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SEGURANÇA

Mudanças em lei fazem vendas de armas decolarem na Capital

Comerciantes avaliam aumento de até 70% na venda desses equipamentos; destaque fica para pistolas 9 milímetros, .40 e .45 e revólveres 357

Natália Olliver

05/08/2022 08:30

Os comerciantes do setor de armas em Campo Grande comemoram o aumento na procura pelos equipamentos e revelam que o interesse maior da população tem sido pelos modelos que antes da flexibilização do Estatuto do Desarmamento, feita pelo governo federal, eram considerados de uso restrito.  

Entre os mais procurados estão as pistolas 9 mm, .40 e .45 e os revólveres 357, que antes da flexibilização apenas as polícias civil e militar tinham permissão de uso, em razão da maior capacidade ofensiva desses modelos.

Anteriormente, o Exército Brasileiro limitava a concessão de armas para cidadãos comuns a uma capacidade de 407 joules de energia de disparo, em armas de cano curto, como as de calibre 38, 22, 25 e 32. Agora, o número subiu para 1.620 joules de energia no lançamento do projétil.  

A mudança possibilitou a adesão de alguns calibres que antes eram restritos.

O Correio do Estado percorreu algumas lojas que comercializam os artigos na Capital para averiguar se o setor reafirma os índices catalogados pela Polícia Federal, conteúdo que foi retratado em matérias publicadas nesta semana e que indicavam o aumento do número de registros de posse e porte de arma de fogo no Estado de 2018 a 2021.  

Em todas as lojas a resposta foi unânime: aumentou muito, confessaram os entrevistados.  

Dono de uma loja de pesca, armas e munição, Eliezer Melo Carvalho, conhecido pelo apelido de Jacaré, contou que antes da mudança na legislação a loja sobrevivia com a renda arrecadada pela venda de produtos de pesca, o que para o empresário não era substancial.

“Notei muito o aumento da procura por armamento. Porque antes vendíamos só armas autorizadas, como a calibre 38, 765, 380. Com o decreto do [presidente Jair] Bolsonaro, ele abriu para vendermos todos os tipos restritos de calibre, como .40, 357 e .45, e isso alavancou demais as vendas”, acentuou.  

Carvalho diz que as armas que eram de uso restrito e as armas de caça são as mais procuradas na loja. Conforme relato, a aquisição de uma arma de fogo não é simples, porque além de todos os testes e provas também é feita uma sondagem civil, criminal, militar e eleitoral para verificar se o solicitante tem algum problema com o País.  

“Quem compra em loja são cidadãos honestos. Aqueles que querem fazer o mal, creio que devem ir comprar nos países que fazem fronteiras com o Brasil, como a Bolívia e o Paraguai”, pontuou.

CUSTO

A loja de venda e despacho de armas comercializa uma pistola e revólver de entrada a R$ 4.200. Para os caçadores, atiradores desportivos e colecionadores (CACs), o valor inicial aumenta significantemente, com variação de R$ 4.500 a R$ 8.200.

O atendente de loja Matheus Escobar reforçou que antes da mudança feita pelo governo federal o local vendia uma arma por semana. Agora, o estabelecimento vende cinco por dia.

“Antes, no ex-governo, não tinha comércio, vamos falar assim. A venda do que antes era restrito a gente vê que aumentou muito, porque além de vender somos despachantes, então vários clientes nossos querem comprar direto do site, importação. A procura por outras armas também aumentou bastante”, ressaltou.  

O servidor frisou que a procura maior é de CACs. “Está saindo bastante. Do começo deste ano até o momento, está saindo bastante. As que mais saem são pistolas 9 milímetros e 357”, finalizou.