétricas para essa região não trazem recursos econômicos nem para governo nem para as populações locais”, diz.

Dentro do Pantanal, ações para o enfrentamento aos incêndios florestais e a conectividade de vegetação nativa, por meio de corredores que ligam unidades de conservação já existentes, fortalecem espécies como a onça-pintada, um indicador da saúde e da integridade da biodiversidade local.

De acordo com Cyntia, o conhecimento tradicional dos povos que habitam o bioma é peça fundamental em todo o processo de enfrentamento aos desafios. “A gente consegue com isso potencializar informações, trabalho conjunto, otimizar estratégias e juntos avançar”, conclui.

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