Cidades

Mudanças Climáticas

Jornalista de MS conta como está a tragédia no Rio Grande do Sul

Sarah Santos, que está morando há dois meses em Porto Alegre (RS), relatou falta de combustível, recomendações da prefeitura como separar documentos e evacuação de alguns moradores da Capital gaúcha

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A campo-grandense e jornalista, Sarah Santos, que se mudou para Porto Alegre (RS), relatou a situação da cidade, que devido à densidade da chuva, na manhã desta sexta-feira (03), acarretou no aumento do nível lago Guaíba para mais de 4 metros.

A rodoviária foi atingida apesar de continuar funcionando apenas lojistas do andar superior seguiram com o funcionamento já que as outras lojas foram atingidas pela água. Outras ruas também sofreram com o alagamento e os populares foram orientados a deixar o local.

O volume de chuvas previsto durante a senana para a região Centro-Norte gaúcha era de 300mm a 400mm.

A previsão é que o nível da água do lago Guaíba atinja 5 metros. A jornalista, que está vivendo na Capital gaucha há dois meses, mudou com o esposo, Lucas Pacini, que passou em um concurso para atender como médico psiquiatra em um hospital da região.

Sarah Santos e Lucas Pacini / Arquivo Correio do Estado

 

Fortes chuvas atingem o Rio Grande do Sul desde o início da semana. Municípios ficaram ilhados com pontes que vieram abaixo e populações em locais distantes estão incomunicáveis devido à falta de luz, e perda de sinal da internet, em pontos distintos.

Com relação ao lago Guaíba na Capital Gaúcha, a previsão inicial era que o nível da água atingisse 4 metros, no entanto, está em 4,4 metros e conforme dados da Defesa Civil deve chegar em 5 metros.

"No último boletim da Defesa Civil, ao qual a gente teve acesso, há umas duas horas, o rio do Guaíba estava entre 4,4 e 4,7 metros. Provavelmente ainda hoje vai chegar em 5 metros. Já inundou e quando estava para inundar, a prefeitura tinha fechado as comportas do cais, onde fica o rio Guaíba. É um ponto turístico muito frequentado, daqui é um lugar bem bonito. Tinha fechado os portões do cais, eles têm os portões como se fossem um muro de proteção do rio para a rua, para quando o rio inunda"

"Só que esses portões não têm vedação completa, então eles tinham colocado alguns sacos de areia para cobrir. No entanto, o portão 14 ele rompeu. Acredito que agora outros portões devem ter rompido, porque a água subiu bem rápido. Então, os bairros Centro e Centro Histórico inundaram completamente rodoviária, Mercadão, vários pontos turísticos de Porto Alegre estão completamente alagados. O prefeito pediu para os moradores saírem da área. O bairro do arquipélago também está completamente alagado, não é só um bairro, são várias ilhas. A Ilha das Flores que é muito conhecida está completamente alagada, as pessoas estão se encaminhando para estádios e etc. E fora outros bairros que estão começando a alagar do entorno, porque esse rompimento dos portões do Guaíba foi o ápice, o gatilho para as inundações começarem a acontecer em Porto Alegre", frisou Sarah.

A jornalista disse ao Correio do Estado que trabalha de home office, portanto, não precisa sair de casa, mas a falta de combustível em Porto Alegre (RS) está afetando a mobilidade do marido que segue até o hospital de carro - localizado em uma das regiões afetadas no Centro Histórico.  

"O que tem prejudicado a nossa mobilidade, a mobilidade dele especificamente, inclusive o que ele está fazendo agora é que não tem gasolina na cidade. A maioria dos postos de combustível está sem gasolina. A cidade está sem abastecimento. Então ele está indo de posto em posto tentando abastecer o carro e os próximos dias são bem previsíveis", contou Sarah.

 

 

As orientações, conforme relatou Sarah Santos, são para pessoas que estão em áreas de situação de risco, é para que deixem esses locais o mais rápido possível, e para aqueles que não conseguirem sair, devem manter uma mochila com todos os documentos pessoais.

Sarah está se informando pelos jornais locais e também por meio das redes sociais. Inclusive usou seu perfil no Instagram para relatar como está a situação no Rio Grande do Sul. A jornalista, que ficou conhecida em Campo Grande, por sua atuação como porta-voz em prol do direito das pessoas deficiência (PCd), agora está servindo como "ponte" dando a proporção da tragédia que assola o Rio Grande do Sul que está sendo assolado pela segunda vez, tendo sido a última em setembro de 2023.

"O próprio governador do Rio Grande do Sul [Eduardo Leite] disse que esse é o pior desastre natural da história do Rio Grande do Sul. Essa cheia do Guaíba, ela foi pior do que a última, que foi em 1946. Então, é a pior cheia em muitas décadas, de tão catastrófico que é o que é o está acontecendo", explicou Sarah.

Apesar de ser um fenômeno de crise climática, ela acredita que ações prévias poderiam ter mitigado os estragos, já que essa não será a última enchente que o Rio Grande do Sul deve enfrentar daqui para frente. 

"Já se sabia que o muro do cais não tinha vedação, já se sabia que esse muro poderia ser maior, que esse muro poderia ser melhorado, já se sabia que no interior as estruturas poderiam ter sido preparadas porque, infelizmente, essa não vai ser a última enchente que a gente vai enfrentar. Talvez esse ano, ainda tenham outras enchentes. A gestão do estado e do município não aprendeu nada com isso, não foi feito nada a respeito. Então os moradores de Porto Alegre e Rio Grande do Sul, em geral, eles encaram isso com muita tristeza, mas também eu vejo muita indignação, sabe? Eu compartilho dessa indignação", pontuou Sarah.

A jornalista relatou que familiares de amigos que têm no Rio Grande do Sul estão sofrendo, como no caso da avó de uma conhecida que está ilhada em um apartamento. Tentando ajudar, inclusive na igreja em que frequentam, todos dizem que neste momento, em vários municípios, será necessário esperar o nível da água baixar para que possam ir prestar socorro.

Neste momento estão juntando comida, itens de saúde, assim como Ongs e o governo do Rio Grande do Sul disponibilizou a chave pix para receber doações. 

"É muito triste, é muito triste. Não tem como não se comover, não tem como não se sentir de mãos atadas. Não tem como não se sentir revoltado com tudo isso. Por mais que a gente faça uma doação, faça uma oração, não é suficiente. Então, é um sentimento de muita tristeza, de muito pesar mesmo vendo tudo isso. E de medo também, mas esse medo vem acompanhado de uma compreensão de que eu acredito que a gente não vai ser atingido, a gente está seguro. Mas é muito mais essa tristeza de ver que um Estado tão bonito, com tanta gente bacana, tão rico culturalmente, está passando por uma coisa tão terrível. De verdade, Laura, quando essas chuvas passarem e quando a água diminuir, eu não sei quanto tempo as pessoas vão levar pra se recuperar, sabe disso? As pessoas atingidas pelas inundações. Eu não consigo mensurar. E eu não sei nem se elas vão conseguir se reestruturar antes de uma próxima inundação".

Para tranquilizar o coração da mãe, Sarah Santos, que deixou famílias e amigos em Campo Grande, teve que enviar fotos do entorno de onde reside. Apesar do momento difícil, está recebendo muitas palavras de conforto dos amigos que acompanham a tragédia da Capital sul-mato-grossense. 

Como ajudar

Dados para doação:

Conta SOS Rio Grande do Sul

Chave Pix - CNPJ 92958800/000138

Banrisul

 

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Degradação Ambiental

Lixo, matagal e animais mortos preocupam às margens de córrego em Campo Grande

Problema se repete há mais de uma década no Anhanduí, onde moradores relatam descarte irregular, mau cheiro e risco de animais peçonhentos.

08/09/2026 16h46

Córrego Anhanduí volta a ser alvo de reclamações de moradores por acúmulo de lixo, vegetação alta e falta de manutenção em trechos de Campo Grande.

Córrego Anhanduí volta a ser alvo de reclamações de moradores por acúmulo de lixo, vegetação alta e falta de manutenção em trechos de Campo Grande. Foto: Divulgação.

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O acúmulo de lixo, o avanço da vegetação e relatos de descarte de animais mortos voltaram a chamar atenção às margens do Córrego Anhanduí, em Campo Grande. Moradores da região do Anhanduizinho reclamam das condições de alguns trechos e demonstram preocupação com mau cheiro, insetos e aparecimento de animais peçonhentos.

O cenário acrescenta mais um capítulo a um problema antigo. Há anos, o Correio do Estado acompanha reclamações relacionadas à sujeira, matagal, erosões e abandono em diferentes pontos do Anhanduí, principalmente ao longo da Avenida Ernesto Geisel.

Em março de 2025, por exemplo, a reportagem acompanhou uma operação de limpeza em aproximadamente 4,5 quilômetros das margens do córrego, entre o Shopping Norte Sul Plaza e a Avenida Ezequiel Ferreira Lima.

Na ocasião, a própria Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informou que havia realizado nove limpezas em cerca de 14 meses, atribuindo a necessidade de intervenções recorrentes ao descarte inadequado de resíduos pela população. 

O problema, porém, é ainda mais antigo. Em 2022, o Correio do Estado encontrou lixo e matagal às margens do Anhanduí e ouviu moradores que reclamavam da falta de manutenção.

Naquele período, uma limpeza chegou a ser realizada após denúncias, mas moradores voltaram a procurar a reportagem para afirmar que a situação persistia. 

Problema atravessa mais de uma década

Os registros remontam a pelo menos 2011. Naquele ano, reportagem do Correio do Estado já mostrava diferentes pontos de degradação ao longo da Avenida Ernesto Geisel, com resíduos acumulados, erosões avançando em direção à pista, estruturas de contenção danificadas e obras paralisadas. 

Desde então, a região passou por diferentes projetos e intervenções. Em 2024, a prefeitura chegou a estimar em R$ 150 milhões os recursos necessários para um conjunto mais amplo de obras de drenagem e revitalização do Anhanduí.

Na época, os transtornos relacionados à região já se arrastavam havia cerca de 13 anos, incluindo enchentes, erosões e pontos utilizados para descarte de lixo e entulho. 

As intervenções continuaram. Em agosto deste ano, o Correio do Estado mostrou que um contrato de R$ 22,1 milhões para obras no entorno do córrego havia ultrapassado 80% de execução.

O pacote contempla controle de inundações e processos erosivos, recuperação da Avenida Ernesto Geisel, ciclovia e reforço estrutural de ponte. 

Mesmo com as obras de infraestrutura em andamento, a imagem divulgada nesta terça-feira (8) mostra que problemas relacionados à conservação permanecem em determinados pontos. É possível observar vegetação alta e resíduos espalhados pela margem do curso d'água.

Nova cobrança por limpeza

As condições do córrego voltaram à pauta nesta terça-feira após reclamações encaminhadas ao vereador Delei Pinheiro (PP). Segundo as queixas relatadas pelo parlamentar, há pontos com lixo descartado irregularmente, vegetação alta e até animais mortos.

Diante das reclamações, o vereador solicitou à Prefeitura de Campo Grande serviços de poda, roçada e limpeza em toda a extensão do Anhanduí, especialmente nos trechos que passam pelos bairros da região do Anhanduizinho.

A preocupação dos moradores é de que a combinação de vegetação alta e resíduos favoreça a presença de insetos e animais peçonhentos, além de provocar mau cheiro nas proximidades das residências.

Delei afirmou que pretende acompanhar a solicitação e cobrar a realização dos serviços. Até o momento, porém, não há informação de que a prefeitura tenha definido uma nova operação de limpeza em razão do pedido.

Outro lado

A equipe de reportagem do Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber quando foi realizada a última limpeza no trecho, se existe cronograma para uma nova intervenção e quais medidas são adotadas para combater o descarte irregular de resíduos às margens do Anhanduí.

 

consórcio cidema

TCE barra licitação de R$ 165 milhões para compra de placas solares

Pregão está sendo organizado por um consórcio formado por 15 prefeituras das bacias dos rios Miranda e Apa

08/09/2026 16h09

Tribunal de Constas vê possível restrição à competitividade entre fornecedores e falta de clareza nos critérios para definição dos valores do contrato para intalação de placas

Tribunal de Constas vê possível restrição à competitividade entre fornecedores e falta de clareza nos critérios para definição dos valores do contrato para intalação de placas

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Decisão publicada nesta segunda-feira (08) no diário oficial do Tribunal de Contas do Estado (TCE) determina que o consórcio Cidema, formado por 15 municípios das bacias dos rios Miranda e Apa, mantenha suspensa a licitação que prevê investimentos de até R$ 165,5 milhões à instalação de placas para geração de energia solar. 

A data inicial para abertura do pregão eletrônico era 14 de julho. Mas, o Tribunal de Contas fez uma série de questionamentos sobre a falta de objetividade para definição dos preços e o consórcio, comandado pelo prefeito de Miranda, Fábio Santos Florença, adiou a abertura das propostas e fez adequações no edital.

Mas, mesmo depois das alterações o conselheiro Márcio Monteiro determinou agora que o certame continue suspenso.

De acordo com ele, “esses esclarecimentos, entretanto, não demonstram suficientemente a formação econômica do valor unitário adotado, pois permanecem ausentes elementos capazes de identificar, de forma objetiva e rastreável, os quantitativos, custos unitários e demais componentes econômicos das diferentes parcelas da solução, assim como a efetiva comparabilidade entre as contratações utilizadas como referência e o objeto licitado,” escreveu o conselheiro.

De acordo com Márcio Monteiro, a questão está na falta da composição analítica ou memória de cálculo apta a demonstrar como o valor unitário adotado incorporava economicamente as diferentes parcelas integrantes da solução, tais como projeto executivo, fornecimento de equipamentos e materiais, instalação, comissionamento, operação assistida, gestão das emissões de gases de efeito estufa e certificação de créditos de carbono”.

A licitação entrou no radar do TCE, principalmente, por conta do alto valor do possível contrato, de R$ 165.499.278,10, que não necessariamene seria investido pelas prefeituras. 

O consórcio é composto pelos municípios de Anastácio, Antônio João, Aquidauana, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Caracol, Corumbá, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Ladário, Miranda, Nioaque, Porto Murtinho e Sidrolândia. Duas delas, porém, Bodoquena e Ladário, já contam com sistema de energia fotovoltaica.

Com a instalação das placas de energia solar, aponta estudo do Cidema, as cidades deixariam de emitir na atmosfera cerca de 18.753 toneladas de Co2 por ano. Esse volume equivale ao carbono emitido anualmente por cerca de quatro mil carros de passeio.

O projeto também destaca que a implantação das placas de energia solar vai garantir economia na conta de energia das prefeituras, mas não fala em valores. Diz, somente, que depois da instalação a empresa contratada terá de emitir mensalmente durante doze meses uma “estimativa da economia financeira proporcionada”.

Ao barrar a retomada da licitação, o TCE dá a entender que existem exigências incompatíveis no edital, principalmente no que se refere à capacidade econômica das empresas interessadas em assumir o contrato multimilionário.

“Outro ponto de destaque diz respeito à ausência de demonstração da fundamentação técnica para a fixação do Índice de Endividamento Total – IET igual ou inferior a 0,40 como requisito de qualificação econômico-financeira. Conforme consignado pela equipe técnica, não se questiona a possibilidade de utilização de índices econômico-financeiros para aferição da capacidade financeira dos licitantes, tampouco a finalidade do IET como instrumento destinado à avaliação do grau de comprometimento patrimonial das empresas”, diz o relatório do conselheiro. 

Isso, segundo o TCE, reduz a competitividade e a possibilidade de redução do preço inicial. “O apontamento concentrou-se na ausência de fundamentação técnica suficiente para a definição do limite específico de 0,40, especialmente diante dos potenciais efeitos da exigência sobre o universo de possíveis participantes”. 
 

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