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Mais 4 ministros do STJ aparecem na investigação da PF sobre lobista

Lobista foi um dos alvos da operação Ulitima Ratio, que em outubro do ano passado revelou suposto esquema de venda de setenças no TJMS

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A investigação da Polícia Federal sobre um esquema de venda de decisões e vazamento de informações do Superior Tribunal de Justiça (STJ) identificou novas minutas de decisões de ministros da Corte em um notebook do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, um dos alvos a investigação Ultima Ratio, que em outubro do ano passado afastou cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. A investigação também teve como alvo dois ex-desembargadores. 

Os textos, segundo reportagem do jornal paulista Estadão, estão vinculados aos gabinetes de mais quatro ministros do STJ e de um ex-ministro que ainda não haviam entrado no foco da Operação Sisamnes, que ocorreu em Mato Grosso, também no ano passado e que teve como alvo o mesmo lobista. 

Em Mato Grosso do Sul, o lobista apareceu principalmente por conta de transferências bancárias para o advovado Felix Jayme Nunes da Cunha e por conta de diálogos com o desembargador Marcos Brito. O advogado Félix Jayme tem em torno de 200 ações em tramitação no STJ. 

O inquérito, aberto no ano passado pela Polícia Federal, começou a apurar suspeitas de vazamentos envolvendo os gabinetes de outros quatro magistrados.

Diante das novas descobertas de vazamento de minutas dos gabinetes de Marco Buzzi, Antônio Carlos Ferreira, João Otávo de Noronha e Ricardo Villas Bôas Cueva, a investigação pode ampliar seu escopo para um total de oito gabinetes, correspondente a quase um quarto da Corte, formada por 33 magistrados.

Procurados, os ministros disseram desconhecer os vazamentos e negaram ter favorecido as partes representadas pelo lobista. A defesa de Andreson não quis se manifestar. 

Os outros quatro gabinetes que já eram alvo de apuração são Isavel Galotti, Moura Ribeiro, Nancy Andriaghi e Og Fernandes. Quando o vazamento desses documentos veio a público, no final do ano passado, os ministros afirmaram que pediram ao STJ a abertura de apuração sobre esses fatos e negaram ter conhecimento dos vazamentos.

O STJ, na época, informou ter aberto sindicâncias para apurar as suspeitas de que servidores do tribunal estavam envolvidos nesses vazamentos e pediu a abertura de investigação à Polícia Federal. Essas sindicâncias ainda estão em tramitação.

A PF aponta que não há indícios do envolvimento direto dos ministros nesses novos vazamentos, mas que a origem deve ser apurada.

“Registra-se, pelos motivos anteriormente expostos, que a presença dessas minutas, com certas semelhanças às decisões oficialmente publicadas, não implica, por si só, em suspeitas quanto à conduta dos ministros. Entretanto, constitui elemento que não pode ser desconsiderado, exigindo análise criteriosa e, se necessário, diligências adicionais, a critério da autoridade policial, para assegurar a integridade e autenticidade dos documentos em questão”, diz o relatório obtido com exclusividade pelo Estadão.

A PF vai entregar nos próximos dias ao ministro Cristiano Zanin um relatório parcial sobre as informações apuradas até o momento envolvendo os assessores do STJ. Em documento enviado ao ministro, a PF relatou a existência de um “volume expressivo de novas provas” e disse que pretende ampliar o escopo da apuração.

“Parte relevante desse material não apenas reforça hipóteses previamente estabelecidas, como também amplia o escopo investigativo, revelando conexões até então não identificadas e exigindo reorganização lógica e cronológica dos elementos já constantes dos autos investigativos”, apontou a PF.

Além de terem encontrado essas minutas com trechos semelhantes às decisões oficiais dos ministros, os investigadores também colheram indícios de que o lobista forjava documentos do STJ para tentar captar clientes. 

No notebook dele, a PF encontrou modelos de decisões com marca d’água da Corte e uma falsa decisão de prisão atribuída ao ministro Og Fernandes na Operação Faroeste, mas que nunca existiu.

A suspeita da PF é que o lobista falsificou essas informações para tentar extorquir um empresário. Com isso, a tendência é que a hipótese inicial sobre vazamentos do gabinete do ministro Og seja descartada. Procurado, o gabinete não quis se manifestar.

A equipe da PF fez uma separação entre os dois tipos de arquivos encontrados no notebook do lobista. Em um grupo, havia minutas totalmente divergentes com as decisões dos ministros. Já outros arquivos apresentavam indícios de se tratarem de minutas oficiais vazadas de dentro do STJ: foram criadas em data anterior às decisões efetivamente proferidas e possuíam trechos muito parecidos.

‘Trechos coincidentes’

Um dos novos documentos identificados foi uma minuta de voto do ministro Marco Buzzi em um processo de uma disputa fundiária em Mato Grosso. O arquivo tinha data de criação de 19 de outubro de 2018, mas o ministro só proferiu efetivamente a decisão dois meses depois. De acordo com a PF, os documentos tinham diversos “trechos coincidentes”.

A investigação apreendeu um arquivo no formato do programa Word criado em 19 de julho de 2019 por um funcionário da empresa de Andreson, mas que simulava outra minuta de decisão do ministro Buzzi. Tratava-se de um processo da disputa entre uma empresa de telefonia e uma seguradora. A decisão só foi efetivamente publicada em 5 de agosto, quase um mês depois. A PF novamente apontou que os documentos tinham trechos semelhantes.

“O gabinete do Ministro Marco Buzzi informa que não possui conhecimento sobre o vazamento de trechos das deliberações referidas pela reportagem. Esclarece, todavia, que os projetos de decisões são minutados em sistema interno do Tribunal, sendo que os processos mencionados foram examinados, mais de uma vez, em colegiado, recebendo julgamentos unânimes”, afirmou o gabinete.


O relatório também registrou que o lobista possuía a minuta de um voto a ser proferido pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva em um julgamento da Terceira Turma do STJ. O arquivo encontrado no notebook de Andreson foi criado quatro dias antes de uma das sessões do julgamento, que ocorreu em 6 de fevereiro de 2024. Procurado, o gabinete do ministro não se manifestou. 

No notebook dele, ainda foi encontrada a minuta de uma decisão do ex-ministro Paulo de Tarso Sanseverino, que morreu em abril de 2023. O arquivo encontrado no notebook de Andreson foi criado um dia antes de a decisão do ministro ser efetivamente publicada e tinha como criador o seguinte usuário: “Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação”. “Em simples comparação da minuta com a decisão exarada pelo ministro, verificou-se que o teor parece ser o mesmo”, diz a PF.

A Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação não está vinculada ao gabinete do ministro, mas à direção geral do tribunal e é responsável pela administração dos sistemas de informática da corte.
Extração do celular revelou mais documentos.

IMPORTÂNCIDA DE UM CELULAR

Essa investigação sobre suspeitas de venda de decisões do STJ teve início a partir da apreensão do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023. 

Na época, o item foi apreendido para permitir a investigação dos motivos do homicídio. O Ministério Público de Mato Grosso, porém, detectou indícios da compra de decisões judiciais e enviou o material para o Conselho Nacional de Justiça. Depois disso, o CNJ encontrou diálogos de Zampieri com o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e detectou suspeitas de vazamento e venda de decisões por assessores de gabinetes do STJ. Por isso, o caso foi enviado para investigação da Polícia Federal.

Uma nova análise feita pela PF no celular do advogado Roberto Zampieri também encontrou novas minutas de documentos do STJ que não faziam parte do escopo inicial da investigação. Esses documentos, enviados por Andreson ao advogado, foram alvo de uma análise comparativa entre a data de criação das minutas e a disponibilização de forma pública nos sistemas do STJ.

O relatório identificou, por exemplo, que o lobista teve acesso à minuta de um relatório e voto a serem proferidos pelo ministro João Otávio de Noronha, em um julgamento colegiado de um recurso proveniente do Estado do Pará. O documento foi compartilhado por Andreson em data posterior a esse julgamento, mas a PF identificou que a criação do arquivo obtido pelo lobista foi anterior à publicação da decisão no Diário Oficial.

Com isso, é possível que o lobista teve acesso a uma versão do documento que costuma ser disponibilizado às partes do processo antes da divulgação no Diário Oficial, o que não constituiria uma irregularidade. Questionado sobre esse caso, o gabinete do ministro Noronha afirmou que as decisões do processo foram proferidas de forma unânime pelo colegiado.

A extração de dados feita pela PF também detectou uma minuta de decisão do ministro Antônio Carlos Ferreira compartilhada por Andreson com Zampieri no dia 16 de agosto de 2019, mas que só foi efetivamente proferida em 1º de outubro de 2019. O processo tratava de uma disputa sobre pagamento de indenização entre duas empresas do Rio Grande do Sul. O recurso foi negado pelo ministro.

Esse caso já tinha sido apontado no ano passado em um relatório complementar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre os diálogos entre Zampieri e Andreson, mas ainda não havia sido citado na investigação da PF.

Procurado, o ministro Antônio Carlos disse que pediu à Presidência do STJ a abertura de uma investigação para apurar a origem do vazamento dessa minuta logo que a informação chegou ao seu conhecimento, ainda no ano passado.


 

Tragédia

Sobe para cinco o número de mortos em acidente na BR-163

Quinta vítima foi confirmada pela Prefeitura de Eldorado na manhã deste sábado (19); acidente envolveu van da Secretaria de Saúde e carro de passeio

19/09/2026 12h15

Foto: Portal do Conesul.

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O número de mortos no acidente entre uma van da Secretaria Municipal de Saúde de Eldorado e um carro de passeio subiu para cinco. A confirmação foi feita pela Prefeitura de Eldorado em nova nota oficial divulgada na manhã deste sábado (19). A vítima mais recente é Silvani Alves de Oliveira, que estava na van.

Segundo a administração municipal, a van transportava oito pessoas quando se envolveu na colisão frontal com o carro de passeio, na tarde de sexta-feira (18), no quilômetro 72 da BR-163, em Itaquiraí, no sul de Mato Grosso do Sul.

Além de Silvani, morreram na van Odair Torres e Edimárcia Oliveira. No carro de passeio estavam Jildson Vera Martins, morador da Aldeia Cerrito, em Eldorado, e Edimilson Lopes, morador da Aldeia Porto Lindo, em Japorã.

O acidente provocou o tombamento da van e deixou outras seis pessoas feridas. Três delas estavam em estado considerado grave, conforme informações repassadas anteriormente. A colisão também provocou a interdição parcial e total da rodovia por cerca de quatro horas, com congestionamento de aproximadamente dez quilômetros.

A van retornava para Eldorado após transportar pacientes que haviam buscado atendimento médico em Dourados, cidade localizada a quase 200 quilômetros do município.

A Prefeitura de Eldorado informou, na nova nota, que as circunstâncias do acidente continuam sendo apuradas pelas autoridades competentes. O município afirmou que divulgará apenas informações confirmadas, para evitar especulações sobre a dinâmica da colisão.

BR-163

Com a quinta morte, o acidente passa a integrar a recente sequência de ocorrências graves na BR-163. Em pouco mais de um mês, três grandes acidentes registrados na rodovia deixaram ao menos 13 mortos.

O primeiro ocorreu em 16 de agosto, entre Campo Grande e Bandeirantes, quando uma colisão envolvendo três carros e dois caminhões deixou cinco mortos. Uma das vítimas foi socorrida, mas morreu posteriormente no hospital.

A nova ocorrência, em Itaquiraí, é a terceira tragédia de grandes proporções registrada no período na principal rodovia de Ms.

 

Em Mato Grosso do Sul

Revendas boicotam consumidores e elevam preço da gasolina

Previsão era de queda de 19 centavos no etanol e 12 na gasolina, mas preço médio do combustível subiu nos postos

19/09/2026 12h00

Preços dos combustíveis sobem em MS

Preços dos combustíveis sobem em MS Gerson Oliveira

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A gasolina ficou mais cara nas bombas de Mato Grosso do Sul justamente no período em que o consumidor esperava sentir no bolso o efeito do anúncio de redução nos preços dos combustíveis. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que o preço médio do litro da gasolina comum subiu nas últimas semanas de setembro, enquanto a previsão divulgada anteriormente apontava para uma redução de R$ 0,12 no litro.

Em Campo Grande, a alta também aparece nos números da ANP. O preço médio passou de R$ 6,25 para R$ 6,26 entre as semanas de 6 a 12 e de 13 a 19 de setembro. No mesmo período, a média estadual avançou de R$ 6,40 para R$ 6,42.

A alta ocorre após a expectativa de redução anunciada no início do mês. Conforme mostrou o Correio do Estado em reportagem publicada em 10 de setembro, a estimativa era de que a gasolina tivesse redução de R$ 0,12 por litro e o etanol hidratado, de R$ 0,19, após mudanças na tributação dos combustíveis.

Na prática, porém, os dados mais recentes da Agência não mostram queda no preço médio da gasolina. Pelo contrário, o combustível registrou aumento tanto em MS quanto na Capital.

Queda ainda não chega ao consumidor

A redução prevista veio após alteração na tributação federal sobre os combustíveis. A expectativa divulgada à época considerava o impacto da medida sobre a composição do preço final pago pelos consumidores.

O gerente-executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), Edson Lazaroto, explicou ao Correio do Estado que a redução estimada para a gasolina chegaria a R$ 0,12 por litro, considerando também a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina.

A previsão, no entanto, não se refletiu na pesquisa mais recente da ANP. Entre uma semana e outra, a gasolina subiu R$ 0,02 na média estadual e R$ 0,01 em Campo Grande.

O levantamento da agência mostra ainda que o preço praticado nos postos da Capital variou significativamente. Na semana de 13 a 19 de setembro, o litro mais barato encontrado pela ANP custava R$ 6,09, enquanto o mais caro chegou a R$ 6,45.

O etanol hidratado, que tinha previsão de queda ainda maior, também não apresentou redução expressiva em Mato Grosso do Sul. A média estadual permaneceu em R$ 3,89 por litro entre as duas semanas analisadas pela ANP.

Já em Campo Grande, houve uma pequena redução, de R$ 3,82 para R$ 3,81.

O cenário deixa o consumidor diante de uma diferença entre o preço que se esperava encontrar após o anúncio de redução e o valor efetivamente registrado nas bombas. Enquanto a previsão apontava para uma queda de R$ 0,12 na gasolina, a média estadual avançou R$ 0,02 no período analisado.

Preço nas bombas

A ANP realiza levantamentos semanais dos preços dos combustíveis comercializados no país. Os valores representam as médias encontradas nos estabelecimentos pesquisados durante cada período e permitem acompanhar a evolução do preço pago diretamente pelo consumidor.

Em MS, a gasolina comum passou de R$ 6,40 para R$ 6,42 entre as duas últimas semanas analisadas. Em Campo Grande, foi de R$ 6,25 para R$ 6,26.

 

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