Cidades

Cidades

Lei "engessa" área central de Campo Grande

Lei "engessa" área central de Campo Grande

Redação

22/03/2010 - 08h26
Continue lendo...

Qualquer tentativa de mudança na paisagem urbana do centro da cidade está “engessada”. A Prefeitura de Campo Grande está impondo uma série de limitações e exigências, inclusive a compra de vagas de estacionamento, para construção, reforma ou ampliação de imóveis localizados numa das quatro Zonas de Especial Interesse Cultural (Zeics) existentes na cidade. Há 125 imóveis que praticamente são intocáveis, não podem ter a fachada alterada nem ser demolidos, embora possam ter sua estrutura interna de construção reformada, mediante autorização e o cumprimento de obrigações definidas numa Guia de Diretrizes Urbanísticas (GDU). São 45 edificações que podem vir a ser tombadas para o patrimônio histórico; 50 de interesse cultural e 30 com ambiência e ornamento de relevância cultural . As Zeics, instituídas no Plano Diretor em vigor desde 2006, abrangem um perímetro que começa no centro, faz limites com a Igreja São Francisco, no final da Rua 14 de Julho, abrange o entorno da antiga estação rodoviária, chega ao conjunto Sargento Amaral (área de influência do Horto Florestal) e se estende até Rua José Antônio. A prefeitura tem adotado medidas drásticas para fazer cumprir a lei. Postura demonstrada, por exemplo, em relação ao proprietário do prédio onde durante muitos anos funcionou a Gráfica Gutemberg, na Rua 14 de Julho. Ele terá de restaurar a fachada e reconstruir o imóvel que teve a demolição embargada. Esta mesma providência foi exigida em relação a outro prédio localizado nas proximidades da Igreja Matriz de Santo Antônio. A Procuradoria Jurídica entrou na justiça para garantir o tombamento de uma propriedade do vereador Paulo Pedra, que fica na esquina das ruas Antônio Maria Coelho e 13 de Maio. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) vetou a demolição de uma casa na Rua Cândido Mariano, que seria adquirida por um banco. A instituição financeira desistiu do negócio porque não se interessou pela proposta de Semadur de preservação da fachada e reforma do prédio. Mesmo os proprietários de imóveis da área central que não estão catalogados como de interesse cultural, para executar qualquer reforma ou ampliação, precisam cumprir algumas exigências, além do alvará de construção, previsto no código de obras. Este rito não foi seguido pelo proprietário de um salão comercial localizado na Afonso Pena, aparentemente sem valor histórico, onde até recentemente funcionava uma igreja evangélica. Resultado: três operários ficaram dois dias presos por desrespeito ao embargo determinado pela prefeitura. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Marco Cristaldo, o proprietário deste salão na Afonso Pena, além do alvará de construção, só poderia iniciar a reforma após o parecer do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Planurb), de que não se tratava de um imóvel de relevância cultural para a cidade. O passo seguinte seria firmar um termo de compromisso, uma compensação financeira pelo direito de ampliar a área construída do prédio, sem a exigência de oferecer novas vagas de estacionamento, a chamada compra de vaga de estacionamento. Todo este trâmite foi seguido pelo comerciante Milton Asato, dono há mais de 40 anos de um salão comercial na Rua 14 de Julho. Ele quer demolir 38 metros quadrados da sua casa, que fica nos fundos do salão, para construir uma MICHELLE ROSSI Alvo de disputa judicial entre a prefeitura e o proprietário, o vereador Paulo Pedra (PDT), uma casa localizada na esquina das ruas Antônio Maria Coelho e 13 de Maio tornou-se abrigo de marginais, embora em 2008 tenha sido tombada para o pat r i môn io h i stór ico. O imóvel está abandonado, com o portão aberto e, de acordo com vizinhos, frequentado diariamente por desocupados e viciados em droga. “Eu estou quase construindo uma porta de tijolo nesta casa para impedir que as pessoas entrem ali. Colocamos até cerca elétrica no nosso estabelecimento (uma casa noturna, exatamente ao lado da casa tombada) para impedir que essa gente entre aqui”, diz o proprietário edícula de 136 metros. O alvará de construção só foi concedido depois que assinou o termo de compromisso dispondo-se a pagar R$ 13.898,23 (em seis parcelas de R$ 2,3 mil). Em contrapartida, foi dispensado da obrigação de construir uma garagem com vaga para dois carros, embora ele próprio não tenha carro. O dinheiro destas “vagas” de estacionamento, segundo a prefeitura, vai ser investido na preservação do Sítio Ferroviário.

URGÊNCIA

Leitos sobram em hospitais de Campo Grande, mas falta de recurso impede o uso

Superintendente do Ministério da Saúde em MS diz que não "enxergou" recursos empenhados pelo Município no relatório do terceiro quadrimestre de 2025

02/03/2026 17h45

A

A "epidemia" de acidentes resulta na falta de leitos para outros pacientes, como idosos e crianças, na Santa Casa de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

A Câmara Municipal promoveu uma audiência pública, na manhã desta segunda-feira (2), para debater a crise na saúde pública de Campo Grande. As responsabilidades, o colapso assistencial e a necessidade de medidas extraordinárias de intervenção estadual ou federal foram os temas debatidos.

À frente do Fórum das Entidades Representativas dos Usuários de Saúde, Sebastião Arinos Junior, trouxe uma reflexão sobre o que causou o atual cenário vivenciado em Campo Grande. “Temos leito sobrando, podendo ser contratualizado”, afirmou, citando o Hospital Universitário onde há 30 leitos vagos, além do Hospital de Câncer, Hospital do Pênfigo, mas por falta de recursos não são utilizados.

As deficiências na atenção primária também foram mencionadas, além da necessidade de maior participação do Estado nos investimentos.

Em relação ao pedido de intervenção, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) se posicionou a pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e deu um prazo para as melhorias, considerando que o novo secretário de Saúde, Marcelo Vilela, assumiu a pasta em janeiro. Portanto, em maio o assunto voltará ao debate, informou o presidente do Conselho, Jader Vasconcelos.

“Ano passado foi muito difícil, nesses 14 anos em que estou na prefeitura foi o mais difícil, pois está faltando o básico para trabalhar. Falta medicamento, insumo”, detalhou Jader Vasconcelos, informando ainda que o servidor está tendo de arcar com itens básicos, como papel higiênico e material de limpeza para os postos de saúde.

O superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo Costa, apresentou informações sobre o relatório do terceiro quadrimestre de 2025, apresentado na última sexta-feira (27), durante audiência pública na Câmara. 

De acordo com Ronaldo, em relação às despesas liquidadas, a União repassou R$ 763 milhões e o Estado, R$ 278 milhões, mas que não "enxergou" os recursos empenhados pelo Município.

Hospitais

A estruturação da rede hospitalar de Campo Grande foi apresentada na audiência pública, com participação de diretores do Hospital Regional e da Santa Casa.

O Hospital Regional de Campo Grande segue recebendo pacientes de urgência e emergência, conforme esclareceu o diretor Paulo Eduardo Limberger, que trouxe à audiência a importância da regulação, que é uma regra do SUS.

Há dois anos, a Santa Casa de Campo Grande enfrenta dificuldades sem revisão contratual, conforme informou o diretor de negócios e relações institucionais, João Carlos Marchezan. Ele recorda a intervenção que ocorreu no hospital em 2005. À época, a dívida iniciou em R$ 37 milhões e passou para R$ 160 milhões.

“Partindo dessa experiência, digo que intervenção tem que ser muito bem pensada, porque significa supressão de uma instância. Estou aqui pedindo muita responsabilidade nisso”, disse João Carlos Marchezan.

Pacto institucional

“A criação de um pacto institucional para desestrangular a municipalização do SUS e trazer saúde melhor para as pessoas” foi uma das propostas encaminhadas na discussão, apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro, presidente e proponente da audiência.

A vereadora citou a necessidade de cooperação para que a saúde de Campo Grande avance. “Tivemos uma série de situações que nos impõe uma reunião como essa. Devemos ter outras, mas no âmbito do interesse da população, que é o que a Câmara representa, há cenário de grave crise estrutural e assistencial, marcado por reiteradas denúncias”, afirmou.

Pacientes também trouxeram seus depoimentos das dificuldades enfrentadas, a exemplo da jornalista Ana Rita Amarilia. Ela é diabética e faz uso contínuo de medicação e insulina.

“Já aconteceram várias vezes de chegar lá no posto e não ter a medicação. Já peguei a medicação sem a seringa também, o que não faz sentido, buscar medicamento injetável e te darem sem o equipamento para tomar”, pontuou.

Gestão 

Ronaldo Costa, do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, disse que ainda há R$ 1,3 bilhão do Orçamento da saúde de 2025 para 2026 para serem repassados, referente ao o valor mínimo destinado pelo Estado, União e Município.

“O SUS é tripartite, conta com Estado, União e Município. Nenhum ente isoladamente conseguirá resolver os problemas de saúde”, afirmou o secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, que assumiu o comando da pasta em janeiro.

Ele confirmou que houve muitos problemas em 2025, mas acrescentou que o momento é de transição e reorganização administrativa, citando a necessidade de transformar a crise em oportunidade de rediscussão e transparência.

Medicação de maneira funcional e previsível, fluxo de ambulância, regulação de leitos são algumas das necessidades urgentes.

Sobre a proposta de intervenção, o secretário da saúde, Marcelo Vilela, citou que este é um instrumento previsto, mas excepcional. “Antes dela, precisamos fortalecer o plano de ação pactuado”.

Acrescentou, ainda, que a equipe está alinhada para esse desafio de fazer gestão para todos. “Não existe solução simples, mas caminho possível. Proponho um pacto institucional, nossa proposição é melhorar”, afirmou

A Audiência foi motivada diante do colapso assistencial que atinge a Capital, marcado por superlotação nas UPAs, escassez de medicamentos e insumos, paralisação de serviços na atenção primária, fragilização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e falhas graves no sistema de regulação de leitos.

Relatórios do CMS apontam irregularidades estruturais e comprometimento da segurança de usuários e trabalhadores.

O MPE também instaurou procedimentos e ações judiciais para apurar falhas na prestação dos serviços, tanto na rede municipal quanto hospitalar conveniada.

Assine o Correio do Estado

caiu em fevereiro

Exército aguarda aval do governo para instalar ponte de guerra em Rio Negro

Agesul disse que pedido para a ponte provisória está sendo avaliado "com urgência" e que estrutura metálica não comprometerá obras da ponte de concreto

02/03/2026 17h30

Ponte caiu durante travessia de carreta em 22 de fevereiro

Ponte caiu durante travessia de carreta em 22 de fevereiro Foto: Idest

Continue Lendo...

A instalação de uma ponte provisória na MS-080, em Rio Negro, depende de autorização da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), que informou que já recebeu o pedido e que ele está sendo processado "com urgência".

A ponte sobre o Rio do Peixe caiu no dia 22 de fevereiro devido ao grande volume de chuva na cidade, provocando a queda de um caminhão que fazia a travessia. O governo atribuiu o acidente ao caminhão que estava com excesso de peso.

De acordo com o General de Brigada de Exército, Marcelo Zanon Harnisch, já foi feito um reconhecimento especializado no local, junto ao Batalhão de Engenharia e Combate de Aquidauana, e o Exército aguarda o aval do governo para iniciar a montagem da estrutura.

"Levantamos algumas possibilidades para serem feitas para possibilitar o restabelecimento do acesso das pessoas e estamos conversando com o governo do Estado para saber qual decisão vai ser feita, estamos prontos para apoiar tanto o governo do Estado quanto o município de Rio Negro. O reconhecimento foi feito, estamos só aguardando o posicionamento oficial", disse o general.

Conforme noticiou o Correio do Estado, no dia 26 de fevereiro, o Exército Brasileiro esteve em Rio Negro, juntamente com equipe da Agesul, para avaliar a situação da ponte e elaborar um relatório para a montagem de uma estrutura metálica, geralmente utilizada em calamidades públicas, reconstruções e operações militares, conhecida como “ponte de guerra”. 

Em nota, a Agesul informou, nesta segunda-feira, que o pedido formal da instalação da ponte já foi feito e está em fase de processamento.

"Na última sexta-feira (27), equipe técnica realizou vistoria no local, confirmando a viabilidade da instalação sem interferência na futura obra de reconstrução da ponte", diz a nota.

"A inspeção também permitiu definir os parâmetros técnicos para o anteprojeto da nova estrutura e para a remoção da ponte colapsada. A contratação para reconstrução está sendo tratada em caráter emergencial e deve ser formalizada nos próximos dias", acrescentou a Agesul.

Ainda segundo a agência, as especificações técnicas da ponte provisória serão fornecidas pelo Exército, responsável pelo dispositivo e sua instalação.

Já a Agesul, coube apenas a definição do ponto de instalação, garantindo que a estrutura provisória não comprometa a execução da nova ponte.

O Correio do Estado questionou o valor da obra e pediu mais detalhes sobre qual a estrutura temporária será usada, se flutuante ou fixa, se será de mão dupla, quanto peso suporta, entre outros, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Atualmente, a travessia de pedestres está sendo feita por barcos no rio, com apoio do Exército na cidade.

A via está interditada e motoristas devem pegar outras rodovias, como a BR-163 (indo por São Gabriel do Oeste) e BR-419 (indo para Corumbá).

Por enquanto, foram abertas duas rotas alternativas para carros pequenos, impedindo a passagem de caminhões. As alternativas são o Corredor do Girotto, passando pela ponte de concreto, sentido Córrego do Café. E a outra pela estrada do Laticínio, sentido Fazenda Finado Álvaro Rigonatto e com saída em frente à Fazenda Rancho Grande, na MS-419.

Ponte de guerra

O modelo de ponte LSB (Ponte de Acesso Logístico) é uma estrutura desenvolvida durante a segunda guerra mundial. Ela é usada essencialmente em rotas de abastecimento, modernizada para tráfegos pesados, substituição de pontes civis estragadas e pontes provisórias. 

Além do Brasil, seu projeto tem sido utilizado em diversos países do mundo, como a Alemanha, África do Sul, Irlanda, Filipinas, Camarões, Paquistão, Escócia, Reino Unido, Nova Guiné, Madagascar, País de Gales, Trinidad e Tobago e República do Congo. 

Por ser feita com materiais leves e modernos, sua montagem pode ser feita à mão ou com o uso de equipamentos leves, podendo ser desmontada e guardada. Ela tem suporte para aguentar a passagem de tanques de guerras e é facilmente transportada.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).