Cidades

"Sob nova direção"

Lula ignora esquerdista e nomeia Camila para reitoria da UFMS

Professora estava em primeiro lugar da lista tríplice, com 82,3% dos votos, mas Marco Aurélio, que ficou em segundo, tinha esperança de nomeação

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A professora Camila Ítavo foi nomeada reitora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em decreto publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira (29). O mandato será de quatro anos (2024-2028), com início a partir do dia 27 de outubro.

Camila havia sido eleita pela comunidade acadêmica, em votação realizada no dia 10 de maio deste ano, recebendo votos de 4.026 estudantes, 725 técnicos e 883 docentes. No dia 24 daquele mesmo mês, o Colégio Eleitoral da UFMS definiu as listas tríplices para reitor e vice-reitor, e Ítavo manteve o resultado da consulta à comunidade, ficando em primeiro com 82,3% dos votos.

O segundo lugar da lista foi de Marco Aurélio, que recebeu 13,9% dos votos, e o terceiro com Ruy Corrêa Filho, com 3,8%.

Marco Aurélio, quando acadêmico, chegou a presidir o Diretorio Central dos Estudantes (DCE) e depois de formado comandou a Seção Sindical dos Professores da UFMS (Adufms), movimentos históricamente ligados a partidos de esquerda. Por isso, ele tinha uma expectativa de que o presidente esquerdista pudesse o nomear.

Em junho deste ano, em conversa com o Correio do Estado, Marco Aurélio afirmou estar confiante, e à espera de "sabedoria na decisão do presidente Lula".

No entanto, o chefe do executivo nacional optou por nomear a chapa escolhida pela comunidade acadêmica. 

“É uma honra ser nomeada pelo presidente Lula para ser reitora da nossa UFMS. Estou muito feliz e agradecida a todas as pessoas que participaram desse processo, desde a consulta a comunidade até o envio de toda a documentação para o MEC e para a Presidência da República. Ciente da responsabilidade e da missão que temos em prol do desenvolvimento da Educação, da Ciência e Tecnologia, da Inclusão e das Pessoas, reafirmo meu compromisso e minha dedicação incondicional em prol da nossa universidade, das pessoas da nossa UFMS e de toda a sociedade" disse Camila, após a confirmação da nomeação.

O reitor Marcelo Turine, que termina o seu mandato no dia 26 de outubro, após oito anos à frente da gestão da UFMS, parabenizou a nova gestora da instituição.

“É uma alegria finalizar esse período com a nomeação da professora Camila, que esteve comigo durante todo o nosso mandato. Desejo uma gestão próspera e de muitos resultados positivos para a nossa Universidade e sei que a professora Camila está mais que preparada para conduzir a UFMS pelos próximos anos, para o desenvolvimento competitivo do estado de Mato Grosso do Sul”, declarou o atual reitor.

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zé pereira

Homem mata irmã a tiro e se mata em seguida em Campo Grande

Motivação do crime teria sido vingança pela irmã ter internado ele em clínica de reabilitação compulsoriamente

16/09/2026 16h33

Homem foi até o comércio da irmã e a matou a tiros

Homem foi até o comércio da irmã e a matou a tiros Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Um homem matou a irmã, Vera Lucia Rossatte da Cunha, 59 anos, a tiros, na tarde desta quarta-feira (16), no bairro Zé Pereira, em Campo Grande. Na sequência, o homem se matou.

De acordo com a delegada Analu Ferraz, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o caso é tratado perliminarmente como femincídio seguido de suícidio.

Conforme ela, o homem era dependende químico e teria sido internado em uma clínica de reabilitação pela irmã, contra sua vontade, há alguns anos, e ainda guardava mágoa pela situação.

"Já faz tempo que ele teve alta, mas ele culpava a irmã dele por conta disso", disse a delegada.

Nesta tarde, ele foi até a loja de aviamentos e cosméticos que Vera era proprietária, na Rua Sagarana, e atirou contra ela com um revólver calibre .38, cometendo o suícidio em seguida.

Uma vizinha, de 57 anos, ouviu os disparos e ao chegar ao local encontrou a mulher já morta, enquanto o homem estava agonizando.

O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas ao chegar ao local ambos já estavam em óbito.

A vizinha da vítima disse ao Correio do Estado que o homem ameaçava a irmã constantemente e que já havia prometido vingança pela internação compulsória.

Não havia, no entanto, nenhum boletim de ocorrência registrado contra o suspeito, assim como ele não tinha passagens, segundo a delegada.

A delegada informou que familiares e demais testemunhas serão ouvidas, assim como câmeras de segurança do comércio da vítima serão analisadas.

A mulher disse ainda que Vera era querida por todos no bairro, onde morava há mais de 25 anos. Ela deixa dois filhos.

primeira fase

Testes clínicos fase 1 da polilaminina começam este mês

Substância ajuda a recuperar movimentos em pessoas com lesão medular

16/09/2026 16h00

laminina

laminina Foto: Cristália / Divulgação

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A primeira fase dos estudos clínicos com a polilaminina será iniciada no dia 24 deste mês, de acordo com a farmacêutica Cristália, que desenvolve o medicamento em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A substância tem potencial de ajudar pessoas com lesão na medula a recuperarem seus movimentos. 

A partir desta data, os pesquisadores vão recrutar cinco pacientes voluntários, de 18 a 72 anos, para receber a polilaminina, com o objetivo de comprovar que ela é segura para humanos e não oferece mais danos do que benefícios. Somente em fases posteriores será testada a eficácia do medicamento. 

Conforme autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), todos os pacientes devem apresentar lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10, após sofrer algum trauma. Também é preciso que o ferimento tenha ocorrido há menos de 72 horas, e que esses pacientes tenham indicação de cirurgia para descompressão medular.

Eles serão atendidos no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com equipes cirúrgicas treinadas para a aplicação da substância diretamente na medula durante a cirurgia. Depois do procedimento, eles passarão por reabilitação na AACD, e serão acompanhados pela equipe de pesquisa por seis meses. 

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma substância desenvolvida em laboratório a partir da laminina, uma proteína encontrada naturalmente no corpo humano. Ela foi descoberta pela professora e pesquisadora da UFRJ Tatiana Sampaio, que investiga seu potencial há mais de 20 anos. 

No sistema nervoso, a laminina atua como base para a movimentação dos axônios, partes dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos. Por isso, acredita-se que a polilaminina pode reestabelecer a conexão interrompida quando há lesão na medula. 

Depois de obter resultados positivos em ratos, os pesquisadores realizaram um estudo-piloto, entre os anos de 2016 e 2021, aplicando a substância em oito pessoas que também passaram por cirurgia de descompressão. 

Três faleceram em decorrência das lesões, mas os cinco que se recuperaram apresentaram algum ganho motor. No entanto, ainda não é possível afirmar que isso é resultado direto da polilaminina, por isso, a substância ainda precisa ser testada em ensaios clínicos controlados.

No entanto, a divulgação dos resultados preliminares gerou grande comoção, e dezenas de pessoas receberam autorização para usar a substância de forma compassiva, uma licença especial concedida pela Anvisa para o uso de substâncias experimentais, em casos de grande gravidade. 

Como essas aplicações não foram realizadas sob protocolo científico, não é possível atestar se a polilaminina funcionou ou não.

O vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do Cristália Rogério Almeida, garantiu que o laboratório está comprometido com a ciência, as boas práticas clínicas e o rigor regulatório. 

"Trabalhamos em total alinhamento com a Anvisa e com todos os parceiros envolvidos, sempre com o mesmo objetivo: proteger os pacientes e gerar evidências científicas robustas de segurança e eficácia. Nosso foco agora é conduzir o estudo clínico com a máxima qualidade e no menor prazo possível", acrescentou. 

Se a substância for bem sucedida na fase 1, a equipe poderá pedir autorização à Anvisa para dar seguimento aos testes em humanos. Nas fases 2 e 3, o número de participantes aumenta e pesquisadores podem avaliar se a substância realmente funciona e produz resultados superiores aos tratamentos disponíveis atualmente.

Somente após a conclusão de todas as fases de testes, é que o medicamento pode ser registrado e disponibilizado para a população. 

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