Cidades

Caçada pela PF

De MS, "Pablo Escobar de saia" esconde R$ 1 bilhão em salas secretas pelo Brasil

Maior narcotraficante do Brasil, ex-moradora de Campo Grande teria espalhado fortuna bilionária em esconderijos pelo País

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A maior narcotraficante do Brasil é ex-moradora de Corumbá, onde residiu na juventude, e de Campo Grande, onde permaneceu até se tornar foragida da Justiça, em 2019. Karine de Oliveira Campos, de 47 anos, conforme investigação da Polícia Federal (PF) e reportagem publicada pela Revista Piauí, tem patrimônio bilionário e estaria em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A “Pablo Escobar de saia” está foragida desde agosto de 2019, quando escapou da Operação Alba Vírus, da Polícia Federal. Karine Campos, com o marido, Marcelo Mendes Ferreira, lidera uma das maiores organizações de narcotráfico do Brasil.

A quadrilha do casal é independente, mas, em alguns casos, conforme indica a reportagem do jornalista Alan de Abreu, da Revista Piauí, também já fez parceria com traficantes ligados à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo.

A estimativa da Polícia Federal é de que o casal tenha um patrimônio que supera R$ 1 bilhão. Assim como o narcotraficante colombiano, considerado o mais poderoso do planeta nos anos 1980 e início da década de 1990, Karine Campos também espalha sua fortuna pelo País. A suspeita da PF, indica a reportagem, é de que os milhões de reais dela e do marido estejam escondidos em vários cantos do Brasil.

A quadrilha de Karine Campos e Marcelo Ferreira tem forte atuação em Mato Grosso do Sul e em estados com portos movimentados, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de Minas Gerais e Bahia.

No caso do estado nordestino, foi lá que Karine teve sua primeira passagem pelo mundo do crime: ela levava crack de Corumbá e revendia em Salvador, tudo isso, com menos de 20 anos de idade.

Carandá Bosque

A última vez que Karine esteve legalmente livre em território brasileiro foi em 27 de fevereiro de 2019, quando morava em uma casa de alto padrão no Bairro Carandá Bosque, em Campo Grande.
Karine era o principal alvo da Operação Alba Vírus, mas se passou por sua mãe, Sandra, ao ser “visitada” pelos policiais federais.

Casa onde Karina Campos morava, no Bairro Carandá Bosque, em Campo Grande

Apesar de os agentes da PF terem apreendido com a mulher uma aliança com o nome “Karine”, R$ 5 mil, celulares e vários papéis, os policiais liberaram a suposta Sandra. Ainda na manhã daquele dia, a verdadeira Sandra foi presa em Itajaí (SC), e os policiais se deram conta de que a mulher que se passou por ela em Campo Grande era, de fato, a chefe da quadrilha.

Houve sindicância na Polícia Federal, mas ninguém foi punido.

Venda de sentença

A reportagem de Alan de Abreu indica que Karine tem um histórico de suborno de autoridades. Ela já teria subornado magistrados na Bahia por R$ 200 mil e teria, se não intermediado, participado ou financiado operações e habeas corpus de grandes narcotraficantes.

Um deles é o paulista André Oliveira Macedo, também conhecido como André do Rap, libertado em outubro de 2020 pelo então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.

Na época, no presídio onde estava, em Presidente Venceslau (SP), André do Rap não escondia de ninguém que seria solto. E foi. Quando o então presidente do STF Luiz Fux reverteu a decisão de Marco Aurélio Mello, André do Rap já estava longe, muito provavelmente no Paraguai, para onde teria fugido de helicóptero, conforme a reportagem.

Informações em poder da Polícia Federal e citadas pela Revista Piauí indicam que o valor gasto pelo grupo comandado por Karine para soltar André do Rap foi de aproximadamente US$ 5 milhões – o que à época correspondia a quase R$ 30 milhões.

Pouco mais de um ano após a soltura de André do Rap, o grupo chefiado por Karine também teria financiado outra libertação de réu por tráfico. Dessa vez, de Leonardo Costa Nobre, preso preventivamente em 2021, sob suspeita de operar uma rota de tráfico de cocaína, por meio de jatinhos particulares, entre Belo Horizonte (MG) e Lisboa, em Portugal.

A “compra” de desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília (DF), para soltar o subordinado de Karine teria custado aproximadamente R$ 3,5 milhões.

A reportagem ainda afirma que Karine e Marcelo sempre atuaram oferecendo vantagens a autoridades para manter a operação. Funcionários da Receita Federal do Porto de Paranaguá (PR) e de portos catarinenses teriam sido presenteados com relógios Rolex.

Alto volume

Quando a Operação Alba Vírus foi deflagrada, a quadrilha de Karine e do marido já havia perdido pelo menos 3 toneladas de cocaína apreendidas em portos.

Em Campo Grande, além da casa no Carandá Bosque, a quadrilha mantinha uma transportadora localizada no Bairro Coopharadio, e Karine e o marido ainda haviam comprado uma fazenda na MS-040, na zona rural da Capital. Algumas propriedades estavam no nome da mãe dela, Sandra.

A suspeita da Polícia Federal é de que o grupo continue em operação. Entre fevereiro de 2019 e julho de 2022, a Receita Federal e a PF apreenderam 16,7 toneladas de cocaína da quadrilha em território brasileiro.

Quando fugiu da Polícia Federal, em Campo Grande, Karine teria se escondido em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Atualmente, a suspeita é de que ela e Marcelo estejam morando em Dubai.
 

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URGÊNCIA

Leitos sobram em hospitais de Campo Grande, mas falta de recurso impede o uso

Superintendente do Ministério da Saúde em MS diz que não "enxergou" recursos empenhados pelo Município no relatório do terceiro quadrimestre de 2025

02/03/2026 17h45

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A "epidemia" de acidentes resulta na falta de leitos para outros pacientes, como idosos e crianças, na Santa Casa de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Câmara Municipal promoveu uma audiência pública, na manhã desta segunda-feira (2), para debater a crise na saúde pública de Campo Grande. As responsabilidades, o colapso assistencial e a necessidade de medidas extraordinárias de intervenção estadual ou federal foram os temas debatidos.

À frente do Fórum das Entidades Representativas dos Usuários de Saúde, Sebastião Arinos Junior, trouxe uma reflexão sobre o que causou o atual cenário vivenciado em Campo Grande. “Temos leito sobrando, podendo ser contratualizado”, afirmou, citando o Hospital Universitário onde há 30 leitos vagos, além do Hospital de Câncer, Hospital do Pênfigo, mas por falta de recursos não são utilizados.

As deficiências na atenção primária também foram mencionadas, além da necessidade de maior participação do Estado nos investimentos.

Em relação ao pedido de intervenção, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) se posicionou a pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e deu um prazo para as melhorias, considerando que o novo secretário de Saúde, Marcelo Vilela, assumiu a pasta em janeiro. Portanto, em maio o assunto voltará ao debate, informou o presidente do Conselho, Jader Vasconcelos.

“Ano passado foi muito difícil, nesses 14 anos em que estou na prefeitura foi o mais difícil, pois está faltando o básico para trabalhar. Falta medicamento, insumo”, detalhou Jader Vasconcelos, informando ainda que o servidor está tendo de arcar com itens básicos, como papel higiênico e material de limpeza para os postos de saúde.

O superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo Costa, apresentou informações sobre o relatório do terceiro quadrimestre de 2025, apresentado na última sexta-feira (27), durante audiência pública na Câmara. 

De acordo com Ronaldo, em relação às despesas liquidadas, a União repassou R$ 763 milhões e o Estado, R$ 278 milhões, mas que não "enxergou" os recursos empenhados pelo Município.

Hospitais

A estruturação da rede hospitalar de Campo Grande foi apresentada na audiência pública, com participação de diretores do Hospital Regional e da Santa Casa.

O Hospital Regional de Campo Grande segue recebendo pacientes de urgência e emergência, conforme esclareceu o diretor Paulo Eduardo Limberger, que trouxe à audiência a importância da regulação, que é uma regra do SUS.

Há dois anos, a Santa Casa de Campo Grande enfrenta dificuldades sem revisão contratual, conforme informou o diretor de negócios e relações institucionais, João Carlos Marchezan. Ele recorda a intervenção que ocorreu no hospital em 2005. À época, a dívida iniciou em R$ 37 milhões e passou para R$ 160 milhões.

“Partindo dessa experiência, digo que intervenção tem que ser muito bem pensada, porque significa supressão de uma instância. Estou aqui pedindo muita responsabilidade nisso”, disse João Carlos Marchezan.

Pacto institucional

“A criação de um pacto institucional para desestrangular a municipalização do SUS e trazer saúde melhor para as pessoas” foi uma das propostas encaminhadas na discussão, apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro, presidente e proponente da audiência.

A vereadora citou a necessidade de cooperação para que a saúde de Campo Grande avance. “Tivemos uma série de situações que nos impõe uma reunião como essa. Devemos ter outras, mas no âmbito do interesse da população, que é o que a Câmara representa, há cenário de grave crise estrutural e assistencial, marcado por reiteradas denúncias”, afirmou.

Pacientes também trouxeram seus depoimentos das dificuldades enfrentadas, a exemplo da jornalista Ana Rita Amarilia. Ela é diabética e faz uso contínuo de medicação e insulina.

“Já aconteceram várias vezes de chegar lá no posto e não ter a medicação. Já peguei a medicação sem a seringa também, o que não faz sentido, buscar medicamento injetável e te darem sem o equipamento para tomar”, pontuou.

Gestão 

Ronaldo Costa, do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, disse que ainda há R$ 1,3 bilhão do Orçamento da saúde de 2025 para 2026 para serem repassados, referente ao o valor mínimo destinado pelo Estado, União e Município.

“O SUS é tripartite, conta com Estado, União e Município. Nenhum ente isoladamente conseguirá resolver os problemas de saúde”, afirmou o secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, que assumiu o comando da pasta em janeiro.

Ele confirmou que houve muitos problemas em 2025, mas acrescentou que o momento é de transição e reorganização administrativa, citando a necessidade de transformar a crise em oportunidade de rediscussão e transparência.

Medicação de maneira funcional e previsível, fluxo de ambulância, regulação de leitos são algumas das necessidades urgentes.

Sobre a proposta de intervenção, o secretário da saúde, Marcelo Vilela, citou que este é um instrumento previsto, mas excepcional. “Antes dela, precisamos fortalecer o plano de ação pactuado”.

Acrescentou, ainda, que a equipe está alinhada para esse desafio de fazer gestão para todos. “Não existe solução simples, mas caminho possível. Proponho um pacto institucional, nossa proposição é melhorar”, afirmou

A Audiência foi motivada diante do colapso assistencial que atinge a Capital, marcado por superlotação nas UPAs, escassez de medicamentos e insumos, paralisação de serviços na atenção primária, fragilização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e falhas graves no sistema de regulação de leitos.

Relatórios do CMS apontam irregularidades estruturais e comprometimento da segurança de usuários e trabalhadores.

O MPE também instaurou procedimentos e ações judiciais para apurar falhas na prestação dos serviços, tanto na rede municipal quanto hospitalar conveniada.

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caiu em fevereiro

Exército aguarda aval do governo para instalar ponte de guerra em Rio Negro

Agesul disse que pedido para a ponte provisória está sendo avaliado "com urgência" e que estrutura metálica não comprometerá obras da ponte de concreto

02/03/2026 17h30

Ponte caiu durante travessia de carreta em 22 de fevereiro

Ponte caiu durante travessia de carreta em 22 de fevereiro Foto: Idest

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A instalação de uma ponte provisória na MS-080, em Rio Negro, depende de autorização da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), que informou que já recebeu o pedido e que ele está sendo processado "com urgência".

A ponte sobre o Rio do Peixe caiu no dia 22 de fevereiro devido ao grande volume de chuva na cidade, provocando a queda de um caminhão que fazia a travessia. O governo atribuiu o acidente ao caminhão que estava com excesso de peso.

De acordo com o General de Brigada de Exército, Marcelo Zanon Harnisch, já foi feito um reconhecimento especializado no local, junto ao Batalhão de Engenharia e Combate de Aquidauana, e o Exército aguarda o aval do governo para iniciar a montagem da estrutura.

"Levantamos algumas possibilidades para serem feitas para possibilitar o restabelecimento do acesso das pessoas e estamos conversando com o governo do Estado para saber qual decisão vai ser feita, estamos prontos para apoiar tanto o governo do Estado quanto o município de Rio Negro. O reconhecimento foi feito, estamos só aguardando o posicionamento oficial", disse o general.

Conforme noticiou o Correio do Estado, no dia 26 de fevereiro, o Exército Brasileiro esteve em Rio Negro, juntamente com equipe da Agesul, para avaliar a situação da ponte e elaborar um relatório para a montagem de uma estrutura metálica, geralmente utilizada em calamidades públicas, reconstruções e operações militares, conhecida como “ponte de guerra”. 

Em nota, a Agesul informou, nesta segunda-feira, que o pedido formal da instalação da ponte já foi feito e está em fase de processamento.

"Na última sexta-feira (27), equipe técnica realizou vistoria no local, confirmando a viabilidade da instalação sem interferência na futura obra de reconstrução da ponte", diz a nota.

"A inspeção também permitiu definir os parâmetros técnicos para o anteprojeto da nova estrutura e para a remoção da ponte colapsada. A contratação para reconstrução está sendo tratada em caráter emergencial e deve ser formalizada nos próximos dias", acrescentou a Agesul.

Ainda segundo a agência, as especificações técnicas da ponte provisória serão fornecidas pelo Exército, responsável pelo dispositivo e sua instalação.

Já a Agesul, coube apenas a definição do ponto de instalação, garantindo que a estrutura provisória não comprometa a execução da nova ponte.

O Correio do Estado questionou o valor da obra e pediu mais detalhes sobre qual a estrutura temporária será usada, se flutuante ou fixa, se será de mão dupla, quanto peso suporta, entre outros, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Atualmente, a travessia de pedestres está sendo feita por barcos no rio, com apoio do Exército na cidade.

A via está interditada e motoristas devem pegar outras rodovias, como a BR-163 (indo por São Gabriel do Oeste) e BR-419 (indo para Corumbá).

Por enquanto, foram abertas duas rotas alternativas para carros pequenos, impedindo a passagem de caminhões. As alternativas são o Corredor do Girotto, passando pela ponte de concreto, sentido Córrego do Café. E a outra pela estrada do Laticínio, sentido Fazenda Finado Álvaro Rigonatto e com saída em frente à Fazenda Rancho Grande, na MS-419.

Ponte de guerra

O modelo de ponte LSB (Ponte de Acesso Logístico) é uma estrutura desenvolvida durante a segunda guerra mundial. Ela é usada essencialmente em rotas de abastecimento, modernizada para tráfegos pesados, substituição de pontes civis estragadas e pontes provisórias. 

Além do Brasil, seu projeto tem sido utilizado em diversos países do mundo, como a Alemanha, África do Sul, Irlanda, Filipinas, Camarões, Paquistão, Escócia, Reino Unido, Nova Guiné, Madagascar, País de Gales, Trinidad e Tobago e República do Congo. 

Por ser feita com materiais leves e modernos, sua montagem pode ser feita à mão ou com o uso de equipamentos leves, podendo ser desmontada e guardada. Ela tem suporte para aguentar a passagem de tanques de guerras e é facilmente transportada.

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