Cidades

AFRANGEL

Instituição de menores portadores de HIV passa por crise financeira

Instituição de menores portadores de HIV passa por crise financeira

EVELYN SOUZA

25/10/2010 - 13h40
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Cerca de 30 crianças e adolescentes portadoras do vírus HIV que contam com a ajuda da Associação Franciscana Angelinas (Afrangel), podem passar por dificuldades em função de uma crise financeira que assola a instituição, que existe desde 1996. As crianças são amparadas pela dedicação das Irmãs de caridade que comandam o local.


A irmã Madalena, que é diretora da Afrangel explica que os pequenos chegam à instituição por encaminhamento do Hospital Dia, de Conselheiros Tutelares, Juizados ou até mesmo através de ligações. “As vezes parentes ou vizinhos nos procuram e explicam a situação do menor, imediatamente nós vamos na residência dos pais acompanhados de uma assistente social e oferecemos ajuda”, relata a irmã.


Hoje dentre os menores, existem cinco bebês. Um deles chegou à Instituição por uma ligação da avó. “Ela entrou em contato conosco e disse que a mãe dele saiu para comprar um cigarro e nunca mais voltou. Sou sozinha e não tenho condições financeiras de criá-lo”, conta a freira que relata ainda que todos os finais de semana, como o bebê pousa no abrigo Vovó Túlia e nas segundas-feiras volta. Isso porque a Associação não funciona aos finais de semana.


Como o cuidado das crianças é extremamente rigoroso, os menores recebem auxílio odontológico e realizam exames médicos três vezes ao mês. As Irmãs também se preocupam muito com o estudo e diariamente prestam reforço escolar.


A diretora da Afrangel fala sobre a importância da ajuda de profissionais voluntários. “O bichinho (como chama o vírus HIV) afeta principalmente os olhos, ouvidos e as pernas. Muitos deles já perderam parte da visão, parte da audição e alguns estão com as perninhas atrofiadas”, explica a Irmã que apela para a ajuda de um voluntário em fisioterapia e fonoaudiologia.


Apesar da grande preocupação com a alimentação e com o dia-a-dia das crianças, a Irmã revela: “Aqui nós somos uma família, tudo acontece. Eles passam por todas as fases, chegam todos alegres contando como foi o dia, mostrando as tarefas, nós fazemos questão de acompanhamos a fase de todos eles”.


A empresária Bianca Arantes ajuda a Instituição à pouco mais de um mês e começou uma campanha para divulgação da Afrangel. “É complicado pedir dinheiro às empresas, por isso criamos o blog, através dele os empresários conhecem a casa e fazem as doações como puderem”.


Comovida com a situação financeira, ela termina. “Não queremos toneladas de alimentos, queremos que mil pessoas doem um quilo, para que a instituição seja mantida.


A Afrangel atende crianças de todo o Estado e quem quiser contribuir com algum tipo de ajuda pode participar do projeto ”Apadrinhe uma Criança” ou acessar o blog da instituição www.euajudoaafrangel.blogspot.com. O telefone para mais informações é o 3365-0590.



 

Levantamento

Pais estão menos presentes na criação de filhos, aponta estudo

Brasileiro consolidou ideia de que o bom pai é o presente no dia a dia

09/08/2026 21h00

Agência Brasil

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Metade dos brasileiros acredita que os pais da atualidade estão menos presentes na criação dos filhos do que os das gerações anteriores. Em contrapartida, oito em cada dez brasileiros consideram alta ou muito alta a importância dos pais na vida dos filhos. 

A constatação é de estudo do Instituto Nexus. Foram entrevistados 2.013 pessoas de diferentes regiões do país. Um fator que ficou evidente na pesquisa foi a divergência de percepções sobre o papel do pai entre os homens e as mulheres consultadas.

Entre as mulheres, 56% acreditam que os pais participam menos do que antes, enquanto 31% acreditam que estão mais presentes. Entre os homens, a percepção é equivalente, com 44% achando que a participação é maior hoje, enquanto outros 44% afirmam que diminuiu.

Quanto à importância na paternidade, 81% dos homens a classificam como alta ou muito alta no desenvolvimento dos filhos, em comparação com 73% das mulheres. 

Ao analisar as faixas etárias, observa-se que 82% dos jovens de 16 a 24 anos de idade a consideram importante. Por outro lado, esse reconhecimento reduz-se para 62% entre as pessoas com 60 anos ou mais.

O estudo também avaliou a definição prática do que é ser um “bom pai” e aponta que 49% da população considera “ser presente no dia a dia” como a principal característica. Em seguida surge educar/orientar com limites (19%), demonstrar carinho e afeto (8%), dar exemplo (7%) e oferecer segurança financeira (3%). 

A presença diária é apontada por 53% das mulheres como o mais relevante para definir um bom pai, superando os 45% registrados entre os homens. 

A imposição de limites na educação e orientação é tida como o principal atributo por 21% do público masculino e 17% do feminino.

O convívio paterno no dia a dia é visto como mais importante entre a população de 25 a 40 anos (56%) e a de 16 a 24 anos (55%). Os mais velhos consideram a educação a caraterística mais importante. O índice é superior entre a faixa de 41 a 49 anos (24%) e de 60 anos ou mais (26%).

"O brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia, deixando para trás a figura do mero provedor financeiro. O desafio agora está na prática", avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. 

"O fato de metade da população enxergar os pais de hoje como menos participativos do que os do passado mostra que o discurso avançou mais rápido do que a mudança real de comportamento dentro de casa”, acrescenta.

Saída

Desembargador federal abandona ações da Lava Jato após punição do CNJ

Loraci Flores de Lima pegou uma suspensão de 60 dias

09/08/2026 20h00

Desembargador Loraci de Lima

Desembargador Loraci de Lima Foto: Divulgação

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O desembargador Loraci Flores de Lima renunciou às ações da antiga Operação Lava Jato sob sua relatoria no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). Ele comunicou a decisão à Corte por meio de um despacho de cinco linhas após ser punido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por supostamente ter ignorado uma determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de paralisar processos criminais da Lava Jato. Loraci alega ‘incompatibilidade’ para continuar exercendo sua função jurisdicional nas ações.

O desembargador pegou uma suspensão de 60 dias - sanção, na prática, já cumprida porque havia ficado afastado durante 72 dias liminarmente, no curso do Processo Administrativo Disciplinar. Ele negou o descumprimento de ordem de Toffoli.

Loraci abdicou do acervo da Lava Jato a partir da ‘compreensão firmada pelo CNJ’. Sua decisão atende, segundo ele, o disposto no artigo 122 do Código de Processo Penal - norma que impõe ao magistrado afastamento espontâneo da causa em que haja impedimento ou incompatibilidade, sob pena de as partes contestarem sua permanência nos autos.

As ações que estavam sob a tutela do desembargador tiveram origem na 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, base da Lava Jato.

Recursos e apelações contra sentenças e decisões da 13.ª Vara chegaram ao TRF-4, que fica sediado em Porto Alegre e mantém jurisdição também no Paraná. O TRF-4 ficou, assim, conhecido como o Tribunal da Lava Jato.

A decisão do CNJ atingiu também um colega de Loraci, o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, do TRF-4, igualmente acusado de ignorar determinação de Toffol. Nos autos do Processo Administrativo Disciplinar, seus advogados negaram ‘descumprimento deliberado de decisões’. Segundo os advogados, a decisão foi tomada de forma colegiada e fundamentada.

Por decisão unânime, o Conselho Nacional de Justiça aplicou a pena de disponibilidade por 60 dias aos desembargadores federais Os conselheiros concluíram que Loraci e Thompson descumpriram ordem expressa de Toffoli para suspender ações penais relacionadas à Lava Jato. Nos últimos anos, o magistrado do STF tem proferido uma série de liminares para anular ou suspender os efeitos de provas, delações e atos judiciais da investigação, com base no entendimento de que houve parcialidade e conluio entre o então juiz Sérgio Moro, hoje senador, e procuradores do Ministério Público Federal.

O caso analisado pelo CNJ teve origem em uma decisão da 8.ª Turma do TRF4 sobre a atuação do então juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba Eduardo Appio, sucessor de Moro. Em setembro de 2023, os desembargadores declararam a suspeição de Appio em um processo. Eles ampliaram esse entendimento a todas as ações da operação conduzidas por Appio e anularam os atos praticados por ele.

Ao definir a punição dos desembargadores, o conselheiro relator Rodrigo Badaró afirmou que ‘não há prova conclusiva de incompatibilidade permanente com a magistratura’ e aplicou a sanção de disponibilidade por 60 dias. Como ambos já haviam ficado fora da Corte por 72 dias, a punição foi dada como integralmente cumprida.

 

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