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Justiça manda acusados de envolvimento com jogo do bicho de volta à prisão

Desembargador considerou que risco de reiteração delitiva e de confronto violento entre facções rivais justificam a prisão preventiva

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A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que três acusados de exploração ilegal do jogo do bicho retornem à prisão, por risco de confronto entre facções rivais pelo controle da jogatina e por reiteração delitiva. 

Conforme a decisão, publicada no Diário Oficial da Justiça desta segunda-feira (15), a prisão preventiva foi determinada para Julio Cezar Ferreira dos Santos, Diego Souza Nunes e Edilson Rodrigues Ferreira, denunciados por integrar organização criminosa armada e explorar ilegalmente o jogo do bicho.

Eles foram presos no âmbito da Operação Successione, deflagrada pelo MPMS para apurar suposta guerra pelo domínio do jogo do bicho em Campo Grande, em dezembro de 2023, mas tiveram a prisão revogada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna da 4ª Vara Criminal de Campo Grande.

O Ministério Público Estadual (MPMS) recorreu, pedindo o restabelecimento da segregação cautelar.

Conforme o MPMS, a prisão é necessária para "a garantia da ordem pública, da instrução criminal e da aplicação da lei penal", considerando a periculosidade dos réus.

Ao analisar o recurso, o relator, desembargador Jonas Hass Silva Júnior, afirmou que a prisão preventiva se justifica diante da gravidade concreta das condutas imputadas aos acusados, relacionadas à atuação em organização criminosa armada dedicada a roubos, exploração de jogos de azar e corrupção, "o que revela periculosidade acentuada".

"A liberdade dos recorridos representa risco de reiteração delitiva e de agravamento de conflitos violentos entre facções rivais, em razão da disputa pelo controle do jogo do bicho na Capital, circunstância que evidencia ameaça à ordem pública", disse o magistrado.

O desembargador acrescenta que jurisprudência do TJMS e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu, em habeas corpus anteriores, a necessidade de manutenção da prisão preventiva dos mesmos acusados e que não houve alteração de fatos relevantes que justifique decisão em sentido contrário.

"A proximidade da prolação da sentença, somada à reabertura de instrução criminal em razão da juntada de novos documentos, reforça a necessidade da custódia cautelar também por conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal em eventual condenação", disse, na decisão.

Dessa forma, ele afirmou que subsistem os motivos que ensejaram a prisão.

"A gravidade concreta e a periculosidade dos acusados integrantes de organização criminosa armada justificam a manutenção da prisão preventiva para a garantia da ordem pública. A persistência do risco de reiteração delitiva e de confronto entre facções rivais reforça a necessidade da segregação cautelar", disse o relator.

Os juízes da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, por unanimidade, nos termos e no voto do relator, deram provimento ao recurso.

Operação Successione

No dia 5 de dezembro de 2023, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Successione para o cumprimento de dez mandados de prisão temporária e de 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande e Ponta Porã.

Dentre os alvos estava o deputado estadual Neno Razuk (PL). Na ocasião, ele negou participação com a jogatina.

A investigação do Gaeco, que contou com a participação da Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar, revelou a atuação de uma organização criminosa responsável por diversos roubos praticados mediante o emprego de arma de fogo e em concurso de agentes, no contexto de disputa pelo monopólio do jogo do bicho local.

As investigações constataram que a organização criminosa tinha grave penetração nos órgãos de segurança pública e contava com policiais para o desempenho de suas atividades, revelando-se, portanto, dotada de especial periculosidade.

 

 

 

 

Inclusão

Prefeitura assina lei que autoriza meia entrada para acompanhantes de pessoas com deficiência

O não cumprimento das atribuições pode acarretar multa de R$ 5 mil aos estabelecimentos

01/04/2026 15h00

Até dois acompanhantes de PcD têm direito a 50% de desconto em eventos

Até dois acompanhantes de PcD têm direito a 50% de desconto em eventos Divulgação

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A Prefeitura Municipal de Campo Grande publicou no Diário Oficial Municipal (Diogrande) da última terça-feira (31) a aprovação da Lei 7.600, que dá direito à meia-entrada para até dois acompanhantes de pessoas com deficiência em eventos culturais, esportivos, educativos e de lazer. 

O direito da meia entrada a acompanhantes independe de qualquer vínculo de parentesco ou empregatício da pessoa com deficiência, podendo ser familiar de qualquer grau até amigos e cuidadores. 

Basta uma declaração simples, sendo vedada a exigência de laudo adicional específico para justificar a presença dos acompanhantes.

Os ingressos dos acompanhantes devem ser adquiridos para o mesmo evento, horário, data e setor do beneficiário, podendo ser adquiridos juntos ou separados, inclusive pela internet. 

Além disso, pela legislação, os estabelecimentos ficam obrigados a:

  • informar de forma clara o direito ao benefício;
  • disponibilizar canais acessíveis e compatíveis com tecnologias assistivas, especialmente na venda on-line;
  • capacitar equipes para realizar o acolhimento adequado, evitando constrangimentos;
  • evitar qualquer prática discriminatória ou exigência desproporcional;

O descumprimento de qualquer medida imposta pode gerar advertência até multa de R$ 5 mil, podendo ser acumulada em até 100% a cada ocorrência. 

A lei foi proposta pelo vereador Juari Lopes Pinto, o Professor Juari (PSDB) e foi aprovada na Câmara Municipal no dia 20 de março.

Meia entrada

Atualmente, os grupos que têm direito a 50% de desconto em ingressos para eventos culturais, esportivos e de lazer no Brasil são:

  • estudantes;
  • idosos com 60 anos ou mais;
  • jovens de baixa renda com idade entre 15 e 29 anos inscritos no CadÚnico;
  • pessoas com deficiência (PCD), incluindo acompanhante;
  • doadores de sangue inscritos no Hemosul (para MS).

Cinemas, teatros, espetáculos musicais, circenses, museus e eventos esportivos (shows, jogos) devem reservar 40% do total de ingressos para a meia-entrada. 

Quem se enquadra como PCD

Pessoa com Deficiência (PCD) é quem possui impedimentos de longo prazo, sejam físicios, mentais, intelectuais ou sensoriais que possam dificultar sua participação plena na sociedade. 

Entre os exemplos, estão:

  • Deficiência física: pessoas com paralisia cerebral, amputações, má-formação, doenças generativas, próteses, paraplegia, tetraplegia;
  • Deficiência visual: cegueira total, baixa visão ou visão monocular;
  • Deficiência auditiva: surdez total ou parcial;
  • Deficiência intelectual: limitações significativas no funcionamento intelectual e comportamento adaptativo;
  • Deficiência mental ou psicossocial: transtornos mentais severos que causam limitações graves;
  • Transtorno do Espectro Autista (TEA);
     

Fila de Espera

Pacientes esperam mais de quatro anos por exame em Campo Grande

Com 650 pedidos de exames, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul verificou que a demanda está concentrada em um hospital que oferece nove vagas mensais

01/04/2026 14h44

Crédito: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou investigação para avaliar mais de 650 pedidos pela realização de polissonografia na rede pública municipal de Campo Grande.

O inquérito civil foi aberto após a constatação de que centenas de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) esperam há mais de quatro anos pelo exame, considerado essencial para o diagnóstico de distúrbios do sono e de doenças que comprometem a saúde e a qualidade de vida.

Segundo registros enviados à 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), existem mais de 650 pedidos de exames pendentes, sendo o mais antigo datado de março de 2022.


Fila de espera

Ainda segundo o MPMS, o tempo médio de espera chega a 70 meses, ultrapassando o limite considerado aceitável pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que classifica como excessivos prazos superiores a 100 dias para exames eletivos.

O levantamento demonstrou que a oferta do procedimento está concentrada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap/Ebserh), que disponibiliza apenas nove vagas por mês.

Para se ter ideia, entre setembro de 2024 e agosto de 2025, foram realizados 117 exames — número insuficiente diante da demanda acumulada.

Com isso, o MPMS solicitou informações detalhadas à Sesau e à Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre medidas para ampliar a oferta, incluindo cópia do edital de credenciamento em elaboração e a possibilidade de contratualização com novos prestadores.

Também cobrou esclarecimentos do Humap sobre sua capacidade instalada e potencial de expansão.

Além da falta de vagas, o Ministério Público apontou problemas estruturais, como a ausência de registro do exame no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e a inexistência de classificação ocupacional específica para o profissional executor,  fatores que dificultam o planejamento da rede.

Falta de comparecimento

Outro desafio é o elevado índice de faltas. Em outubro de 2025, apenas 11 dos 24 pacientes agendados compareceram para realizar o exame.

A atuação da Promotoria de Justiça integra um esforço mais amplo de fiscalização das filas de exames especializados em Campo Grande, que incluem procedimentos como ressonância magnética, colonoscopia e endoscopia digestiva.
 

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