A Polícia Civil concluiu o inquérito policial instaurado para apurar crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa e contravenção penal de loteria não autorizada, indiciando oito pessoas em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Paraíba.
O esquema criminoso foi revelado na Operação Rodas da Sorte, deflagrada no dia 18 de agosto, que mirou esquem criminoso de realização de rifas ilegais. Na operação, foi preso o influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk, 32 anos, conhecido nas redes sociais por exibir carros de luxo e promover rifas de veículos.
A investigação apontou que, desde 2019, o grupo promoveu mais de cem sorteios sem autorização legal dos órgãos competentes, com utilização de empresa de fachada para simular regularidade.
Conforme a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc), a investigação começou na apuração da atuação de Razuk, que tem milhões de seguidores nas redes sociais e promovia as rifas com finalidade lucrativa, onde os prêmios eram veículos de luxo, com valores de mercado entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, além de aparelhos celulares e quantias transferidas por PIX.
A partir de 2025, quando foram intensificadas operações sobre rifas ilegais em todo o País, o grupo passou a adotar mecanismo fraudulento destinado a conferir aparência de legalidade à atividade ilícita, bem como sofisticar a lavagem dos recursos obtidos por meio da contravenção penal.
Para tentar simular a regularidade, uma empresa paraibana, detentora de autorização para exploração lotérica do Estado da Paraíba, passou a figurar formalmente como organizadora dos sorteios, enquanto o influenciador passou a ser apresentado como mero divulgador.
Segundo a Polícia Civil, a investigação concluiu que essa estrutura não correspondia a realidade.
Ainda segundo a polícia, a empresa apontada como organizadora formal dos sorteios reúne características de empresa de fachada, utilizada para viabilizar que inúmeros influenciadores, em vários estados do País, continuem a promover rifas ilegais.
No caso investigado, os elementos colhidos apontaram que o real organizador das rifas era o influenciado Eduardo Razuk, que utilizada a fraude para burlar a legislação, dando continuidade à prática de contravenção e sofisticando o método de lavagem de dinheiro oriundo das irregularidades.
Além disso, o esquema também tinha como objetivo se esquivar de eventuais fiscalizações e investigações e enganar o público-alvo, sob alegação de que os sorteios eram legalizados e fiscalizandos, dando falsa credibilidade para atrair compradores.
A intermediação da fraude foi feita por um investigado do Rio de Janeiro, através de sua empresa, que divulgava uma suposta prestação de serviços de soluções para sorteios. No site, a empresa apresentava como clientes várias pessoas que foram alvos de recente operação federal por utilizarem rifas ilegais na internet para lavagem de dinheiro oriundo de tráfico de drogas e facções criminosas.
O inquérito terminou com oito indiciados, que não tiveram os nomes divulgados, mas entre eles está Eduardo Razuk.
Com base em condutas individualizada, os indiciamentos foram pelos delitos de contravenção penal de loteria não autorizada e crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa.
Operação Rodas da Sorte
A Operação Rodas da Sorte cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro, no dia 18 de agosto.
Do total de prisões determinadas pela Justiça, duas foram cumpridas em Campo Grande, uma em João Pessoa (PB) e outra no Rio de Janeiro (RJ). A investigação também contou com apoio das polícias civis dos dois estados.
Segundo o delegado Pedro Cunha, titular da DERCC e responsável pela investigação, a apuração da evolução patrimonial do principal investigado foi um dos pontos que ajudaram a sustentar as medidas judiciais.
A polícia afirma ter analisado movimentações financeiras, o conteúdo dos sorteios e a evolução dos bens desde o início das atividades. Conforme o delegado, os investigadores identificaram indícios de que o patrimônio não existia antes do início das rifas e teria sido formado a partir da atividade investigada.
Em determinado período de apenas seis meses, segundo a polícia, a movimentação financeira teria ultrapassado R$ 100 milhões.
A operação também atingiu diretamente o patrimônio acumulado pelo investigado. Ao menos 22 veículos de alto padrão foram apreendidos em Campo Grande. Dois relógios de luxo também foram apreendidos, além de imóveis que estão entre os bens sequestrados por determinação da Justiça.
Entre os veículos estão modelos de alto valor, incluindo Porsche, BMW, Golf, Audi, Silverado e RAM.
O delegado explicou ainda que a investigação não apontou, neste caso específico, ligação dos investigados com facções criminosas.




