O Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul determinou que o Município de Campo Grande providencie em até 72 horas a transferência de Dilfa Almeida para uma unidade hospitalar adequada, seja pública ou privada.
A idosa, de 74 anos, está internada na Unidade de Pronto Atendimento do Bairro Leblon desde a última segunda-feira (6) após uma piora em seu quadro crônico de tosse com sangue que vinha evoluindo há cerca de um ano.
A Defensoria Pública, que entrou com o processo contra o Município, alegou que a unidade de saúde onde a paciente se encontra internada não tem condições estruturais satisfatórias para acolhê-la por mais de 24 horas, indicando que não há qualquer previsão de liberação de vaga em um leito hospitalar pelo Sistema Único de Saúde.
O órgão requereu a transferência imediata da idosa para qualquer hospital público da cidade, incluindo CTI ou UTI, se preciso. Caso não seja possível, que ela seja encaminhada para uma unidade hospitalar da rede particular, com todas as despesas médico-hospitalares custeadas pelo Município até a alta hospitalar.
Caso não seja atendido, a Defensoria pediu a indenização à paciente no valor de R$30 mil, suficiente para a internação e tratamento inicial em um hospital da rede privada.
Em sua decisão, o juiz Marcelo Ivo de Oliveira ressaltou que o Poder Público tem o dever de garantir o direito à saúde do cidadão como respeito à dignidade humana.
“No presente caso, a probabilidade do direito se mostra presente, uma vez que a parte requerente está internada em unidade de pronto atendimento (UPA) desde 06/07/2025 e ainda aguarda vaga em unidade hospitalar adequada. Em outras palavras, configurada a manutenção de paciente grave em local inadequado, está presente a negligência do poder público”, afirmou.
Crise de leitos
Após a exoneração da secretária de saúde de Campo Grande, Rosana Leite, a prefeitura ainda não tem um nome para assumir o cargo. As demandas estão a cargo de um comitê formado por seis pessoas: Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli; gestora de planejamento e execução estratégia, Catiana Sabadin Zamarrenho; a gestora jurídica Andréa Alves Ferreira Rocha; o gestor de finanças e orçamento, Isaac José de Araújo; o gestor administrativo Vanderlei Bispo de Oliveira; e o gestor de contratação André de Moura Brandão.
A falta de um secretário específico da pasta reforça um caos na saúde do Município que se agrava cada vez mais, ressaltado pela falta de leitos em hospitais que atendem via SUS, especialmente.
Mesmo com um terço do orçamento do Município (R$ 2,1 bilhões de R$ 6,87 bilhões este ano e R$ 2,25 bilhões de R$ 6,97 bilhões previstos para 2026), a Saúde campo-grandense vem experimentando constantes colapsos em leitos hospitalares, seja adulto ou pediátrico, números que foram confirmados por hospitais ao Correio do Estado.
As UPAs lotadas são reflexo dos hospitais lotados. O Correio do Estado verificou na última quarta-feira (8) a situação das unidades que dá aos usuários da saúde pública o seguinte panorama: o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS) conta com nove leitos de Centro de Terapia Intensiva (CTI) adulto, nove leitos na Unidade Coronariana (UCO), nove leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica e seis leitos de UTI neonatal. Todos com 100% de ocupação.
A Santa Casa informou que são disponibilizados 637 leitos para saúde pública, ou seja, SUS (609 entre UTI e enfermarias, 23 leitos de pronto-socorro e oito de C.O.), dos quais 80,87% estão ocupados. O hospital ainda complementa que, em média, o tempo de permanência de pacientes em leitos é de 9,91 dias.
Já o Hospital Adventista do Pênfigo (HAP) disse que conta com 20 leitos de UTI e 30 leitos clínicos contratualizados com a Prefeitura de Campo Grande e mais 10 leitos de UTI e 20 leitos clínicos com contrato vigente com o Estado, acordo este que vai até novembro. Novamente, todos se encontram ocupados.
A reportagem também entrou em contato com o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul para obter informações, mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno.
No Sistema de Gestão de Saúde (SiGS), portal disponibilizado pela Prefeitura para verificação de leitos e tempo de espera em cada UPA e Centro Regional de Saúde (CRS), sete unidades aparecem com leitos lotados, tanto para emergência quanto observação: UPA Vila Almeida, UPA Coronel Antonino, UPA Leblon, UPA Santa Mônica, UPA Moreninhas, UPA Universitário e CRS Tiradentes. Nas outras unidades, há pouquíssimas vagas em leitos, seja para emergência ou observação. Os dados são atualizados a cada duas horas no site.
*Colaborou Felipe Machado


