Atendendo ao chamado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o médico psiquiatra Lucas Pacini, e a jornalista Sarah Santos, se uniram a diversos profissionais que estão atuando em abrigos para auxiliar a população de desabrigados em decorrência da chuva, em Porto Alegre (RS).
A jornalista, juntamente com o marido, ambos de Campo Grande, mudou há cerca de dois meses para a Capital gaúcha com o esposo, Lucas Pacini, que passou em um concurso para atender como médico psiquiatra em um hospital da região.
No sábado (04) a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, emitiu alerta para risco de inundação que atingiu diversas regiões de Porto Alegre devido ao alto volume do Lago Guaíba, que subiu mais de cinco metros, sendo o maior nível registrado.
Diante da situação de pessoas desabrigadas que vieram de outros municípios e também da própria Porto Alegre, o Ministério Público (MPRS) para atender a demanda da população fez o recrutamento de profissionais para trabalhar na linha de frente.
"A gente se envolveu como voluntariado com o Ministério Público, eles fizeram um recrutamento de médicos, meu esposo se candidatou e eu fui acompanhando junto com o MP. Estamos indo de abrigo em abrigo, para recolher, saber quais são as demandas, oferecer ajuda no que for necessário, e aí o MP, com todo esse suporte, anota as demandas e vai contribuindo com o que cada abrigo precisa. A gente já passou no abrigo do SESC, da Protásil Alves, e agora nós estamos no abrigo da Igreja Luterana", disse Sarah.
O médico psiquiatra Lucas Pacini atuando em abrigos em Porto Alegre (RS) / Arquivo Correio do EstadoSomando a força tarefa com o que cada um pode oferecer para ajudar a diminuir o sofrimento da população, a jornalista Sarah Santos, também está acompanhando a Caravana e relatou ao Correio do Estado que a situação dos abrigos é caótica.
"E o que eu tenho visto em relação aos abrigos é [uma] coisa que eu nunca imaginei que veria na minha vida. Porque são muitas famílias nesses abrigos, são muitas pessoas com familiares perdidos que não sabem onde estão seus familiares. A gente conversou especificamente com uma mulher que saiu de casa, o esposo não quis sair, então ela saiu com os filhos, a casa inundou, ela não teve mais notícias do esposo e ela está no estado de crise, de ansiedade mesmo, querendo saber onde o esposo está. Tem mais pessoas com familiares perdidos e não se tem resposta, porque são milhares de pessoas, é uma demanda muito grande, a Defesa Civil está fazendo tudo o que pode, mas é muito difícil unir todas essas informações", contou Sarah.
Além da força tarefa organizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, estão atuando na linha de frente pessoas da sociedade civil, igrejas e até times de futebol.
"Se não tivesse essa organização da sociedade civil, realmente não sei, sabe? Não sei como seria. E tem mais uma questão, e essa questão especialmente no interior, onde a inundação é maior e muitas das vezes eles recebem menos atenção porque é mais difícil chegar. Quando a água descer, muitos corpos vão aparecer, muitas pessoas que infelizmente morreram nas enchentes vão submergir na água e o número de mortos com certeza vai aumentar. E é uma realidade muito triste. O estado inteiro, embaixo da água, centenas de cidades envolvidas. Mas a gente tem tentado fazer o mínimo pelo menos para diminuir e mitigar os efeitos disso tudo', pontuou Sarah.
Na caravana em que estão os campo-grandenses prestam suporte a promotora de Justiça, Anelise Grehs, o motorista, enquanto Lucas presta a ajuda com a assistência médica, Sarah Santos contribui fazendo o levantamento do que as pessoas estão precisando.
"Toda Porto Alegre fez uma grande força tarefa. Então são pessoas o tempo todo disponibilizando seus serviços, suas habilidades, aí a gente vai nos abrigos, pergunta o que tá precisando, aí, por exemplo, agora a gente chegou aqui numa paróquia que eles estavam precisando de assistente social, eu entrei em contato, já teve gente se dispondo", explicou.
Evacuação
Ainda, segundo relato feito por Sarah, neste sábado (04) um dique explodiu no bairro Sarandi, localizado na região norte de Porto Alegre (RS) onde residem 91,3 mil moradores. A Defesa Civil recomendou que a população evacuasse o local. "Provavelmente são mais vítimas, é uma situação catastrófica".
O número de resgates realizados entre a sexta-feira (03) e este domingo (05), é de 1,6 mil, conforme dados da Defesa Civil de Porto Alegre. O socorro a população envolveu o Corpo de Bombeiros (CMB/RS), Exército Brasileiro e voluntários.
Divulgação Defesa Civil do Rio Grande do SulPor meio da rede social X (antigo Twitter), a Defesa Civil informou que áreas mais altas não correm o risco de serem afetadas pela enchente conforme as outras regiões.
"A mancha em vermelho representa prováveis áreas de risco sob influência da atual elevação do Guaíba. Nem todos os locais cobertos pela mancha serão atingidos da mesma forma. É preciso considerar a altura do terreno. Quem mora em áreas mais baixas deve buscar abrigo em locais seguros, longe da zona vermelha do mapa", alertou o órgão.
Segundo nota divulgada no site da Prefeitura de Porto Alegre, o nível do Cais Mauá - região portuária -, atingiu 5,53 metros e está gerando oscilações que desembocam no Lago Guaíba e provocou as enchentes nos bairros do centro e Centro Histórico, na rodoviária, e o Mercadão Municipal, vários pontos turísticos de Porto Alegre estão completamente alagados.
O monitoramento está sendo feito pela equipe técnica que acompanha a situação pelo Centro Coordenação de Serviços (Ceic-POA).
A Prefeitura, em acordo com o sindicato de lojistas, entendeu que os estabelecimentos comerciais devem ficar fechados até a terça-feira (07), nos bairros que foram atingidos pela água.
A área Central e a Orla em Porto Alegre está sem energia, e podem ocorrer interrupções de sinal da internet, páginas como o Ministério Público (MPRS) estão fora do ar, indicando o problema em decorrência das forte chuvas.

Ajude
O site da Prefeitura de Porto Alegre colocou uma página para quem deseja fazer doações, para acessar basta clicar aqui.
Crédito vídeo: @ph_chico




