Cidades

Campo Grande

MPF investiga doação ilegal de acesso a condomínio de luxo

Fiscalização descobriu retirada de mais de mil metros da linha de trem da antiga ferrovia, de responsabilidade da Rumo

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O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apuram, desde o mês passado, possíveis irregularidades na concessão de área para a construção de acesso a condomínio de luxo com quase 400 lotes na saída para Três Lagoas. 

Segundo a denúncia, a Corpal Construtora e Incorporadora teria ocupado sem autorização área da linha férrea administrada pela Rumo Malha Oeste, retirando trilhos e fazendo arruamento, e também poderia estar afetando o meio ambiente, por causa da localização, na Área de Proteção Ambiental (APA) dos Mananciais do Córrego Lajeado. 

Este empreendimento imobiliário recebeu autorização da Prefeitura de Campo Grande após a Câmara Municipal aprovar o Projeto de Lei nº 11.500/2024, no dia 17 de dezembro de 2024, em regime de urgência. 

O texto, apresentado no dia 6 de dezembro daquele ano, expandiu a área urbana de Campo Grande e autorizou a empresa a fazer o parcelamento, desde que oferecesse contrapartidas (outorga onerosa) que garantissem a distribuição justa das vantagens e das desvantagens, com a realização de obras como vias que interligassem o novo empreendimento às ruas de acesso.

É justamente na via para acessar o empreendimento que está sendo construída em que está o problema. 

Foi criado ao lado da área o Condomínio Soul Corpal Living Resort, que tem preço médio de R$ 2,5 mil por metro quadrado.

No mercado são comercializados lotes acima de 500 m², o que dá um preço médio acima de R$ 1 milhão por lote. É oferecida infraestrutura de alto padrão e ampla área de lazer, com uma piscina-praia, além de segurança 24 horas. 

Com a implantação do condomínio, a 42ª Promotoria de Justiça de Campo Grande do MPMS instaurou notícia de fato sobre supostas irregularidades na aprovação do loteamento de acesso controlado de responsabilidade da empresa Corpal. 

O MPMS tem o objetivo de apurar se a incorporadora ocupou irregularmente área que pertence à União (linha férrea Malha Oeste), cedida à Rumo, e se pode estar localizada em área de preservação ambiental. 

Para verificar as irregularidades, no dia 23 de janeiro deste ano, a promotora de Justiça Andréia Silva, do MPMS, enviou ofício ao MPF solicitando informações para subsidiar o processo de “reclamação de irregularidades na aprovação do loteamento de acesso controlado de responsabilidade da empresa Corpal Incorporadora a ser instalado na APA do Lajeado [...], tendo em vista o envolvimento de patrimônio público de interesse da União em área ambientalmente protegida”.

Com este pedido, o MPF solicitou em março deste ano à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que verificasse se a ocupação irregular teria acontecido, apurando se há projeto de interesse de terceiros (TIP) aprovado pela agência para o local, se as intervenções realizadas pela loteadora (arruamento e remoção de trilhos) sem o rito processual de desativação e desincorporação configuram dano ao patrimônio público federal e quais providências foram adotadas. 

A investigação descobriu que a empreiteira teria retirado 1,6 mil metros de trilhos de trem para fazer uma avenida que dará acesso ao condomínio de luxo, o que seria uma contrapartida para a construção.

EXPLICAÇÕES

Para a Rumo, o MPF pediu explicações sobre “autorização formal e específica para a supressão dos trilhos e a abertura de vias sobre a faixa de domínio no Ramal Manoel Brandão”.

O órgão quer saber se foi feito pedido de desativação definitiva do trecho e a consequente desincorporação dos bens do contrato de arrendamento e quais providências adotou ou pretende adotar na ANTT com relação aos fatos.

Também solicitou ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), reforçando um pedido feito em outubro do ano passado pelo MPMS, que a autarquia, “acaso ainda não tenha sido realizada, que proceda à vistoria do local para verificar a notícia de que a incorporadora promoveu ampla movimentação de terras, supressão de vegetação e remoção de trilhos em área da União, avaliando a extensão dos danos ambientais, se há reparação a ser feita no local e qual seria”.

A ANTT, no dia 1º, solicitou que a Rumo informasse se tais obras foram realizadas, citando que, “inicialmente, cumpre destacar não foi localizado protocolo por essa concessionária contendo formulário padrão para projeto de interesse de terceiro (TIP) do empreendimento”.

A ANTT também destacou, ao citar legislação do setor, que a concessionaria não pode permitir obras de terceiros em área de concessão sem a devida aprovação da autarquia. 

Ao fiscalizar a área, a ANTT constatou que a incorporadora realizou obras no local e que “a concessionária [Rumo] deixou de promover as medidas necessárias à proteção dos bens arrendados, deixando de manter quaisquer ações de vigilância patrimonial, ou seja, abandonando por completo a ferrovia concedida, de modo que, agora, o segmento de via permanente em comento encontra-se invadido e com trilhos removidos, impossibilitando a retomada da prestação do serviço público de transporte ferroviário de cargas”.

Por causa disso, a concessionária foi autuada, no dia 22, em 10% do valor da renda mensal do arrendamento ou do valor do prejuízo causado, o que for maior, a título de multa não compensatória, além de responder pelas perdas e danos.

Esta punição foi aplicada mesmo após a Rumo explicar que não houve autorização para as obras executadas.

A Rumo apresentou apólice de seguro-garantia que cobre multas e outras penalidades recebidas até R$ 191,5 milhões para não ter de desembolsar o valor da penalidade.

RESPOSTA

Ao Correio do Estado, a Corpal afirmou que a empresa “não recebeu qualquer notificação oficial sobre o referido inquérito ou qualquer eventual problema envolvendo o empreendimento”. 

“A empresa reafirma seu compromisso com a legalidade, cumprindo nesse e em todos os seus mais 68 empreendimentos todas as licenças aplicáveis e que suas atividades seguem rigorosamente a legislação vigente em todos os níveis regulatórios”, diz a nota.

* Saiba

Inspeção feita na região por onde passavam os trilhos descobriu que 1.644 metros do traçado original foram arrancados para a construção de uma rua que dará acesso ao condomínio de luxo em Campo Grande.

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Procedimento padrão

Polícia Civil cria matriz de risco para busca de pessoas de grupos vulneráveis desaparecidas

Medidas do Conselho Superior padronizam o atendimento em todo o Estado, institui matriz de risco, cria procedimento próprio de investigação e reforça a proteção de mulheres, crianças e idosos

19/06/2026 17h00

Delegacia Geral da Polícia Civil

Delegacia Geral da Polícia Civil FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deve criar uma matriz de risco para identificar, desde o registro inicial, situações que exigem atuação prioritária envolvendo indivíduos desaparecidos que pertençam a grupos de maior vulnerabilidade ou com maior risco de exposição à violência. 

A matriz deve conferir tratamento diferenciado a crianças e adolescentes, mulheres e meninas, idosos, pessoas com deficiência, pessoas com transtorno ou espectro autista, pessoas LGBTQIAPN+, indígenas e agentes de segurança pública, socioeducativos ou do sistema de Justiça. 

A medida faz parte de medidas estabelecidades por um Procedimento Operacional Padrão, que dita diretrizes uniformes para todas as unidades policiais do Estado para o registro, atendimento inicial e apuração de casos de desaparecimento de pessoas.

A medida, aprovada pelo Conselho Superior da Polícia Civil e validade pelo Delegado-Geral, afasta práticas ultrapassadas, como a exigência de prazo mínimo para registro da ocorrência. 

A comunicação de desaparecimento deverá ser recebida de forma imediata, sem qualquer intervalo de espera, independente do território onde o fato tenha ocorrido ou da unidade policial procurada inicialmente. 

Essa medida anula as práticas adotadas antigamente de que, para que uma pessoa fosse considerada desaparecida, era necessário esperar de 24 a 48 horas desde o sumiço para que fosse registrada queixa. 

A nova diretriz parte da premissa de que as primeiras horas são decisivas. O procedimento envolve a coleta qualificada de informações desde o primeiro atendimento, a tentativa imediata de contato com a pessoa desaparecida, a consulta a sistemas policiais e de saúde, a juntada de fotografias, documentos, prints de conversas, dados digitais, imagens e demais elementos que possam contribuir para a localização e para a preservação de vestígios relevantes.

Para mulheres 

No caso das pessoas pertencentes aos grupos vulneráveis, o Procedimento Operacional Padrão é de que, para mulheres e meninas, o desaparecimento passa a ser analisado sob perspectiva de gênero. 

A nova orientação reforça que a Polícia Civil deverá considerar, desde a notícia inicial, a possibilidade de feminicídio, violência sexual ou outro crime baseado em gênero, especialmente quando houver contexto de violência doméstica, controle coercitivo, ameaça, perseguição, ruptura relacional ou relacionamento abusivo.

"Essa abordagem qualifica a investigação e evita que desaparecimentos femininos sejam prematuramente interpretados como afastamentos voluntários sem a devida verificação técnica. A hipótese de ausência espontânea somente poderá ser considerada a partir de elementos objetivos, após diligências preliminares capazes de afastar motivação violenta, coercitiva ou criminosa", afirmou a PC em nota. 

Crianças e adolescentes

No caso de crianças e adolescentes, o foco deve ser a proteção integrar e na prioridade absoluta. Em situações de risco grave e iminente, a autoridade policial deverá adotar medidas urgentes, incluindo a obtenção de autorização para divulgação de imagem, a realização de diligências de campo, a coleta imediata de imagens de câmeras de segurança, a reconstrução cronológica do desaparecimento e, quando cabível, o acionamento do sistema Amber Alert.

Idosos

Outra mudança diz respeito ao desaparecimento de idosos, pessoas com deficiência e pessoas com transtorno do espectro autista. 

Nesses casos, o POP reconhece que nem sempre é preciso indícios criminais para que seja considerado fator crítico, mas sim, a vulnerabilidade funcional da pessoa desaparecida. 

"Desorientação, limitação de locomoção, dificuldade de comunicação, incapacidade de autoproteção, uso contínuo de medicamentos e exposição ambiental passam a orientar uma resposta policial imediata, coordenada e territorialmente ampla", diz a nota. 

O procedimento a seguir envolve a coleta de informações clínicas e funcionais consideradas essenciais, como o diagnóstico, grau de autonomia, capacidade de comunicação, locais de interesse, rotas habituais, meios de transporte utilizados e comportamentos esperados em caso de estresse ou desorientação. 

PID

Outro ponto de destaque é a criação do Procedimento de Investigação de Desaparecimento, denominado PID. Trata-se de instrumento próprio para organizar a apuração dos eventos de desaparecimento, permitindo a juntada de fotografias, documentos, oitivas, relatórios preliminares, laudos periciais, informações digitais, diligências de campo e demais elementos úteis à localização da pessoa desaparecida ou ao esclarecimento das circunstâncias do fato.

Entre outras coisas, a medida assegura maior controle documental e evita que casos de desaparecimento permaneçam sem acompanhamento estruturado.

"Ao consolidar a busca de pessoas desaparecidas como prioridade policial absoluta, o POP reafirma o compromisso da Polícia Civil com a proteção da dignidade humana, a resposta imediata, a investigação técnica e a atuação integrada. A norma também determina que as diligências previstas tenham natureza obrigatória e prioritária, devendo ser registradas e documentadas no procedimento correspondente", finaliza a nota da Polícia.  
 

Violência

Suspeito de tentativa de homicídio morre após confronto com a PM em MS

Homem apontado como envolvido em ataque ocorrido durante a madrugada teria reagido à abordagem da Força Tática; duas armas foram apreendidas

19/06/2026 16h44

Foto: Divulgação

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Um homem identificado como Jhony Wesley, de 32 anos, suspeito de envolvimento em uma tentativa de homicídio registrada na madrugada desta sexta-feira (19), morreu após entrar em confronto com policiais militares da Força Tática no Jardim Carandá, em Três Lagoas. A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Perícia Técnica.

Segundo informações apuradas no local, os militares receberam uma denúncia de que um dos suspeitos de participar da tentativa de homicídio estaria escondido em um clube de locação para festas localizado na Rua Milton César Damasceno.

Durante as diligências, os policiais encontraram uma motocicleta com características semelhantes à utilizada na ação criminosa investigada.

Ao realizarem a checagem do veículo, os policiais avistaram um homem saindo do interior do estabelecimento.

Conforme relato da equipe, o suspeito estaria armado com um revólver. Os militares afirmam que foi dada ordem de parada, mas o homem não obedeceu e tentou retornar para dentro do imóvel.

De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, o suspeito reagiu à abordagem e teria efetuado disparos contra os policiais. Houve revide e o homem acabou sendo atingido durante o confronto.

Após a troca de tiros, o suspeito foi socorrido pelos próprios policiais e encaminhado ao Hospital Auxiliadora. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde.

Durante a ocorrência, foram apreendidas duas armas de fogo que estariam em posse do suspeito, além da motocicleta encontrada no local. 

A Polícia Militar ressaltou que os proprietários do clube de festas não possuem qualquer relação com os fatos investigados. O espaço é utilizado para locações privadas e, segundo as informações levantadas até o momento, não há indícios de participação dos responsáveis pelo estabelecimento na ação criminosa.

Equipes da Polícia Civil e da perícia técnica realizaram os levantamentos no local do confronto. O caso será investigado para esclarecer as circunstâncias da ocorrência e a possível participação do suspeito na tentativa de homicídio registrada horas antes.

Tentativa de Assassinato

A ocorrência que terminou com a morte de um suspeito durante confronto com a Polícia Militar teve origem nas investigações de uma tentativa de homicídio registrada horas antes no bairro São João, em Três Lagoas.

Na madrugada desta sexta-feira (19), um jovem de 20 anos foi alvo de diversos disparos de arma de fogo e sobreviveu após conseguir fugir dos atiradores, mesmo ferido.

Segundo informações apuradas, a vítima foi atingida por cinco tiros que acertaram os braços, o abdômen e as costas. Mesmo baleado, o rapaz correu por ruas da região e pulou muros de imóveis até encontrar abrigo em uma residência na Rua Beato Antônio Frederico Ozanam.

Os moradores acionaram o Samu, que realizou os primeiros atendimentos e encaminhou o jovem ao Hospital Auxiliadora.

À polícia, a vítima relatou que havia ido até uma residência acompanhado de um amigo para cobrar uma dívida. No local, segundo seu relato, dois homens usando capacetes surgiram e passaram a efetuar vários disparos em sua direção. Mesmo ferido, ele conseguiu escapar correndo e buscar ajuda.

Após o atentado, equipes da Polícia Militar receberam informações sobre o paradeiro de um dos suspeitos e iniciaram diligências que levaram os policiais até um clube de locação para festas no Jardim Carandá. Durante a abordagem ocorreu o confronto que resultou na morte de Jhony Wesley, de 32 anos.

A Polícia Civil investiga o caso e trabalha para esclarecer todas as circunstâncias da tentativa de homicídio e da intervenção policial.

 

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