Cidades

RODOVIA

Motiva não teme que tarifaço reduza ainda mais tráfego na BR-163

A concessionária anunciou que o movimento na rodovia diminuiu nos dois primeiros trimestres deste ano, em balanços publicados antes da alta no pedágio

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A Motiva Pantanal, que administra a concessão da BR-163 em Mato Grosso do Sul, afirmou que não teme que o tráfego na rodovia continue reduzindo, baixa que foi observada nos dois primeiros trimestres deste ano em comparação com o igual período de 2025, mesmo com o aumento médio nas tarifas do pedágio em 40%.

Poucos dias antes de anunciar o reajuste na cobrança do pedágio, a concessionária publicou que o tráfego da rodovia recuou 3,8% no segundo trimestre, na comparação com igual período de 2025, passando de 12,855 milhões de veículos para 12,368 milhões, conforme balanço divulgado pela Motiva Pantanal.

E esta queda no tráfego, atribuída pela concessionária ao aumento dos combustíveis após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, e ao consequente encarecimento dos fretes, não é um caso isolado.

No primeiro trimestre do ano, a empresa já havia reportado queda de 2,6% no número de veículos que passaram nas praças de pedágio. Nos três primeiros meses do ano passado foram 13,416 milhões. Em igual período deste ano, o total caiu para 13,017 milhões.

Por conta disso, o faturamento com a cobrança de pedágio recuou de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões.

No segundo trimestre ocorreu fenômeno parecido, apesar do reajuste da tarifa em junho do ano passado. A queda no faturamento, segundo a concessionária, foi de 5,7%, passando de R$ 105 milhões para R$ 99 milhões.

Na soma dos dois trimestres, a empresa reporta recuo de 3,3% na arrecadação, que caiu de R$ 213 milhões para R$ 206 milhões.

Quanto ao pedágio, entraram em vigor ontem as novas tarifas nas nove praças da BR-163 em Mato Grosso do Sul, aumento autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com base no previsto contrato.

“A atualização das tarifas decorre da 1ª revisão ordinária do Contrato de Concessão otimizado da BR-163/MS, que considera a atualização monetária prevista contratualmente e a aplicação do primeiro degrau tarifário vinculado ao cumprimento das metas de investimentos estabelecidas pela ANTT”, expôs a Motiva Pantanal, em comunicado.

Mesmo com o incremento, a Motiva Pantanal disse que “não trabalha com a expectativa de que a atualização tarifária, prevista contratualmente, provoque uma redução significativa no volume de veículos”.

Ainda, a previsão da empresa é de que o tráfego sofra uma variação positiva nos próximos anos diante dos investimentos na rodovia e no Estado.

“As variações de tráfego observadas dentro do primeiro ano de concessão estão relacionadas a diversos fatores econômicos e setoriais, especialmente à dinâmica do transporte de cargas e da atividade econômica regional. A expectativa da Motiva Pantanal é de que os investimentos previstos e a melhoria contínua dos níveis de serviço contribuam para a atratividade e competitividade da BR-163/MS no longo prazo”, disse.

Segundo matéria veiculada pelo Correio do Estado, o aumento médio será de 40%. Por exemplo, o motorista de um carro de passeio vai gastar R$ 107 para percorrer os 845 quilômetros da BR-163, o que representa R$ 30,90 a mais que os atuais R$ 76,10.

Um caminhoneiro com veículo de oito eixos vai desembolsar R$ 856, cerca de R$ 250 a mais.

Este incremento médio na tarifa definido pela ANTT é 1% superior aos 39,3% solicitados pela empresa em maio. À época, a empresa pediu reajustes entre 37,8% a 41,3% no pedágio das nove praças nos 845 km da BR-163 no Estado. 

O aumento é quase 10 vezes maior que a inflação dos últimos 12 meses, que ficou em 4,64%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

MINISTRO

Em dezembro de 2019, a Motiva Pantanal – que na época ainda se chamava CCR MSVia – chegou a pedir a extinção amigável e a relicitação da BR-163/MS após alegar desequilíbrio financeiro e suspender parte das duplicações previstas.

Ministro George Santoro esteve semana passada na Capital para acompanhar obras de duplicação - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Naquela altura, a diminuição no tráfego foi um dos principais motivos para a descompensação contratual.

Na semana passada, durante visita à obra de duplicação da BR-163, em Campo Grande, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que não tem receio de que a empresa “abandone” a concessão da BR-163 mais uma vez, já que agora os moldes do contrato garantem um reequilíbrio financeiro a depender do número de veículos trafegando pela rodovia.

“A gente mudou completamente o contrato. O contrato é a quinta etapa de uma política de concessão que o Brasil não tinha no passado, e lá nós temos uma banda de demanda, que comporta tanto o aumento quanto a queda. Então, a gente não tem mais essa preocupação, nem eles têm essa preocupação, porque o contrato atual protege eles em relação a isso”, explica o ministro.

George complementou dizendo que, mesmo que haja uma garantia que o contrato não entre em um novo desequilíbrio financeiro, acredita que o tráfego na rodovia deve aumentar nos próximos meses.

“Tem muito investimento iniciado aqui para Mato Grosso do Sul e isso vai gerar mais carga, mais volume de tráfego e vai mudar isso. Então, a gente não precisa se preocupar, tem previsão contratual, agora tem mecanismos de reequilíbrio, tem uma conta vinculada que tem dinheiro colocado nela para fazer esses ajustes de contrato como for necessário”, reforçou à reportagem.

À reportagem, a concessionária também explicou que o atual contrato “conta com mecanismos de compartilhamento de demanda, que trazem maior segurança ao contrato e mais previsibilidade para a manutenção da execução dos investimentos”. 

Ao todo, a concessão prevê mais de R$ 9,3 bilhões em investimentos ao longo dos 29 anos de vigência.

*SAIBA

Atualmente, a BR-163 passa por duplicação em três trechos: em Campo Grande (entre o km 452 e o km 460); em Jaraguari (entre o km 510 e o km 511); e em Bandeirantes (entre o km 535 e o km 546). As intervenções fazem parte do novo contrato de concessão.

Relações exteriores

Itamaraty rebaixa relação diplomática com Argentina após novas ofensas de Milei a Lula

A decisão foi comunicada ao embaixador da Argentina no Brasil

05/08/2026 21h00

Javier Milei, presidente da Argentina

Javier Milei, presidente da Argentina Foto: Divulgação

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O Itamaraty rebaixou nesta a relação diplomática com a Argentina para nível de encarregado de negócios. Segundo fontes do Itamaraty, Julio Bitelli, embaixador brasileiro em Buenos Aires, não voltará ao país vizinho.

A medida deve durar enquanto o presidente Javier Milei mantiver as ofensas contra seu homólogo, Luiz Inácio Lula da Silva. A embaixada continuará funcionando gerida por um encarregado de negócios, sem a presença do chefe do posto.

A decisão foi comunicada ao embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, por meio de uma nota de protesto.

O anúncio ocorre após uma nova sequência de ataques de Milei ao presidente Lula, em entrevista ao canal LN+. Como mostrou o Estadão/Broadcast, as ofensas deveriam complicar o cenário de normalização diplomática e retardar o retorno de Bitelli à capital argentina. Gestos de distensão eram uma condição para a volta do diplomata.

No domingo, 2, Milei reiterou na entrevista o teor das declarações que havia feito no Brasil, ao participar da convenção que lançou a candidatura oposicionista do senador e aliado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente da República. O presidente argentino afirmou que agiu de forma correta ao chamar o petista de "presidiário", "ladrão" e "corrupto".
 

Até sexta-feira, 31, a ordem no Itamaraty era aguardar sinais de eventual normalização e monitorar a situação política na capital argentina à distância, por meio de contatos diversos do corpo diplomático.

IDEB

Aprendizagem melhora nas escolas públicas de MS, mas tem ligeira queda nas privadas

Nos anos iniciais, ambas as redes estão dentro do considerado adequado, mas no ensino médio, apenas a rede privada alcançou o patamar, mesmo com a queda no índice

05/08/2026 19h22

Aprendizagem avançou na rede pública, mas ainda está abaixo do adequado em alguns níveis de escolaridade

Aprendizagem avançou na rede pública, mas ainda está abaixo do adequado em alguns níveis de escolaridade Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Estudantes de Mato Grosso do Sul apresentaram melhora na aprendizagem de português e matemática na rede pública de ensino, enquanto na rede privada houve ligeira queda, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), principal indicador de qualidade da área, divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC).

Os dados mostram que nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota média padronizada da rede pública passou de 5,70 em 2023 para 5,99 em 2025. Já na rede privada, a nota média caiu de 7,40 para 7,38.

Em língua portuguesa, na rede pública o nível nos anos iniciais passou de 203,25 pontos em 2023 para 210,28 em 2025, aumento de 7,03 pontos. Em matemática, a nota era de 211,38 e foi para 220,12, crescimento de 8,74.

Na rede privada, a nota de língua portuguesa teve queda de 246,31 para 261,25, enquanto a de matemática teve resultado positivo, passando de 259,49 para 261,25.

Apesar das variações, as notas de português e matemática ficaram acima de 200 nas redes pública e privada nesta etapa de ensino, o que, conforme a escala de proficiência construída pelo Todos pela Educação com base na matriz do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), é considerado grau de aprendizagem adequado.

Nos anos finais do ensino fundamental, ambas as redes de ensino apresentaram melhoria no nível de aprendizagem. Na rede pública, a nota média padronizada passou de 4,98 para 5,8 e nas escolas privadas de 6,46 para 6,57.

Nesta etapa, as notas de português e matemática variaram entre 248,84 a 284,49. Este patamar de pontuação corresponde a um desempenho considerado básico nas duas áreas, pois nesta etapa de ensino, a partir de 300 é caracterizado ensino adequado.

No ensino médio, novamente a rede pública apresentou avanço, com nota média padronizada passando de 4,46 para 4,50, e a privada teve queda, saindo de 6,01 para 5,93.

No entanto, as notas de português tiveram variações que apontam que, mesmo com a queda, a qualidade do aprendizado no ensino privado é superior ao público, pois também é considerado adequado a partir de 300 pontos, patamar que só foi alcançado nas escolas particulares.

Na rede estadual, Português passou de 270,01 pontos para 262,2 pontos entre 2023 e 2025. Já em Matemática, a pontuação foi de 265,27 para 265,80, no mesmo período, considerado ensino básico.

Na rede privada, língua portuguesa passou de 315,47 para 313,68 e matemática de 327,35 para 323,52, o que demonstra que, mesmo com a queda, ainda está dentro do considerado adequado.

Ideb avança em MS

Mato Grosso do Sul apresentou avanços na educação escolar, tanto na rede pública quanto privada, mas ainda continua abaixo das metas e da média nacional.

Divulgada a cada dois anos, a avaliação do Ideb é dividida em três níveis de escolaridade, sendo ensino fundamental anos iniciais, ensino fundamental anos finais e ensino médio.

Mato Grosso do Sul avançou em todos os níveis, apresentando uma crescente nos últimos anos.

De 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10, o Ideb do ensino fundamental anos iniciais do Estado passou de 5,6 para 5,9. A média nacional é de 6,3, enquanto a meta é de 6.

No ensino fundamental anos finais, o índice de Mato Grosso do Sul passou de 4,8 para 5. O País fechou com Ideb de 5,3 e a meta de 5,5.

Já o Ensino Médio foi o que teve o maior salto, passando de 4 para 4,4, o que ficou próximo da média nacional, de 4,5, mas ainda longe da meta de 5,2.

Dos 79 municípios do Estado, 19 têm escolas acima da média nacional nos anos iniciais, 24 nos anos finais e 22 no ensino médio.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, a instituição com melhor pontuação é a Escola Municipal Pingo de Gente, em Nova Andradina, com índice de 7,7.

Nos anos finais do ensino fundamental, o Colégio Militar de Campo Grande é o melhor avaliado, com 6,6.

Já no ensino médio, a Escola Estadual Senador Filinto Muller, em Ivinhema, é o destaque, com Ideb de 5,9.

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