Cidades

SERVIÇO PÚBLICO

MP autoriza home office e liberação do trabalho a assessores

Nova resolução permite trabalho híbrido para assessores que já integram o órgão e prevê jornada de seis horas diárias para cargo com 250 novas vagas propostas

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) autorizou o regime de trabalho híbrido para servidores que ocupam cargos de assessoramento jurídico, incluindo profissionais que já integram o quadro da instituição e recebem até R$ 12.677,57 referentes ao cargo em comissão. A medida ocorre pouco mais de dois meses após o órgão apresentar um projeto de lei para a criação de 454 novos cargos, sendo 354 comissionados, sem necessidade de concurso público.

A mudança foi assinada na última quinta-feira (8) pelo procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Junior. O texto altera as regras de jornada de trabalho e controle de frequência dos servidores, permitindo que assessores jurídicos, assessores jurídicos adjuntos e assessores de procurador alternem atividades presenciais e remotas.

Conforme dados da folha de pagamento da instituição, já existem assessores de procurador com remuneração de R$ 12.677,57 referente ao cargo em comissão, enquanto assessores jurídicos apresentam valores de R$ 9.573,16. Os montantes não correspondem necessariamente à remuneração bruta total dos servidores, que pode incluir outras verbas.

A concessão do trabalho híbrido, entretanto, não será automática. Segundo a resolução, a adoção da modalidade ficará a critério da chefia imediata, mediante comunicação ao procurador-geral adjunto de Justiça Administrativo.

A norma também estabelece que os servidores não poderão acumular banco de horas nos dias em que desempenharem suas atividades fora da unidade física de lotação.

Além da possibilidade de home office, a resolução prevê condições específicas para os assessores jurídicos adjuntos, identificados pelo símbolo MPAS-207. Embora a jornada semanal permaneça fixada em 40 horas, esses profissionais deverão cumprir seis horas diárias, de segunda a sexta-feira, preferencialmente no período entre 12h e 19h.

As dez horas complementares poderão ser cumpridas em regime de sobreaviso, modalidade na qual o servidor permanece à disposição para atender eventuais demandas funcionais.

Criação de cargos

A flexibilização das regras de trabalho ocorre após o MPMS encaminhar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), em agosto, um projeto de lei que prevê a criação de 454 cargos, dos quais 354 são comissionados e 100 efetivos.

Conforme noticiado pelo Correio do Estado em 3 de agosto, a proposta inclui 250 cargos de assessor jurídico adjunto e dez de assessor de TI júnior, ambos com remuneração-base de R$ 4.562,75.

A função de assessor jurídico adjunto, contemplada pela nova regulamentação de trabalho híbrido, concentra mais da metade das vagas previstas na proposta de ampliação do quadro de pessoal.

O projeto também prevê a criação de 25 cargos de assessor jurídico, além de vagas para diretores, chefes de departamentos, divisões, setores e núcleos, entre outras funções administrativas. Apenas os 100 cargos de analista são efetivos, enquanto os demais dispensam concurso público.

Na justificativa apresentada aos deputados estaduais, o Ministério Público afirmou que a ampliação do quadro funcional seria necessária diante da crescente complexidade das atribuições institucionais e da demanda por serviços técnicos e administrativos.

O órgão também citou a reestruturação promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que ampliou seu quadro de pessoal com a criação de cargos efetivos e comissionados.

Segundo o MPMS, a proposta busca preservar o equilíbrio institucional com o Poder Judiciário, considerando que ambos exercem atividades complementares no sistema de Justiça.

Impacto de R$ 80 milhões

A criação dos 454 cargos representa um impacto financeiro anual estimado em R$ 83,83 milhões, conforme relatório encaminhado pelo Ministério Público à Assembleia Legislativa.

De acordo com o documento, o preenchimento das vagas não ocorreria de forma imediata, mas gradualmente, conforme a demanda institucional e a disponibilidade orçamentária do órgão.

Para 2026, a projeção apresentada pelo MPMS apontava despesa total com pessoal de aproximadamente R$ 415,46 milhões.

Já em 2027, caso todos os cargos propostos sejam preenchidos, a estimativa de gastos com pessoal sobe para R$ 476,35 milhões, valor que deverá ser considerado na elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA).

tempo

Temporal de 39 minutos destelha casas e deixa estragos em Ivinhema

23,2 milímetros de chuva e ventos de 55-79 km/h foram registrados em menos de uma hora

09/10/2026 09h00

Estrutura metálica arrancada durante o temporal

Estrutura metálica arrancada durante o temporal Foto: Vale do Ivinhema Notícias

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Forte temporal atingiu, na tarde desta quinta-feira (8), o distrito de Vila Amandina, na região de Ivinhema, município localizado a 289 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, 23,2 milímetros de chuva e ventos de 55-79 km/h foram registrados em um intervalo de 39 minutos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alerta laranja (perigo potencial) e amarelo (perigo) de tempestade para o município. Isto significa que pode ocorrer chuva de 30-60 mm/h ou 50-100 mm/dia, ventos intensos de 60-100 km/h e queda de granizo, com risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos.

A tempestade - acompanhada de chuva, ventos, raios, relâmpagos e trovoadas - causou estragos na cidade, destelhou casas, danificou móveis e eletrodomésticos, deixou moradores desabrigados, provocou queda de luz, derrubou árvores e postes de energia, arrancou barracos e estruturas metálicas e deixou ruas e avenidas alagadas e lamaçentas.

Conforme apurado pela reportagem, o temporal começou no fim da tarde, por volta das 16 horas, quando adultos ainda estavam no trabalho e crianças na escola.

Conforme apurado pela mídia local, alunos tiveram que se proteger debaixo de carteiras na Escola Estadual Joaquim Gonçalves Ledo.

Quando chegaram em casa, alguns moradores encontraram suas residências sem teto. De acordo com o site de notícias Vale do Ivinhema, 40 casas foram destelhadas e várias famílias ficaram desabrigadas. Não houve vítimas fatais.

Defesa Civil e Prefeitura Municipal de Ivinhema estão prestando assistência às famílias que foram atingidas pelo vendaval.

Fotos e vídeo: Vale do Ivinhema Notícias

OUTROS MUNICÍPIOS

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec-MS), outros municípios também registraram fortes ventos e chuva na tarde desta quinta-feira (8), mas sem estragos signficativos. Confira:

Estrutura metálica arrancada durante o temporal
Estrutura metálica arrancada durante o temporal

investigação

Corrupção em Sidrolândia não parou mesmo após 1ª operação, aponta MPMS

Nova fase da Dirty Pix levou três à cadeia esta semana e afastou secretários e vereadores que foram alvo pela segunda vez

09/10/2026 08h25

Investigação do Gecoc aponta que recursos entravam na conta do hospital de Sidrolândia e depois eram desviados para outras finalidades

Investigação do Gecoc aponta que recursos entravam na conta do hospital de Sidrolândia e depois eram desviados para outras finalidades Foto: Divulgação

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A primeira fase da Operação Dirty Pix, deflagrada em novembro de 2025, já havia identificado um suposto esquema de corrupção sistêmica envolvendo membros da administração municipal, vereadores e pessoas ligadas ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. Na época, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. Mesmo após essa primeira investida contra o grupo, a corrupção não cessou.

De acordo com fontes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), apesar de vereadores, secretários e do diretor-presidente do hospital terem recebido a visita do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), o esquema não foi encerrado.

Na época, foram alvo de mandados de busca e apreensão os vereadores Adavilton Brandão (MDB), Izaqueu de Souza Diniz (PSD) e Cledinaldo Marcelino Costócio (PSDB), os ex-vereadores Ademir Gabardo e Eliel da Silva Vaz, além dos secretários municipais de Desenvolvimento Rural, Cleyton Martins Teixeira, e de Desenvolvimento Econômico, Enelvo  Felini Júnior.

Nesta nova fase, além das prisões de Jacob Meeuvis Breure – diretor-presidente do hospital –, da policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e do assessor político Júlio César Alves da Silva, a Justiça determinou o afastamento por 180 dias dos vereadores e secretários que haviam sido alvo na primeira fase.

A decisão foi proferida pela juíza May Meike Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias da Comarca de Campo Grande, no âmbito das investigações conduzidas pelo MPMS.

Os investigados são suspeitos de envolvimento em suposto esquema de recebimento de vantagens indevidas relacionado a contratos e convênios destinados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.

A determinação judicial afastou da Câmara: Adavilton Brandão; Cledinaldo Cotócio; e Izaqueu de Souza Diniz. Os parlamentares ficam temporariamente impedidos de exercer suas funções legislativas.

Além deles, o prefeito Rodrigo Borges Basso publicou no Diário Oficial de ontem o afastamento de Enelvo Iradi Felini Junior, do cargo de Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, e de Cleyton Martins Teixeira, do cargo de Secretário Municipal de Agricultura e Abastecimento, também por 180 dias.

Segundo a publicação, que segue a determinação judicial, durante o período de afastamento “o prefeito municipal exercerá a ordenação de despesas das Secretarias Municipais mencionadas nos incisos I e II do art. 1º, competindo-lhe praticar os atos necessários à execução orçamentária, financeira e administrativa das respectivas Pastas, observada a legislação vigente”.

“Durante o período de afastamento, ficam preservadas as atividades e os serviços públicos sob responsabilidade das respectivas Secretarias, cabendo ao prefeito municipal adotar as providências necessárias à continuidade administrativa das Pastas. Decorrido o prazo estabelecido no art. 1º, os secretários deveram retornar às suas funções, salvo disposição em contrário decorrente de ato administrativo ou determinação legal”, completa o decreto. 

No caso da Câmara, o presidente da Casa, Otacir Pereira Figueiredo, deverá providenciar a convocação dos respectivos suplentes para ocupar as cadeiras durante o período estabelecido pela Justiça.

A previsão é de que sejam convocados Maria Tereza Fiúza Ferreira, a Maria Fiúza (MDB), Itamar de Souza Silva (PSDB) e Claésio Lechner de Albuquerque (PSD).

ESQUEMA

Segundo a investigação, o Ministério Público identificou uma série de movimentações financeiras após analisar dados obtidos mediante quebra de sigilos bancários.

Entre os valores apontados na investigação estão R$ 25 mil destinados a Cledinaldo Cotócio e R$ 120 mil, a Gabriel Autocar. Os investigadores também identificaram um repasse de R$ 20 mil para Adriana Zarati Franco Brandão, esposa do vereador Adavilton Brandão.

No caso de Cleyton Martins, foram identificadas transferências de R$ 20 mil e R$ 5 mil. Já Ademir Gabardo aparece relacionado a movimentações nos mesmos valores.

O levantamento aponta ainda que Cristina Fiúza, Enelvo Felini Júnior e Ademir Gabardo teriam recebido R$ 20 mil cada, por intermédio de Júlia Carla Nascimento.

Ela é filha de Júlio César Alves da Silva, identificado nas investigações como representante comercial de empresas envolvidas nas contratações investigadas.

Segundo os dados apresentados, Júlio César recebeu R$ 482,5 mil das empresas, quantia registrada como comissão comercial. Desse montante, R$ 100 mil teriam sido posteriormente transferidos à sua filha, que aparece como intermediária de parte dos pagamentos investigados.

O Ministério Público apura se essas movimentações financeiras foram utilizadas para viabilizar pagamentos indevidos a agentes políticos.

SEGUNDA FASE

Na primeira fase, o esquema descoberto tinha gerado prejuízo ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa de R$ 5,4 milhões. Nesta nova etapa, as investigações foram ampliadas e passaram a abranger convênios que somam mais de R$ 18 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.

Segundo o Ministério Público, o esquema atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, bem como à execução de obras de reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, cujos valores ultrapassaram
R$ 18 milhões.

* Saiba 

Conforme o MPMS, o esquema fazia uma triangulação do dinheiro desviado; após o ingresso dos recursos públicos nas contas do hospital, parte dos valores era desviada das finalidades previstas nos respectivos convênios e posteriormente redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras, envolvendo repasses diretos e indiretos a agentes políticos e intermediários.

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