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Médicos investigam caso de garota que ‘chora’ sangue

Médicos investigam caso de garota que ‘chora’ sangue

G1

28/06/2011 - 10h32
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O caso da adolescente cearense que afirma sangrar pelos olhos quando fica nervosa, triste ou ansiosa está sendo investigado por médicos paulistas. Em Meridiano, no interior de São Paulo, onde a estudante mora há dois meses, ela é conhecida pela população como ‘a garota que chora sangue’. A jovem também relata que sangra em outras partes do corpo. O Hemocentro do Hospital de Base de São José do Rio Preto apura se esses sangramentos são decorrentes de uma coagulopatia (distúrbios da coagulação sanguínea) ou problemas emocionais. Um tipo de tumor é a hipótese mais remota. Só após o resultado dos testes a que ela será submetida será possível definir um tratamento.

Um médico de Meridiano, município de quase 5 mil habitantes, e o prefeito da cidade afirmam ao G1 terem visto o sangramento em Débora Oliveira dos Santos, de 17 anos. A mãe da estudante, que deixou o Ceará com a família em busca de um tratamento para a filha no estado de São Paulo, confirma a história. A prima encaminhou fotos que mostram os olhos da jovem sangrando. Um vídeo também foi postado na internet e exibe uma das crises da garota.

“Eu me controlo para não chorar. Não posso me exaltar bastante porque vou sangrar. Eu ainda não me acostumei. É muito chato eu não poder me expressar. Vou fazer prova, fico nervosa, choro e sai sangue. Alguns meninos e meninas ficam assustados e sentem nojo. Ficam longe de mim. Então eu fico meio que isolada dos demais. A minha sorte é que os professores são a melhor coisa da escola”, diz Débora.

Em entrevista ao G1, Débora conta que eventualmente falta às aulas quando ocorrem os sangramentos. “Há algumas semanas minha camiseta começou a ficar manchada na altura dos mamilos. Quando vi, estava sangrando. É horrível. Quando vou às aulas agora, uso algodão e sutiãs bem alcochoados”, diz a aluna da Escola Estadual Donato Marcelo Balbo.

Envergonhada, a garota conta que seu passatempo é ler livros ou jogar vôlei com os irmãos. “Adoro ler a saga do Crepúsculo. Também sou fã do jogador Giba, da seleção de vôlei. Acompanho todos os jogos do Brasil pela TV. Gostaria de conhecê-lo um dia, mas tenho vergonha porque tenho esse problema de sangramento e não gostaria de sangrar na frente dele. Mas soube que ele também teve um problema no sangue na infância [leucemia] e se curou”, afirma a jovem, que quer ser professora de história.

Parentes contam que Débora começou a sangrar com 14 anos, quando trabalhava como babá e foi agredida por sua patroa no Ceará. Os sangramentos eram somente nos ouvidos e nariz.

Em novembro, a menina passou a sangrar também pelos olhos, couro cabeludo e mamilos, segundo a dona de casa Maria Gorete Oliveira dos Santos, de 43 anos, mãe da garota. E piorou quando o marido dela morreu afogado em maio, no Ceará, tentando salvar um dos filhos. “Foi a vez que Débora mais chorou e sangrou. Precisou ser internada porque já estava entrando num quadro de hemorragia”, conta Maria Gorete.

De acordo com a família da adolescente, em Fortaleza os médicos suspeitaram de púrpura trombocitopenica idiopática (PTI), doença relacionada à coagulação do sangue, caracterizada pela diminuição do número de plaquetas. A PTI, que também pode ser chamada de púrpura trombocitopenica imunológica, quando estiver relacionada ao aparecimento de anticorpos que destroem as plaquetas, provoca sangramentos.

Os médicos cearenses prescreveram Transamin e Dexametasona para Débora tomar, segundo os parentes. Os medicamentos continuam sendo ministrados para controlar a coagulação sanguínea. Apesar disso, os remédios não acabaram com os sangramentos, segundo Maria Gorete.

“Como no Ceará os médicos não souberam dizer o que minha filha tem direito, e os remédios não trouxeram a cura, saí de lá e vim para São Paulo. Foram os próprios médicos cearenses que me disseram para vir a São Paulo tentar buscar alguma resposta para saber o que minha filha tem. Também falaram que pode ser algo emocional porque a menina apanhou da ex-patroa. Estou confusa. Tenho parentes aqui que me disseram que os médicos paulistas poderiam ajudar no caso da menina e vim em busca de uma resposta e um tratamento para ela”, diz Maria Gorete, que está morando numa casa em Meridiano com mais cinco filhos. O aluguel é pago por seus parentes.

O G1 não conseguiu localizar a ex-patroa de Débora e os médicos que a atenderam no Ceará para comentar o assunto.

Meridiano
Em Meridiano, um clínico-geral diz ter ficado "abismado" ao ver a jovem entrar no seu consultório. “Fiquei abismado quando vi o sangue escorrer pelos olhos dela porque ela aparentemente não tinha causa externa de arranhadura. Me indagava de onde vinha aquele sangramento”, afirma o médico Orlando Cândido Rosa Filho.

O prefeito de Meridiano, José Torrente (PTB), diz que a sua administração fará o que for possível por Débora. Ele conta que também ficou assustado ao saber do caso.

“Eu nunca vi igual, saía sangue do olho, cabelo, para todo lado. É um trem que nunca vi. É um trem esquisito. Ela se enervou e foi no banco da pracinha e chorou. Mas em vez de sair água saiu sangue. Se assustaram e ligaram para minha esposa, que socorreu. Isso aconteceu mesmo. Achei que fosse menstruação, mas que ao invés de sair por baixo saía pelos olhos. É incrível. Todo mundo se assustou”, diz o prefeito, que está oferecendo o medicamento para a garota.

A prima de Débora, Diana Viana de Oliveira, de 25 anos, técnica em enfermagem no Posto de Saúde de Meridiano, afirma que seus parentes que vieram do Ceará não têm muitos recursos. “Minha tia e meus primos ainda procuram emprego aqui. Alugamos uma casinha para eles, mas eles não possuem móveis, roupas”, diz Diana.

De acordo com Diana, enquanto algumas pessoas se sensibilizaram com o caso de Débora e a ajudam com mantimentos, outras, no entanto, acham que os sangramentos são decorrentes de falta de espiritualidade. “Já chegaram a mandar minha prima rezar muito. Mas ela é evangélica e ora todos os dias. Só não tem ido muito à igreja por causa do preconceito de alguns”, diz.

Hematologista
Procurado para comentar o caso de Débora, o hematologista Paulo Antonio Zola, patologista clínico e hematologista do Hemocentro do Hospital de Base de São José do Rio Preto, afirma que a adolescente será submetida a um mielograma, exame para investigar se a medula óssea tem algum problema na fabricação das células sanguíneas.

Segundo Zola, que não viu a jovem sangrar, quando as plaquestas deixam de coagular o sangue, há sangramentos por várias partes do corpo. “Sai por todo lugar, pelo nariz, gengiva, boca, urina. Não é que ela chora sangue, a lágrima vem com sangue. A saliva sai com sangue. Sai sangue da gengiva, ouvido, sai sangue do olho, intestino etc. Porque todo nosso corpo tem coagulação. Onde tem coagulação sai sangue. É incorreto afirmar que a paciente chora sangue. Ele chora lágrimas com sangue. Lágrimas maculadas com glóbulos vermelhos."
De acordo com o médico, há registros de outros casos parecidos com os sintomas dos de Débora no Brasil e no mundo. Por esse motivo, é necessário analisar os exames que ela já realizou. “Os médicos cearenses fizeram um ótimo trabalho. O mais provável é que Débora tenha coagulopatia como causa do sangramento, mas também tem de ser investigado esse histórico dela de um possível problema emocional. Se nenhuma dessas hipóteses for comprovada, ela terá de ser submetida a uma tomografia para saber se tem câncer em alguma parte do corpo."
Parentes afirmam que Débora já havia feito tomografia e nada tinha sido detectado.
Caso fique comprovado que ela tenha uma PTI, por exemplo, Zola sugere tratá-la até com quimioterapia. "A quimio não é usada só para tratamentos de câncer. Em último caso, existe a possibilidade de esplenectomia, que é a retirada do baço. Ele é o filtro das células e destrói as plaquetas do sangue quando as células estão alteradas.”

Débora fará o exame no dia 4 de julho. Até lá, a jovem continuará passando por tratamento psicológico e tomando remédios para controlar a ansiedade e nervosismo. “Chorar? Não quero. Não posso chorar nem de alegria. Senão é sangue para todo o lado”, diz.

Cultura & Lazer

Exposição gratuita é opção para quem gosta de arte em Campo Grande

Mostra reúne obras de dois artistas e pode ser visitada sem agendamento

07/09/2026 15h00

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Quem gosta de artes visuais ainda pode visitar gratuitamente a exposição "Fragmentos e Cicatrizes da Arquitetura Urbana", na Galeria de Vidro, em Campo Grande. A mostra fica aberta até domingo (13) e reúne trabalhos dos artistas Gisele Della Barba e Fernando Anghinoni.

Inaugurada no dia 1º de setembro, a exposição propõe um olhar diferente para a paisagem urbana da Capital. As obras partem de elementos presentes no cotidiano, como construções, marcas e transformações nos espaços da cidade, para abordar temas ligados à memória, arquitetura e patrimônio.

A ideia é fazer com que o visitante observe a cidade para além da função prática de ruas e prédios, percebendo também as marcas deixadas pelo tempo e pelas mudanças na paisagem.

Marcas da cidade

Para Gisele Della Barba, a proposta da mostra está relacionada às chamadas "cicatrizes urbanas", marcas encontradas em espaços desgastados ou transformados da cidade que também podem servir como ponto de partida para a criação artística.

Já Fernando Anghinoni define a exposição como um "convite provocador" para que o público reflita sobre os elementos arquitetônicos presentes no cotidiano e sobre a relação deles com a memória e a história da cidade.

A exposição ocupa a Galeria de Vidro, espaço localizado na região central de Campo Grande. A visitação é gratuita, tem classificação livre e não exige agendamento prévio.

Serviço

Local: Galeria de Vidro
Endereço: Avenida Calógeras, 3015, Centro
Horários: segunda a sexta-feira, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 12h
 

INTERIOR

Homem sequestra ex-mulher após fim de relacionamento e é preso com apoio do Choque

Vítima foi retirada de dentro de casa por três indivíduos e levada para hotel em outra cidade, onde teria sido vítima de violência sexual por parte do ex-convivente mentor do crime

07/09/2026 13h01

Ocorrência teve início após três indivíduos invadirem uma residência localizada na rua Edelmar Alves de Lima, que fica no bairro Vila Machado, em Bonito

Ocorrência teve início após três indivíduos invadirem uma residência localizada na rua Edelmar Alves de Lima, que fica no bairro Vila Machado, em Bonito Reprodução

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Identificado como Paulo Cesar Valentim, um homem de 44 anos foi preso após organizar e executar o sequestro de sua ex-mulher, no fim da noite de domingo (06) no interior do Mato Grosso do Sul. O indivíduo foi localizado e preso com apoio das equipes do Batalhão de Choque. 

Conforme narrado sobre o histórico desse crime, a ocorrência teve início após três indivíduos invadirem uma residência localizada na rua Edelmar Alves de Lima, que fica no bairro Vila Machado, em Bonito, distante aproximadamente 270 quilômetros de Campo Grande. 

No interior do Estado, a vítima identificada como Daniele de Souza Tibúrcio, de 28 anos, foi retirada de dentro de casa após três agressores invadirem o local, subtraindo aparelhos telefônicos e agredindo um homem presente. 

Conforme revelado pela mãe de Daniele, a filha havia se separado do então marido poucas semanas antes, que não teria aceitado o fim do relacionamento e passado a procurar a mulher pela cidade com a intenção de levá-la consigo. 

Segundo relato de Virgínia, sua filha Daniele havia se separado de seu ex-marido, identificado como Paulo Cesar Valentim, algumas semanas antes. Paulo teria posteriormente se deslocado até Bonito/MS, passando a procurá-la e demonstrando interesse em localizar e levar consigo a vítima.

Luan de Souza Castilho, que estava na companhia de Mikaeli de Souza Castilho quando os indivíduos invadiram a residência, revelou que foi agredido pelos acusados posteriormente identificados e que um homem de cabelos grisalhos e casaco verde havia colocado um travesseiro sobre sua cabeça e passado a golpeá-lo com uma barra de metal “aparentemente com a finalidade de fazê-lo perder a consciência”, citam as forças policiais em nota. 

Entenda

Invadindo a residência onde a vítima estava após pularem o muro do vizinho, Daniele teria sido retirada do local sob grave ameaça. No local, os moradores apontaram que três homens foram responsáveis por entrar na residência, usando capuzes e aparentemente armados, sendo constatado o uso de uma barra de ferro. 

Justamente o circuito de monitoramento de um dos vizinhos foi crucial para solucionar o caso de forma rápida, já que as imagens além de capturarem a placa do veículo usado no crime também captaram a voz de Daniele quando estava sendo rendida e posteriormente colocada no carro do agressor.

Identificado o Fiat Mobi de cor branca utilizado no crime, os agentes indicaram ainda que seria Paulo Cesar Valentim o quarto indivíduo que estaria prestando o apoio na condução, enquanto três outros se encarregaram de invadir a casa e sequestrar Daniele. 

Os três indivíduos teriam usado de força para colocar a vítima no banco traseiro, mas teriam sido deixados para trás por Paulo logo em seguida. Sendo que dois deles haviam inclusive retirado o capuz durante a ação, uma das vítimas pôde visualizar o rosto desses acusados. 

Logo em seguida a solicitante inicial voltou a entrar em contato com o 190, dizendo ter visto dois dos indivíduos que invadiram sua residência em uma unidade do Posto Ipiranga, localizado na região central de Bonito/MS. Nesse local, o dito homem grisalho de casaco verdade havia sido contido por populares, enquanto o segundo se evadiu, sendo seguido pelo filho da vítima. 

O primeiro identificado seria um venezuelano chamado Edgar Jose Lozano Rojas, com Helio Fernandes da Mata localizado e capturado depois em frente ao Hotel da Praça, na cidade de Bonito/MS. Em ambos os casos  foi necessário o uso de algemas para preservar a integridade física da equipe e impedir eventual fuga. 

Esses dois revelaram que um terceiro chamado de “paraguaio” (Arnaldo Andreis Villar) havia se evadido ao perceber a presença de populares. Sobre Paulo, disseram que não saberiam o rumo tomado junto da vítima. 

Os envolvidos na prática criminosa teriam sido abordados pelo mentor do sequestro próximo da rodoviária de Campo Grande, aceitando o “serviço” diante da promessa de pagamento entre mil e R$2.000,00 para cada um. 

Com esses três presos, foram localizados em posse deles dois aparelhos celulares, um power bank e um fone de ouvido sem fio, que seriam pertences das vítimas e subtraídos mediante grave ameaça durante a ação.  

Identificada também a placa do veículo, os agentes obtiveram informações sobre o possível paradeiro do mentor e da vítima. Já no município de Dourados, o agressor de Daniele foi localizado no quarto número 12 do Hotel Laguna, que fica na Rua Onofre Pereira de Matos, nº 2083. 

Daniele afirmou que foi mantida sob cárcere e constante ameaça. Segundo ele, Paulo dizia que caso a vítima tentasse pedir socorro os outros três “capangas” matariam a família da mulher.

Ela disse ainda que, no trajeto entre Bonito/MS e Dourados/MS, Paulo ainda teria parado o veículo às margens da rodovia para agredi-la com socos na região abdominal. 

“Informou também que, após a chegada ao hotel, Paulo teria mantido relação sexual com ela sem seu consentimento”, complementa o Batalhão de Choque em nota.

Paulo confessou que contratou os três envolvidos próximo da rodoviária que fica na Av. Gury Marques, na Capital, prometendo o pagamento de dois mil reais para cada. Ele informou aos indivíduos que o serviço consistiria em entrar em uma residência, sequestrar uma mulher e entregá-la a ele, que estaria aguardando em um veículo.

Paulo Cesar Valentim e o veículo Fiat Mobi, placa RVC-3D30, foram levados até a Delegacia de Polícia Civil de Bonito/MS, onde foram apresentados para as providências cabíveis. O autor foi entregue sem lesões corporais aparentes.

Os outros três foram encaminhados primeiro para a sede da 1ª CIPM de Bonito/MS para confecção do Registro de Ocorrência. Após isso, foram levados ao hospital para realização de exame de corpo de delito e, em seguida, conduzidos à Delegacia de Polícia Civil, onde devem ficar à disposição da Justiça.

 

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