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Novembro de 2025 é o mês mais chuvoso dos últimos 10 anos

Com chuva de ontem, Capital já ultrapassou a casa dos 170 milímetros no período, mais que qualquer outro registro desde 2016

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Desde o dia 1º, os campo-grandenses têm que conviver com chuvas fortes e ventanias que já causaram diversos estragos na cidade. Conforme levantamento realizado pela reportagem, com base em números do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), este já é o novembro mais chuvoso dos últimos 10 anos, com mais de 170 milímetros acumulados em apenas 17 dias.

De acordo com dados divulgados pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), até as 15h30min de ontem, já havia chovido 40,2 mm, precipitação que começou às 4h20min.

Na quinta-feira, a Capital teve mais de 100 mm de chuva, uma das maiores do ano e que resultou em estragos estruturais na cidade. Somando as precipitações, desde o dia 1º, novembro já catalogou 176,2 mm de chuva, mais do que qualquer outro novembro nos últimos 10 anos, superior à média histórica do mês, que é de 163,9 mm.

O número já é quase o dobro do acumulado durante os 30 dias de novembro de 2024 e se aproxima do maior acumulado para o período nos últimos anos, o que ocorreu em 2021. Naquele ano, foram 251,6 mm em 30 dias, índice que ainda pode ser alcançado, já que os dados atuais vão até a tarde do dia 17.

CHUVAS DE NOVEMBRO

Os primeiros dias de novembro já pareciam mostrar que viria muita água. Em sete dias, apesar de o acumulado ainda ser de 25 mm, foram registrados alguns estragos pela cidade, causados por vento de quase 100 quilômetros por hora.

Como de costume, quando Campo Grande é atingida por chuvas e ventos fortes, alguns semáforos da região central da cidade ficaram desligados, o que prejudicou o trânsito.

Do dia 9 ao dia 16, a semana foi mais intensa, com chuva acima dos 110 mm. Na Praça Itanhangá, carros foram arrastados pela enxurrada durante a chuva e parte de uma grade do local se desprendeu, ficando pendurada. Também houve registro de queda de árvore na Avenida Senador Antônio Mendes Canale.

Uma árvore de grande porte caiu sobre a fiação elétrica na Rua Goiás, no Bairro Vila Célia, provocando danos em três postes. A queda interrompeu o fornecimento de energia ao prédio de uma escola e também à parte das residências vizinhas.

Inclusive, com o alagamento nas Avenidas Rachid Neder e Ernesto Geisel, vários peixes “tomaram conta” das vias e foram flagrados por pedestres que passavam pela região. O Córrego Segredo transbordou e alagou a Avenida Ernesto Geisel.

O alagamento deixou uma mulher e sua filha, uma criança de colo, isoladas em um carro no meio da enxurrada. As duas tiveram que ser socorridas por um homem com um trator.

No local, uma árvore de grande porte caiu, arrastando fios de energia e rompendo um poste de luz, que acabou atingindo o totem da floricultura Jatobá Park. A rotatória da Avenida Euler de Azevedo também foi tomada pela água.

Mesmo com a persistência da chuva durante o dia de ontem, não houve novos relatos de estragos por Campo Grande.

OBRAS

Com a continuidade da chuva esta semana, o trabalho na rotatória da Avenida Rachid Neder, que seria realizado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) deve atrasar um pouco, pois o secretário Marcelo Miglioli, titular da Pasta, já havia afirmado ao Correio do Estado que contava com uma trégua para que o serviço na região tivesse êxito.

PREVISÃO

Para hoje, ainda há possibilidade de chuva em Campo Grande segundo o Cemtec-MS e o Inmet, principalmente durante a manhã e à tarde. A temperatura deve variar entre 19 °C e 25 °C na Capital.

Já para outras regiões do Estado, a previsão indica tempo firme, com sol e variação de nebulosidade. A atuação de um sistema de alta pressão atmosférica mantém o tempo mais seco sobre Mato Grosso do Sul. 

Para os próximos dias, porém, o tempo deve ficar firme na Capital, com aumento da temperatura, que deve chegar à máxima de 33 °C na quinta-feira, conforme o Cemtec-MS. A chuva não deve dar muita trégua, já que, para até 2 de dezembro, é esperado acumulado entre 40 mm e 130 mm.

*SAIBA

Levantamento feito pela reportagem, com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), mostrou que este ano já superou o total de precipitação registrado em 2024 em Campo Grande: este ano foram 963 mm, contra 780,6 mm no ano passado.

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Relatório

Inspeção aponta revista com nudez e 13 horas sem comida em presídio de MS

Procedimento foi constatado após entrevistas reservadas com 85 internas, feitas sem a presença de policiais penais

23/02/2026 17h45

Foto: Divulgação

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Mulheres presas no Estabelecimento Penal Feminino de Ponta Porã relataram à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul que são submetidas a revistas com exigência de nudez e agachamentos, inclusive durante o período menstrual, além de passarem 13 horas sem comida. A prática foi identificada durante inspeção ordinária realizada sem aviso prévio pela instituição, que apontou uma série de violações de direitos dentro da unidade.

O procedimento foi constatado após entrevistas reservadas com 85 internas, feitas sem a presença de policiais penais, além de vistoria em todos os espaços do presídio.

Segundo o coordenador do Núcleo Institucional do Sistema Penitenciário, defensor público Maurício Augusto Barbosa, o relatório foi concluído no ano passado, mas, até o momento, poucas medidas efetivas teriam sido adotadas para corrigir os problemas apontados.

Além das revistas consideradas vexatórias, o documento registra relatos de agressões físicas com uso de spray de pimenta, punições coletivas, retenção de correspondências e denúncias de racismo, LGBTfobia e xenofobia.

O relatório descreve que a unidade funciona em um prédio adaptado de uma antiga escola, sem arquitetura adequada para presídio e sem laudos atualizados da Vigilância Sanitária ou do Corpo de Bombeiros.

Durante a vistoria, foram identificadas infiltrações, goteiras, rachaduras nas celas e deterioração em áreas de higiene.

As internas também relataram restrição no fornecimento de água, disponível apenas em horários específicos. Em alguns casos, segundo os depoimentos, o corte no abastecimento seria utilizado como forma de punição coletiva. Há registros de uso de baldes para banho devido à falta de funcionamento de chuveiros.

A alimentação também foi apontada como problema. São servidas três refeições por dia, às 6h30, 11h30 e 16h30, o que impõe um intervalo de cerca de 13h sem comida até o café da manhã seguinte. A Defensoria também apontou que a produção da horta mantida na unidade seria destinada exclusivamente aos agentes penais.

O relatório indica ainda ausência de estrutura interna para atendimento psicológico regular, limitação da assistência odontológica a procedimentos básicos e inexistência de exames preventivos, como mamografia.

Entre as recomendações encaminhadas estão a realização de vistorias técnicas, garantia de fornecimento contínuo de água potável, ampliação da assistência médica, odontológica e psicológica, eliminação de revistas com nudez e respeito aos direitos da população LGBTQIA+.

O documento pede investigação de denúncias de violência física e psicológica, maus-tratos, assédio sexual, racismo, LGBTfobia e xenofobia atribuídas a agentes penais e à direção da unidade.

O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ao Governo de Mato Grosso do Sul e a outros órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema prisional.

O documento é assinado pelos defensores públicos Maurício Augusto Barbosa, Andréa Pereira Nardon e Diogo Alexandre de Freitas.

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CORREÇÃO DOS VENCIMENTOS

Inquérito investiga prefeitura de MS por pagar salário-base abaixo do mínimo aos servidores

Promotora aponta inconstitucionalidade na política remuneratória dos servidores públicos de Naviraí

23/02/2026 17h10

Centro da cidade de Naviraí

Centro da cidade de Naviraí Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu inquérito civil contra a Prefeitura de Naviraí para apurar e corrigir uma suposta violação do Poder Executivo em relação aos pagamentos dos salários-base dos servidores públicos, que estão recebendo abaixo do vencimento mínimo nacional.

De acordo com a Promotora de Justiça, Fernanda Proença de Azambuja Barbosa, a medida adotada pela Prefeitura viola o artigo 7º, inciso VII, da Constituição Federal, o qual trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais e da garantia de salário, que não deve ser nunca inferior ao mínimo.

Ainda segundo os fundamentos da promotora Fernanda Proença, o inquérito foi aberto devido ao flagrante de uma "evidenciada situação" de inconstitucionalidade e também porque o prazo do procedimento (notícia de fato) expirou, sem que a Prefeitura resolvesse o problema de forma voluntária. 

Por fim, Fernanda aponta que, segundo o artigo 169 da Constituição Federal, que trata dos limites de despesas com pessoal, embora existam limites de gastos, a administração do município deve primeiro reduzir despesas com cargos em comissão e funções de confiança (pelo menos 20%) ou exonerar servidores não estáveis antes de sacrificar o direito ao salário mínimo dos servidores. Com a evolução para esta fase, o objetivo do MPMS agora é "apurar e corrigir suposta violação".

Origem do processo

A investigação começou a partir de uma manifestação do gabinete da vereadora Giovana Silvério (PSD), que denunciava uma possível inconstitucionalidade na política remuneratória dos servidores públicos de Naviraí, pelo fato destes profissionais estarem recebendo um vencimento-base inferior ao salário mínimo nacional, atualizado para R$ 1.621 este ano.

De acordo com o documento, as categorias que estão sendo prejudicadas são: 

  • operador de serviços públicos
  • auxiliar de serviços diversos
  • vigia
  • lavador e lubrificador de veículos e máquinas
  • auxiliar de oficina, 
  • técnico de manutenção de parques e jardins
  • zelador
  • auxiliar de laboratório
  • Operador de Serviços Públicos III.

O processo diz que estes profissionais recebiam o montante de R$1.482,68, e para compensar os valores havia o pagamento de R$ 35,32, como "complemento para atendimento ao salário mínimo", amparado, segundo a Prefeitura, na Lei Complementar n° 287, de 9 de junho de 2025.

Ocorre que, durante o procedimento, a prefeitura de Naviraí publicou a Lei Complementar n. 296, de 19 de dezembro de 2025, a qual estabelece que os servidores públicos do poder executivo municipal que recebiam abaixo do salário mínimo passariam a receber vencimento básico de R$1.621,00.

Além disso, a legislação previa ainda que a aplicação dos valores seria condicionada à observância dos limites de despesa com pessoal fixadas na lei de responsabilidade fiscal, além da disponibilidade orçamentária e financeira.

Diante disso, a vereadora Giovana Silvério informou que teria apresentado uma emenda modificativa, a fim de que os efeitos financeiros da lei se aplicassem imediatamente a partir da data de sua publicação. Todavia, a emenda foi rejeitada pelo plenário da Câmara de Vereadores.

Posição do Executivo

A Câmara Municipal de Naviraí alega, através da estrutura da sua política remuneratória e leis complementares, que é possível pagar um vencimento-base inferior ao salário mínimo, desde que a remuneração total, somada a gratificações e outras verbas, atinja o valor do piso nacional.

A administração pública também argumenta que ultrapassou os limites de despesas com pessoal em 2025, os quais ficaram acima do teto estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece o limite de 54% do total das receitas e não pode conceder reajuste de pessoal.

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