O Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé localizado em Três Lagoas, a 327 quilômetros de Campo Grande, realizou, neste mês, a primeira cirurgia de implante de eletrodos para estimulação cerebral na rede pública estadual.
O procedimento marca um avanço no tratamento de pacientes que sofrem com a doença de Parkinson.
O paciente escolhido para a operação inédita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi o servidor aposentado Gilberto Barbieri, de 58 anos, morador de Nova Andradina e que convivia há 15 anos com os sintomas da doença, como tremores nas mãos e limitações motoras severas.
A doença é uma enfermidade neurológica crônica, que se degenera progressivamente, causando tremores de repouso, rigidez muscular, lentidão de movimentos e instabilidade postural.
Para Gilberto, os tremores foram os primeiros sintomas. Após o diagnóstico da doença, o aposentado passou a fazer o uso de medicamentos. Embora auxiliem no controle do Parkinson, os remédios também provocam efeitos colaterais, como movimentos involuntários constantes e agitação contínua.
Ele explicou que a cirurgia possibilita a redução da quantidade de medicação, garantindo melhor controle sobre o próprio corpo.
“Quando o efeito do remédio passa, entro no que os médicos chamam de estado ‘OFF’, quando penso no movimento, mas meu corpo não responde e vou paralisando. O que eu quero é diminuir os remédios e ter mais controle sobre meu próprio corpo”, afirmou.
Como funciona
A cirurgia é um procedimento de implante de eletrodo para estimulação cerebral, técnica utilizada em casos específicos e mais graves de Parkinson para ajudar no controle dos sintomas motores.
Na prática, consiste na implantação de eletrodos em áreas profundas do cérebro que são responsáveis por modular os circuitos ligados ao controle dos movimentos.
“Colocamos um eletrodo de cada lado do cérebro, porque cada hemisfério controla o lado oposto do corpo. Durante a cirurgia o paciente permanece acordado, para podermos testar os movimentos e identificar o ponto exato de estimulação que melhora sintomas como tremor e rigidez”, detalhou o médico responsável pelo procedimento, Dr. Eduardo Cintra Abib.
Após o implante, os eletrodos são conectados a um pequeno dispositivo como um marca-passo, que é colocado na região do peito. Esse aparelho envia impulsos elétricos ao cérebro, ajudando a regular a atividade responsável pelos movimentos.
No entanto, nem todos os pacientes com Parkinson podem realizar a cirurgia. Alguns dos critérios para ser indicados ao procedimento incluem:
- ter pelo menos cinco anos de tratamento;
- já ter utilizado diferentes tipos de medicamentos; e
- estar em um estágio da doença onde os remédios não conseguem controlar tão bem os sintomas.
De acordo com o Dr. Eduardo, a cirurgia pode reduzir em até 80% a necessidade de medicamentos.
Para o diretor técnico do Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, Marllon Nunes, a realização do procedimento representa um avanço importante para a saúde pública do Estado.
“Este procedimento representa um avanço para o SUS em Mato Grosso do Sul. Oferecer uma cirurgia de alta complexidade como a estimulação cerebral profunda demonstra a capacidade técnica do hospital e reforça seu papel como referência regional e estadual em assistência especializada, ampliando o acesso da população a tratamentos inovadores”, destacou.


