O Pantanal registrou em 2025 um dos menores níveis de supressão de vegetação nativa desde o início do monitoramento oficial, em 2001. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que a área desmatada no bioma entre agosto de 2024 e julho de 2025 caiu 65,4% em comparação com o ano anterior, configurando o terceiro menor índice da série histórica.
No período, foram suprimidos 291,21 quilômetros quadrados de vegetação nativa. Em 2024, o total havia chegado a 842,44 km², um dos piores resultados já registrados para o bioma.
A maior parte da área afetada em 2025 está em Mato Grosso do Sul, que respondeu por 81,6% de toda a supressão registrada, o equivalente a 237,69 km². Mato Grosso concentrou os outros 18,3%, com 53,51 km².
A queda expressiva ocorre após anos de alta no desmatamento e coincide com o fortalecimento do monitoramento no bioma. Desde 2023, o Pantanal passou a contar com um sistema de alertas diários que identifica rapidamente novas áreas de supressão, permitindo resposta mais ágil dos órgãos ambientais.
Esse acompanhamento mais próximo viabilizou operações de fiscalização e autuações de responsáveis por danos ambientais, o que, segundo Cláudio Almeida, coordenador do Programa BiomasBR, ajudou a reduzir gradativamente as áreas de desmate detectadas ao longo dos meses seguintes.
Uma dessas mudanças positivas foi a implementação do Monitoramento Diário da Supressão e Degradação da Vegetação Nativa (Deter Pantanal). O sistema passou a emitir alertas diários sobre alterações na cobertura vegetal, oferecendo subsídios diretos às ações de fiscalização e controle da supressão no bioma.
O uso desses dados foi determinante para a deflagração da Operação Piúva, conduzida pelo Ibama em dezembro de 2023, que resultou na identificação e responsabilização de diversos autores de infrações ambientais no Pantanal.
Após a operação, as áreas de alerta de supressão passaram a apresentar redução progressiva, movimento que agora é confirmado pelos números consolidados de 2025.
Para assegurar a confiabilidade das informações, equipes do INPE, do Ibama e da Embrapa realizaram, em agosto de 2025, uma campanha de vistorias em regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O trabalho incluiu visitas a áreas previamente apontadas por imagens de satélite, além do reconhecimento das principais formações naturais e dos padrões de uso do solo no bioma.
O levantamento faz parte do Programa BiomasBR, que produz os dados oficiais sobre desmatamento no Brasil e serve de base para políticas públicas e ações de fiscalização ambiental.

