Cidades

Expansão Populacional

Leste de MS vira novo eixo de crescimento e ganha 55 mil habitantes

Conhecida como Bolsão, região cresceu quase 20% em dez anos, o dobro da média estadual, impulsionada pela indústria e pelo agronegócio.

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A região do Bolsão, localizada no leste de Mato Grosso do Sul, consolidou-se como o principal eixo de crescimento populacional do Estado. O conjunto de 11 municípios chegou a 336.073 habitantes em 2026, segundo levantamento feito com base nas novas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2016, as cidades que formam o Bolsão reuniam 280.562 moradores. Em dez anos, a região ganhou 55.511 habitantes, crescimento de 19,79%, a maior variação proporcional entre as nove regiões de planejamento de Mato Grosso do Sul.

O resultado foi mais que o dobro da média estadual. No mesmo período, a população sul-mato-grossense passou de 2.682.386 para 2.946.317 habitantes, aumento de 263.931 pessoas e avanço de 9,84%.

O ritmo de expansão também permaneceu acima da média no período mais recente. Entre 2025 e 2026, a população do Bolsão aumentou de 332.379 para 336.073 habitantes. Foram 3.694 moradores a mais em um ano, crescimento de 1,11%.

A variação proporcional foi superior à registrada em Mato Grosso do Sul, de 0,74%, e praticamente três vezes maior que a média nacional, de 0,37%.

O Bolsão é formado por Água Clara, Aparecida do Taboado, Brasilândia, Cassilândia, Chapadão do Sul, Inocência, Paraíso das Águas, Paranaíba, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Três Lagoas.

Embora esteja situado no leste sul-mato-grossense e seja frequentemente identificado como a região leste do Estado, o Bolsão possui delimitação própria na divisão regional utilizada pelo governo estadual.

Três Lagoas concentra expansão

Três Lagoas foi responsável por mais da metade do aumento populacional registrado no Bolsão durante a última década.

A população passou de 115.561 habitantes, em 2016, para 145.514 em 2026. A diferença representa 29.953 moradores a mais e crescimento de 25,92%.

Sozinha, Três Lagoas concentra 43,3% de todos os habitantes da região. O município também liderou o crescimento do Bolsão no último ano, ao ganhar 1.991 moradores.

A população três-lagoense aumentou de 143.523 habitantes, em 2025, para 145.514 em 2026, avanço de 1,39%.

O crescimento acompanha a consolidação da cidade como um dos principais polos industriais de Mato Grosso do Sul. Embora a celulose seja o principal motor econômico, o parque industrial de Três Lagoas não se limita ao setor florestal.

O município também reúne indústrias dos segmentos alimentício, frigorífico, têxtil, de confecções, metalúrgico, metalmecânico, químico, de embalagens, fertilizantes, madeira e geração de energia.

Ao redor das fábricas, desenvolveu-se uma extensa rede de empresas de manutenção, construção civil, transporte, logística, alimentação e prestação de serviços.

Essa diversificação aumentou a oferta de empregos e fortaleceu Três Lagoas como polo regional. A cidade passou a atrair trabalhadores de outros municípios e estados, além de fornecedores interessados em atender às grandes unidades industriais.

A localização próxima à divisa com São Paulo, a ligação ferroviária e o acesso a importantes corredores rodoviários também favoreceram a instalação de empresas. Com isso, Três Lagoas passou a exercer influência econômica sobre outras cidades do Bolsão.

Celulose sustenta ciclo industrial

A Suzano e a Eldorado Brasil estão entre as empresas responsáveis pela consolidação de Três Lagoas como referência nacional e internacional na produção de celulose.

A Eldorado Brasil possui capacidade para produzir cerca de 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano em seu complexo industrial no município. A empresa também mantém operações florestais, logísticas e de geração de energia.

A Suzano completa a base industrial da celulose instalada na cidade. Além dos empregos diretos nas fábricas, as operações dependem de áreas de eucalipto e de uma rede regional de fornecedores, motoristas, trabalhadores florestais, prestadores de serviços e empresas responsáveis pelo escoamento da produção.

A cadeia não fica restrita aos limites de Três Lagoas. As atividades florestais e logísticas alcançam cidades vizinhas, movimentam rodovias, estimulam a abertura de empresas e aumentam a procura por mão de obra em diferentes pontos do Bolsão.

O avanço industrial ajuda a contextualizar o crescimento populacional de Três Lagoas, que incorporou quase 30 mil habitantes à sua estimativa na última década.

O aumento, entretanto, não pode ser atribuído exclusivamente à indústria. A expansão resulta de uma combinação de fatores, como nascimentos, mortes, migração, oferta de empregos, crescimento do comércio e mudanças incorporadas aos cálculos demográficos.

Inocência recebe investimento bilionário

O novo capítulo da expansão industrial do Bolsão está em Inocência, onde a chilena Arauco constrói o Projeto Sucuriú, sua primeira fábrica de celulose no Brasil.

O investimento anunciado é de US$ 4,6 bilhões. A unidade será instalada em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares, a cerca de 50 quilômetros da área urbana de Inocência, e terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.

A previsão é de que a fábrica entre em operação no fim de 2027. No pico das obras, o empreendimento deverá gerar aproximadamente 14 mil oportunidades de trabalho. Após o início das atividades, a expectativa é de cerca de 6 mil postos nas áreas industrial, florestal e logística.

O projeto também prevê uma base florestal de aproximadamente 400 mil hectares e capacidade para gerar 400 megawatts de energia limpa.

Pelo porte, os efeitos do empreendimento devem ultrapassar os limites de Inocência e alcançar cidades como Paranaíba, Três Lagoas, Água Clara, Cassilândia e Aparecida do Taboado.

A movimentação já provocou a criação de programas de qualificação profissional. Uma parceria entre a Arauco, o Senai e prefeituras abriu 560 vagas em cursos técnicos destinados a moradores de Inocência, Paranaíba e Três Lagoas.

Embora tenha recebido um dos maiores investimentos privados da história de Mato Grosso do Sul, Inocência ainda apresenta crescimento populacional moderado nas estimativas.

A população passou de 7.641 habitantes, em 2016, para 8.814 em 2026. Foram 1.173 moradores a mais, alta de 15,35%. Como o projeto ainda está em construção, os impactos demográficos permanentes poderão aparecer com maior intensidade nos próximos levantamentos.

Chapadão do Sul cresce quase 52%

Enquanto Três Lagoas liderou o crescimento em números absolutos, Chapadão do Sul apresentou o maior avanço percentual do Bolsão e de Mato Grosso do Sul na comparação de dez anos.

A população passou de 23.284 habitantes, em 2016, para 35.384 em 2026. O município ganhou 12.100 moradores, expansão de 51,97%.

Somente entre 2025 e 2026, Chapadão do Sul incorporou 778 habitantes. A população aumentou de 34.606 para 35.384 moradores, alta de 2,25%.

Diferentemente de Três Lagoas e Inocência, a expansão de Chapadão do Sul está mais diretamente associada ao agronegócio, à produção de grãos, ao comércio e aos serviços.

A localização próxima às divisas de Mato Grosso do Sul com Goiás e a presença de uma agricultura altamente mecanizada ajudam a explicar a atração de empresas, profissionais e investimentos.

Chapadão do Sul respondeu por aproximadamente 21,8% de todo o aumento populacional registrado no Bolsão ao longo da última década.

Selvíria tem segunda maior alta proporcional

Selvíria apresentou o segundo maior crescimento percentual da região. A população aumentou de 6.469 para 8.834 habitantes entre 2016 e 2026.

Foram 2.365 moradores a mais, alta de 36,56%. No período mais recente, Selvíria passou de 8.716 para 8.834 habitantes, acréscimo de 118 pessoas e avanço de 1,35%.

Água Clara aparece na sequência, com expansão de 23,14% na década. O município passou de 14.734 para 18.143 habitantes, diferença de 3.409 moradores.

Aparecida do Taboado ganhou 5.444 habitantes em dez anos. A população saltou de 24.745 para 30.189 pessoas, crescimento de 22%.

Paraíso das Águas passou de 5.251 para 5.904 habitantes, aumento de 12,44%. Paranaíba, segunda cidade mais populosa do Bolsão, apresentou crescimento mais moderado, de 2,65%, ao avançar de 41.626 para 42.728 moradores.

Três municípios perderam população

Apesar do avanço regional, o crescimento não ocorreu com a mesma intensidade em todos os municípios. Brasilândia, Cassilândia e Santa Rita do Pardo registraram redução na comparação com 2016.

Santa Rita do Pardo teve a maior queda proporcional. A população passou de 7.682 para 7.156 habitantes, redução de 526 pessoas, equivalente a 6,85%.

Cassilândia perdeu 104 habitantes no período, ao passar de 21.685 para 21.581 moradores. Brasilândia apresentou redução de 58 pessoas, de 11.884 para 11.826.

Os resultados demonstram que a expansão econômica regional não produz os mesmos efeitos em todas as cidades. A localização dos investimentos, a oferta de empregos, o acesso às rodovias e a concentração de serviços influenciam a capacidade de cada município de atrair e manter moradores.

Grande Dourados fica em segundo lugar

A Grande Dourados teve o segundo maior crescimento proporcional entre as regiões de Mato Grosso do Sul. A população passou de 404.808 habitantes, em 2016, para 477.982 em 2026.

Foram 73.174 moradores a mais, expansão de 18,08%. Embora o percentual tenha ficado abaixo do registrado pelo Bolsão, a Grande Dourados apresentou aumento maior em números absolutos.

Entre 2025 e 2026, a região ganhou 4.955 habitantes, alta de 1,05%. Dourados respondeu pela maior parcela desse avanço e chegou a 266.950 moradores.

A Região de Campo Grande aparece na terceira posição proporcional na análise de dez anos, com crescimento de 10,65%. O conjunto de dez municípios passou de 1.016.781 para 1.125.085 habitantes, aumento de 108.304 pessoas.

Em números absolutos, foi a região que mais ganhou moradores. O resultado, porém, foi diretamente influenciado por Campo Grande, que incorporou 106.861 habitantes à sua estimativa desde 2016.

Pantanal tem maior redução

Enquanto o Bolsão liderou o crescimento proporcional, a região do Pantanal apresentou a maior redução populacional da década.

O conjunto formado por Corumbá, Aquidauana, Anastácio, Ladário e Miranda passou de 231.013 para 221.130 habitantes.

A perda foi de 9.883 pessoas, equivalente a 4,28%. Corumbá teve o maior impacto sobre o resultado.

A população corumbaense diminuiu de 109.294 habitantes, em 2016, para 96.334 em 2026. A diferença representa 12.960 moradores a menos e queda de 11,86%.

O recuo de Corumbá foi parcialmente compensado pelo crescimento de Ladário, que chegou a 24.631 habitantes na nova estimativa.

A Região Sudoeste também perdeu população. O total caiu de 125.783 para 121.573 habitantes, redução de 4.210 pessoas e retração de 3,35%.

Expansão pressiona cidades

A chegada de empresas, trabalhadores e prestadores de serviços movimenta o comércio, a construção civil, o mercado imobiliário e a arrecadação municipal. Ao mesmo tempo, pressiona a infraestrutura das cidades.

Municípios que recebem grandes empreendimentos precisam se preparar para uma demanda maior por moradias, escolas, unidades de saúde, segurança, transporte, abastecimento de água e tratamento de esgoto.

O desafio envolve tanto a população que passa a morar definitivamente na região quanto o contingente temporário de trabalhadores mobilizados durante a construção de fábricas e obras de infraestrutura.

Os números também são importantes para a iniciativa privada. O aumento populacional ajuda a identificar novos mercados e orientar decisões sobre a abertura de lojas, hospitais, escolas, indústrias, empreendimentos imobiliários e outros serviços.

Para as prefeituras, o desafio será transformar o ciclo de investimentos privados em desenvolvimento permanente. Isso exige planejamento para que a expansão econômica seja acompanhada por qualificação profissional, habitação, infraestrutura urbana e serviços capazes de atender aos moradores.

As estimativas do IBGE têm como referência o dia 1º de julho de cada ano e não representam uma contagem realizada de casa em casa, como ocorre no Censo Demográfico. Os cálculos consideram resultados censitários, projeções demográficas e informações relacionadas a nascimentos, mortes e migrações.

Como é feita a estimativa

As estimativas populacionais de 2026 têm como referência 1º de julho e foram calculadas pelo IBGE a partir das projeções populacionais revisadas em 2024 e dos dados dos Censos Demográficos de 2010 e 2022.

Para os municípios, o instituto utiliza o Método de Tendência do Crescimento Populacional (AiBi), que considera a trajetória de crescimento de cada cidade entre os dois censos em relação à evolução da população do respectivo Estado.

Os dados censitários também passam por ajustes para garantir comparabilidade, e o cálculo incorpora informações da Pesquisa de Pós-Enumeração do Censo 2022 e eventuais alterações nos limites territoriais dos municípios.

POLÍCIA FEDERAL

Operação em MS encontra comércio ilegal de ouro

Investigação identificou negociação de aproximadamente 17,3 quilos de ouro e uma rede formada por fornecedores, operadores financeiros, intermediários, transportadores e compradores

28/08/2026 09h00

Agentes da Polícia Federal cumprem 22 mandados de busca e apreensão e duas prisões preventivas durante a Operação Arcanjo

Agentes da Polícia Federal cumprem 22 mandados de busca e apreensão e duas prisões preventivas durante a Operação Arcanjo Reprodução

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (28), uma operação contra um esquema suspeito de movimentar ouro de origem ilegal entre Mato Grosso e São Paulo. A ofensiva também chegou a Campo Grande, onde é cumprido mandado de busca e apreensão. 

Batizada de Operação Arcanjo, a ação mobiliza agentes para o cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão e duas prisões preventivas. As ordens judiciais são executadas em Cuiabá, Várzea Grande, Poconé e Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, além da capital sul-mato-grossense e de São José do Rio Preto (SP).

De acordo com a investigação, o grupo teria estruturado uma rede para adquirir, transportar e comercializar ouro de procedência ilícita, além de utilizar mecanismos para dificultar a identificaçção da origem dos recursos envolvidos nas negociações. 

O levantamento financeiro realizado durante as apurações aponta movimentação superior a R$ 5,2 milhões vinculada às operações investigadas. A Polícia Federal também identificou a negociação de aproximadamente 17,3 quilos de ouro. 

As apurações permitiram identificar diferentes funções dentro da estrutura investigada. Entre os envolvidos estariam fornecedores do minério, operadores financeiros, intermediários, responsáveis pelo transporte e compradores.

Conforme a PF, parte do esquema começava na região de Poconé, município conhecido pela atividade de mineração. De lá, o ouro seguia até São José do Rio Preto. 

Na cidade paulistana, o minério seria recebido e permaneceria em um estabelecimento utilizado tanto para depósito quanto para comercialização.

Os investigadores também identificaram operações financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar ou dissimular valores provenientes das negociações.

Os fatos podem configurar crimes de usurpação de matéria-prima pertencente à União, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Fronteira de MS

PF combate esquema milionário de contrabando de peças de carros de luxo

Grupo é suspeito de trazer do Paraguai, a partir de Ponta Porã, peças de carros importados para serem revendidas em SP

28/08/2026 08h10

Policiais federais em um dos depósitos de peças de carros importados contrabandeadas distribuídas a partir da fronteira

Policiais federais em um dos depósitos de peças de carros importados contrabandeadas distribuídas a partir da fronteira Foto: Divulgação

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Uma quadrilha especializada na aquisição e no comércio irregular de autopeças de carros de luxo, com braços nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, foi desmantelada depois de investigação da Polícia Federal (PF) apontar movimentação de R$ 146 milhões em cinco anos, além de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada.

Ontem, agentes da PF e da Receita Federal deflagraram a Operação Peça-Chave, com cumprimento de nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Ponta Porã, São Paulo (SP), Santo André (SP) e São Bernardo do Campo (SP). 

De acordo com o delegado Cléber Campos da Silva, a investigação começou há cinco anos, “a partir da análise de informações financeiras e do cruzamento de dados bancários, fiscais e empresariais, que apontaram movimentações suspeitas e incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos”.

“O grupo seria responsável pela introdução e a comercialização de peças automotivas de origem estrangeira no País, com indícios da utilização de documentação fiscal fraudulenta para conferir aparência de legalidade às mercadorias. Também são apurados possíveis crimes de lavagem de dinheiro relacionados às atividades investigadas”, disse.

Em imagens feitas pela Receita Federal em um dos galpões da organização criminosa, é possível observar um depósito lotado de autopeças dos mais variados tipos. Por exemplo, destaca-se um acessório automotivo dos modelos Classe A, CLA e GLA, de 2012 a 2018, da Mercedes-Benz.

Segundo a Tabela Fipe (principal índice oficial de preços médios de veículos), esses modelos de carros variam de R$ 68.000 a R$ 153.000, a depender do ano, da motorização (1.6 ou 2.0 turbo) e do estado de conservação, mas o custo da manutenção é similar ao dos veículos novos, avaliados em mais de R$ 500 mil.

No mercado oficial, algumas peças custam mais de R$ 10 mil, mas do outro lado da fronteira peças para veículos desse porte chegam a ser vendidas pela metade do preço, em comparação com uma loja autorizada e legalizada.

Vale destacar que essas autopeças não são proibidas no Brasil, porém, por serem importadas, é preciso que sejam efetuados os pagamentos de impostos ou taxas pela entrada, saída ou utilização dessas mercadorias.

Quanto a isso, a investigação da Polícia Federal indicou que a quadrilha conseguia fraudar os documentos dos produtos, conseguindo introduzi-los no País sem “barreira”.

“Foram identificados indícios de utilização de documentos fiscais emitidos por empresas sem estrutura operacional compatível, além de documentos com informações genéricas ou valores que não correspondiam às características das mercadorias transportadas”, afirmou o delegado responsável pela operação em Ponta Porã.

Parte dos documentos, segundo a investigação, seria emitida por empresas conhecidas como “noteiras”, criadas ou utilizadas principalmente para fornecer documentação fiscal a terceiros.

A análise feita pela Receita Federal apontou que os investigados movimentaram mais de R$ 146 milhões entre 2018 e 2023. Conforme os levantamentos, não foi encontrada documentação contábil e fiscal suficiente que justificasse a origem e o destino de parte desses recursos.

Além de documentos, equipamentos e outros materiais que possam contribuir para a investigação, a decisão da Justiça Federal autorizou a apreensão de bens que eventualmente estejam relacionados aos recursos de origem ilícita.

A medida abrange joias, obras de arte e outros itens de alto valor, além de armas e drogas encontradas. Também foi apreendido dinheiro em espécie, em quantia superior a R$ 5 mil. Os investigados poderão responder por descaminho, lavagem de capitais e associação ou organização criminosa.

Detalhes

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), foram registradas 20 ocorrências de descaminho no Estado este ano. O número é significativamente menor do que o registrado no mesmo período de 2025, quando MS já contabilizava 40 crimes do tipo.

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