Cidades

Entrevista

"O mapa dos problemas nós já temos, agora nós temos que buscar recursos"

Entre as obras apontadas por Marcelo Miglioli que precisam de recursos para serem realizadas ou retomadas está a construção de barragens para conter enchentes na Capital

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Os meses de janeiro e fevereiro em Campo Grande costumam registrar chuvas intensas, que acabam dificultando o andamento dos cronogramas de obras na capital de Mato Grosso do Sul. No entanto, outro problema foi relatado pelo titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli. 

O secretário conversou com o Correio do Estado e informou que todos os problemas de infraestrutura de Campo Grande já estão mapeados, mas faltam recursos para resolver os mais complexos, já que eles envolvem a necessidade de uma obra maior e, consequentemente, mais recursos financeiros. 

Miglioli comenta que o município está em contato com o governo federal, com o governo do Estado e com a bancada federal de Mato Grosso do Sul para buscar recursos e destravar essas obras. Um dos exemplos citados pelo secretário é a barragem no Córrego Segredo, a qual seria importante para sanar os problemas de um dos locais onde mais ocorrem enchentes da Capital. 

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Nós estamos na época de chuvas em Campo Grande e, quando elas vêm fortes, a gente sabe que muitos locais sofrem com o acúmulo de água. Como estão os projetos de contenção de enchentes? 

Na verdade, nós temos problemas que são maiores e problemas que são menores, e nós já temos mapeados esses problemas menores, do dia a dia, e estamos com uma equipe de drenagem própria na rua, atacando pequenos problemas pontuais, que acabam gerando um desconforto para a população. E nós temos problemas maiores, que envolvem a necessidade de uma obra, de uma empresa contratada.

Estamos com algumas obras em andamento. Nós temos, hoje, bacias de contenção sendo feitas em várias regiões da cidade. Um exemplo dessas bacias é aquela da Avenida Mato Grosso com a Avenida Hiroshima, que inclusive já está em operação e já nos ajudou muito nesse período de chuvas. 

Nós tivemos umas duas ou três chuvas torrenciais ali que, se não fosse aquela bacia, provavelmente nós teríamos mais uma vez uma inundação na região do shopping. Isso não ocorreu porque foi feito esse trabalho. Então, são duas frentes em que nós estamos atacando. 

Havia um projeto antigo que previa a construção de barragens no Córrego Segredo, o que ajudaria na retenção do acúmulo de água naquela região. Esse projeto será colocado em prática? 

Na verdade, nós já temos um mapa de praticamente todos os problemas da cidade. E qual é a grande dificuldade? Todos os serviços envolvem recursos e nós temos que alocá-los.

Então, nós estamos conversando com o Estado e com o governo federal. Estamos fazendo o nosso trabalho interno para ver de que forma a gente pode conseguir recurso. Conseguindo recurso, nós vamos seguir essa agenda.

É importante a gente falar que Campo Grande tem um passivo muito grande nessa área de drenagem, e esse passivo vem de muitos e muitos anos. Então, os problemas já estão levantados, já estão mapeados, e agora nós estamos em busca de solução. 

Algumas soluções nós já vamos colocar em prática, por exemplo, nós temos um problema de inundação lá na região norte, na Avenida Cônsul Assaf Trad e na rua que vai para o Hospital São Julião.

Nós acreditamos que, concluindo aquelas obras do Bairro Nova Lima, que nós já temos duas etapas prontas e vamos relicitar outras duas, vamos dar uma minimizada naquela região.

Nós temos uma outra região muito séria em Campo Grande, que é a região do Bairro Noroeste. Ele joga muita água para o Bairro Chácara dos Poderes e aqui para a BR-262, que é a saída de Três Lagoas. Ali, nós estamos apenas com uma obra, não vamos conseguir resolver o problema do Noroeste, mas nós temos já levantada a solução.

Nós temos um problema que talvez seja o mais grave para se resolver em Campo Grande, que é o da Avenida Rachid Neder com a Avenida Ernesto Geisel, que é onde você está, inclusive, falando que existe esse projeto dessas barragens do córrego para a gente poder resolver aquela situação. 

É uma obra grande e complexa, que envolve muitos recursos. Então, o mapa dos problemas nós já temos. Agora, temos que buscar recursos para que possamos ir atacando ponto a ponto. 

Então não há previsão porque ainda depende de os recursos serem liberados?

Sim, os que têm previsão são aqueles que eu já tenho recursos alocados. Então, no Bairro Nova Lima eu já tenho alocado.

Nós temos uma obra no Bairro Noroeste que nós estamos fazendo, temos recursos para fazer a relicitação daquele trecho de Avenida Ernesto Geisel, que foi paralisado e que a empresa devolveu o contrato e depois deu uma licitação deserta. Mas aquilo que tem mapeado e que ainda não tem recurso eu não tenho como falar em prazo. 

O PAC contemplou algumas obras de contenção de erosão, entre elas, a da Ernesto Geisel e a do Rio Anhanduí. Há uma previsão de quando serão destinados recursos para essas obras? 

Olha, é difícil falar. Isso aí é uma pergunta que tem que ser feita para o governo federal. A gente espera que seja quanto antes. 

Ainda sobre os repasses do PAC, há alguma obra que já deve ser iniciada este ano? Se sim, qual a previsão de entrega? 

Na verdade, nós temos algum recurso do PAC antigo. Por isso que eu digo, nossa prioridade aqui está sendo realmente pôr para andar todas aquelas obras que são de convênios, que são de recursos antigos.

Essa é a nossa agenda principal. Limpando essa agenda, a gente vai entrar na agenda de novos projetos. 

Outra obra importante e antiga é a revitalização da antiga rodoviária. Quando ela deve ser entregue e por que está ocorrendo essa demora? 

Vou te passar as informações que foram passadas para mim, eu não estava na gestão, mas houve um erro, um problema no projeto de fundação. Então, demorou de oito a nove meses para poder resolver o projeto de fundação.

Esse problema foi resolvido, eu fiz uma visita à obra na semana passada ou retrasada e ela está andando no ritmo normal. Estou satisfeito com o andamento da obra, e a gente tem o cronograma para entregá-la neste ano de 2024.

Então, os problemas de atraso que ocorreram lá foram anteriores à minha chegada aqui, mas a informação que eu tenho é de que atrasou por conta do projeto de fundação. 

A previsão é de que ela seja entregue até o fim deste ano? 

Nós estamos trabalhando forte para que a gente possa entregar quanto antes, mas o compromisso que nós estamos assumindo é de entregá-la até o fim do ano. 

Como está o cronograma de recapeamento este ano e quais são as vias que devem ganhar asfalto novo? 

Esse é um problema sério de Campo Grande, todo mundo sabe disso, todo mundo fala sobre isso. Até a gente está ouvindo as pessoas comentando sobre a questão do recapeamento, nós sabemos qual é a solução, mas a solução envolve recurso. Então, estamos com planejamento sobre o que é preciso ser feito.

Agora, nós temos que fazer o planejamento financeiro dentro do planejamento financeiro que nós tivermos. E aí também a gente conta com a bancada federal, com o governo do Estado e com recurso próprio do município, e, dentro do que nós tivermos de recurso, vamos fazer um programa de recapeamento.

Até se os agentes federais nos ajudassem nessa parceria, seria muito interessante para Campo Grande, porque, realmente, há muita necessidade de recapeamento. 

A Avenida Duque de Caxias está passando por uma revitalização. Houve uma redução nos trabalhos por conta das chuvas? Há alguma previsão de ela ser reformada com força total? E os outros trechos da avenida, quando devem ser licitados? 

Na verdade, existe uma obra no local por conta do Município de Campo Grande. Foi feita uma pactuação entre o Município de Campo Grande e governo do Estado, em que o município faria uma alça e o governo do Estado faria outra.

Então, eu posso falar sobre a alça que está sendo gerida pelo Município de Campo Grande.

Nós tivemos agora, no fim do ano, uma redução de serviço que é normal em todas as obras de pavimentação, porque não dá para você fazer pavimentação no período de chuvas, não tem produção e o serviço sai comprometido. Por conta disso, esperamos retomar agora.

Nós tivemos uma situação no fim do ano em que estávamos esperando algumas liberações de recursos federais, aquela obra tem uma parte que é com recurso federal, e esse recurso não veio, nós estamos correndo atrás dele e esperamos tocar com tranquilidade agora aquela obra da Avenida Duque de Caxias. 

resultados de agosto

Após recorde histórico em julho, exportações de MS caem 25%

Mas, se forem levados em conta os dados relativos aos oito primeiros meses do ano, as vendas externas subiram 11,9%, acumulando US$ 8,2 bilhões

05/09/2026 12h24

Celulose exportada a partir dos quase 2 milhões de hectares de eucaliptos garantiu faturamento de US$ 316 milhões  em agosto a MS

Celulose exportada a partir dos quase 2 milhões de hectares de eucaliptos garantiu faturamento de US$ 316 milhões em agosto a MS

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Depois de atingir o recorde histórico de um único mês em julho, com 1,3 bilhão de dólares, as exportações de Mato Grosso do Sul em agosto encolheram em quase 25% e fecharam no menor patamar dos últimos seis meses, ficando em US$ 978,3 milhões, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O valor, contudo, é 3,3% acima daquilo que o Estado exportou em agosto do ano passado.

A principal explicação para a queda com relação ao mês passado é a diminuição na venda de soja (-43%), e de carne bovina (-29%), que recuaram de US$ 631 milhões para apenas US$ 388 milhões.

Ambos têm a China como principal comprador e que em agosto avisou que o Brasil atingiu a cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina sem aplicação de uma taxa tributária de 55%, provocando queda na venda de carne para o país asiático.

Por conta desta cota, as exportações de carne bovina encolheram 19% na comparação com agosto do ano passado, recuando de US$ 173,4 milhões para US$ 140,4 milhões. No acumulado do ano, as vendas externas de carne bovina somam US$ 1,5 bilhão, o que representa aumento de 33,7% na comparação com os oito primeiros meses de 2025.

Se forem levados em consideração os dados relativos a todas as exportações de Mato Grosso do Sul nos primeiros oito meses, a soma chega a US$ 8,2 bilhões, um volume 11,9% maior que em igual período de 2025.

Somente com a soja o Estado faturou US$ 2,7 bilhões, o que representa aumento de 33,9% na comparação com o ano anterior. E por conta disso, o grão deixou a celulose para trás e voltou ao topo do ranking dos principais produtos de exportação, representando 32,8% de tudo o que foi vendido para o mercado externo.

A celulose, que está em segundo lugar no rankig e representa 26,1% das exportações,  rendeu US$ 2,1 bilhões, o que é 1,9% abaixo do faturamento do ano anterior. Estes números mostram uma ligeira recuperação nos preços, já que o volume exportado sofreu recuo superior ao do faturamento, da ordem de 4,8%, passando de 4,664 milhões de toneladas para 4,438 milhões de toneladas.

Cotação em baixa

E, além da celulose, carnes e soja, outro importante produto da pauta de exportações de Mato Grosso do Sul é o minério de ferro, que neste ano responde por 1,9% das vendas. A participação só não é maior porque o faturamento despencou 44,9%, passando de US$ 279,5 milhões para US$ 154 milhões nos oito primeiros meses dos últimos dois anos.

Essa queda no faturamento ocorreu simplesmente porque o preço dos minérios despencou. O volume exportado até teve alta, de 11%, passando de 6,349 milhões de toneladas para 7,080 milhões de toneladas, tudo sendo escoado pela hidrovia do Rio Paraguai. O valor médio da tonelada caiu de 43 dólares para cerca de 22 dólares.

Parceiros comerciais

E em meio aos tarifaços impostos por Donald Tramp, os Estados Unidos caíram para terceiro lugar no ranking dos países que mais compraram produtos de Mato Grosso do Sul, sendo supurados pela Holanda.

Na comparação com agosto do ano passado, as vendas para os holandeses cresceram 172% e somaram US$ 62,9 milhões. Na comparação dos oito primeiros meses, as vendas para a holanda cresceram 45%. 

Os Estados Unidos, por sua vez, compraram o equivalente a US$ 46,3 milhões. Mas, apesar de ter perdido importância, ainda assim as vendas em agosto para os norte-americanos foram 89% maiores que em igual mês de 2025.

Em primeiro lugar, disparado, segue a China. O país asiáticos foi responsável por 48% de tudo aquilo que o Estado exportou em 2026. Mas, países como Índia, Paquistão, Tailância e Irã estão com importância cada vez maior.

Somadas, as vendas para testes quatro países cresceram 87%, com destaque para o Paquistão, que teve alta de 284%. No ano passado, o faturamento com os quatro parceiros comerciais foi de US$ 309,5 milhões, ante US$ 577 milhões em 2026.

Por conta deste crescimento, passaram a ter relevância maior que os Estados Unidos, que no ano importaram US$ 500 milhões em produtos produzidos em Mato Grosso do Sul. 

Reviravolta

STJ determina andamento de ação contra o 'prefeito mais louco do Brasil'

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB) vai responder novamente por improbidade administrativa, após se autopromover em festas da cidade às custas dos cofres públicos

05/09/2026 10h30

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB)

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB) GERSON OLIVEIRA

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Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB), popularmente conhecido como “o mais louco do Brasil”, vai responder novamente pela ação de improbidade administrativa, após se autopromover em festas da cidade às custas dos cofres públicos.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) havia encerrado o processo contra o prefeito, na fase inicial, por suposta falta de provas.

Mas, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) reverteu a decisão e determinou o andamento do processo, com a justificativa de que a apuração sobre a intenção do prefeito deve ocorrer após a fase de instrução processual, quando haverá análise profunda das provas.

O STJ avaliou que o TJMS agiu de forma precipitada ao julgar o mérito da ação e extinguir o processo logo na fase inicial.

Em primeira instância, a Justiça havia acatado o pedido liminar do Ministério Público e determinou que o prefeito pare de se promover em eventos públicos (com multa de R$ 20 mil por descumprimento) e o pagamento de aproximadamente R$ 307 mil a título de dano moral coletivo.

Com isso, o processo foi reaberto e o STJ determinou o restabelecimento imediato da decisão de primeiro grau e o andamento das investigações.

De acordo com o Ministério Público (MPMS), o prefeito agia como se fosse parte das atrações musicais contratadas pela prefeitura: subia no palco, cantava, dançava e até participou de uma montaria em touro vestido como peão.

Tal fato evidencia que ele se promovia às custas dos cofres públicos em eventos festivos da cidade, cujos gastos giravam em torno de R$ 3.070.224,85.

Além disso, ele postava toda essa atuação em suas redes sociais, que somadas (Instagram, TikTok e Facebook) totalizam aproximadamente 1,5 milhão de seguidores.

Para a promotoria, a conduta fere os princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade.

Ao Correio do Estado, o prefeito afirmou que irá recorrer contra a decisão do STJ e que não subiu ao palco com o objetivo de se autopromover.

"Respeito a decisão do STJ, mas eu vou recorrer sim. Eu como gestor não vejo que foi cometido nenhum tipo de irregularidade. Não vejo que foi cometido algum tipo de crime. Não acho justo uma coisa que já estava encerrada, uma parte virada, mas estamos aí para responder juridicamente. Se eu quero me promover, eu me promovo na minha própria rede social que hoje é maior que qualquer evento dentro da minha cidade", explicou Juliano Ferro.

De acordo com o chefe do executivo municipal de Ivinhema, o evento em questão rendeu R$ 40 mil em doação para um asilo.

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